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Friday, September 18, 2026

O fantasma Passos, teimosia na CPI e o custo para o Governo

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Olá, bem-vindos à "Vici Suave". O Chega tem o poder potestativo, mas não conseguiu, pelo menos para já, uma comissão de inquérito. Pedro Passos Coelho tem um plano para o país, mas falta-lhe o partido e os votos. Luís Montenegro tem o poder, mas não tem boas sondagens. José Luís Carneiro tem vantagem nos estudos de opinião, mas não vislumbra uma maioria que lhe permita ser primeiro-ministro. Vou parar por aqui esta introdução, até porque, como diria Pedro Passos Coelho, o tempo está a esgotar-se.

Não fiz nenhuma travagem. Não pode investigar indiscriminadamente toda a atividade.

Entrou no rol daqueles que continua a defender e que vai fazer tudo para defender a podridão do sistema político em que vivemos.

Pode investigar factos até que tenham relevância criminal, mas não pode substituir-se ao Ministério Público ou aos tribunais.

Degrada ainda mais as instituições, porque levanta a suspeita ainda maior de que para lá dos partidos políticos, a própria Assembleia da República está sequestrada, com medo. Quem quiser acreditar noutras fantasias, pode acreditar, mas isto é o que se passa.

Eu sou o Rui Pedro Antunes, não sei se quero acreditar noutras fantasias, acho que depende dessas fantasias. Sou editor de política do Observador. Tenho comigo o Miguel Vítor Dias, da Rádio Observador, coordenador de política, e também as jornalistas da seção de política, Rita Tavares e Inês André Figueiredo. Vai começar a "Vici Suave". Ia começar por propor uma sopa ácida. Isto pode baralhar muita gente, porque há acidez em todo lado.

Todas as sopas podem ficar ácidas quando ficam estragadas.

É uma sopa ácida?

Sim, um cravinho de acidez.

Não, eu estou a falar mesmo daquela ácida picante dos restaurantes chineses.

Ah!

Acho que cada um fez a sua leitura de sopa ácida.

Eu acho que não tenho mundo para isso.

Eu também tenho muito pouco.

És ali à Almirante Reis.

Isso é muito longe. Rita, queres começar tu?

É uma estação do metro.

Isto é o programa da Bolha. Almirante Reis é longe.

O Miguel vai começar.

Pela sopa ácida.

Sim.

Há aqui uma acidez. Primeiro, eu estou muito feliz por estar de regresso à "Vici Suave". Estava preocupado, porque desde a reentrada ainda não tinha entrado. Pensei: "Epa, não estou rotinado outra vez", mas Luís Montenegro safou isto porque há novidades acerca da "Vici Suave".

É isso, mas desde que foste embora, vou te dar algumas novidades. Luís Neves é ministro para quem não se apercebeu. Não surpreende muito. Luís Montenegro está com baixa popularidade, tal como estava antes de se tornar ministro.

Está tudo mais ou menos igual.

A inflação está a 3%.

Exato. Também infelizmente continua mais ou menos igual.

Nem vale a pena falar de combustíveis, porque não precisas, não é?

Estou aqui a deprimir as pessoas.

Não sei porque deixei de poder ir à bomba.

