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Saturday, September 12, 2026

Raiva na política nos EUA é a mais alta em 150 anos

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O resultado foi publicado no último dia 18, sob o título "The Rise of Anger: Emotions and Policy Views", no jornal do Social Economics Lab, da Universidade Harvard. As conclusões são válidas apenas para os EUA, mas o mesmo time de estudiosos fez trabalho semelhante com os discursos políticos na França, e encontrou resultados análogos.

"Portanto, já são dois países, duas democracias em que a raiva tem se mostrado em seu ápice. Eu não comentaria se no Brasil o mesmo acontece, porque não fizemos o estudo. Mas o grande diferencial da nossa metodologia é que ela pode ser replicada em qualquer país onde haja dados de discursos parlamentares disponíveis para análise, o que é o caso do Brasil", me disse Eva Davoine.

Segundo ela, o aspecto mais complexo da empreitada foi desenvolver essa ferramenta capaz de analisar as emoções. "Basicamente, seria muito simples agora baixar os discursos feitos no Brasil e aplicar nossa ferramenta, que é de acesso público — qualquer pessoa pode usá-la, é muito fácil. Basta executá-la para gerar o mesmo gráfico para o Brasil", afirma Davoine.

Cientistas políticos que se debruçam sobre os ciclos eleitorais e sociais de Brasil e EUA afirmam que os dois países assumiram uma dinâmica de espelho nos últimos anos: elegendo governantes populistas de direita, sendo palco de insurgências antidemocráticas, se deparando com o descrédito a instituições públicas. É razoável, portanto, supor que em ambientes democráticos como EUA e Brasil, o comportamento do eleitor médio seja parecido.

Neste sentido, o estudo mostra que as mulheres começaram abaixo dos homens em nível de raiva, mas rapidamente os ultrapassaram. Em termos educacionais, quem expressa mais raiva tem ensino superior incompleto ou apenas ensino médio completo. Bacharéis, mestres e doutores expressam menos raiva. Quando o assunto é a idade, eleitores mais velhos têm níveis mais altos de raiva do que os mais jovens. E moradores de zona rural postam com mais raiva do que os habitantes das cidades. Mas a raiva subiu em todos os grupos, sobretudo ao redor de 2016.

"Ter raiva pode parecer algo negativo, mas essa carga não existe. E a verdade é que a raiva é uma emoção mobilizadora, nesse sentido ela indica mais propensão ao engajamento político, enquanto o medo é paralisante e ruim para expressão política", diz Davoine.

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