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Wednesday, November 4, 2026

Democratas derrubam tabu de 94 anos em noite de derrota histórica a Trump

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"Dois dias atrás, me disseram: 'Senhor, seria possível fazer uma rápida parada no Kansas?'. E eu pensei: 'Ah, ótimo'", contou Trump, irônico. "Vocês acham que esse tipo de coisa é fácil, né? Não é nada fácil", seguiu o republicano de 80 anos, expondo o cansaço da campanha que apenas no domingo incluiu uma turnê por quatro Estados americanos.

"Tudo o que peço a vocês é uma única coisa: saiam de casa e votem, porque, se fizerem isso, teremos um sucesso estrondoso. Quero muito que vocês imaginem que meu nome está na cédula", disse Trump, associando-se diretamente ao resultado das urnas.

O candidato republicano, o ginecologista e obstetra Roger Marshall, se viu em dificuldades depois da revelação por veículos de imprensa dos EUA, como o jornal The New York Times, de que ele processou mais de 700 pacientes pela falta de pagamento de honorários médicos. No total, 81 delas, algumas com bebês recém-nascidos, acabaram presas em decorrência dos processos por dívida. Marshall também cobrava juros de 18% sobre o montante devido pelas pacientes, considerados extorsivos no mercado. Em sua defesa, ele afirmou que os processos eram necessários para viabilizar suas "atividades privadas" em "áreas rurais" e que não foi ele o responsável por encarcerar as pacientes e, sim, a Justiça.

Mas só a trajetória pessoal de Marshall não explica a derrota. O Meio Oeste, considerado o celeiro dos EUA, foi duramente atingido pelas decisões de Trump na Casa Branca. As tarifas levaram a China e o Canadá a buscar outros compradores (como o Brasil) para seus grãos, a guerra do Irã encareceu o diesel necessário para as atividades das máquinas agrícolas e impulsionou a inflação - e em consequência os juros para financiamento. O setor foi ainda afetado pelas iniciativas de deportação em massa de Trump, já que grande parte de sua força de trabalho é composta por imigrantes indocumentados.

O Kansas é mais um dos símbolos da derrocada história que Trump enfrentou na noite das eleições de meio de mandato.

Tradicionalmente, o presidente de turno perde uma das casas legislativas após dois anos de mandato, mas as projeções mostravam que agora os Democratas tomaram o controle da Câmara e do Senado, por margens confortáveis de assentos. Entre outras vitórias históricas, os democratas venceram o Senado no Texas, na Carolina do Sul e em Ohio. A última vez que algo assim aconteceu foi há 20 anos, quando o impopular George W. Bush sofreu forte revés político em meio às guerras do Iraque e do Afeganistão e na antessala da grande crise econômica de 2008. Trump já chamou Bush de "o pior presidente da história" e viu o colega de partido apoiar candidatos contra ele. Às 22h37 em Washington (00h37 de quarta, 4, em Brasília), quando a onda azul se confirmava na apuração de votos, Trump afirmou, via redes sociais: "eu não estava na cédula e se eu tivesse, teríamos ganhado de lavada. Obrigada por sua atenção a esse assunto. Presidente Donald J. Trump".

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