Vou falar de uma coisa mais animada, que é a relação entre José Pedro Aguiar-Branco e André Ventura, que no meio de tudo isso, até mesmo assim é o melhor dos nossos problemas. O presidente da Assembleia da República marcou na quarta-feira uma declaração ao país, também para as 11h30 da manhã, não para as 20h, para um braço de ferro ou uma carga de ombro, como estávamos aqui a ouvir, com André Ventura e com a comissão de inquérito a Luís Neves. E isso gerou uma novela em vários capítulos, porque André Ventura apoiou nessa recusa da comissão de inquérito para marcar uma conferência de imprensa, marcar uma reunião com Aguiar-Branco, reagir à reunião e portanto já lá vão quatro declarações de André Ventura sobre esta tentativa de comissão de inquérito e ainda não fica por aí, porque há de apresentar o requerimento e portanto há de fazer mais uma conferência de imprensa para o apresentar. Portanto, a decisão de Aguiar-Branco, pretendendo o presidente da Assembleia da República vincar um ponto, acaba por ter, como em quase todas as iniciativas, um efeito mediático positivo para André Ventura, que entre o deve e o haver, não sei se terá compensado muito. De qualquer forma, há um histórico já de comissões de inquérito que foram rejeitadas por presidentes do Parlamento. Não é muito comum. Aguiar-Branco quis também socorrer-se disso, mas o que é certo é que no final do jogo, o presidente do Chega conseguiu levar água ao seu moinho e fazer essa comissão de inquérito para também não largar o osso do Luís Neves, que será o grande assunto de desgaste do governo até o final do ano civil, pelo menos é isso que pretende o líder do Chega.

Sim, eu falava ali quase numa estratégia de José Pedro Aguiar-Branco para tentar colar o máximo possível, atrasar para colar ao orçamento em que o debate é suspenso e depois só retomar mais tarde para salvar a pele a Luís Neves. Rita, queres dizer alguma coisa sobre isto?

Não, eu corroboro a posição do Miguel relativamente ao facto de Aguiar-Branco, sendo legítimo recusar uma proposta de comissão de inquérito potestativa, a verdade é que marcou um ponto e deu três a marcar a André Ventura, que não tem falado de outra coisa nos últimos dias, tem tido muito espaço de antena e sobretudo tem vincado aquele discurso que o tem O que o tem feito ganhar terreno face a PS e PSD é o discurso anti os partidos que estão no sistema e que concertam posições para travar as pretensões do Chega e, neste caso, para clarificar a situação de alguém que está neste momento em funções no governo e que antes disso tinha sido diretor nacional da Polícia Judiciária. Parece que há aqui uma tentativa, ou pelo menos é o que André Ventura aproveita para fazer, que é dizer que há aqui uma tentativa de silenciar esta polêmica. E no caso de Luís Neves, a verdade é que o Partido Socialista também tem dado uma certa ajuda, porque tem deixado o assunto ser varrido para debaixo de uma mesa e não tem feito de Luís Neves o inimigo que tem feito, por exemplo, de Fernando Alexandre, aprovando, viabilizando e anunciando esta semana que vai viabilizar a comissão de inquérito que foi proposta pelo Bloco de Esquerda ao ministro da Educação. Portanto, tudo aqui está, de facto, a alimentar esta vitimização permanente de André Ventura perante o sistema e contra o sistema.

Deixa ver se já que existiram resistências dos professores nos exames, se calhar a comissão de inquérito vai ajudar a tentar descortinar, por assim dizer, quem foram as pessoas que andaram a bloquear o sistema para que corressem mal os exames. Até pode ser bom para o ministro da Educação se descobrir quem foram essas pessoas. Inês, CPI André Ventura versus José Pedro Aguiar Branco: já não tenho paciência para Ventura. José Pedro já não tem paciência para Ventura Aguiar Branco.

O Miguel e a Rita já disseram quase tudo. De facto, é o típico caso em que André Ventura consegue passar essa imagem de vitimização. Agora, com isto não significa que por haver vitimização de um partido, o sistema deixe de funcionar e o presidente da Assembleia da República tenha de aceitar uma comissão parlamentar de inquérito, que na visão de Aguiar Branco, não cumpre os critérios. Ainda assim, é difícil fazer comparações, porque na verdade já foram aceites várias comissões de inquérito em formatos bastante diferentes, umas com objetos mais apertados e mais abrangentes, outras menos. A verdade é que o Chega vai insistir. Obviamente que quer que esta CPI seja aprovada, até porque é potestativa, mas vamos esperar para ver o que apresenta, não podendo apresentar um objeto como a do JPP, porque não concorda com ele. Portanto, vamos ver até onde o Chega pode ir e até onde acha que é viável fazer o caminho ao encontro de José Pedro Aguiar Branco, porque também não vai distorcer completamente o objeto que tinha, o que não permitiria aquilo que é o objetivo do partido.

