As notícias da 1h
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[música de introdução News Time - RTP1] As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira. Muito boa noite. Uma da manhã, estamos para lá da hora limite prevista na lei para a duração das manifestações em espaços públicos. A autorização terminou à meia-noite e meia, tanto em Lisboa como no Porto, os manifestantes não tencionam desmobilizar. Sem mais demoras, vamos aos diretos nesta edição da uma da manhã, ao encontro da jornalista do Observador, Laura Figueiredo, que está na Praça Dom João I. Muito boa noite, Laura. Há indicação de, pelo menos, um caixote do lixo incendiado até agora, já apagado. Entretanto, agora, para lá da meia-noite e meia, a Polícia de Segurança Pública tenciona falar com os manifestantes para definir os próximos passos.
Boa noite, Hugo. Precisamente, e começando por aí, assisti há pouco a um agente da PSP falar com o advogado que representa este movimento pela habitação, Tiago Machado, e tentarem em conjunto perceber quais os próximos passos. O agente da PSP transmitiu ao advogado precisamente isso também, de que davas conta, de que a partir da meia-noite e meia as manifestações são ilegais e também dar nota, o agente da PSP, de que devem os manifestantes retirar as tendas. O advogado respondeu que não quer tomar as decisões pelos manifestantes e dirigiu-se, há poucos minutos, até lá embaixo, ao centro da praça, para conversar, então, com alguns dos representantes deste movimento para ver quais os próximos passos. A polícia, este agente da PSP com quem falou o advogado, continua aqui à espera do regresso de Tiago Machado, talvez já com uma decisão, mas por enquanto continuamos na expectativa, tanto os manifestantes como a comunicação social e também os agentes da PSP, também Polícia Municipal, dar conta de que estão aqui apenas cinco carros, dois da Polícia Municipal, dois da PSP e uma carrinho de intervenção. Quanto ao incêndio de que falavas também, foi precisamente à meia-noite e meia que começou esse incêndio aqui na Rua Sá da Bandeira, mesmo ao lado da praça. Pelo que apuramos, também conseguimos falar com a polícia, que nos deu conta de que o incêndio terá tido início num caixote do lixo, como dizias, mas pela mão de quatro jovens, os quatro com máscaras cirúrgicas. Sabemos também que um deles tinha uma camisola desportiva com o número 22. Foi essa a informação que nos transmitiu a PSP. O incêndio foi rapidamente apagado, até porque o quartel aqui é poucos metros da praça e, portanto, em poucos minutos, dois carros dos bombeiros chegaram ao contentor e conseguiram apagar o fogo. Enquanto isso, os ânimos exaltaram-se um pouco. Na praça também, por alguma incerteza, mas rapidamente alguém da organização, penso eu, pegou no megafone e começou a pedir calma aos manifestantes, a dizer que estavam garantidas as condições de segurança e, de facto, ninguém desmobilizou. Dar conta agora de que começa a estar um pouco de vento e, portanto, algumas das tendas estão a ser arrastadas aqui na praça. No entanto, não fazem ninguém desmobilizar. Os manifestantes estão apenas a tentar segurar as tendas que, como dizia, estão com algumas dificuldades por causa do vento. Mas, para já, é isso. Continuamos aqui na expectativa de que o advogado regresse para conversar com os agentes da PSP, que estão a tentar perceber quais os próximos passos para esta noite.
O relato em direto da jornalista do Observador, Laura Figueiredo, a acompanhar este protesto na Praça Dom João I. E o presidente da Câmara Municipal do Porto recusa deslocar-se à manifestação, no entanto, revela ter convidado os manifestantes para uma reunião. Entre as palavras de ordem mais ouvidas no protesto, tem estado o pedido de demissão de Pedro Duarte. Os manifestantes desafiaram o autarca a dar a cara e a aparecer no protesto. Pedro Duarte rejeita, mas garante estar disponível para dialogar.
Nós já convidamos os manifestantes para se quisessem ir à câmara reunir, estávamos abertos a isso. Já o fizemos há dois dias.
