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Saturday, October 17, 2026

1h. Manifestantes decidem não pernoitar na Praça D. João I

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É uma hora. As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira.

Muito boa noite. Os manifestantes pelo direito à habitação no Porto decidiram não passar a noite na Praça Dom João I. O movimento diz que não há condições para pernoitar no lugar. A desmobilização aconteceu no final da assembleia popular desta noite, que reuniu várias centenas de pessoas. O protesto será retomado já este sábado, com a intenção de que voltem as tendas à Praça Dom João I. Laura Figueiredo.

Dia mais calmo e com menos afluência, era também já a expectativa da organização do movimento para esta sexta-feira. Isto porque para sábado está já agendada uma nova ação. A organização planeia voltar à Praça Dom João I em força e novamente com as tendas. É uma decisão que vai ainda à votação na assembleia popular, mas é mesmo a intenção manifestada já pelos porta-vozes deste movimento. Para o dia de hoje, a associação definiu como prioridade o trabalho de organização e preparação logística para amanhã, dia em que o Movimento pela Habitação vai também juntar-se à manifestação convocada pela CGTP, uma manifestação que tem início marcado para às 10h e que deverá depois terminar aqui na Praça Dom João I. Por isso mesmo, os ânimos hoje estão mais calmos nesta praça que tem sido palco destes protestos pela habitação. O movimento diz que os manifestantes hoje estão a guardar-se para amanhã e, portanto, para hoje foi só marcada uma vigília. E de fato, a partir das 19h começaram a aparecer algumas pessoas, mas diria que hoje não passaram de poucas centenas, deixando até a praça algo vazia, sobretudo comparativamente à quinta-feira. Para sábado, espera-se um dia com maior afluência. A manifestação da CGTP tem início marcado para às 10h30. Às 19h, há novamente uma assembleia popular aqui na Praça Dom João I para decidir os próximos passos deste movimento.

O relato da jornalista do Observador, Laura Figueiredo, que esteve a acompanhar a vigília pela habitação desta noite no Porto. O movimento pelo direito à habitação demarca-se das ameaças ao primeiro-ministro. Em causa, o vídeo divulgado pelo gabinete de Luís Montenegro, em que um manifestante ameaça atacar a casa do chefe de governo e da família.

A gente precisa de sim, descobrir onde é a residência, a casa do primeiro-ministro e jogar tijolos. Bom! Muito bom! A dor da casa seja pública. É pra quem não tem casa, sim!

Acabamos de ouvir um excerto desse mesmo vídeo. Ora, em declarações à Rádio Observador, João Silveira, um dos porta-vozes do grupo, garante que se tratam apenas de palavras de ordem e que não houve qualquer incitamento à violência.

Estavam cá mais de mil pessoas ontem. É verdade que houve pessoal que aplaudiu, mas sobretudo o sentimento e não as ações. Há uns anos também houve várias palavras de ordem aqui no Porto sobre ocupar-se a casa do Rui Moreira. Isso, obviamente, nunca passou à prática. É uma palavra de ordem, é meramente figurativo, nunca seria para ser levado à prática e mesmo que fosse, chumbaria por unanimidade. Portanto, não é uma ameaça real, é o senhor primeiro-ministro a querer, de facto, armar um espantalho à nossa volta, a querer que nós percamos a nossa integridade, quando a nossa integridade está perfeitamente intacta. Para além de que mais, se fosse preciso invadir uma casa do senhor primeiro-ministro, seria preciso escolher qual das 54.

A acusação de João Silveira, um dos porta-vozes do Movimento pelo Direito à Habitação. Já o advogado Tiago Machado, que representa este grupo, explica que qualquer pessoa pode usar da palavra na manifestação, mas assegura que o movimento não subscreve de forma alguma este tipo de comportamentos.

Nós estamos numa manifestação que é pública. O ingresso, digamos assim, à manifestação é livre. Quem começa a falar, nós não sabemos previamente o que vai dizer, até porque não seria correto perguntar: "O que vais dizer, o que vais falar?" É evidente que quando se diz uma coisa dessas, nós não vamos subscrever. Estando eu ontem a apelar à ordem pública, quer na comunicação social falada, escrita ou qualquer que ela seja, a colocar em ponto de destaque a ordem pública, não vamos naturalmente subscrever isso. Nós somos completamente alheios e não estamos em nenhum momento de acordo com esse tipo de declarações.

Tiago Machado, advogado do movimento que tem estado na Praça Dom João I, no Porto, em declarações à Rádio Observador. O vídeo foi denunciado pelo primeiro-ministro aos jornalistas no final da cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas. Luís Montenegro classificou as imagens como preocupantes. O chefe do governo reconhece que as pessoas querem respostas e têm direito à habitação, mas considera que o vídeo apela à violência e à importação para Portugal de conflitos que decorrem noutros países. Luís Montenegro rejeita ainda ter acusado de egoísmo os manifestantes.

Em algum momento eu disse que havia egoísmo dos manifestantes. E eu disse isto: em primeiro lugar, eu já tive ocasião de dizer, na semana passada, na Assembleia da República, que espero que os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm, de facto, respaldo na sociedade portuguesa. Portanto, eu dirigi-me a partidos políticos, a movimentos associativos e a organizações.

Palavras de Luís Montenegro no final da reunião do Conselho Europeu desta sexta-feira. O primeiro-ministro sublinha que está solidário com os manifestantes. Do lado da oposição, o secretário-geral do PS diz que a prioridade dos socialistas é resolver a crise da habitação e defende um novo ciclo de medidas. José Luís Carneiro está em Fafe para participar numa conferência moderada por Marcos Mendes sobre a ambição de Portugal. À margem, em declarações aos jornalistas, aponta a habitação como prioridade dos socialistas, defende uma nova ronda de medidas para travar a subida dos preços em três frentes.

