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Sunday, October 4, 2026

“O Jorge Palma fez a vida e a música que sempre quis"

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Dizia-se que o Palma era um cantor da liberdade. Eu via isso não tanto como uma liberdade ligada ao 25 de Abril, que eu sei que ele era também isso, mas via-o mais como liberdade de fazer a vida que quis e fazer a música que quis, quando quis. O Palma é o exemplo disso. Sem ser levado para a esquerda ou para a direita, ele fez a vida que quis e fez a música que quis. Isso para mim é o maior exemplo de liberdade e acho que o Palma é a maior referência da música portuguesa.

É uma das tuas inspirações também.

É uma das minhas grandes inspirações também.

A música portuguesa ficou aqui realmente mais pobre, mas temos as canções.

Sim, ficam sempre as canções e ainda bem.

Nestes últimos dias, falo por mim, ouvi músicas, não por saber que eram dele, mas que já não ouvia há imenso tempo. E foi uma autêntica viagem no tempo.

É isso. Eu também fiz isso. Estive dois dias só a ouvir Jorge Palma. Sabia que ia ficar triste, não sabia que ia ficar tão triste com a ida dele.

Cresceu com o sal da costa na pele e a poeira dos blues nos dedos. Durante mais de uma década construiu a sua identidade no circuito independente como uma tempestade de um homem só. Cantou em inglês enquanto foi essa a língua que melhor traduzia a sua estrada, até sentir a necessidade de despir as defesas, olhar para a cidade onde nasceu e cantar pela primeira vez, em nome próprio, na sua língua materna. Hoje, a sua música não vive apenas dos palcos ou nos discos de rock. Fez a banda sonora original que pontua a tensão, o mistério e a memória histórica do novo podcast Plus do Observador, os escândalos de uma revolucionária, criando o espaço perfeito para a voz da atriz Bárbara Branco. É um surfista das ondas, mas também das cordas. Gosta de golfe. Um arquiteto de ambientes sonoros, Frankie Chaves. Muito bem-vindo ao "Em 40 Minutos".

Obrigado.

Vamos ter aqui uma longa conversa. Vamos falar sobre esse novo desafio, que é narrar o novo podcast Plus. Narrar, não, criar a banda sonora do novo podcast Plus do Observador. Começo já por aí. Era algo que tu te vias a fazer, esta banda sonora, mas narrar, estar nesse desafio, era algo que tu te imaginavas ou nem por isso? É um mundo que tu gostavas de explorar?

O mundo das bandas sonoras? Eu já fiz alguma.

Não. Agora estou a pôr-te o desafio noutra parte. Narrar. Tu ouviste a Bárbara.

Narrar, ok.

Imagina-te nesse papel. Por acaso não fiz essa pergunta à Bárbara, se ela gostava de fazer uma banda sonora. Seria um desafio ainda maior também.

Narrar. Já me passou pela cabeça fazer vozes para filmes. Conheci noutro dia um amigo meu que fazia isso e eu lembro-me em tempos quando comecei a gravar as primeiras coisas que foi num estúdio, não só de locuções, mas de publicidade, que era a Índigo, os estúdios Índigo, em que havia malta que ia lá fazer isso. Isso na altura pensei: "Não sei se iria gostar de fazer isso". Depois mais tarde, achei que teria alguma piada fazê-lo. Nunca tive a oportunidade, nunca experimentei, não sei, mas acho que era uma coisa que me via a fazer, fazer vozes para filmes e essas coisas.

Muito bem, fica aqui o desafio. Um dia, se alguém quiser lançar esse desafio ao Frankie Chaves, ele está muito aberto a essa disponibilidade. Antes do Frankie Chaves, que enchia palcos, houve um miúdo chamado Francisco, que cresceu em Lisboa, um miúdo que aprendeu a ouvir o mundo através de cassetes. Eu penso que era cassetes ainda e depois mais tarde discos que roubavas aos teus irmãos, não é?

Sim.

E grandes sonoridades, pelo que percebi. Se esse miúdo de nove anos te visse hoje a compor, depois de tudo o que tu passaste, todas as transformações, tudo o que tu viveste, o que achas que ele te diria?

O que ele me diria? O que ele me diria a mim ou o que eu diria ao miúdo de nove anos?

Podes fazer os dois exercícios. O que ele te diria a ti e o que tu dirias a ele.

