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Friday, September 18, 2026

'American Hostage': elenco de série sobre história real de famoso sequestro detalha tensão e bastidores

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American Hostage estreia no próximo domingo (20), no MGM+, contando o caso real de Tony Kiritsis, um empresário que, em 1977, manteve um homem refém e transformou o episódio em um acontecimento acompanhado de perto pelo público ao eleger o radialista de Indianápolis Fred Heckman (Jon Hamm) para transmitir suas negociações. No papel do criminoso está Giovanni Ribisi, conhecido por O Resgate do Soldado Ryan, 60 Segundos, Ted, Avatar e por interpretar o irmão da Phoebe de Friends, Frank Buffay Jr.

O ator, de 51 anos, conversou com a Quem, ao lado dos colegas de elenco Mireille Enos e Kristoffer Polaha, sobre a construção do seu personagem, um homem que, apesar de estar cometendo um crime, ganhou o apoio de muitas pessoas na ocasião por seu carisma e honestidade.

Giovanni Ribisi — Foto: Divulgação
Giovanni Ribisi — Foto: Divulgação

Na produção, Kristoffer é o refém Dick Hall, presidente da Meridian Mortgage. Kiritsis o sequestra por acreditar que foi enganado por ele e por seu pai ao contrair um empréstimo para comprar um terreno e construir um shopping center em Indianápolis. Já está no Mireille está no papel de Barbara Heckman, esposa de Heckman, que acaba se envolvendo no caso que muda por completo a rotina da sua família, enquanto lida com questões pessoais.

Confira a entrevista com o trio da produção, cocriada por Shawn Ryan e Eileen Myers e baseada na aclamada primeira temporada do podcast roteirizado de mesmo nome da série.

Tony se orgulhava de dizer que nunca mentia e que era amado pelas pessoas ao seu redor. Ainda assim, acabou responsável por fazer um refém. Giovanni, como você encontrou o equilíbrio entre torná-lo perigoso, mas também vulnerável e humano?
Giovanni Ribisi:
Acho que, de certa forma, esse era o objetivo dele. Mas não sei se encontrar esse equilíbrio era necessariamente o meu principal foco. Isso acaba acontecendo quando você se dedica a tentar entender como alguém poderia chegar a conclusões como: “Eu vou fazer essa pessoa de refém” e depois realizar coletivas de imprensa. Também acho que é algo coletivo. Fazer filmes ou séries envolve muitas pessoas, muitos departamentos e, especificamente, o restante do elenco, que foi simplesmente extraordinário. No caso de Tony Kiritsis, acho que isso estava presente na essência do personagem. Resumindo, ele era realmente um anfitrião. Era carismático e abraçava o absurdo da situação. Sabia que seria percebido como alguém louco, mas usava isso como uma forma de fazer sua história chegar às pessoas e, como você disse, tentar transmitir a verdade dele.

Mireille Enos: Acredito que os roteiristas construíram o personagem dessa maneira. Eles permitiram que essa pessoa fosse como uma bola de pingue-pongue e construíram tudo de forma que o público pudesse enxergar todos esses diferentes aspectos dele.

Mireille Enos — Foto: Divulgação
Mireille Enos — Foto: Divulgação

Giovanni Ribisi: Creio que eles tenham tirado muita coisa das ligações que ele fez para o 911 e também da coletiva de imprensa, que era, na verdade, a maior parte do material. Em alguns momentos, era quase palavra por palavra. Em determinado momento, como estavam tentando reduzir a duração dos episódios, algumas dessas coisas começaram a ser retiradas do roteiro. Então conversei com Eileen (Eileen Myers, criadora) e Sharon (Sharon Hoffman, criadora) e disse, basicamente: “Não, nós temos que manter isso. Esses são os elementos que eu acho que são mais reais". Acho que precisávamos manter essa textura, porque ela era muito importante e foi justamente o que me atraiu. Mesmo que pareça algo superficial — o jeito como ele usa a linguagem, os palavrões e tudo isso — havia também o fato de ele fazer tudo com um sorriso e acolher as pessoas. Isso era muito importante para ele. Tony queria unir as pessoas e acabou fazendo isso. Então, nesse sentido, parabéns aos roteiristas.

