Piratas informáticos atacam base de dados dos bombeiros

A base de dados do Recenseamento Nacional de Bombeiros Portugueses (RNBP) foi alvo de um ciberataque e os piratas acederam a dados pessoais, o que levou a um alerta da proteção civil aos comandos e à suspensão da aplicação.
Na comunicação a todos os comandos regionais e responsáveis das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, a que a Lusa teve acesso, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que gere a plataforma do RNBP, admite o ataque e diz que foi efetuada uma cópia dos dados.
Entre os dados pessoais estão o nome completo dos bombeiros inscritos, números de cartão de cidadão, identificação fiscal, segurança social, utente de saúde (e subsistemas de saúde), carta de condução, estado civil, data de nascimento, contactos, moradas, imagem e grupo sanguíneo, refere o documento.
Contactada pela Lusa, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) confirmou a situação, admitindo que a informação deveria ter seguido individualmente para cada um dos elementos registados no RNBP.
António Nunes, presidente da LBP, explicou que a aplicação do RNBP tem dados pessoais, mas não tem dados bancários e disse ainda não ter informação sobre se efetivamente houve capacidade de retirar dados.
Mas na informação que a ANEPC enviou aos comandos regionais, a que a Lusa teve acesso, o acesso e cópia dos dados são claros, assim como a suspensão da aplicação do RNBP.
“A base de dados do Recenseamento Nacional de Bombeiros (RNBP), foi alvo de um ciberataque, tendo sido possível efetuar uma cópia dos dados pessoais”, refere a informação, acrescentando que a ANEPC, o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) e a Rede Nacional de Segurança Interna (RNSI) procederam “de imediato à suspensão da aplicação”.
Diz ainda que estão a ser desenvolvidos sistemas de segurança adicionais, para assegurar a proteção dos dados pessoais que constam da aplicação.
No mesmo alerta, a Proteção Civil explica que, como consequência desta violação de dados pessoais, os titulares dos dados podem ser alvo de ações de ‘phishing’ (mensagens que simulam comunicações legítimas para atrair a clicar em links e anexos maliciosos), ‘smishing’ (tentativas de fraude por SMS ou MMS) ou ‘vishing’ (fraudes por chamada telefónica).
Podem ainda ser alvo de ações de ‘quishing’, um esquema de fraude que usa códigos QR maliciosos para redirecionar as vítimas para sites falsos.
Como medidas de segurança, a ANEPC pede “atenção redobrada” para chamadas e/ou mensagens que solicitem aberturas de links ou sites.
O RNBP é o sistema de informação e gestão do registo dos bombeiros portugueses, dos quadros de comando, ativo, de reserva e de honra.
Segundo António Nunes, a aplicação tem cerca de 60 mil registos.
A Lusa contactou a ANEPC e o CNCS para tentar esclarecer as medidas que estão a ser desenvolvidas, mas não obteve resposta até ao momento.
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