Eu com nove anos era muito introvertido. Não sei se ia perguntar alguma coisa a um adulto de 47, mas acho que ficaria admirado, diria, porque na verdade, isto da música, durante muito tempo, não era algo que eu pensei que fosse fazer ou que fosse conseguir fazer como profissão. Começou por ser um hobby, foi um hobby durante muitos anos e só numa altura em que eu comecei a gostar mais daquilo do que qualquer outra coisa, tinha quase necessidade de tocar guitarra diariamente, é que comecei a pensar que se calhar podia fazer sentido tentar fazer mais do que tocar só em casa. E foi nessa altura que comecei a tocar ao vivo e comecei sozinho a tocar em bares. Nessa altura é que comecei a perceber que poderia ser uma profissão. Mas durante muito tempo, não. Era um hobby, eu tinha aquele caminho que eu achava que ia fazer. Era uma coisa que eu percebi que ia viver em paralelo comigo, mas nunca pensei que fosse a coisa principal, a minha profissão.

Achas que pelo facto de não teres colocado Tanta pressão nesse caminho. Falaste de atuações que fazias em bares e era algo que tu realmente gostavas de fazer. Não sei se neste momento tens saudades também desse underground. Às vezes ter um público que é mais curioso por aquilo que o artista vai fazer ou não.

É, e estás mais próximo. Depende também dos bares. Quando digo que toquei em bares, inicialmente e durante muito tempo, era aqueles bares que estares a tocar ou não, para eles é igual.

Tens sempre os dois cenários, mas depois tens bares em que, se calhar, o público vai lá para realmente ouvir e perceber o artista.

Sim, e eu aprendi a conseguir estar em ambos os sítios. Inicialmente, o que eu fazia era tentar tocar mais alto do que as pessoas falavam. Depois comecei a perceber que o truque é precisamente o contrário. Tocar cada vez mais baixo, porque há sempre alguém que te quer ouvir e vai mandar calar os outros. Portanto, a coisa dá-se mais por aí. Qual era a pergunta? Não era pergunta.

Não, eu estava só a perguntar se o facto de não teres posto demasiada pressão nesse caminho tenha sido um caminho muito natural, pautado por essa naturalidade em que foste percebendo aos poucos que a música realmente seria importante.

E foi bom. Eu lembro-me quando comecei a gravar e quando gravei o primeiro disco, o primeiro EP, na verdade.

Que foi em?

Que foi em 2009, penso eu. Saiu em 2010, se não estou em erro. Que foi um EP da Ótimos. Ótimos Discos, exatamente. Era um projeto lançado pelo Henrique Amar e eu na altura gravei com o Nelson Carvalho e depois gravei o EP e no ano a seguir fui logo gravar o primeiro disco, o "Family Tree", que saiu em 2011. E na altura estava a trabalhar, a par e passo, eu trabalhava e tentava gravar discos e fazer música. E na altura eu lembro-me de estar cheio de fogo, cheio de vontade, de dizer: "Não, pai, eu quero é deixar de trabalhar e só fazer isto". E o Nelson Carvalho, na altura, mais experiente, disse-me: "Se puderes aguentar, se calhar é melhor, porque não metes pressão e não vais depender única e exclusivamente da música para fazeres música, vais fazer a música pelas razões certas". Eu na altura pensei nisso e disse: "Epá, este gajo não percebeu nada disto". Hoje em dia dou-lhe total razão, porque na verdade, ocorre muito bem e tu lanças um disco e viras músico com 100 concertos por ano, que é muito difícil isso acontecer.

E depois também é difícil manter.

E depois manter, exatamente. Portanto, ficas com essa pressão alapada de teres que fazer música. Eu até agora tenho que fazer música, mas tenho que fazer um disco, porque neste mercado, em Portugal, é tão pequeno que tu tens que ter sempre alguma coisa a acontecer, e não só neste mercado, mas neste mercado, se calhar, esgota-se mais depressa a tua voltinha de tour, de concertos que fazes para apresentar um disco. Em países maiores, se calhar, demoras cinco meses a apresentar o teu disco por vários sítios. Aqui em Portugal, dás uma voltinha rapidamente e esgota-se rápido.

A beleza que tu encontravas na música e transportar-nos para esse momento em que tinhas oito, nove anos e em que ouvias esses discos e cassetes dos teus irmãos, é a mesma que encontras hoje ou há transformações e olhas diferente para essa beleza?

Ainda consigo chegar a esse estado de espírito, mas é mais difícil. E eu diria que é mais difícil porque, em primeiro lugar, já ouviste muita coisa e, portanto, para que aconteça aquela surpresa ou para ficares entusiasmado com um disco novo ou com um artista novo, já é mais difícil, porque já ouviste, já tens uma outra bagagem.

E a própria indústria também mudou, a indústria da música.

Exatamente.

Para alguém que trabalha no meio, se calhar, sente muito mais estas diferenças do que para mim ou para qualquer ouvinte que nos esteja a ouvir e está de fora. Ou seja, se calhar, consegue perceber algumas coisas que entretanto mudaram, mas tu que estás no meio, consegues perceber isso diretamente.