A curta declaração do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, à TSF, à margem da celebração dos 50 anos da Associação de Moradores da Zona do Campo Alegre. A campada também em Lisboa, com os manifestantes a manterem-se no local sem sinais de que estejam dispostos a desmobilizar. No Rossio, onde corre o protesto, há um forte dispositivo policial e os manifestantes criaram um cordão humano. Há o que o Observador apurou hoje, junto à organização, o protesto não tem autorização para pernoitar na praça. A polícia pode vir, por isso, a intervir. No local, está o jornalista Miguel Pina-Andrade. Miguel, já passa da meia-noite e meia desde que a manifestação se tornou ilegal, já passa essa meia hora desde que a manifestação se tornou ilegal. Já houve movimentações da polícia em relação aos manifestantes?
Em direção aos manifestantes, não, Hugo, mas a verdade é que na última hora e meia, várias carrinhas da Unidade Especial da PSP abandonaram o mesmo local, aqui a Praça do Rossio. Os manifestantes, esses, permanecem em peso na praça, a pedido da organização, como disseste, foi feito um cordão humano. Utilizaram até algumas baias aqui de metal para criar um perímetro à volta das tendas. Por volta da meia-noite e meia, essa hora limite, os organizadores anunciaram que a manifestação oficialmente tinha acabado e que as pessoas poderiam ficar de forma pacífica na acampada, mas por sua conta e risco. Nesta última hora, dar-te conta ainda, Hugo, de que os cânticos entoados pelos manifestantes visam apenas o primeiro-ministro, na verdade, as casas de Montenegro. Dizem que as casas do governante vão virar ocupação, é isto que os manifestantes têm dito incessantemente. O ambiente no Rossio é, por isso, de alguma expectativa, os manifestantes não sabem bem o que fazer. Estão sendo repetidas estas ordens para se criar um cordão humano e para se protegerem as tendas, que a esta hora são muitas dezenas de tendas que estão aqui na Praça dos Rossios. Dar-te também conta que ainda está mais ou menos aqui uma dezena de polícias a vigiarem os manifestantes com apenas três carrinhas de intervenção, ao contrário das mais de 10 que há algumas horas aqui estavam, e uma dezena de viaturas normais da polícia, sem serem da unidade especial da PSP.
O jornalista Miguel Pina-Andrade, em direto do Rossio, onde se vive um ambiente de expectativa, está a acompanhar a acampada pela habitação em Lisboa. O ministro da Habitação garante que o governo vê os protestos com enorme preocupação e reconhece que se a população se manifesta, manifesta-se com razão. Miguel Pinto Luz diz que o Executivo está ciente dos problemas da habitação, no entanto, sublinha que não é por causa deste governo que há atrasos na implementação das medidas necessárias.
Olho com enorme preocupação. Acho que a população quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor. Hoje, o problema da habitação é um problema que aflige muito muita gente. O governo está absolutamente ciente disso. E, portanto, este governo pode ser acusado de muitas coisas, mas não pode ser acusado que as medidas de facilitação da vida dos senhorios, de diminuição da carga fiscal é que impactaram no valor das rendas. Não, porque elas não estão em vigor.
A visão de Miguel Pinto Luz, a entrevista ao programa Conversa Capital da Antena Um e do Jornal de Negócios, o ministro saiu em defesa do autarca do Porto, Pedro Duarte.
O doutor Pedro Duarte, e bem, defendeu os interesses da cidade do Porto. É um homem sensato, um humanista, um social-democrata daqueles nos quais eu me revejo, e geriu com humanidade, foi mantendo diálogo, eu acompanhei também a situação, foi mantendo diálogo com os manifestantes. E depois, a questão da administração interna. Eu não me vou imiscuir, não sou especialista e, portanto, não sei avaliar como é que foi a intervenção ou não. Eu acho é que tem que haver autoridade, tem que haver respeito por todos, tem que haver direito à manifestação, mas com respeito por todos. É só isso que eu digo. E acho que o presidente da Câmara, Pedro Duarte, está a fazer um excelente trabalho à frente da Câmara do Porto.
