Buzinão e petardos agitaram Rossio este domingo

As viaturas da EIR estacionaram na praça do Rossio, mas viradas para a rua do Ouro, com vários manifestantes a segui-las e a manter a pressão. O clima entrou em erupção, com várias vozes audíveis por megafone a apelar aos carros que passassem para apitarem. “A PIDE mandou parar outro carro”, ouviu-se uma ativista declarar, antes de virar a sua atenção para dois agentes de mota parados junto ao Café Gelo: “Vão arranjar um trabalho a sério, bater em pessoas não é trabalho”. Também estes polícias abandonaram o local, o que gerou aplausos e gritos de alegria.
A meia hora seguinte voltou a ser de festa entre a multidão presente, celebrando cada vez que um carro passava a buzinar — com condutores e pedestres a desafiar o contingente policial que se ia tornando cada vez mais diminuto no Rossio. A experiência de manifestações passadas começou, todavia, a refletir-se junto de alguns membros da organização. “Não fiquem aqui expostos, a polícia vai regressar com mais carros”, ouviu o Observador da boca de um homem a lançar apelos ao público.
O temor de que se estivesse a perder o controlo da situação tinha razão de ser. Logo a seguir rebentaram dois petardos junto ao D. Maria II, sem ficar claro quem tinha sido o(s) autor(es). A organização, contudo, apercebeu-se de que este novo incidente — em conjugação com os atos de pressão junto às carrinhas da PSP — podia ser o gatilho para as autoridades regressarem com um contingente mais musculado. Por essa razão, começaram a pedir a toda a gente que se afastasse da estrada e regressasse ao centro da praça.
A multidão acatou o apelo e o ambiente acalmou, regredindo para o clima festivo que imperava antes do incidente das multas. Mas depois ouviu-se outro estrondo.
O petardo que acabou num impasse
Quando nada fazia prever que o ambiente no Rossio voltasse a aquecer, rebentou um terceiro petardo perto das entradas do Metro junto à rua do Amparo. “Foram os mesmos de há bocado”, ouviu-se gritar. Um rápido vislumbre detetou um homem a fugir de vários manifestantes, sofrendo agressões e insultos de “facho” e “bófia” enquanto abalroava quem encontrava no seu caminho. O presumível autor correu até entrar no McDonald’s a alguns metros, enquanto os seus perseguidores acumulavam-se à entrada do restaurante de fast food a tentar apanhá-lo. A gerência do estabelecimento fechou rapidamente a porta e baixou os gradeamentos — ninguém conseguiria chegar a ele, nem os clientes no interior conseguiriam sair.
Este incidente, decorrido num lampejo, ocorreu sob a premissa que o suposto autor lançou o engenho como forma de incitar ao regresso da polícia, merecendo acusações de ser um “infiltrado” de uma organização externa para instigar a violência ou até mesmo um agente à paisana. Essa insinuação, de resto, foi feita perante os órgãos de comunicação presentes junto ao McDonald’s por um dos membros da Acampada, que adiantou que o suspeito já tinha sido sinalizado pela organização. O movimento divulgou entretanto um vídeo nas suas redes sociais onde o homem que tinha sido acusado de ser o responsável pelo rebentamento é confrontado por um manifestante, sem provar a ligação ao incidente.
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