Sim, eu acho que é isso. Eu acho que o entusiasmo mantém-se, se calhar, é mais difícil de me sentir entusiasmado ao ouvir algo novo ou ver uma banda que te surpreenda e que te diga: "Uau, já não ouvia nada assim que me fizesse sentir isto já há muito tempo". E antigamente, quando eu era miúdo, qualquer coisa eu ficava excitadíssimo, porque não tinha muita bagagem ainda.

Alguma canção, banda que te marque mesmo, que seja parte fundadora daquilo que é hoje também o Frankie Chaves?

Há várias e posso dizer assim já à partida que Jimi Hendrix foi uma influência grande. Na altura era um bocadinho tudo aquilo que eu ouvia. Eu ouvia Pink Floyd, ficava horas a ouvir aquilo. Até porque, na altura, nós ouvimos um disco de ponta a ponta, não era uma música aqui e outra ali.

Não havia Spotify.

Não havia Spotify, exatamente. Dire Straits, Led Zeppelin, Rolling Stones.

Bob Dylan, pelo que percebi também.

Bob Dylan. E depois mais tarde, continuei a ter bandas que foram avassaladoras, no sentido em que fizeram o tempo parar e disseram: "Agora vais ouvir isto". E as bandas é que fazem isso quando uma pessoa ouve. E posso-te dizer, ultimamente, acho que a última banda que Que me fez parar e dizer: "Uou, isto é fixe".

Mas é cada vez mais difícil chegar a esse uou, não é?

É mais difícil. Eu acho que sim, por duas razões. Primeiro, porque há muita coisa. Há muita música, há muita informação, há muita música disponível, lá está, no Spotify, nas plataformas de streaming. E a tua bagagem também já é outra. Já ouviste muita coisa. Para te surpreender já é difícil.

E não sei se tu sentes isto, que parece que nos acomodamos, ou seja, gostamos de um certo estilo, de um certo artista, banda, e parece que ficamos sempre ali, não é? E às vezes não nos damos a conhecer outras coisas.

Eu aí peco um bocadinho, mas também, lá está, a vida às vezes toma conta de nós e eu também gosto de ficar em casa tranquilo. Mas eu lembro-me que houve uma altura em que a mínima coisa que saía e que eu ouvia: "Olha, isto é capaz de ser fixe". Eu ia ver concertos, ia ver muito mais concertos do que vou hoje. Mas ia-te dizer, acho que a última vez que me senti assim surpreendido com uma banda foi os Lalóm. Trago-os para casa, a Tixan e os Lalóm.

É verdade, confirmo.

Por coincidência. E ouvi aquilo, lá está, os Spotifys têm coisas. Quando eu digo Spotifys, é as plataformas.

Sim, as plataformas de streaming.

Por um lado, são prejudiciais para os músicos, mas isso é outra conversa que dá pano pra mangas. Mas, por outro lado, também nos aproximam de muitas bandas. Tem o seu lado positivo. E foi nesse sentido, eu conheci Lalóm porque me apareceu uma vez numa playlist qualquer que eu estava a ouvir e aquilo apareceu e eu meti de lado, comecei a ouvir. E quando vi aquilo ao vivo, cuidado. Aí fui sozinho ver esse concerto.

Foi onde?

Foi no Lav. Foi há um ano, se calhar nem tanto. Acho que foi o ano passado no inverno. E foi inacreditável, grande concerto, grande banda. Música instrumental, foi a cena que mais me tirou do sério.

E é uma grande sensação de sentir esse uau que falavas há bocadinho.

Eu estou sempre à espera de encontrar os próximos Lalóm.

Olha, falavas aí da questão das plataformas de streaming. Nós aqui ainda há pouco tempo tivemos o Salvador Sobral, que saiu, voltou agora ao Spotify. Há vantagens para nós consumidores. Tu falavas dessa questão, que é muitas vezes estamos a ouvir uma canção e do nada surgem-nos novas e passamos a adorar outras bandas e outros artistas. Mas para vocês artistas há outra perspectiva. Como é que tu olhas para esta questão?

Eu acho que o que o Salvador Sobral fez é de louvar, tanto na primeira ação como na segunda.

Ou seja, ele tomou consciência, mas também depois percebeu a importância.

A importância. E ele disse uma coisa, acho que foi na segunda intervenção dele, quando ele volta ao Spotify, disse, e bem, que precisa do Spotify, como nós todos, músicos, para estar presente, mas não a utiliza como consumidor. Nós temos essa escolha, eu posso não utilizar. Eu por acaso utilizo. Já não utilizei. Houve uma altura em que me fartei, mas por causa de podcasts, eu acho que o Spotify realmente é, e se calhar é ignorância minha, se calhar há outras e peço para me dizerem, mas eu na altura lembro-me que entre a Apple Music e o Tidal, o Spotify tinha muito mais acesso a podcasts. Na altura eu andava a ouvir imensos podcasts, e tinha muito mais variedade de podcasts, muito mais oferta. E nesse sentido eu voltei ao Spotify, se calhar está diferente hoje, confesso que não sei, não ando a contabilizar, mas lembro-me que era mais fácil. Lá está, há um certo acomodar das situações, e neste caso eu também me acomodei um pouquinho ao Spotify. Agora, eu nem quero entrar por aí porque também não tenho conhecimento suficiente para saber, mas aquilo que consta é que o Spotify não paga o que deve. Não é não paga o que deve, há um grande desequilíbrio entre aquilo que as bandas-

O Spotify gera e depois daquilo que vai para os artistas.

