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Thursday, September 17, 2026

Peter Max, conhecido pela arte símbolo dos anos 1960, morre aos 88 anos

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O artista pop Peter Max, cujas obras oníricas e de cores intensas serviram de pano de fundo artístico para o movimento hippie dos Estados Unidos na década de 1960 e fizeram dele uma potência da arte comercial, morreu na segunda-feira (14), aos 88 anos, após uma longa doença, informou nesta quarta-feira (16) um porta-voz da família.

As visões de Max —muitas vezes influenciadas por seu amor pela astronomia—estavam por toda parte nas décadas de 1960 e 1970 e faziam quase tanto parte da cultura jovem da época quanto sexo, drogas e rock ‘n’ roll. Eram como representações artísticas de uma viagem de ácido e, no linguajar daquele tempo, eram realmente descoladas.

As cores eram vibrantes, e as imagens, surreais —paisagens cósmicas e explosões estelares, pombas e símbolos da paz flutuantes, borboletas caleidoscópicas, nuvens fofas e outras imagens associadas ao flower power. Astros do rock como os Beatles, Jimi Hendrix e Mick Jagger estiveram entre as personalidades retratadas por Max, assim como seus amigos.

O ex-presidente Ronald Reagan era admirador de sua obra, e Max doou uma pintura da Estátua da Liberdade à Biblioteca Presidencial Ronald Reagan.

"Seus cartazes decorativos revelam Max como um visionário fascinado pelo tempo, pelo espaço e pela evolução", afirmou uma crítica publicada pelo Village Voice em 1967. "Um horizonte psicodélico profetiza o dia em que arranha-céus poderão ser templos, em que o Rainbow Room do Rockefeller Center poderá ser usado para meditação."

Max morreu em um hospital em Manhattan e deixa uma filha, Libra, e um filho, Adam.

"Meu pai era meu melhor amigo", disse a filha em um comunicado. "Sinto-me imensamente abençoada por ter sido tão profundamente amada e por ser sua filha.

"Espero que, além de seu extraordinário legado artístico, as pessoas se lembrem de sua bondade, de sua delicadeza e do quanto ele genuinamente prezava levar alegria ao mundo", afirmou.

No auge, Max combinava arte e comércio com a mesma facilidade com que misturava cores sobre a tela. Ele licenciou sua obra para cerca de 70 produtos, e ela acabou estampada em aviões, navios de cruzeiro, lençóis, óculos, maiôs femininos e tabuleiros de xadrez.

"Uma explosão dessas foi monumental", disse Max à Reuters em 2007. "Eu jamais teria conseguido tamanha repercussão limitando-me às galerias."

Aos que diziam que ele havia se vendido, respondia que estava apenas encontrando canais para seu ímpeto artístico. Ele disse ao New York Times que, se Matisse e Picasso ainda estivessem vivos, também tentariam aproveitar rapidamente o mercado.

"Em nossa época, se um artista não aparece na mídia, ele não existe", disse Max ao Times. "A ideia de que um artista deixa de ser puro se ganha dinheiro é um mito equivocado. Por que eu deveria me desculpar? Faço arte que as pessoas podem comprar. E isso as deixa felizes."

Com o fim da década de 1960, Max saiu dos holofotes e passou a se concentrar em trabalhar de forma reservada e viajar. Retornou com uma exposição em uma galeria de Nova York em 1987 e voltou a se transformar em uma máquina de marketing.

Ele experimentou diferentes estilos, e o resultado teve um caráter mais impressionista. Suas obras passariam a incluir retratos de estrelas da música, da Estátua da Liberdade, de presidentes e de líderes mundiais, entre eles uma série de 40 trabalhos sobre Mikhail Gorbachev, então líder da União Soviética. Foi o artista oficial de cinco edições do Super Bowl, da Copa do Mundo de 1994, da equipe norte-americana nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006 e do Kentucky Derby de 2000.

Max chegou a pintar um Boeing 777 para a Continental Airlines, um navio para a Norwegian Cruise Line e um carro de corrida para o astro Dale Earnhardt. Em 2000, apareceu no canal de televendas a cabo QVC para vender seus cartazes.

Seu estúdio em Nova York chegou a ter mais de 100 funcionários na década de 2000 e a gerar vendas anuais de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões. O estúdio vendeu muitas de suas obras em leilões realizados a bordo de navios de cruzeiro, informou o Times.

Peter Max Finkelstein nasceu em Berlim em 19 de outubro de 1937 e viveu na China e em Israel antes de sua família se estabelecer em Nova York. Na escola de arte, estudou realismo, algo que não se refletiu em sua obra, e fundou com um sócio um premiado estúdio de design antes de seguir carreira solo e ajudar a moldar a década de 1960.

Max disse ter ficado entusiasmado quando o ex-presidente Bill Clinton lhe contou que cartazes do artista enfeitavam as paredes de seu quarto no alojamento estudantil durante os anos de faculdade. Décadas depois, uma série de retratos de Clinton feitos por Max foi exposta na biblioteca presidencial.

Em 1997, ele foi acusado de ocultar US$ 1,1 milhão em vendas de suas obras e declarou-se culpado de evasão fiscal. Foi condenado a passar dois meses em uma casa de reintegração social e a prestar serviços comunitários, entre eles ajudar crianças em projetos de arte.

Em maio de 2019, o Times informou que Max havia sido diagnosticado com sintomas da doença de Alzheimer e apresentava demência avançada. Naquele momento, segundo o jornal, ele não pintava havia quatro anos.

Max, que era vegano e praticante dedicado de ioga, casou-se duas vezes.

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