Flávio Bolsonaro e Lula: as propostas dos candidatos à Presidência que disputam o 2º turno

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) vão disputar o segundo turno da eleição presidencial no dia 25 de outubro. No domingo (4/10), Flávio terminou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Apenas 2,2 milhões de votos separaram os dois candidatos.
A BBC News Brasil preparou um especial interativo com as propostas e posicionamentos dos candidatos em oito áreas.
Elas foram levantadas a partir dos programas divulgados pelas campanhas e também a partir de declarações públicas feitas em eventos, entrevistas, transmissões ao vivo pela internet, postagens em redes sociais, dentre outros.
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What are the candidates promising you?
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Brazil
Economia e Emprego
- Usar IA para controlar os gastos públicos
- Flexibilizar a CLT para permitir o pagamento por hora (PEC 12/2026)
- Suspender por um ano a entrada em vigor da reforma tributária
- Preservar o Pix sem integrá-lo a redes de pagamentos internacionais
- Promover um "revogaço" de normas para facilitar abertura de empreendimentos
- Retomar o Programa Nacional de Desestatização
- Simplificar a conta de luz, racionalizando encargos e subsídios
- Criar Corredores Logísticos Inteligentes
- Reduzir gradualmente o custo do trabalho, sem retirar direitos
- Ter contratos de trabalho para os jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego
- Criar um contrato mais atrativo para a contratação de pessoas com 50 anos ou mais desempregadas há pelo menos 12 meses
- Criar um banco nacional de vagas conectado ao RH das empresas
- Criar o programa Minha Primeira Empresa: menos burocracia para abrir e formalizar o negócio
- Transformar a Caixa no Banco da Prosperidade, para o sistema Ganha Ganha, que recompensa ações como formalizar empresa, conseguir emprego
- Investir R$ 900 bilhões em quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias
- Implementar a Estratégia Nacional de Inteligência Artificial para levar IA para pequenas empresas
- Ajustar o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag)
Saúde
- Implementar o Plano Real da Saúde: reformular o SUS, alterando o financiamento e valorizando os profissionais de saúde
- Contratar serviços e exames na rede privada nos horários ociosos
- Estabelecer o prontuário eletrônico único
- Estabelecer consultas por teleatendimento
- Entregar remédios em domicílio para idosos e pessoas com deficiência ou doenças crônicas
- Corrigir efetivamente a tabela SUS, assegurando remuneração que cubra o custo real do atendimento a hospitais, santas casas e clínicas
- Ampliar a Estratégia Saúde da Família, levando o cuidado para perto de casa
- Criar o Programa de Atendimento aos Idosos, com atendimento facilitado a quem envelhece
- Ampliar o acesso a exames preventivos e manter a imunização, incentivando a produção nacional de vacinas
- Contratar serviços e exames na rede privada nos horários ociosos, aproveitando capacidade ociosa de equipamentos
- Fortalecer a Rede Nacional de Hospitais Inteligentes (EBSERH), modernizando hospitais universitários federais
- Ampliar a telessaúde e o teleatendimento por aplicativo, levando médicos de regiões de baixa demanda a atender pacientes com filas longas
- Implantar sistema de entrega de remédio em domicílio para idosos, pessoas com deficiência e doentes crônicos
- Usar inteligência artificial de apoio à prevenção, identificando quem tem maior risco de adoecer antes da complicação
- Implantar o prontuário eletrônico único, vinculado ao CPF e integrado ao Gov.br, interoperável entre redes pública e privada
- Completar a digitalização do SUS, usando IA para agilizar o agendamento de consultas e exames
- Cuidar da saúde da mulher de forma preventiva, com Unidades Móveis de Saúde da Mulher (incluindo versão fluvial para população ribeirinha) e ampliação de exames para câncer, menopausa, gestação e endometriose
- Fortalecer a atenção à saúde mental, com diagnóstico precoce de TDAH em crianças, cuidado com depressão e ansiedade, e apoio a idosos com Alzheimer e outras doenças neurológicas
- Implantar Centros de Referência em Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Educação
- Ampliar a oferta de creches em período integral
- Implementar o Programa Acolher: aluno de melhor desempenho é remunerado para dar aulas de reforço
- Implementar Alfabetização via método fônico
- Ampliar escolas cívico-militares
- Levar robótica, computadores, tablets e internet para escolas
- Criar "Voucher" para escolas particulares em locais em que faltam vagas em escolas públicas
- Implementar Política Nacional de Formação de Talentos, para ensinar profissões do futuro
- Pagar instituições de ensino que formam profissionais "que o país precisa"
- Criar empréstimo contingente à renda para ensino superior, o estudante começa a pagar a dívida após a formatura
- Implementar Programa Escola de Campeões, parcerias público- privadas para levar o esporte competitivo às escolas