Isso acho que é avassalador.

Se não estou enganado, tu tiveste aqui vivências em Barcelona e na Austrália, não foi? Andaste por aí pelo mundo. Tu serias hoje um homem completamente diferente sem estas vivências, ou não?

Acho que sim.

Barcelona é aqui perto.

Barcelona é aqui perto.

Mas a Austrália...

Mas mesmo Barcelona é aqui perto, mas foi numa altura em que eu estava na faculdade, fui lá fazer o quarto ano. Naqueles programas de intercâmbio, Erasmus. E foi uma experiência marcante, tal como a Austrália foi, noutra altura de vida.

Uma idade muito diferente.

Eu tinha 22 quando fui para Barcelona, estive lá um ano, e tinha 26 quando fui para a Austrália. Portanto, não foi assim muito diferente, mas foi em alturas diferentes de vida. Numa estava a meio da faculdade, já tocava. Por acaso acho que foi lá que eu comecei a tocar em bares, lá está, nos bares. E quando voltei é que comecei a tocar ao vivo e assumi-me como vocalista. Na altura eu era guitarrista e havia alguém que cantava e eu tocava. E aí eu quis meter o pé e fazer eu aquilo que me apetecia.

Frankie Chaves, ainda temos muito para falar na segunda parte. Paixões e a banda sonora que criaste para o novo podcast+ do Observador, os escândalos de uma revolucionária. Voltamos já a seguir. Estamos de regresso para a segunda parte do Em 40 Minutos. Esta semana com o autor da banda sonora do novo podcast Plus do Observador, Franky Chavez. Já lá vamos a esse desafio, mas ainda a continuar aqui a conhecer-te, para quem nos ouve. Quem é o Franky Chavez, o Francisco sem a música? Que outras paixões é que tu tens? O surf, penso que seja uma delas. Não sei se neste momento está muito viva.

Neste momento não, porque estou aqui a recuperar de um joelho. Fui operado em maio e estou na fase de fisioterapia.

Então dia 31 de dezembro não vais estar no mar.

31 de dezembro talvez já consiga ir ao surf, vamos ver.

Que é um ritual que costumas repetir.

Já foi mais. Geralmente era um. O 31 era no dia 1 de janeiro, que a malta está toda de ressaca, então nós íamos ao surf e era menos crowd. Mas muitas vezes era também eu que estava de ressaca, portanto dia 1 não ia. Mas sim, o surf é uma das minhas paixões. Não comecei a surfar muito cedo, comecei a surfar já com 17 ou 18 anos, mas foi uma coisa que desde que comecei a surfar, acho que só parei no ano em que estive em Barcelona, que havia poucas ondas daquele lado. Mas há ondas, ali há ondas de vento. Não é o swell do oceano, aquilo é mar Mediterrâneo, mas há ondas, vi lá pessoal a surfar. Aí parei um bocadinho e depois voltei. Sim, é uma das coisas que eu gosto de fazer.

E golfe, pelo que sei também.

Golfe já mais tarde, sou um entusiasta, digamos.

Gostas de tudo o que seja desporto, ou seja, experimentas tudo. Padel, por exemplo, já experimentaste?

Padel já experimentei, mas como tinha esta questão no joelho, disseram-me logo: "Olha, mais e menos disso, vai saltar". Depois, ultimamente, meti-me no triatlo.

Tivemos agora uma grande conquista do Vasco Vilaça.

Vasco Vilaça é campeão do mundo, é verdade. Depois meti-me no triatlo, foi um desafio que eu quis ter para mim. Andava a fazer pouco desporto, o surf cada vez mais crowd, estava um bocadinho chateado. Eu adoro surf, mas havia dias em que ou não dá para surfar porque não há ondas, ou não tenho tempo.

Qual era a tua praia de eleição?

Eu comecei a surfar na costa da Caparica e vou lá sempre que dá, mas há praias que eu gosto mais. Não desfazendo a costa, já apanhei grandes ondas, mas Ericeira, por exemplo, também adoro.

Tu e muitos surfistas, não é? Aquele sítio predileto.

