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Saturday, October 24, 2026

Partido Comunista Chinês prioriza disciplina em plenária que abre transição para novo mandato de Xi

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O Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PC Chinês) se reunirá na semana que vem naquela que promete ser a mais importante plenária da sigla antes do seu 21º congresso nacional, que ocorrerá no ano que vem e pode garantir a permanência do líder do regime, Xi Jinping, no cargo de secretário-geral do partido.

A reunião, que começa na segunda-feira (26) e termina na quinta-feira (29), terá como objetivo discutir o "avanço contínuo da governança partidária abrangente e rigorosa", segundo a agência estatal Xinhua.

O encontro será a quinta plenária do atual Comitê Central, eleito em 2022, e vai reunir seus membros titulares e suplentes. O grupo é a maior das instâncias de decisão do partido. Entre um congresso nacional e outro, o estatuto da sigla exige ao menos uma plenária por ano e, na prática, costumam ocorrer sete.

A da semana que vem é emblemática porque se concentra na governança política partidária, deve definir a data do próximo congresso e, segundo especialistas, marcará o início da transição da cúpula política a se concretizar no segundo semestre de 2027.

"O próximo ano, portanto, será o mais próximo que o sistema chinês já chegou de uma ‘temporada de campanhas’", escreve Damien Ma, diretor da organização Carnegie China. "As movimentações de pessoal se intensificarão, a disciplina partidária se fortalecerá, e haverá disputas políticas e negociações acirradas. Grande parte desse processo, como já é sabido, será previsivelmente opaco."

A decisão pela pauta vai na contramão de outras agendas debatidas no quinto plenário de mandatos anteriores, uma vez que usualmente se discutem os planos quinquenais, documentos que definem as prioridades e estratégias para o desenvolvimento chinês nos cinco anos seguintes.

Nesse caso, a discussão sobre a disciplina e a centralidade do partido se alinha aos inúmeros expurgos que ocorreram nos últimos anos no PC Chinês e na Comissão Militar Central. A última, originalmente composta por sete membros, teve cinco integrantes expulsos ou investigados por corrupção, restando apenas seu vice-presidente, o general Zhang Shengmin, e Xi.

Um editorial publicado em janeiro no jornal das Forças Armadas, o PLA Daily, afirma que os generais Zhang Youxia, então vice-presidente da comissão, e Liu Zhenli, chefe do Estado-Maior Conjunto, "traíram gravemente a confiança e a missão" que lhes foram dadas pela cúpula do partido e "fomentaram gravemente problemas políticos e de corrupção que afetam a liderança absoluta do partido sobre as Forças Armadas". Eles foram os mais recentes expurgos da comissão.

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Uma das expulsões mais significativas foi a de Sun Zhengcai, então membro do Politburo, que chegou a ser cogitado para ser sucessor de Xi. Ele era o chefe do partido na megalópole de Chongqing, no sudoeste da China, e foi afastado em julho de 2017. No ano seguinte, foi condenado à prisão perpétua por receber propina.

O novo plenário abre a possibilidade de que cargos vagos por expurgos sejam preenchidos e de que novos quadros alinhados com o direcionamento político de Xi sejam promovidos.

Damien Ma afirma que as promoções "provavelmente serão um indicador mais revelador de como a liderança está gerenciando a transição". Isso porque, segundo o autor, tais ascensões oferecerão evidências de como o partido gerencia o alto escalão às vésperas do congresso nacional.

A principal expectativa relacionada ao congresso nacional é a permanência de Xi no poder, o que o colocaria à frente do país até 2032 e o tornaria o primeiro secretário-geral a obter um quarto mandato. Caso atinja o feito, terá uma concentração de poder não vista na República Popular desde a liderança de Mao Tsé-tung, que ficou no poder por 27 anos.

"Em última análise, o plenário de outubro de 2026 fornece uma base para avaliar como a política de elite chinesa irá progredir e quão estável será a transição", escreve Ma.

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