Na eleição, a notícia importante da economia deve vir da finança bandida de Vorcaro e irmãos
A notícia econômica mais importante que pode aparecer até o fim das eleições não vai tratar de emprego, inflação, juros, "o fiscal" e conversas desse mundo. Viria da economia bandida de finança e empresas. O prazo é curto para vazamentos importantes, mas o terreno tem esterco suficiente para a brotação de mais flores do pântano político-judicial. Que todas as flores floresçam.
João Carlos Mansur, da Reag, acertou delação com a Procuradoria-Geral da República. Falta André Mendonça aceitar a coisa. A Reag era administradora e gestora grande de fundos, como aqueles que servem para lavar dinheiro, camuflar pagamentos e inflar valores de ativos. Segundo policiais e procuradores, prestava esse serviço para gente variada, de PCC e máfia de combustíveis a Daniel Vorcaro —cuidava de quase R$ 300 bilhões. No caso de Vorcaro, suspeita-se que era um pilar da fraude que era o banco, além de ajudar a sumir com dinheiro. Fundos donos de fundos etc. serviam para inflar o valor dos ativos (haveres) do Master, com o que se montava a aparência de banco solvente, que poderia pagar o que devia e tomar ainda mais dinheiro emprestado do público (CDBs).
Suspeita-se que a Reag prestava esse tipo de serviços para mais "empresários e financistas"; que havia associados de Vorcaro escondidos por meio desses fundos. Enfim, dos fundos viria o dinheiro das propinas para "autoridades". Se Mansur tem provas, "empresários", finança bandida, juízes e senadores vão tremer.
A delação de Antônio Carlos Freixo Júnior, vulgo "Mineiro", foi aceita por Mendonça. Esse sujeito mandava dinheiro de Vorcaro para o fundo Havengate, de amigão de Eduardo Bolsonaro. Eram fundos para as artes dos Bolsonaros, quero dizer, para a arte cinematográfica, o "Dark Horse". Enfim, Mineiro carregaria malas com bilhões de Vorcaro. Mas de onde saiu o dinheiro que Vorcaro deu ao filme dos Bolsonaros?
Pouca gente agora presta atenção ao tamanho do banditismo de Vorcaro e finança. Onde estão os manifestos de indignação?
No mais, a economia vai parando de crescer, sugerem os primeiros indicadores do terceiro trimestre. Estima-se que o PIB terá crescido nada nesses meses. Ainda que cresça nada, não será um desempenho em si nem de longe dramático e, muito menos, terá efeito em um assunto que costumava incomodar mais a maioria dos eleitores, emprego. Dano a emprego e a salário aparecem quando a atividade econômica já foi para o vermelho.
Além do mais, parte grande do eleitorado não tem ligado muito para o que se chama genérica e vagamente de "economia", ao menos quando a coisa anda na banda da mediocridade, como agora. Uma recessão ruinosa ou uma disparada do desemprego seriam outra história. Não é para agora, se vier a ser.
A inflação continuará por aí, entre 4% e 5% até bem entrado 2027. Não haverá melhora significativa em inadimplência e custo do crédito até fins de 2027, sendo muito otimista. Ruim, mas não muda a situação agora.
Os efeitos dos possíveis danos do El Niño ficam para depois da eleição. Há sempre o risco de a exuberância financeira americana e a idiotia perversa de Donald Trump acabarem em tumulto súbito, mas parece que esse desastre foi adiado para ao menos 2027.
Por todos os motivos, não vai haver novidade eleitoralmente importante na economia de quem trabalha. O fato relevante deve sair da finança bandida, a depender do ritmo das negociações e da vontade política de vazar.
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