Política e Corrupção
- Anistiar os envolvidos no 8 de janeiro de 2023, incluindo os condenados pelo STF como seu pai, Jair Bolsonaro
- Acabar com a reeleição
- Reduzir os ministérios, corte de cargos comissionados e enxugamento da máquina pública
- Extinguir as competências criminais originárias do STF
- Limitar as decisões monocráticas do STF
- Estabelecer quarentena de 1 ano para que Ministros de Estado possam ser indicados ao STF
- Impedir parentes de até terceiro grau, e respectivos escritórios, de atuar no tribunal do respectivo magistrado
- Indicar "patriotas" para vagas no STF
Meio Ambiente
- Simplificar as outorgas de irrigação e acelerar a regularização fundiária e a titulação do pequeno proprietário rural
- Garantir a rastreabilidade completa de cadeias produtivas
- Transformar o Brasil em potência de biocombustíveis
- Garantir o uso responsável e sustentável dos recursos naturais
- Zerar o desmatamento ilegal até 2029
- Ampliar as alternativas de renda a partir da floresta preservada
- Eliminar superposições entre Ibama, Funai e ICMBio
Programas Sociais e Direitos Humanos
- Manter programas assistenciais existentes
- Corrigir pisos do BPC (Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos e pessoas com deficiência) e da Previdência apenas pela inflação, sem aumento real
- Modernizar e integrar os canais de denúncia, reunindo o Ligue 180, delegacias online, botão de emergência e centrais de monitoramento em uma plataforma inteligente de resposta rápida para mulheres
- Criar programa de cashback em que ações como vacinar os filhos, realizar exames preventivos, concluir cursos de capacitação, manter as crianças na escola, poupar e pagar as contas em dia garantiriam "juros menores, acesso facilitado ao crédito, cashback social, descontos em serviços e outras vantagens"
- Iniciativa Escola Brasil por Elas, de capacitação e ensino gratuito para mulheres com integração com o sistema S e parcerias público-privadas
- Criar aplicativo de companhia e alerta para idosos que moram sozinhos
- Implementar Programa Casa Segura para Envelhecer, subsídio para moradia de pessoas idosas
- Proibir uso de recursos de programas sociais para apostas
- Dar autonomia aos povos indígenas e quilombolas para decidir sobre atividades produtivas em suas terras
Política Externa
- Participar do Escudo das Américas, iniciativa de cooperação militar do governo Trump
- Retomar o cronograma interrompido de adesão à OCDE (organização que reúne países desenvolvidos e é vista como selo de credibilidade econômica), incluindo o fim gradual do IOF, o imposto federal que incide sobre operações em moeda estrangeira
- Criar um plano nacional de integração às cadeias globais de valor
- Posicionar o Brasil entre os principais destinos de investimento em transição energética
Segurança
- Mobilizar Exército, Marinha e Aeronáutica para ajudar polícias estaduais no combate ao narcoterrorismo
- Designar organizações criminosas como narcoterroristas
- Reduzir a maioridade penal para 16 ou 14 anos, em caso de crimes graves
- Criar o Sistema Nacional de Fronteira
- Criar 5 novos presídios de segurança máxima e ter 500 mil novas vagas no sistema prisional em 4 anos
- Implementar a castração química de condenados por abuso sexual contra mulheres e crianças
- Monitorar, via tornozeleira eletrônica, agressores de mulheres com medida protetiva
- Dobrar os investimentos federais em segurança pública
- Criar a "Muralha Brasileira", um sistema de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais
- Acabar com a progressão de regime de quem comete crimes hediondos
- Aumentar a pena de quem furta ou revende aparelhos celulares roubados
- Redirecionar recursos hoje destinados às famílias de detentos para as famílias das vítimas
Economia e Emprego
- Defender a "soberania energética e mineral", com exploração do pré-sal, da Margem Equatorial e dos minerais críticos e terras raras
- Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acabar com a escala 6x1, sem redução de salários
- Aperfeiçoar a regulamentação de trabalhos mediados por plataformas digitais
- Assegurar trajetória sustentável da dívida pública
- Dar sequência ao Programa Conhecimento Brasil, com repatriação de cientistas
- Criar condições para redução sustentada da taxa de juros
- Criar Plataforma Pública Nacional de Empregabilidade com IA
- Melhorar políticas de acesso à previdência
- Manter os Correios como empresa estatal
Saúde
- Melhorar o acesso da população de todas as idades ao esporte e à atividade física, incluindo as pessoas com deficiência
- Consolidar o prontuário único do cidadão via Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), com marcação de consultas e resultados de exames disponíveis no celular
- Ampliar uso de IA para triagem e fila única digital por risco clínico
- Consolidar a maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo
- Incluir exames laboratoriais e de monitoramento crônico no Farmácia Popular