Elogios do ministro da Habitação ao presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, também ele do PSD e que integrou já o Executivo de Luís Montenegro. Agora voltamos à Praça do Rossio, onde está o Miguel Pina-Andrade, porque a esta altura, Miguel, há movimentações por parte da polícia.
Sim, Hugo, da Polícia Municipal estão a retirar aquelas baias que há pouco te falavam que os manifestantes puseram aqui a fazer um certo perímetro à volta das tendas. Os próprios manifestantes, o cordão humano de manifestantes está a aproximar-se mais agora deste perímetro das baias de metal. É apenas agora, neste momento, a Polícia Municipal que está a tirar as baias que estavam junto do palco onde a CGTP, os dirigentes da CGTP, durante a tarde, fizeram os discursos. Os jornalistas e os próprios manifestantes estão aqui a tentar perceber mais ou menos o que é que se está a passar. Os policiais estão agora, neste momento, a ir em direção às baias que te falei há pouco, que estavam a fazer aqui um perímetro, estão mesmo a retirá-las. Os manifestantes estão apenas aqui num cordão humano a olhar para a polícia. Neste momento, grita-se: "O povo unido jamais será vencido". E a única coisa que a polícia faz é mesmo retirar as baias sem qualquer confronto ainda com os manifestantes. Está aqui a haver uma conversa, vou tentar escutar o que é que diz a polícia aos manifestantes. Bem, não consegui ouvir o que é que estava a polícia a dizer. A verdade é que os manifestantes têm aqui uma tarja e não se mexem. É um cordão humano que faz frente à polícia, que como te disse, vai apenas retirando as baias de segurança, as baias de metal.
Perdemos o contato com o repórter do Observador, Miguel Pina-Andrade, em direto do Rossio. Tentaremos voltar a ele mais à frente, ao longo desta madrugada. O PCP acusa o governo não só de não resolver o problema da habitação, como ainda de o agravar. O líder comunista critica a nova lei do arrendamento apresentada pelo Executivo. Paulo Raimundo considera que só vai agravar o problema no mercado da habitação e acusa o primeiro-ministro de ser egoísta.
Nós achamos que o governo, com as opções que está a tomar, não só não está a resolver, as opções também com o Chega e Iniciativa Liberal, não só não está a resolver, como está a acentuar um problema. E não vale a pena, senhor primeiro-ministro, vir falar de egoístas, porque egoísta é o senhor primeiro-ministro quando se junta aos egoístas que querem as casas todos para eles, querem os rendimentos todos para eles, querem a concentração da riqueza toda para eles.
Paulo Raimundo, em entrevista esta noite à RTP Notícia. Passamos agora à atualidade internacional. Protestos também no resto da Europa. Milhares de pessoas saíram este sábado às ruas em França, Bélgica, Itália e na Albânia, em protesto contra o aumento do custo de vida e as políticas governamentais. Em França, o ministro do Interior, Laurent Nunez, contabiliza 150 mil manifestantes. Só em Paris foram 110 mil, número que fica muito aquém dos apresentados pelos organizadores dos protestos, que apontam para 800 mil participantes. Houve confrontos, incêndios e pilhagens que levaram a mais de mil detenções. Paris, Lyon e Marselha foram os principais focos de tensão em França. O presidente Emmanuel Macron promete punir os responsáveis pela violência. É o que se lê numa mensagem do presidente francês na rede social X. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu, também na rede social X, acusa os grupos de extrema-esquerda de tentar impor uma agenda através da violência. Em Itália, os protestos em Milão e em Bolonha também terminaram em confrontos com a polícia a recorrer a gás lacrimogéneo e a canhões de água. A primeira-ministra Giorgia Meloni condena a violência, mas reconhece o direito à manifestação. Na Bélgica, centenas de jovens protestaram contra o aumento dos custos da educação. Também na Albânia, milhares saíram às ruas neste sábado para exigir a demissão do primeiro-ministro. Está tudo dito nesta edição da uma da manhã. O essencial da informação é atualizado à uma e meia.
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