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Friday, September 11, 2026

Longa espera entre temporadas de séries faz Netflix perder milhões de espectadores, revela estudo

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Estudo da Luminate aponta queda de audiência em sucessos como Wandinha, O Agente Noturno e Stranger Things após longos intervalos

Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)

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Longa espera entre temporadas de séries faz Netflix perder milhões de espectadores (Divulgação)

Esperar pela próxima temporada de uma série pode ser parte da experiência de acompanhar um grande sucesso, mas uma demora longa demais parece ter um efeito negativo sobre a audiência. Um novo relatório da Luminate Intelligence aponta que séries de streaming tendem a perder público quando o intervalo entre temporadas ultrapassa um ano e meio.

O estudo Release Strategies for Music & TV, divulgado em agosto de 2026, analisou o desempenho de diferentes sucessos do streaming nos Estados Unidos e identificou quedas de audiência após longos períodos sem episódios inéditos. Entre os casos estão algumas das maiores produções da Netflix, como Wandinha e Stranger Things.

Segundo a análise, um intervalo superior a 18 meses entre temporadas normalmente resulta em redução de audiência. Em uma amostra de sucessos recentes, todos os títulos analisados registraram queda, embora em proporções diferentes.

O caso mais expressivo entre os sucessos da Netflix foi Wandinha. A segunda temporada chegou cerca de dois anos e nove meses depois da primeira e registrou uma queda estimada de 59% na audiência, com 22,1 milhões de espectadores nos Estados Unidos nas primeiras 12 semanas de lançamento.

O Agente Noturno também sofreu com a espera. A segunda temporada chegou após um intervalo de aproximadamente 1,8 ano e teve queda de 47%, alcançando estimados 16,5 milhões de espectadores.

Nem mesmo Stranger Things escapou completamente do efeito. A quinta e última temporada veio cerca de três anos e meio depois da quarta e apresentou uma redução de 23% na audiência, embora ainda tenha registrado impressionantes 29,5 milhões de espectadores nos Estados Unidos.

Em Bridgerton, o impacto variou entre as temporadas. A terceira, lançada após uma espera de dois anos, teve queda de apenas 7% em relação à anterior. Já a quarta, que chegou após um intervalo de aproximadamente 1,75 ano, apresentou redução de 20%.

Ginny & Georgia também registrou queda de 19% depois de uma espera de cerca de dois anos e meio.

O problema não é só da Netflix

A tendência identificada pela Luminate não é exclusiva da Netflix. A Amazon Prime Video também teve um caso semelhante com O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder. A segunda temporada chegou dois anos depois da primeira e registrou queda de 57% na audiência.

O fenômeno ajuda a explicar uma discussão recorrente sobre o chamado “tombo da segunda temporada”. Parte da queda pode estar relacionada à própria forma como a Netflix contabiliza visualizações. Como a plataforma lança temporadas inteiras de uma vez, a primeira temporada de uma série pode atrair pessoas que assistem apenas ao primeiro episódio e não necessariamente seguem até o final.

Na segunda temporada, portanto, a produção já parte de uma base mais próxima do público que realmente se envolveu com a história.

Mas, segundo a análise, o problema se torna ainda maior quando o intervalo é longo demais. Depois de dois ou três anos, espectadores podem precisar rever episódios anteriores para lembrar personagens, acontecimentos e detalhes da trama — e parte deles pode simplesmente não retornar.

A espera também pode fazer o público voltar

Há, porém, um efeito contrário. A proximidade de uma nova temporada pode fazer espectadores revisitarem episódios antigos para recuperar a memória da história.

Stranger Things é um dos principais exemplos. Antes da estreia da quinta temporada, as quatro temporadas anteriores registraram um aumento expressivo no número de minutos assistidos nos Estados Unidos. Por ser uma série altamente serializada, com uma mitologia extensa, a produção se beneficia especialmente desse movimento de “recapitulação”.

Algo semelhante aconteceu recentemente com The Gentlemen. A segunda temporada começou com números abaixo dos registrados pela primeira, depois de uma espera de aproximadamente dois anos e meio. Ao mesmo tempo, a primeira temporada voltou ao Top 10 global da Netflix, chegando ao quinto lugar com 21,2 milhões de horas assistidas.

O fenômeno, porém, não acontece necessariamente com todas as séries. A própria Luminate aponta que o aumento do consumo das temporadas anteriores não é garantido, mesmo no caso de grandes sucessos.

Netflix pode voltar ao modelo anual?

Diante dos dados, uma possível solução seria reduzir o intervalo entre temporadas. O relatório observa uma movimentação do mercado em direção a lançamentos anuais depois de alguns anos em que intervalos de dois ou mais anos se tornaram comuns no streaming.

Produções que conseguiram manter uma janela próxima de 12 meses tiveram resultados positivos. The Pitt, da Max, registrou crescimento de 132% na audiência em seu retorno após aproximadamente um ano, enquanto Landman, da Paramount+, cresceu 52%.

O problema é que acelerar a produção de grandes séries não é simples. Efeitos visuais, disponibilidade de atores, etapas de pós-produção e dublagens para diferentes mercados podem fazer com que uma temporada leve mais de um ano para ficar pronta.

O Agente Noturno é um exemplo de que recuperar o ritmo depois de uma longa pausa também pode não ser suficiente. Após perder 47% da audiência entre a primeira e a segunda temporada, a série conseguiu lançar a terceira apenas um ano depois. Ainda assim, o novo ano registrou uma queda adicional de 22%.

Fonte: Whats on Netflix

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Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)

Angelo Cordeiro é repórter do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, escreve sobre filmes desde 2014. São-paulino, pisciano, paulistano do bairro de Interlagos e fanático por Fórmula 1, listas e rankings.

TAGS: Bridgerton, netflix, O Agente Noturno, Stranger Things, Wandinha
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