ESPNNo matter the seed, Liberty believe they're a WNBA title contenderESPN DeportesMexicana Bernal hace doblete en goleada del Manchester UnitedThe Jerusalem PostUkraine transfers two North Korean prisoners of war to South Korea, Zelensky saysPunchFCT truck driver, two others held for vandalising NNPC pipelineInquirerSite issues delay UP martial law museum bidding; opening date unsetSözcüAtış talimi yapmış saldırıyı söylemişStraits Times SportNew York Knicks, Karl-Anthony Towns not close on extension: ReportsNOSDoden en gewonden bij Russische raketaanval op Kyiv中国新闻网习近平抵达华盛顿对美国进行国事访问New Straits TimesBursa Malaysia opens lower on Wall Street weakness, hawkish fed remarksAntara NewsTROOPS (NASDAQ: TROO) allocates US$12 million for new unit focused on AI infrastructure in Southeast AsiaRadio-CanadaLe débat des chefs terminé, place aux conférences de presse
The Daily Newsstand · Free, Always
Thursday, September 24, 2026

Alagoas tem disputa de cardeais do antigo e do novo centrão em embate de Lira e Renan Calheiros

Translate

Duas vezes presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) desafia, nesta eleição, o domínio do três vezes comandante do Senado Renan Calheiros (MDB-AL), que pode se tornar o recordista de mandatos na Casa Alta desde a redemocratização. A disputa local nutre também nos alagoanos a expectativa de que, qualquer que seja o vencedor, pode sair dali o presidente do Congresso Nacional.

A campanha começou em agosto, mas a disputa se arrasta há anos. Os dois se enfrentaram em brigas por relatorias de projetos de lei, por influência sobre partidos e prefeitos, por cargos e pelos rumos de CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito). Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou um armistício, sem sucesso.

Neste ano, há duas vagas para o Senado, mas Renan Calheiros parece ter como meta impedir a ascensão de Lira. É do adversário que o senador mais fala em conversas com a reportagem da Folha, em Brasília e em Maceió, para tratar da campanha.

"Ele perdeu as últimas três eleições majoritárias para mim", diz. "Nunca estivemos aliados. Temos práticas políticas diferentes, não uso essas táticas de orçamento secreto", acrescenta.

Lira, por sua vez, apoia JHC (PSDB) ao governo contra Renan Filho (MDB) —filho de Calheiros—, mas não evita que prefeitos do PP e União Brasil peçam votos para os rivais.

A distribuição de verbas a prefeituras para obras e até para pagar salários de servidores é o principal ativo de Lira. O modelo se intensificou com as emendas parlamentares de relator, criadas no governo Jair Bolsonaro (PL), e continuou com as emendas de comissão, no governo Lula. Ambas as modalidades foram questionadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) pela falta de transparência e critérios técnicos.

Os recursos se tornaram vitais para os pequenos e médios municípios, mas seu envio depende de um vínculo e de apoio do prefeito ao parlamentar. Até hoje, é impossível dizer qual o valor total que Lira enviou a Alagoas por meio de emendas de tramitação opaca no Orçamento.

No lançamento do comitê de campanha dele em Maceió, montado ao custo de R$ 150 mil num terreno do tamanho de um quarteirão, o locutor anuncia o valor de R$ 8 bilhões usados em moradias, obras, custeio para a saúde, tratores e maquinário, entregues pelo parlamentar. "É o 'diferenciado'", diz o slogan de Lira.

Questionado pela Folha sobre o valor, superior ao orçamento da maioria dos ministérios, Lira desconversa: "Não sei de cabeça".

O apoio de prefeitos deixa evidente, porém, que o valor é expressivo. O MDB de Renan Calheiros elegeu 70 dos 102 prefeitos de Alagoas, mas foi incapaz de impedir que a maioria deles declarasse voto em Lira nesta eleição. Só 20 estão com o dr. Wanderley (MDB), o segundo candidato da chapa de Renan.

No escritório de Lira em Maceió, um mapa na parede mostra que só 13 das 102 cidades de Alagoas estão marcadas com um pino vermelho, sinal de que não o apoiam. O número de prefeitos aliados é semelhante ao de Renan Calheiros, mas o senador teve à disposição a estrutura do governo estadual, comandado por Paulo Dantas (MDB), e da candidatura de Renan Filho (MDB) ao governo para formar sua rede de alianças.

A dobradinha não intencional entre Lira e Renan é recorrente em banners e postagens de políticos nas redes sociais. Parte dos candidatos a deputado estadual e federal do MDB também faz o voto casado.