Dick tem poucas falas e passa muito tempo em uma posição extremamente difícil. Kristoffer, o que foi mais desafiador: a parte física ou transmitir o que estava acontecendo na mente dele durante esses momentos de tensão?
Kristoffer Polaha:
A coisa mais fácil de fazer era simplesmente sentar e ouvir o Giovanni. Uma das coisas que eu fazia era rezar. Eu rezava o Pai-Nosso e falava como o personagem, dizendo algo como: “Mantenha-me seguro”. Mas, na verdade, a maior tarefa era fazer menos, porque acho que menos é mais. Para muitos atores, o instinto é exagerar, fazer algo interessante ou tentar mostrar alguma coisa. Eu sabia que precisava dar um pouco de expressão de vez em quando, mas estava usando algemas de verdade e as apertei para ficarem bem justas. Então eu estava realmente com as mãos presas. Também havia uma coisa em volta do meu pescoço, e eu conseguia sentir o peso da arma sobre ela. Havia ainda uma corrente. Isso me dava uma espécie de expressão vocal. Eu não estava usando palavras, mas, se quisesse reagir a alguma coisa, podia fazer a corrente estremecer. Foi divertido explorar isso. Era quase como um tipo diferente de marionete, em que você não tem palavras para usar como recurso. O silêncio acabou se tornando uma espécie de linguagem para o personagem? E também havia um contrapeso. Tony era como uma fornalha, queimando com muita intensidade. Ele era muito intenso e eloquente, com as palavras vindo como uma enxurrada. Meu instinto foi pensar: “Tenho que equilibrar isso. Tenho que ser o contraponto a isso.” Então, ser contido e silencioso seria a complementar ao que o Giovanni estava trazendo para Tony. Tudo aconteceu por causa disso: simplesmente ouvir, reagir e estar presente.

Kristoffer Polaha e Giovanni Ribisi — Foto: Divulgação
Kristoffer Polaha e Giovanni Ribisi — Foto: Divulgação

Mireille, Barbara e Fred têm uma conexão tão especial que, às vezes, parece que eles não precisam dizer nada. Como foi construir essa relação com Jon Hamm?
Mireille Enos:
Foi surpreendentemente fácil construir isso com Jon. Ele é uma pessoa muito aberta e calorosa. Nós dois temos a sorte de estar em relacionamentos duradouros, então sabemos como é tentar manter algo ao longo de muitos anos. Acho que nós dois acreditávamos que aquelas eram pessoas que estavam, de fato, no casamento certo. Elas deveriam estar juntas. Então esse foi um ponto de partida maravilhoso. Existe uma espécie de linguagem própria que você constrói, especialmente quando está em um relacionamento em que há filhos. Há tantas coisas diferentes que precisam ser comunicadas. E então existe o nosso segredo. É sempre muito interessante quando há um segredo em um relacionamento. O nosso segredo era o fato de que não estávamos falando sobre nossa filha. Cada um carregava consigo aquela dor profunda que não compartilhávamos um com o outro. Isso cria a parte da história em que há uma ruptura e algo precisa ser curado.

Barbara também ganha espaço para mostrar que é mais do que a esposa de Fred. Como foi explorar esse lado da personagem?
Mireille Enos: Isso foi lindamente desenvolvido pelos roteiristas. Eles deram a essas pessoas que se amam e que deveriam estar juntas uma questão silenciosa que também precisam resolver. É uma história íntima dentro de uma história muito maior. Enquanto existe toda aquela situação que precisa ser solucionada, há também esse relacionamento, esses sentimentos e essa questão entre eles que precisam ser enfrentados.

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