Exato, eu acho que Ericeira é assim, um bocadinho diferente. Quando tenho tempo, é lá que eu gosto de ir também. Mas também vou ao Guincho, Linha, Carcavelos, onde o mar dá, é para lá que se tenta ir. Mas isto para dizer que havia muitas vezes em que ou o mar estava mau, ou eu não tinha tempo, ou há várias variáveis, e eu precisava de fazer desporto. Andava mesmo a sentir que andava a fazer pouco desporto. E então meti-me no triatlo e aquilo são três modalidades.

Também é puxadinho. Foste logo para o mais difícil.

Exato. Mas o que é certo é que eu andava em forma.

É muito regrado, não é?

É regrado e é constante. Eu meti-me com um treinador que me dava treinos diariamente.

Costas valentes.

Grandes costas. Eu todos os dias treinava, treinava sete dias por semana. Ou era natação, ou era corrida, ou bicicleta. E mais à frente, quando já embala, já fazia treinos diários. E aquilo preenchia-me. Isto foi a seguir ao Covid. O Covid mexeu com muita gente. Esta foi a minha panca, preferi fazer desporto para estar aqui a ocupar-me de alguma coisa, já que não há concertos, pelo menos vou fazendo alguma coisa. E então ou corria, ou andava de bicicleta, ou nadava. E foi bem fixe.

Um homem do desporto. Olha, vamos falar sobre este desafio, o novo podcast Plus do Observador, os escândalos de uma revolucionária. Falamos muito aqui de um ideal de liberdade ou se há limites para alguém ser tão livre, não é, a Aníbala Pais. Qual é a tua relação com este ideal de liberdade? Antes de entrarmos aqui na banda sonora propriamente dita.

Eu sou pela liberdade. A liberdade acaba onde tu estás a invadir a liberdade do próximo. Acho que esse é o único limite, e eu com isto não digo que sou absoluto. Tenho as minhas restrições.

Todos temos os nossos limites.

Todos temos os nossos limites. Mas sim, eu sou pela liberdade e dou valor àquilo que se construiu desde o 25 de abril. Eu não sou desse tempo, porque eu nasci já numa certa geração.

Apanhaste um bocadinho dessa transição.

Eu nasci em 89.

Eras muito jovem ainda.

Sim. Face a muitos amigos meus músicos, sou uma criança. Mas tenho irmãos mais velhos que se lembram do que era de antes.

Tu és o caçula.

Eu sou o mais novo de quatro. E ainda se lembram do que eram as limitações. Isto para dizer que dou muito valor àquilo que Portugal se transformou depois do 25 de abril. Houve muita música que entrou, muitas opiniões que se podem dar, a vida é completamente diferente. E não tanto só por essa liberdade, mas também pela liberdade de podermos pensar como queremos e podermos dizer aquilo que queremos.

Podemos ouvir-nos a todos.

Podemos ouvir-nos a todos. Por exemplo, com esta questão do Palma. Dizia-se que o Palma era um cantor da liberdade, e era. Mas eu via isso não tanto como uma liberdade ligada ao 25 de Abril, que eu sei que ele era também isso, mas via-o mais como liberdade de fazer a vida que quis e fazer a música que quis, quando quis. O Palma é o exemplo disso. Sem ser levado para a esquerda ou para a direita, ou para whatever, ele fez a vida que quis e fez a música que quis. E isso para mim é o maior exemplo de liberdade e acho que o Palma é para mim a maior referência da música portuguesa.

É uma das tuas inspirações também.

É uma das minhas grandes inspirações também.

A música portuguesa ficou aqui realmente mais pobre, mas temos as canções que ficam para sempre.

Sim, ficam sempre as canções e ainda bem.

E nestes últimos dias, foi bom no sentido em que, falo por mim, ouvia músicas, não por saber que eram dele, mas que já não ouvia há imenso tempo. E foi uma autêntica viagem no tempo.

É isso. Eu também fiz isso, estive dois dias só a ouvir Jorge Palma. Sabia que ia ficar triste, não sabia que ia ficar tão triste com a ida dele.

Nós estamos aqui em 2026. A inteligência artificial já compõe bandas sonoras hoje em dia. Aliás, faz muito mais do que isso, sabemos bem. Há alertas de que eventualmente, em 10 anos, pode ter efeitos ainda mais nefastos. O que é que tu tens, Franky Chaves, para compor esta banda sonora que a inteligência artificial não tem? Falamos aqui de algo muito próprio e vou realçar isto, qualquer pessoa que ouça a tua banda sonora consegue transportar-se para o sítio ou pensar, ou ter em pensamento, onde ocorreu aquela ação.

Eu espero que sim, foi nesse sentido. Mas para responder à tua pergunta inicial, eu acho que é humanismo. Porque claro que as máquinas podem fazer música, mas talvez falte um elemento, que eu acho que é o elemento mais importante na música, que é humanidade. Ser feito por uma pessoa que sente alguma coisa e que canaliza esse sentimento através de música. Mas lá está, esta é a minha opinião e eu acho que vai ser cada vez mais difícil perceber o que é feito por máquina e o que é feito por pessoas.

