PunchAPC rally disruption: SDP rejects Nasarawa claims against Al-Makura, AdamuCNN Türkİzmir'de uyuşturucu operasyonu: 7 gözaltıThe Jerusalem PostDemocracy was top Jewish voter concern in midterms, not Israel or antisemitism - poll한겨레‘AI 공포’에 안전자산으로 몰렸다…금값, 일주일 전보다 5% 넘게 올라ZDF heuteEntdecken Sie das ZDF-NachrichtenstudioSouth China Morning PostHow Japan’s 660 most wanted stay hidden: slums, day labour and forged IDsRolling StoneNile Rodgers Defends AI Use in Music Video: ‘We Created Everything … The AI Did What We Told It to Do’매일경제피노, 1830억 원 규모 유증 단행…이차전지 소재 사업 체질 개선Malay MailThe iPhone Duo is my new favourite iPhone but is it for you?The Sydney Morning HeraldBeau Lamarre-Condon trial live updates: Alleged double murderer, former NSW Police officer returns to witness box, asked about relationship with Jesse BairdBillboardAmy Winehouse’s ‘Back to Black’ Reissue Sparks Top 10 Chart ReturnCBS NewsMississippi Senate race is toss-up, with razor-thin margin
The Daily Newsstand · Free, Always
Friday, November 6, 2026

O balanço da C&A foi bom ou ruim? Lucro supera previsão, mas vendas decepcionam

Translate
  • A C&A teve lucro ajustado de R$ 56,5 milhões no terceiro trimestre, queda de 23,3%, mas acima do esperado pelo mercado
  • Lucro reportado de R$ 170,3 milhões foi inflado por R$ 198,5 milhões em créditos tributários
  • Margem bruta de vestuário subiu pelo 21º trimestre seguido, para 56%
  • Vendas nas mesmas lojas cresceram só 1%, com Copa do Mundo e juros altos
  • Ação acumula queda de 47% em 2026 e vale um terço do pico de julho de 2025

A C&A (CEAB3) entregou um terceiro trimestre considerado fraco, mas não tanto quanto o mercado temia. A varejista vendeu pouco, gastou mais com marketing e viu o lucro recorrente encolher. Ao mesmo tempo, voltou a ampliar a margem com roupas, reduziu a inadimplência do cartão próprio e terminou o período com dívida baixa. Para os analistas, o saldo ficou acima das projeções.

O lucro líquido reportado foi de R$ 170,3 milhões, alta de 145% em relação ao mesmo período de 2025. O número, porém, foi turbinado pelo reconhecimento de R$ 198,5 milhões em créditos de PIS e Cofins, um efeito contábil que não se repete. Sem ele e outros itens não recorrentes, o lucro ajustado ficou em R$ 56,5 milhões, queda de 23,3% na comparação anual.

"O lucro reportado é inflado pelos créditos de PIS/Cofins e deve ser desconsiderado", afirma Júlio Vieira, analista da Acta Partners. Mesmo menor, o lucro ajustado superou os R$ 45,5 milhões previstos pelo consenso da LSEG e os R$ 50 milhões projetados pelo BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

Vendas fracas, com Copa e juros no caminho

A receita líquida consolidada somou R$ 1,88 bilhão, avanço de 2,3%. Em vestuário, carro-chefe da empresa, a alta foi de 2,6%, para R$ 1,69 bilhão. As vendas nas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês), indicador que mede o crescimento das unidades abertas há mais de um ano, subiram apenas 1%, ante 8,1% um ano antes.

A companhia atribuiu o desempenho ao menor fluxo de clientes durante a Copa do Mundo, que se estendeu do segundo para o início do terceiro trimestre, e ao alto comprometimento da renda das famílias com juros elevados.

Segundo a C&A, o movimento nas lojas melhorou aos poucos e atingiu um ponto de virada em meados de setembro, junto com a chegada da coleção de verão.

Pesaram ainda as 18 reformas de lojas em andamento, que tiraram cerca de 1 ponto percentual do SSS. Sem esse efeito, o indicador teria crescido 2%. Em eletrônicos e beleza, a receita caiu 15,3%, reflexo da saída da operação de celulares e da mudança na tributação de cosméticos em São Paulo.

No digital, a história foi outra. As vendas pelo site e pelo aplicativo cresceram 27,6% e já representam 8% da receita de mercadorias.

A margem foi a boa surpresa

O destaque positivo veio da margem bruta de vestuário, que chegou a 56%, alta de 0,6 ponto percentual e a 21ª expansão trimestral consecutiva. A XP esperava estabilidade. A varejista creditou o avanço a um sistema de precificação dinâmica, coleções mais acertadas, à nova estratégia logística e ao câmbio favorável, que barateia peças importadas. A margem bruta consolidada subiu 1 ponto, para 55,7%.