Por um lado, uma política de solos, em segundo lugar, uma política fiscal, em terceiro lugar, uma política de construção de habitação acessível em todo o país, que mobilize o Estado, as autarquias, as cooperativas, as associações de moradores, para respondermos às 380 mil casas que são necessárias hoje para que as famílias portuguesas, os jovens portugueses, possam emancipar-se o mais cedo possível.

Declarações de José Luís Carneiro, esta sexta-feira, em Fafe. A subida dos preços das casas e do valor das rendas tem gerado grandes protestos no país. O líder socialista acompanha as críticas à gestão que o governo tem feito no setor da habitação e, por isso, diz compreender as manifestações que têm acontecido, nomeadamente no Porto. Pela capital, Carlos Moedas acredita que a manifestação agendada para este sábado em Lisboa vai correr bem. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa considera a causa justa, mas avisa que as pessoas têm de cumprir a lei.

Aquilo que eu pedia era calma, serenidade, para que a causa seja justa e para que a causa possa ter a sua razão sem haver desrespeito pela lei. E isso é muito importante que amanhã aconteça em Lisboa e por isso é aquilo que eu peço. Espero que vá correr bem. Para ter uma ideia, nós temos 700 manifestações por ano em Lisboa. Damos autorização a todas essas, obviamente, elas são notificadas. As manifestações são um direito constitucional e é isso que nós fazemos todos os dias na nossa cidade. Amanhã será uma. Esta eu penso que é uma causa justa, que as pessoas têm razão.

Carlos Moedas, a antecipar a manifestação pela habitação agendada para este sábado em Lisboa, no Rossio. Se o cenário for idêntico ao do Porto, com manifestantes a colocarem tendas nas ruas, o autarca diz que não há problema algum, desde que a lei seja respeitada.

As pessoas podem manifestar, têm que fazê-lo dentro da lei e essa manifestação vai ser feita. Não sei se as pessoas vão ter tendas ou não. Podem se manifestar com as tendas, obviamente, mas a cidade tem um espaço público, deve ser respeitado. Nós não podemos ter tendas em todos os sítios durante todos os dias, mas podemos ter manifestações em que existem tendas, obviamente, isso não tem qualquer problema.

Declarações de Carlos Moedas, que marcou presença no encontro que reuniu cerca de 400 juízes de quase 80 países para debater os principais desafios da Justiça. O ministro da Administração Interna diz que o novo secretário-geral do ministério é um exemplo de servidor público, ao contrário do antecessor. Declarações que surgem após o ministério ter anunciado que vai avançar com uma queixa-crime contra Ricardo Carrilho por declarações falsas, grotescas e com caráter difamatório. À margem do encontro internacional de juízes em Lisboa, Luís Neves saiu em defesa do SIRESP, que considera ter feito um trabalho extraordinário durante este ano. Aos jornalistas, o governante confirmou a apresentação da queixa-crime contra o antigo secretário do ministério, Ricardo Carrilho, e garantiu que irá entregar toda a documentação necessária.

Há locais próprios para esses documentos e instâncias próprias para toda a documentação poder ter acesso e esclarecer, e não da forma como está a suceder. Como sempre tenho dito, estou muito feliz. Acho que quando vós ou os vossos colegas estiveram na tomada de posse do novo secretário-geral da Administração Interna, ficou absolutamente claro o que deve ser um servidor público e aquilo que não deve ser um servidor público. E por isso, paulatinamente, estamos a construir a nossa equipa, estamos a reconstruir o SIRESP, que fez um trabalho absolutamente extraordinário este ano.

Declarações de Luís Neves, na sequência do comunicado do Ministério da Administração Interna. No desporto, Portugal falhou o acesso à final do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins. A Seleção Nacional perdeu para com a França por 6-3, após prolongamento nas meias-finais da competição, que decorrem no Paraguai. A equipa portuguesa chegou a estar a vencer por 3-1, com gols de Gonçalo Alves, Miguel Rocha e Hélder Nunes, depois de os franceses terem adiantado no marcador, mas a França conseguiu empatar a partida a três gols e levou a decisão para prolongamento. No tempo extra, os franceses marcaram por mais três vezes e garantiram pela primeira vez a presença na final do Campeonato do Mundo. Apesar do resultado, o selecionador nacional, Reinaldo Ventura, garante que a equipa deu tudo.

No momento da derrota, sou exatamente a mesma pessoa que defende os meus jogadores até o fim. A nível de atitude, deram tudo aquilo que me iam dar. Fizeram aquilo que eu lhes pedi. Estivemos a pouco mais de sair, como eu disse, no momento em que sofremos o só por 1. Só por causa de aí, tivemos vários momentos que podiam ter sido diferentes. Bola parada, cartões, certos. Foi tudo aqui um jogo de emoções, como não podia deixar de ser.

Um jogo de muitas emoções. Declarações de Reinaldo Ventura, selecionador nacional de hóquei em patins. Portugal, que soma 16 títulos mundiais, falha assim a final pela segunda edição consecutiva, depois de 2024. A equipa vai agora disputar a medalha de bronze no domingo frente à Espanha ou à Argentina, que se defrontam na outra meia-final. Está tudo dito nesta edição da "Uma da Manhã", o essencial da informação é atualizado à 13h30.

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