Essa fronteira está cada vez mais difícil.

Eu acho que sim, eu confesso que não perco muito tempo a tentar analisar.

Tu usas no teu dia a dia, por exemplo, a inteligência artificial?

Utilizo, sim, em pesquisas de algumas coisas. Eu agora também tenho um trabalho além da música e no meu trabalho utilizo bastante.

O que é que fazes?

Eu estou a trabalhar com a minha família, com o meu irmão, e estou numa parte de gestão de património ligado ao imobiliário. E basicamente tenho que analisar muitos contratos de CPCVs e nesse sentido, nada a ver com a minha característica musical.

É um lado B.

É um lado B. E muitas vezes aquilo ajuda-me bastante. "Analisa-me este contrato", ou "analisa-me isto", ou "analisa-me aquilo". E utilizo o ChatGPT, como acho que toda a gente deve utilizar. E aquilo é uma ajuda para gestão de tempo, é crucial. Uma coisa que demorava meia hora a fazer ou uma hora a fazer, se calhar em 10 minutos aquilo está feito. Claro que eu não mando e-mails sem "prepara-me isto", certo, mas depois eu vou ter que ler aquilo, eu não disparo assim sem ver o que estou a fazer.

Lá está a parte humana que tu falavas, essa sensibilidade que é preciso.

Agora, a nível de música, eu se calhar já ouvi, e já devo ter ouvido, certamente, mas não perco muito tempo a tentar analisar se é de ChatGPT ou não. E certamente há de haver música de inteligência artificial que me faça sentir alguma coisa sem eu saber. Mas confesso que acho que vai ser um bocado um corte de onda quando souber que aquilo foi feito por máquinas. Mas pode acontecer.

E quanto tempo é que tu demoraste a chegar a esta sonoridade que nós podemos ouvir ao longo destes seis episódios deste podcast dos "Escândalos de uma Revolucionária"?

Por acaso foi algo bastante rápido, confesso. Eu tive sorte, porque este podcast em particular fala sobre Cuba, passa-se em Cuba também.

Tu já tiveste em Cuba?

Não, mas adoro música cubana. E houve uma altura em que mergulhei bastante na música cubana e tocava algumas coisas. Começou precisamente com uma banda sonora de um filme que era "Os Reis do Mambo". Com António Banderas e com outro ator que eu nunca me lembro do nome dele, mas que adoro. Era sobre dois irmãos músicos que têm que sair de Cuba e que vão para os Estados Unidos e que montam um restaurante com música latina e música cubana, neste caso, e ele era compositor. Na altura, a banda sonora era incrível e eu fartei-me de sacar músicas do ouvido daquela banda sonora. Foi a minha primeira ligação à música cubana e nesta banda sonora havia músicos, Tito Puente, sei lá, agora só me está a sair este, mas havia vários músicos e várias músicas com guitarra, as quais eu aprendi a tocar. Eu devia ter aí 19 ou 20 anos e fiquei sempre com o bichinho. Depois, mais tarde, veio o "Buena Vista Social Club", do Ry Cooder, vieram outros discos que eu sempre que apanhava ia tentar analisá-los, ouvi-los, degustá-los, mas também analisá-los. Tive sorte nesse sentido.

Ou seja, este desafio meio que te caiu no colo, mas foi feito à tua medida e à tua experiência, não é?

Sim, porque apesar de eu nunca ter feito música cubana, era algo que eu às vezes gostava de tocar e gostava de simular. Tive oportunidade de poder ir às minhas referências e aqui no Observador deram-me os primeiros dois episódios e eu li. E quando começo a ver a história-

Mas também é diferente, não é? Ler e depois ter a narração já da Bárbara, não é? Da forma como tudo casa para depois chegarmos ao produto final.

Claro, mas eu não ouvi narração, eu só vi no papel, eu só li. Mas pela história, comigo a música vem muito pelas imagens e pelas imagens que se criam daquilo que seria na minha cabeça um filme sobre a Annie Silva Paz e percebi os sentimentos que tinha que tentar ir buscar, que seriam o amor, o facto de ser em Cuba, o mistério. Tudo isso tentei englobar quando começo a esmiuçar qualquer coisa. Isto já me tinha acontecido também noutra banda sonora, aí com imagens, e foi de uma forma rápida que eu cheguei àquele primeiro riff. Depois a música evoluiu e depois eu fiz-

Tiveste aquele uau que falavas há bocadinho, sentiste? Ou é mais difícil quando é sobre nós próprios?

