Lula assume postura de 'morde e assopra' em relação a julgamento de Moraes

Com a tentativa de golpe, Lula e Moraes se aproximaram. Isso colocou os dois na mesma panela para o entendimento do eleitor. Por isso também Lula tenta separar a atuação do ministro no processo do golpe, quer salvar o legado. A preocupação da campanha, no entanto, é quanto esse "abraço" pode ser danoso na eleição. Nas conversas de bastidor, ao falar que não se pode associar Lula diretamente a Moraes, os petistas afirmam que o magistrado não apoiou a indicação do AGU, Jorge Messias, para uma cadeira no STF.
Moraes foi um franco defensor da candidatura de Rodrigo Pacheco, mas afirmou aos interlocutores de Lula que não embarreirou a postulação de Messias, na derrota histórica que o governo sofreu no Senado. Depois, ajudou na articulação do reencontro de Lula com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. O reencontro desengavetou projetos prioritários do Planalto, como o fim da escala 6x1.
Enquanto corre a eleição e a crise se alastra no STF, a campanha vai manter o discurso de "a verdade doa a quem doer". O presidente aumenta a cada dia a cobrança sobre o presidente do Supremo, Edson Fachin, que internamente tem sido criticado pela condução da crise, enquanto a campanha e os dirigentes tentam dizer que "Flávio é Vorcaro".
Há na campanha ainda dois pontos de preocupação com a escalada da crise: o pedido de vistas de Flávio Dino, que paralisou o processo, e o fato de dois dos ministros indicados por Lula, Dino e Cristiano Zanin, atuarem para apoiar Moraes. E o terceiro indicado do presidente, Dias Toffoli, teve de se declarar suspeito para não votar no processo devido a um suposto relacionamento com o banqueiro preso Daniel Vorcaro.
Mas, uns pelos outros, os ministros indicados por Jair Bolsonaro também foram citados: Nunes Marques e André Mendonça. Difícil, no entanto, está sair dessa pauta que só traz dissabores para o petismo.
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