Meia centena protesta em frente à Cimeira do Turismo

Cerca de meia centena de trabalhadores do setor da hotelaria e turismo concentrou-se esta segunda-feira em Lisboa em frente ao hotel onde se realizava a oitava Cimeira do Turismo Português para protestar contra os baixos salários do setor.
Na concentração promovida pela Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), viam-se faixas que tinham inscritas frases como “Lucros milionários, salários de miséria!” e apelavam à negociação coletiva.
Fernando Pinto, delegado sindical e trabalhador da Fundação Inatel, disse à Lusa que no início de carreira um trabalhador da Inatel recebe 930 euros, e que no topo de carreira, passados 25 anos, o salário apenas ascende a 1.172 euros.
Em declarações à Lusa, referiu ainda que durante esta segunda-feira os “patrões” vão estar a distribuir prémios na Cimeira e que os trabalhadores nunca foram convidados a participar da mesma.
“Enquanto os patrões estavam a distribuir prémios entre eles, quem era o melhor diretor, o melhor recurso humano, o melhor hotel, a melhor entidade privada, todos esses prémios nacionais e internacionais que foram ganhos ao longo dos anos foram à custa do profissionalismo e da responsabilidade dos trabalhadores”, disse.
“Os trabalhadores é que trabalham e os patrões é que vivem com os prémios […] ficámos de alguma forma indignados porque em nenhum momento da Cimeira, já vai na oitava, os trabalhadores foram chamados [a participar]”, acrescentou.
Presente no protesto, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, afirmou que “o Governo tem sido perentório em dizer que o país está melhor, que os trabalhadores estão melhores”.
“Quando aquilo que é evidência deste setor e a realidade deste setor é que é um setor marcado pelos baixos salários, um setor marcado pela precariedade, um setor marcado pela desregulação dos horários de trabalho”, acrescentou.
Tiago Oliveira vê ainda a concentração do produto interno bruto (PIB) do país no turismo como um problema, considerando que a hotelaria e restauração são dos setores onde existe maior exploração laboral.
“É um problema concreto do nosso país, é que temos uma economia assente em determinados setores, nomeadamente no turismo, restauração, e depois verificamos que são exatamente os setores em que a exploração é maior”.
“Portanto, é isto que queremos para o país, queremos um país assente em produtos de baixo valor, é isto quando dizemos que queremos aumentar a produtividade do país e olhamos para aquilo que são os setores estratégicos e vemos os setores estratégicos e fundamentais para o país, a serem completamente vendidos à descarada, completamente desvalorizados”, exclamou o secretário-geral da central sindical.
O sindicalista apelou ainda a quem governa o país que tome decisões com perspetiva de futuro que seja diferente da atual.
“Aquilo que nós dizemos é que nós temos que olhar para o país no sentido de procurar que o país seja um país soberano na sua decisão […] decisão política, decisão económica, com uma perspetiva de futuro diferente daquela que nos é colocada.
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