É, aí não tenho uau nenhum, aí fico sempre com dúvidas. Mas achei que aquilo já estava a fazer algum sentido. Consegui transmitir aquilo que queria, os vários sentimentos do mistério, do suspense, depois passar para a parte do amor, porque há uma parte de romance ali na história. Juntei-me com o João Correia, que é o meu baterista e foi quem gravou e produziu isto comigo, e de uma maneira bastante rápida chegamos àquilo que queríamos. Depois tive que contratar, como precisávamos de percussão, e tinha que ser alguém que soubesse tocar convenientemente congas e instrumentos de percussão, convidamos o Manuel Pinheiro para fazer parte toda de percussão. Ele é um mago das percussões e portanto a coisa deu-se e acho que a música ficou a soar a Cuba, que era o objetivo.

Sim, confirmo.

Realmente foi uma sorte que eu tive de poder finalmente compor uma música cubana. À minha maneira, por isso é que lhe chamei "Cuba Mia".

Já fizeste um check nessa lista de desejos. Nós há bocadinho falávamos de liberdade. São desafios como este que também estimulam a tua liberdade enquanto criador, enquanto músico?

Claro que sim.

E aqui esse espírito que falaste de, eu digo de entreajuda, mas de cooperação, porque tu gostas muito de trabalhar também com outras pessoas e não só fechado em ti próprio.

Claro. Aliás, é crucial. Eu comecei a tocar solo, e já me tinha misturado com outros músicos, mas aquilo foi uma opção quase-

Bandas de garagem?

Sim, e esta questão do solo foi porque queria fazer as coisas à minha maneira e quis fazer como queria, onde queria e portanto foi uma experiência fixe, mas adoro partilhar música com outros músicos e acho que a música enriquece bastante quando a partilhamos com outros músicos. Mas isto para responder à tua pergunta, sim, liberdade, sim, porque na verdade o observador foi impecável, disse: "Olha, tens liberdade total".

Uma carta branca, é isto que eu estou sempre a dizer.

Exatamente. Tens carta branca para fazeres o que quiseres. A história é esta, tens aqui dois episódios e agora ao trabalho. Isso às vezes pode ser mau porque não tens-

Abre-te muitas possibilidades.

Abre-te muitas possibilidades, mas na verdade eu tinha a história e portanto a história foi quem moldou a música e foi quem deixou a inspiração entrar para ir buscar aquela ideia.

Falamos muito de uma mulher revolucionária. Na tua vida diária, o que é que tu consideras ser um gesto revolucionário? Daquilo que tu fazes no teu dia a dia. Esta é a pergunta difícil quando nos desviamos da música, não é?

Pois é, estava aqui tão embrenhado na música. Revolucionário.

Ou o que é que tu consideras para ti um gesto verdadeiramente revolucionário? Se calhar por desta forma é mais fácil. No mundo que vivemos.

Sem querer aliar a revolução à violência, acho que uma pessoa pode ser revolucionária na maneira como cria, na maneira como faz música, na maneira como pinta. O Vhils é um artista revolucionário, fez algo que eu nunca vi fazer. Há outros. Na música, esta banda La Lome, para mim, foi algo revolucionário. Apesar de tu veres influências ali, a sonoridade, eles são todos de Los Angeles, mas são músicos que foram buscar influências a outros sítios. Lá está, a música latina. Acho que ser revolucionário é tentar, até no mundo empresarial, fazer coisas que são groundbreaking, que não foram feitas ainda e que podem levar a um sítio melhor, tanto para eles como para o meio envolvente. Acho que isso é que é ser revolucionário com um objetivo positivo.

"Os Escândalos de uma Revolucionária", podcast Plus do Observador. A banda sonora é aqui do Frankie Chavez, que nos leva até Cuba e depois temos a narração da atriz Bárbara Branco, que também já passou aqui pelo "Em 40 Minutos". Pode ouvir esse episódio em podcast. Tu estás numa fase em que lidas bem com o silêncio? Ou seja, precisas mais do silêncio ou mais de barulho?

Preciso mais do silêncio. Eu tenho quatro filhos pequenos.

Só isso já diz tudo.

É muito barulho. Tenho duas gêmeas com 10 anos que falam como nunca vi. Tenho um mais velho, que é mais calado agora.

Qual é o que é mais parecido contigo? É esse que é mais calado?

Em algumas coisas, sim. Eu consigo ver parecenças em todos. Acho que também depende da fase da vida e ele está com 16 agora, está mais introspectivo.

São fases. Adolescência.

Está na adolescência, ninguém sabe nada, só ele é que sabe. Portanto, quando chego a casa e tenho a casa só para mim, é uma maravilha. O silêncio é cada vez mais importante, até para criar, porque realmente há tanta informação, é tanta coisa. Não só agora por causa dos miúdos, isto era uma brincadeira, mas há tanta informação e tanta coisa diariamente a criar ruído, tanto visual como sonoro. É aí que o surf entra e é uma ajuda, aí que o golfe entra e é uma ajuda, natação e tudo que é desporto. Eu agora tenho andado até mais de bicicleta, mas vou sozinho. E é um alívio. Caminhar.

