Temor de extinção humana por IA une Steve Bannon e Bernie Sanders

O debate se tornou central na agenda internacional desde que o pesquisador de inteligência artificial Jacob Coxon se demitiu da Anthropic, após ter deixado um posto na OpenAI, e veio a público dizer que "nenhuma das empresas está agindo de forma responsável". "Elas estão correndo diretamente em direção a uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha e estão apostando com nossas vidas", denunciou Coxon.
Em vez de desacreditar as palavras do funcionário demissionário, os diretores da Anthropic vieram a público chancelar o diagnóstico dele. "Nós realmente acreditamos que a IA pode matar seres humanos" escreveu, no X, Evan Hubinger, diretor de segurança da empresa, que calculou em "mais de 10%" o risco de a tecnologia provocar a extinção humana na próxima década.
Prestes a conduzir a abertura de capital da Anthropic em bolsa de valores, o CEO Dario Amodei propôs, no sábado passado, que as empresas de inteligência artificial concordem em desacelerar seus modelos coordenadamente. Amodei foi prontamente apoiado por Sam Altman, da Open AI, e Elon Musk, o trilionário dono do X e da Space X - outro alinhamento incomum. A movimentação gerou temor nos investidores e quedas na bolsa.
E provocou mais uma rara concordância, mas no sentido oposto.
Os governos dos EUA e da China disseram publicamente que não pretendem coibir o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial. Trump chamou o risco apontado pelos especialistas de uma "farsa" e disse que uma desaceleração poderia retirar dos EUA a dianteira que o republicano vê seu país ter no assunto. Já o governo de Xi Jinping acusou os tecnocratas americanos de recorrer a práticas de competição da Guerra Fria. "O alarmismo, o confronto e a competição maliciosa apenas prejudicarão o processo de governança global da IA e não servirão aos interesses de ninguém", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun.
Xi Jinping e Trump se encontrarão pessoalmente na semana que vem, quando o líder chinês virá a Washington para uma visita. As regulações da inteligência artificial deverão ser um dos temas das conversas entre os líderes, que parecem raramente dispostos a concordar em ignorar o levante de cada vez mais altas - e mais divergentes - vozes da sociedade.
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