Doclisboa: de Jorge Luis Borges a Vittorio De Sica

A Culturgest, o Cinema São Jorge, o Cinema Ideal e a Cinemateca recebem mais uma vez o Doclisboa, que se realiza de 15 a 25 de outubro, mostrando 198 filmes de 51 países, entre os quais 32 títulos portugueses. Entre outros, a retrospetiva dedicada ao realizador filipino Lino Brocka (1939-1991) é um dos pontos mais importantes desta 34.ª edição do festival, em que o espanhol Jonás Trueba estará em foco na secção Heart Beat, que mostrará o seu novo filme, Vistillas, enquanto que a Palestina será o centro da secção Da Terra à Lua. Fazemos seis sugestões muito variadas de entre toda a programação deste ano, que pode ser consultada aqui, tal como toda a informação útil.
“Biografía de Jorge Luis Borges”, de Mariano Llinás – Autor de La Flor, um filme com 13 horas e meia de duração e vários filmes lá dentro, Mariano Llinás dedica agora cinco horas e meia ao seu genial compatriota Jorge Luis Borges, num documentário biográfico com muito pouco de convencional (e que no início era para ser apenas uma curta-metragem). O realizador teve acesso ilimitado a material de arquivo, objetos, lugares relacionados com Borges e a peritos na vida e na obra do escritor, e recria entrevistas antigas dele ou demora-se em curiosidades ínfimas, como uma nota escrita à mão que existe apenas numa edição de um dos seus livros. É uma aproximação totalmente idiossincrática a Borges que, segundo Llinás, é aqui “imaginado como um país, um país perigoso, cheio de ameaças e maravilhas”. (Dia 18 de outubro, São Jorge-Sala 3, 10h30)
“Casa do Artista — Não é Permitido Envelhecer“, de Solveig Nordlund – Fundada em 1999 por Armando Cortez, Raul Solnado, Carmen Dolores, Manuela Maria e outros atores, A Casa do Artista tem como lema “Não é Permitido Envelhecer”. É também o título deste documentário assinado por Solveig Nordlund, que visita a instituição para mostrar que ela está longe de ser um lar da terceira idade como muitos outros, ou uma derradeira paragem para nomes conhecidos ou anónimos do mundo do espectáculo. E muitos daqueles que lá estão são uma memória viva do passado desse mundo, e das suas várias artes e ofícios. (Dia 18 de outubro, Culturgest-Auditório Emílio Rui Vilar, 15.00)
“Viva Carmen”, de Sébastien Laudenbach – Esta longa-metragem de animação francesa inspira-se na popularíssima ópera Carmen, de Bizet, e combina música e fantasia. A história passa-se em Sevilha, em 1840. Salva, de 13 anos, esteve ausente da cidade durante três anos, num país distante. Regressado, encontra Carmen, uma cigana de 20 anos de espírito livre e senhora de uma voz extraordinária. Avisado por um presságio que a morte virá em breve ao encontro dela, Salva mobiliza um grupo de crianças da rua suas amigas para contrariar o destino e conseguir salvá-la. (Dia 15 de outubro, Culturgest — Pequeno Auditório, 11h00 / Dia 15 de outubro, São Jorge — Sala Manoel de Oliveira, 21h45)
“Vittorio De Sica — La Vita in Scena”, de Francesco Zippel – Francis Ford Coppola, Isabella Rossellini, Luc e Jean-Pierre Dardenne, Wes Anderson, Asghar Farhadi e Dominique Sanda são alguns dos nomes do cinema que participam neste filme sobre Vittorio De Sica, ator, argumentista e realizador de clássicos que foram triunfos populares e de crítica, como Ladrões de Bicicletas, Umberto D, O Oiro de Nápoles, Ontem, Hoje e Amanhã ou Matrimónio à Italiana. Francesco Zippel teve a colaboração plena da família De Sica, e acedeu a materiais de arquivo inéditos, para rodar este retrato íntimo e abrangente de um dos nomes mais distintos do cinema italiano. (Dia 22 de outubro, Culturgest, Auditório Emílio Rui Vilar, 21h30 / Dia 24 de outubro, São Jorge — Sala 3, 19h30)
“Knife: The Attempted Murder of Salman Rushdie”, de Alex Gibney – Foi por pouco que Salman Rushdie não perdeu a vida, a 12 de agosto de 2022, quando um homem americano-libanês chamado Hadi Matar o tentou esfaquear, numa instituição educativa americana onde ia dar uma palestra. O escritor ficou cego de uma vista e com lesões nas mãos e no fígado, e publicaria mais tarde um livro sobre o caso, Faca: Reflexões Sobre um Atentado. Contando com a colaboração de Rushdie, o oscarizado Alex Gibney descreve neste documentário a recuperação física, mental e emocional do autor de Os Versículos Satânicos. (Dia 16 de outubro, São Jorge — Sala Manoel de Oliveira, 19.00 / Dia 24 de outubro, idem, 18h00)
“In-I In Motion”, de Juliette Binoche – Em 2007, Juliette Binoche e o bailarino e coreógrafo inglês Akram Kahn criaram em conjunto, e ao longo de seis meses muito intensos, uma peça intitulada In-I, que apresentaram 100 vezes ao longo do mundo. Quase 20 anos mais tarde, e para a sua estreia como realizadora, Binoche recorreu a 170 horas de imagens inéditas para recordar esse trabalho (que também produz), revelando os desafios físicos e emocionais que In-I implicou e refletindo também sobre a criação artística, os seus riscos e as alterações pessoais que pode envolver. (Dia 19 de outubro, Culturgest — Auditório Emílio Rui Vilar, 18h30 / Dia 24 de outubro, Cinema Ideal, 21h45)
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