Tu gostas de viajar também, não é? Para um homem que já esteve na Austrália, está disposto a tudo.

Sim, adoro viajar.

Qual é a viagem de sonho? Ou já fizeste também?

Já fiz algumas e check. Mas acho que agora a viagem que eu adorava mesmo fazer era ir ao Japão. Não sei quando é que vou conseguir, mas adorava ir ao Japão.

E é um destino também muito interessante, não só para portugueses, mas para acho que qualquer viajante que estava a fazer essa viagem, muito pela cultura.

Claro, por aquilo tão diferente que aquele mundo deve ser.

Sim, e depois constróis mais uma banda sonora à pala dessa viagem.

Não era mau.

Quem sabe? Sei que vem aí um novo single, não é? Tens novidades. Chegam já este mês de outubro ou é para o mês de novembro?

Eu acho que é em outubro que vai sair o primeiro single do disco que estou a terminar neste momento. Tenho estado a gravar e a trabalhar nele já há um ano e tal. Lá está, tenho estado a gravar com o João Correia, o meu baterista, que agora virou produtor, com quem eu me dou muito bem e estou a gostar bastante daquilo que estamos a fazer.

Daquilo que podes contar.

Na minha opinião, acho que-

Isto é a parte sempre difícil, não é? Não abrir o jogo de forma completa.

O que é que eu posso contar? Posso contar que acho que as músicas estão a ser uma continuação. Ou seja, não estou a fazer nada completamente diferente, nem à parte. Acho que é uma continuação daquilo que fiz numa forma inicial e a passar por tudo aquilo que vivi até à data de hoje, portanto, com várias influências.

É um disco com memória, é isso?

Com memória, sim. E foi uma tentativa de deixar que as coisas evoluíssem de forma natural, mas com o foco naquilo que me fez fazer música inicialmente, que foi fazer música pelas razões certas e pela gana de fazer música e de ficar contente com aquilo que se faz. Inevitavelmente, volto ao rock, ao blues, ao folk, mas entretanto, como já fiz quatro ou cinco discos, as coisas não são tão naïve como foram feitas numa forma inicial e, portanto, acho que isso tudo está ali cozinhado, bem cozinhado pelo João Correia, que é um produtor que eu estou a adorar. Nunca tínhamos produzido nada juntos, a não ser a música "Cuba Mia" para o podcast Plus. E agora este disco, que já tinha trabalhado com outros produtores, mas nunca tinha trabalhado desta forma. Eu acho que o importante é, pelo menos para mim, o que eu tenho tentado sempre fazer nos vários discos que fiz, foi nunca abordar a gravação e a produção da mesma maneira. Tentar fazer de maneira diferente para chegar também a outcomes diferentes. E felizmente, este também tem sido feito de outra maneira. Muito anda para frente, anda para trás, muita experiência, muita tentativa e erro. E tentar fazer música pelas razões certas e não tanto para agradar este ou aquele, ou uma indústria. Já me aconteceu ter de fazer músicas porque tinham que ser mais assim ou mais assado e essa vontade externa não é o certo. A vontade tem que vir de dentro. E acho que estou a conseguir fazer isso neste disco.

E vamos poder ouvir tudo isso muito em breve, não é?

Sim, acho que sim.

O single que sai.

O single sai agora, brevemente.

E o álbum?

E o álbum sairá no início do próximo ano.

Muito bem, estaremos atentos. Frankie Chavez, só mesmo para terminar. Falaste aqui há bocadinho da paternidade. És um homem apaixonado por música, tens outras paixões, o surf, o golfe, etc. O que te inquieta em relação ao futuro?

Os desafios, as guerras e o que me preocupa, ou o meu objetivo, na parte profissional, é preparar os meus filhos para o futuro e para os desafios que aí vêm. São quatro.

E a paternidade nos tempos que correm é muito difícil, não é?

É cada vez mais difícil, cada vez com mais desafios. Desafios diferentes, como se calhar os nossos pais olhavam para os desafios que nos desafiavam na altura, nós também olhamos para esses um bocadinho com um sentimento de generation gap, ou seja, não conseguimos compreender o drive deles e aquilo que os faz viver. Quer dizer, consigo chegar a alguma conclusão, mas acho que há desafios, como este vício no telemóvel, que eu não consigo compreender. Mas, felizmente, os meus filhos são muito dados ao exterior e também fazem surf, jogam rugby, gostam muito de estar na rua.

Tem um bom professor em casa.

Já surfam melhor que eu. E portanto, acho que é isso, os desafios de os conseguir preparar para o futuro. Basicamente é isso.

Frankie Chavez, muito obrigado por teres vindo aqui ao "Em 40 Minutos".

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