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Tuesday, September 29, 2026

Precisamos fazer a verdade importar novamente

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O problema já não é apenas distinguir o verdadeiro do falso. É fazer isso quando o falso pode ser produzido muito mais rapidamente do que a sociedade é capaz de verificá-lo.

Durante quatro anos, mantive longas conversas com cerca de 140 jornalistas de diferentes países, incluindo a própria Ressa, para analisar a transformação do nosso ofício. Seus depoimentos cruzados oferecem uma radiografia de uma profissão em um momento crítico: profissionais de países ricos ao lado de outros que arriscam a vida para informar, repórteres de grandes veículos e profissionais independentes que trabalham sozinhos.

Apesar das diferenças, suas vozes revelam um diagnóstico comum provocado pelas empresas de tecnologia: o grande desafio do jornalismo já não é apenas informar o que acontece, mas fazer com que isso importe — porque a verdade, por si só, já não prevalece.

A mídia, nesta conjuntura em que existe uma disputa feroz por atenção, já não ocupa a posição de destaque de outros tempos, quando decidia o que era relevante, fornecia contexto, checava os fatos e ajudava a construir uma conversa pública. Essa posição foi profundamente alterada pelas novas regras que definem o padrão do consumo de informação na internet.

As multinacionais de tecnologia mudaram as regras de distribuição de conteúdo e, com elas, a relação entre relevância e visibilidade. O que é importante agora compete no mesmo espaço com o que é viral; a explicação compete com a reação, e o critério, com o algoritmo.

As plataformas não são projetadas para distinguir o verdadeiro do falso, mas para maximizar atenção e interação. E, nessa competição baseada em volume, emoção, simplificação e conflito costumam levar vantagem sobre nuance, contexto e incerteza. Os algoritmos, concebidos segundo uma lógica comercial, recompensam os conteúdos mais chamativos, independentemente de serem falsos, enganosos ou deliberadamente manipulados. Como resultado, surge um ecossistema no qual a informação perde densidade, o debate se polariza e a confiança se desgasta. A ponto de o populismo deixar de ser apenas um fenômeno social e passar a ser uma corrente política que permeia todas as decisões, com certos líderes algorítmicos nascidos ou sustentados no calor da interpretação das tendências de opinião e dos estados emocionais das populações que governam.

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