Faustão fala sobre recuperação após transplantes e descarta retorno à TV
O apresentador Fausto Silva, o Faustão, 76, afirmou que não tem planos de voltar à TV em uma longa e rara entrevista a Pedro Bial, na noite desta terça-feira (15), na Globo, emissora que ele deixou há cinco anos após três décadas na emissora.
"Não tenho nada mirabolante", disse sobre os planos para o futuro. ‘É curtir a vida, viajar o máximo que puder e aproveitar a convivência com a mulher e os filhos".
Faustão chamou de milagre a sobrevivência a quatro transplantes —um de coração, dois de rim e um de fígado. Ele lembrou que passou a maior parte dos últimos anos em internações hospitalares e disse que ainda está em recuperação, em um processo que inclui a prática de musculação, fisioterapia e tai chi chuan.
Bial conduziu uma retrospectiva da carreira do apresentador, a exemplo do que acontece com outros grandes nomes da TV brasileira que participam do programa. O entrevistador foi recebido na casa de Faustão.
Uma das lembranças foi sobre o primeiro palavrão após a estreia na Globo, em março de 1989, no Domingão do Faustão, com o humorista Bussunda na plateia.
O apresentador confirmou seu estilo irreverente, já conhecido do Perdidos na Noite, na Band, em menos de um minuto na tela global.
Antes disso, ele havia conversado com Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, sobre a linguagem que o popularizou. "Quando eu falo pentelho, estou falando no adjetivo, não no substantivo", explicou.
Segundo ele, o empresário compreendeu e nunca o reprimiu.
O Conversa com Bial recordou também cenas históricas, como a do dia em que uma churrasqueira ligada por controle remoto pegou fogo, ao vivo, em pleno palco do "Domingão", e o apresentador criou o bordão "tá pegando fogo, bicho". Em seguida, chamou os bombeiros.
Ficaram de fora polêmicas como a do sushi erótico, de 1997, em que modelos nuas apareceram na tele cobertas apenas com iguarias da culinária japonesa degustadas por convidados como Márcio Garcia e Oscar Magrini. O caso teria chocado a direção da Globo.
Com 62 anos de uma carreira iniciada no rádio, ele disse não sentir falta do trabalho e destacou a possibilidade de conviver com os três filhos -Lara, João Guilherme e Rodrigo- após se aproximar da morte.
Ele afirmou que o seu legado após 33 anos anos na Globo foi a formação de profissionais que hoje ocupam cargos de direção na emissora.
"É legal ajudar a melhorar o trabalho para todo mundo. Isso não é questão de ser bonzinho, é ser inteligente. Você cria um clima melhor para o trabalho", disse.
Na fase do Perdidos da Noite, considerado um programa de auditório inovador e engraçado, Faustão chegou a receber agradecimentos do CVV (Centro de Valorização da Vida) porque o número de ligações diminuía enquanto ele estava no ar.
O apresentador contou que atualmente assiste programas esportivos, jornalísticos, séries e filmes.
Faustão afirmou que precisou treinar a paciência após o transplante de coração, em 2023, seguido de várias complicações na saúde. "Fui doutrinado, ou melhor, adestrado a ter resiliência".
Ele deu a entrevista acompanhado do cardiologista Fernando Bacal, que o atendeu após uma viagem aos Estados Unidos e constatou a necessidade urgente de transplante de coração.
Faustão foi internado na UTI do Einstein Hospital Israelita como paciente prioritário para o transplante. De acordo com o médico, a fila segue critérios de compatibilidade sanguínea, gravidade e tempo de espera.
No caso do apresentador, ele dependia de medicação e aparelhos para sobreviver e esperou cerca de um mês pelo novo coração, no "bico do corvo", como disse o próprio Faustão.
Bacal reforçou que a fila de transplantes no Brasil é única e gerenciada pelo Ministério da Saúde. De acordo com ele, 45% das famílias aceitam a doação de órgãos no país e o ideal seria chegar a 80% para atender a todos os pacientes. Hoje há 50 mil pessoas no Brasil esperando um transplante.
"Um doador pode doar até seis, sete órgãos. É impressionante. Além de ser uma demonstração de amor, consegue dar vida para cinco, seis pessoas", afirmou Faustão.
O cardiologista disse que o apresentador ajuda a mostrar a seriedade do programa de transplantes no país e estimula a doação de órgãos.
"Ter um paciente como o Fausto, com todo o histórico de saúde, é um orgulho para a medicina brasileira. Se eu puder dizer para a população sobre o que ele nos deixa, é [a possibilidade] de falar sobre a doação de órgãos. É um grande legado", afirmou.
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