O ganho, no entanto, foi consumido pelas despesas. Os gastos com vendas cresceram 6,9% e passaram a representar 33,9% da receita, puxados por campanhas dos 50 anos da marca no Brasil e pela presença no Rock in Rio, investimentos que a empresa classifica como pontuais. Com vendas que cresceram pouco, as despesas fixas também foram menos diluídas.

Com isso, o Ebitda ajustado, que mede a geração de caixa operacional, recuou 4,7%, para R$ 317,6 milhões, com margem de 16,9%.

Cartão próprio dá lucro e calote cai

O C&A Pay, braço de crédito da varejista, lucrou R$ 20,2 milhões, mais que o dobro dos R$ 7,9 milhões de um ano antes. A receita subiu 26,7%, para R$ 100,8 milhões, com mais vendas parceladas com juros e o início dos testes de empréstimo pessoal.

A empresa apertou a concessão de crédito para novos clientes.

A emissão de cartões caiu 17,5% e, em compensação, a inadimplência acima de 90 dias recuou 2,5 pontos percentuais, para 13,9% da carteira.

Estoque alto e caixa menor

Um ponto de atenção, segundo a XP, são os estoques, que estão 16 dias acima do nível de um ano antes. A C&A diz que o trimestre marca o início de uma redução gradual. O fluxo de caixa livre caiu para R$ 184 milhões, ante R$ 244 milhões no terceiro trimestre de 2025, com menor geração operacional e investimentos 26,2% maiores, em reformas, novas lojas e um centro de distribuição no Nordeste.

A estrutura de capital segue folgada. A alavancagem, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda, ficou em 0,2 vez, mesmo depois de a empresa distribuir R$ 139,8 milhões em juros sobre capital próprio e gastar cerca de R$ 110 milhões em recompra de ações no ano. Após o fim do trimestre, a varejista trocou dívidas que custavam CDI + 1,6% ao ano por uma nova, com vencimento em 2029 e custo de CDI + 0,8%.

A companhia também lançou o Full Power, novo ciclo estratégico de 2027 a 2030, que prevê continuar com aberturas e reformas de lojas, ampliar o uso de inteligência artificial em sortimento e abastecimento e expandir a Ace, bandeira de moda esportiva.

O que dizem os analistas

O BTG Pactual classificou o trimestre como "fraco, mas um pouco melhor do que o temido" e manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 19, potencial de alta de 179% sobre o fechamento de quarta-feira, 4. Para o banco, o cenário de juros altos segue como risco para o crescimento, mas o programa de reformas, a disciplina com rentabilidade e a remuneração ao acionista sustentam a tese.

A XP também manteve compra e avalia que o foco do investidor deve ficar nos estoques e na recuperação esperada para o quarto trimestre. A casa aponta como fatores favoráveis a virada no fluxo de clientes em setembro, a reabertura das lojas reformadas (outras dez estão previstas até dezembro) e uma base de comparação mais fácil, já que o fim de 2025 foi fraco.

Da disparada ao tombo na bolsa

O balanço chega num momento em que a ação acumula perdas pesadas. Em 2025, a C&A foi uma das estrelas da bolsa. O papel saiu de R$ 7,47 no primeiro pregão do ano e chegou a R$ 20,65 em 3 de julho, seu pico no período, uma valorização de 176%. A alta atraiu a atenção dos analistas, que ainda viam espaço para ganhos.

Dali em diante, a ação perdeu fôlego, oscilou na casa dos R$ 15 a R$ 18 no segundo semestre e entrou em queda firme a partir do fim de novembro. Ainda assim, fechou 2025 a R$ 12,76, com alta de cerca de 71% no ano.

O ano de 2026 começou com um tombo. Em 5 de janeiro, as ações caíram 15,7% em um único dia, após a empresa sinalizar a analistas um quarto trimestre de 2025 mais fraco do que o esperado. Em meados de janeiro, o papel tocou R$ 9,51.

Houve recuperação até abril, quando a ação voltou a R$ 13,60, seguida de nova rodada de perdas. Em agosto, depois de um segundo trimestre em que a Copa freou as vendas, o papel desceu a R$ 7,28.

Entre setembro e outubro, a C&A embarcou no rali dos ativos brasileiros entre os dois turnos da eleição e quase dobrou de valor, atingindo R$ 14,27 em no último dia 20, a máxima de 2026. O movimento foi interrompido em 26 de outubro, primeiro pregão após o segundo turno, quando a ação desabou 47,5% em reação à reeleição de Lula. Varejistas, mais sensíveis aos juros, estiveram entre os papéis mais castigados.

Na quarta-feira, 4, último pregão antes da reação ao balanço, a ação fechou a R$ 6,81. O valor representa queda de 46,6% em 2026, de 52% desde a máxima de outubro e de 67% em relação ao pico de julho de 2025.

"Esperamos uma reação neutra a levemente positiva da ação ao balanço, dado o valuation já estressado", conclui Vieira, da Acta.

View the original on Exame →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.