Em Feliz Deserto, a 150 km de Maceió, o prefeito Jorge Nunes (PP) é um deles. "Sou Arthur Lira, mas para governador eu sou 15 [número do MDB]. É questão de gratidão", diz.

Lira chega de helicóptero à cidade, para onde enviou recursos de emendas para o custeio da saúde, a construção do mercado municipal e a pavimentação de ruas. Ele é recebido por moradores e funcionários públicos mobilizados pelo prefeito. No palco, as entregas são exaltadas, assim como o poder que ele ostenta para além das fronteiras de Alagoas.

"Na hora em que é preciso resolver problemas em Brasília, vocês sabem em qual gabinete bater à porta", discursa Lira.

O candidato destaca a aprovação, como relator, do projeto de lei que isentou quem ganha até R$ 5.000 de pagar Imposto de Renda. O assunto é mais um da guerra fria contra Renan, que assumiu a relatoria do tema no Senado e acusa o deputado de só destravar a votação na Câmara para evitar que os senadores aprovassem uma proposta dele antes. A disputa tem motivo: 95% dos alagoanos ficarão isentos do IR.

Os dois também brigaram na CPI da Braskem no Senado —Lira pressionava a empresa a indenizar a Prefeitura de Maceió, e Calheiros contestava os termos do acordo. Eles também se enfrentaram na disputa pelo apoio de partidos nesta eleição —quatro partidos registraram, ao mesmo tempo, apoio às duas chapas. Até Lula tentou convencê-los de um acordo eleitoral, mas as trocas de acusações seguiram em público e na Justiça.

Há quem diga que a desavença começou mais de uma década atrás. Renan acabava de ser reeleito em 2010, mesmo após renunciar à presidência do Senado para escapar da cassação por denúncias de que um empreiteiro pagava suas despesas pessoais (anos depois rejeitadas pela Justiça).

O que era motivo de festa na equipe virou uma bronca geral do senador, inconformado por acabar atrás de Benedito de Lira (PP), um deputado que se destacou pela dancinha desengonçada na campanha e que é pai de Arthur Lira.

Na eleição seguinte para o Senado, em 2018, Benedito foi derrotado por Renan Calheiros.

Desta vez, a ascensão do filho dele, que disputa a vaga ao Senado, virou entrave a um eventual quinto mandato de Renan, o que o tornaria o senador que mais vezes ocupou o cargo, empatado com José Sarney e Rui Barbosa na história da República.

Lira foi o deputado federal mais votado de Alagoas em 2022 e lançou o filho Álvaro (PP) como sucessor na Câmara dos Deputados. A aposta é que o apoio de 33 prefeitos —o maior número entre os concorrentes do estado— impulsionará Alvinho, como é chamado, a ser o deputado mais votado desta eleição.

As falas de aliados de Lira apontam outro motivo de atrito.

"Temos que eleger este que vai ser o futuro presidente do Senado", discursa Olívia Tenório, candidata a deputada estadual pelo PP.

Lira ri, procura com o olhar a reportagem da Folha na plateia e faz o sinal negativo com o dedo. Ao sair do palco, diz que ligou para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para lhe prometer apoio e evitar fofocas. A presidência do Senado também é cobiçada por Renan, que em 2019 tentou voltar a ocupá-la e foi derrotado por Alcolumbre.

No dia em que esteve em Feliz Deserto, Lira fez campanha também em Jequiá da Praia e Maceió, mas evitou ato com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Arapiraca. O candidato do PL à Presidência apoia a candidatura dele, mas não recebeu reciprocidade em Alagoas. Aliados de Lira dizem que ele já é identificado com o bolsonarismo, e que uma campanha ostensiva pode tirar votos do eleitor lulista do interior.

A estratégia evita também um estresse com Lula que poderia lhe custar cargos e influência, em caso de vitória do petista.

Lira mantém aliados no comando da Caixa, da Codevasf (estatal que distribuiu para as prefeituras de Alagoas mais de 38 mil equipamentos desde 2024), no Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) e no porto de Maceió. Em agosto, um indicado dele foi demitido do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Quem pode deixar Lira ou Renan fora do Senado é Marina Cândia (PSDB), esposa do ex-prefeito de Maceió JHC. Ela usa a gestão do marido, o discurso religioso e a popularidade nas redes para despontar entre os líderes nas pesquisas. O próprio Lira tentou barrar a candidatura para evitar a rival, mas não conseguiu.

View the original on UOL

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.