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Saturday, September 12, 2026

O celular de Vorcaro: os pedidos de ministros do STF para acesso a conteúdo — e a reposta de Mendonça

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Após a determinação do fim do sigilo dos registros relacionados ao banco na quinta-feira (10) pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, o relator do caso, ministro André Mendonça, liberou o acesso a parte dos documentos.

No dia seguinte, Alexandre de Moraes apontou, em um ofício encaminhado a Fachin, uma "escolha seletiva" de Mendonça na retirada do sigilo. O ministro também pediu a liberação imediata de todo e qualquer documento relacionado ao caso.

Em dois ofícios seperados, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também solicitaram ao presidente do STF acesso ao conteúdo completo extraído do celular de Vorcaro, um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal (PF).

"A mídia solicitada encontra-se no gabinete de Sua Excelência e deve ser compartilhada com os demais julgadores para que todos tenham a mesma oportunidade de análise dos elementos relacionados ao aludido processo", escreveu Zanin em seu pedido.

Mendonça liberou, na noite de sexta, o sigilo de outros processos envolvendo o Master, mas informou a Fachin que o celular de Vorcaro não está sob sua posse, mas sim guardado nos depósitos da PF para preservar a cadeia de custódia da prova. O relator declarou que possui apenas uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, que permanece lacrada.

Em novo ofício, Zanin contestou a justificativa do colega, sustentando que o lacre de uma cópia de segurança não impede o compartilhamento com os demais membros do STF.

Neste sábado (12/09), o ministro Gilmar Mendes reforçou o pedido para que todos os ministros tenham acesso integral à cópia dos dados extraídos do celular, em mais um ofício enviado a Fachin.

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No documento, o decano do STF endossa os argumentos apresentados por Zanin e solicita que, caso Mendonça não disponibilize os dados, a presidência da Corte requisite "com urgência" à PF o envio das mídias diretamente aos gabinetes.

"Reitero, no ponto, os fundamentos deduzidos pelo eminente Ministro Cristiano Zanin, no sentido de que tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento, já que a subsistência de acesso assimétrico ao acervo informativo compromete a paridade entre os integrantes da Corte e, em última análise, a própria colegialidade que deve presidir o julgamento", escreveu o ministro Gilmar Mendes no pedido a Fachin.

Celular com imagem do Banco Master na tela

Crédito, AFP via Getty Images

Os embates entre os ministros em relação ao acesso aos documentos obtidos pela PF ao longo das investigações sobre o caso ocorre às vésperas de uma sessão marcada para a próxima terça-feira (15/09) para discussão da grave crise que a Corte atravessa.

O embate entre Moraes e Mendonça

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Na semana passada, Mendonça protagonizou um embate com Moraes no âmbito dessas investigações.

Em 1º de setembro, através da petição 16.662, Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) com indícios de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria pedido conselhos e trocado informações com Moraes.

Dois dias depois, Moraes rebateu e retirou o sigilo de relatórios da inteligência da PF sobre supostas condutas irregulares de Mendonça, o qual teria agido contra Moraes e outros colegas de tribunal.

Até então relator do polêmico Inquérito das Fake News, Moraes também havia pedido a inclusão de Mendonça nesta investigação.

Na quarta-feira (09/09), Fachin decidiu tirar de Moraes a relatória deste inquérito e agendar para 15 de setembro a sessão plenária para tratar do caso.

Diante da crise que se abriu no STF com a revelação das mensagens e as decisões subsequentes de Mendonça, Moraes e do ministro Flávio Dino, é possível que o julgamento seja ampliado para discutir outros vários da "guerra" entre os ministros, explica Emílio Peluso, professor de direito constitucional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O que se sabe sobre o celular de Vorcaro

Por meio de trocas de mensagens e documentos extraídos do celular do ex-banqueiro, a PF levantou uma série de suspeitas de irregularidades.

O conteúdo do aparelho é relevante em duas frentes distintas: a apuração dos supostos crimes financeiros ligados ao caso Master e as relações de Vorcaro com autoridades políticas e do Judiciário.

No caso do financiamento do filme Dark Horse — cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro que acabou se tornando parte das investigações — os investigadores afirmam ter encontrado conversas, comprovantes e registros que indicariam a participação direta de Vorcaro na liberação de recursos para a produção e na discussão sobre a forma como esse dinheiro seria movimentado nos Estados Unidos.

Os documentos liberados por Mendonça na noite de sexta-feira apontam especialmente para a relação com o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL), descrito pela PF como interlocutor direto nas tratativas para obtenção de recursos para o filme.

Há também conversas de Vorcaro com funcionários do Master e pessoas ligadas à família de Moraes.

Diálogos envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) também dão "robustos indícios" de crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de ativos, segundo um relatório da PF cujo sigilo foi retirado nesta sexta.

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