Inês, se calhar agora invertemos e começamos por aí.

E depois vai andando. Está bem.

Parece que estamos no "Vence o Dóré", que sempre há alguém que diz: "Olha, agora vamos seguir vocês, que entretanto está-me três e vou aí ter." Inês, a próxima sopa.

Queres que eu apresente a sopa?

Apresenta.

Não, força. Apresenta lá.

É uma sopa instantânea. A remeter talvez algumas medidas que possam ser apresentadas que nós quando estamos aqui ainda não sabemos.

As medidas, atenção, estão a ser cozinhadas desde as 10:00 da manhã, em tese. Já lá vão 9h30. Portanto, instantâneo, não é.

Aquela carne maturada. Não sou a pessoa certa para dizer isto.

É uma sopa em lumbrando.

"Slow cooking", aquela coisa que fica naquelas panelas muito grossas.

Muito grossas.

Não sei como é que se chamam. Vou falar um pouquinho de Passos Coelho e fazer aqui uma ligação, neste caso, à Iniciativa Liberal, porque estive nas jornadas parlamentares esta semana e vou deixar as medidas para os meus colegas. Se assim quiserem, podem falar de outra coisa qualquer, não vos estou a pedir que falem sobre isso. Mas parece que, para já, os tempos em que Passos Coelho queria passar despercebido terminaram. Disso parece já não haver nenhumas dúvidas. O antigo primeiro-ministro sempre ensombrou Luís Montenegro, mas houve uma fase em que era um pouquinho mais discreto ou pelo menos recusava segundas leituras e neste momento não é bem assim. Isso traz, já agora, alguma animação à política, por isso se calhar até agradecemos. Mas na segunda e terça-feira desta semana, a Iniciativa Liberal esteve em jornadas parlamentares. E vou pegar por aí, porque desde que Mariana Leitão chegou à liderança, percebeu-se que havia uma necessidade de regresso às origens no partido e nestes dois dias no Porto, a palavra que mais se ouviu foi reformas. Portanto, daí a ligação a Pedro Passos Coelho. Não é que a ideia de reformas alguma vez tenha desaparecido do discurso dos liberais, mas a verdade é que houve uns tempos em que o partido parecia mais preocupado, principalmente ali com o Rui Rocha, durante as campanhas para as eleições legislativas, em mostrar que estava disponível para apoiar um possível governo da AD. Os resultados das eleições não o permitiram e parece que neste momento a IL está a recuar um pouco à procura dessas origens. O líder parlamentar da IL até disse que algumas reformas podiam não ser bem aceites e que podia haver custos eleitorais. Quer dizer, para um partido como a IL também é bom que não haja muitos custos eleitorais, senão são capazes de ficar bastante reduzidos. Mas a verdade é que estão a falar disto numa altura em que o país político parece que chama muito pelas reformas que Pedro Passos Coelho fala. Pode ser que a IL consiga tentar capitalizar isso. Ficou só por perceber, numa pergunta que foi feita à Mariana Leitão, como é que quer que estas reformas sejam colocadas em prática, porque não pareceu

Inteiramente disponível para ser ela a dar o primeiro passo e dizer ao governo: "Nós estamos aqui para conversar e para apresentar estas reformas." E se não for com o governo, dificilmente uma reforma da IL passará.

Parece que há aqui uma tentativa de voltar também na inversão ao papel de partido da oposição, porque o Iniciativa Liberal com essa aproximação ficou sempre muito com o AL. E aliás, em questões como a revisão constitucional e outras matérias, há sempre uma aproximação ao governo.

Até na reforma laboral foi deles.

E repara, quando nós falamos dos partidos da oposição, a IL não está sempre de caras lá, apesar de não integrar o governo e, portanto, ser formalmente um partido da oposição. Eu acho que eles provavelmente também quererão voltar aí. E outra coisa, um outro que não é do partido da oposição, mas parece, é Pedro Passos Coelho. A IL está profundamente alinhada com ele. E, portanto, nesse aspecto, parece-me que continuamos Leitão próximo de Coelho, se calhar passamos aqui para Carneiro, não é, Rita?

Para Carneiro, na sopa instantânea?

Não sei.

Eu por acaso acho que era só isso.

Não sei como é que o Partido Socialista olha para isto, é só por isso.

Eu na sopa instantânea estava a pensar neste mix que Luís Montenegro apresenta por estes dias, porque de facto os tempos estão difíceis. Parece quando chegas a casa e está frio, não tens nada para comer e fazes aquela sopinha rápida, quentinha, para te dar aquele consolo rápido. Se eu precisasse de ter popularidade e se a coisa estivesse má e tivesse muito dinheiro, se calhar também atirava assim uma ao ar para ver se a coisa resultava. É evidente que nós temos uma situação económica e social que está a agravar-se diariamente, mas Luís Montenegro vir assim aos bocados, o que ele está a tentar fazer é ganhar a iniciativa política que não tem tido, porque tem estado enterrado no caso Luís Neves, nos problemas na educação, porque nas sondagens está a afundar-se, porque José Luís Carneiro, por quem ninguém dava coisa nenhuma, de repente começa a surgir como mais favorável como primeiro-ministro que ele, e porque André Ventura ocupa todo o espaço público. Luís Montenegro está aqui a acotovelar-se para aparecer e aparecer com iniciativa, e com iniciativa que seja positiva para potenciais eleitores. Porque a verdade é essa. É aí que está, sobretudo a apostar com este bónus dos pensionistas que já tinha apresentado. Veremos que medidas é que, daqui a pouco, à hora que estamos a gravar ainda não as conhecemos. Gravar não, à hora que estamos a emitir, ainda não conhecemos as medidas do governo, mas com toda a certeza serão medidas para acudir a necessidades urgentes, evidentemente, mas com esse segundo efeito que é recuperar confiança e recuperar a atenção também das pessoas, numa altura que está a ser difícil para o primeiro-ministro.

Vamos ver. Hoje a política funciona muito na relação do político e o eleitor de uma forma transacional. Toma lá, dá cá, dá cá que eu depois dou-te o meu voto, Miguel. Um minuto e meio, o que é que está para as dizer desta sopa?

Achas entendo só o que a Rita estava a dizer, eu acho que Luís Montenegro tem aqui também uma dificuldade adicional, que é: as medidas para responder à inflação e ao aumento de custo de vida são precisas para agora, daqui até ao final do ano, sobretudo, mas um gastar de dinheiro, chamemos-lhe assim, em apoios aos portugueses agora, prejudica depois também a apresentação de um orçamento de Estado com alguma coisa que se veja.

E sobretudo com o contexto internacional a agravar-se e com a previsão do abrandamento do crescimento económico.

Quanto mais ele for gastando agora, menos o orçamento de Estado vai ficar entusiasmante, e ele já não deve ser muito entusiasmante ao ponto em que está.

Começa a trazer riscos para aquele equilíbrio orçamental.

E há essa dificuldade que é a pressão que existe para apresentar medidas para ontem, face a essa necessidade de já andar a cantar de galo que vai ter superávit pelo quarto ano consecutivo e ter um orçamento que consiga trazer um par de boas notícias para os portugueses em 2027.

E é com esta análise brilhante do Miguel Pitardies e sucinta, como nós agradecemos, que termina a primeira parte da "Vici e Suaves". Voltamos já a seguir. A convidada é a deputada do Chega, Cristina Rodrigues.

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