- Avançar na nacionalização de insumos farmacêuticos (IFAs) a partir da biodiversidade
- Investir em telecirurgia e cirurgia robótica
- Ampliar a cobertura vacinal, incluindo novas vacinas ao calendário do SUS (dengue, VSR, HPV) e a vacinação nas escolas
- Expandir o Mais Médicos, valorizando a formação de especialistas em medicina de família
- Universalizar a oferta de saúde bucal pelo Brasil Sorridente
- Reduzir filas de consultas, exames e cirurgias pelo Agora Tem Especialistas, incluindo parcerias com hospitais privados
- Ampliar a Rede de Atenção Psicossocial e os CAPS, com foco em crianças, adolescentes e no diagnóstico de TEA e outras neurodivergências
- Reduzir a mortalidade materna, com atenção específica a mulheres negras, e expandir a Rede Alyne (saúde materna na Amazônia Legal)
- Fortalecer o planejamento reprodutivo e o Programa Dignidade Menstrual
- Melhorar o acesso da população de todas as idades ao esporte e à atividade física, incluindo as pessoas com deficiência
- Ampliar a atenção a pessoas com problemas de jogos de apostas
- Disponibilizar canetas emagrecedoras pelo SUS
Educação
- Cumprir a meta de 80% das crianças alfabetizadas na idade adequada
- Expandir a rede de Institutos Federais
- Assegurar o acesso universal à Educação Infantil de qualidade
- Ampliar a atratividade e promover a permanência no Ensino Médio, com expansão do Ensino Técnico-Profissionalizante
- Expandir a Educação Básica pública em tempo integral
- Promover qualificação profissional e formação continuada no mercado de trabalho
- Incluir novas línguas no MEC Idiomas
Política e Corrupção
- Implementar uma reforma política que aumente o poder do voto, reduza a manipulação econômica e amplie o debate político
- Criar mecanismos de transparência ativa, prevenção e combate à corrupção
- Promover digitalização dos serviços públicos
Meio Ambiente
- Acabar com os lixões e ampliar a coleta seletiva e reciclagem
- Regulamentar a Lei de Bioinsumos
- Promover a transição para sistemas agrícolas de baixo carbono
- Ampliar a participação de fontes limpas na matriz energética
- Acelerar a eletrificação dos transportes
- Explorar petróleo e gás natural "com os devidos cuidados ambientais e visão estratégica"
- Gerir estrategicamente os minerais críticos
- Regulamentar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE)
- Dar continuidade à política de reforma agrária
- Abrir nova fronteira de investimentos em baterias
- Incluir a Caatinga como ativo estratégico climático
Programas Sociais e Direitos Humanos
- Erradicar a fome no Brasil
- Manter e melhorar programas de assistência social
- Integrar projetos e programas que ataquem múltiplas dimensões da pobreza
- Fortalecer ações afirmativas como cotas raciais e sociais, tanto no ensino superior quanto em concursos públicos federais
- Ampliar as políticas públicas que garantam às mulheres a proteção à vida e o combate ao machismo e ao sexismo
- Ampliar o acesso a direitos das populações LGBTQIA+ e combater homofobia
- Combater o capacitismo
- Integrar a política de habitação à estratégia de redução da pobreza
- Efetivar os direitos dos povos indígenas
- Garantir os direitos humanos das pessoas idosas
- Fomentar lavanderias públicas, cozinhas solidárias e restaurantes populares
- Criar programa de capacitação de cuidadores
Política Externa
- Ter uma política externa "ativa e altiva"
- Fortalecer a presença brasileira em organismos multilaterais
- Liderar a agenda climática e de desenvolvimento sustentável nos foros internacionais
- Diversificar as parcerias comerciais, tecnológicas e financeiras do Brasil
- Investir nas "capacidades das Forças Armadas" e na Base Industrial de Defesa
Segurança
- Fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública, aprovado na Câmara dos Deputados, mas que ainda aguarda votação no Senado
- Ter uma atuação federativa coordenada, com integração e acesso a dados qualificados no combate às facções
- Reestruturar as polícias
- Combinar "prevenção" e "repressão" ao crime organizado
- Consolidar o "Brasil como referência regional no combate ao crime cibernético"
- Aprofundar "os investimentos em formação continuada, em saúde física e mental dos profissionais de segurança"
- Reduzir a circulação de armas ilegais
- Reformar o sistema de justiça criminal e prisional
- Adotar câmeras corporais para policiais com padrões nacionais de uso
- Ampliar o Programa Celular Seguro
- Criar um protocolo nacional de classificação e transferência de presos de alta periculosidade
- Criar o Ministério da Segurança Pública caso a PEC da Segurança seja aprovada no Congresso
- Investir na área de inteligência para o combate ao crime organizado
Propostas distintas, mas com convergências
Flávio e Lula têm projetos bastante distintos para o Brasil, mas também com algumas convergências.
De um lado, Lula propõe ampliar o papel do Estado, fortalecer as políticas sociais e expandir direitos trabalhistas. Do outro, Flávio defende uma agenda liberal na economia, a redução de impostos e o endurecimento do combate ao crime.
As diferenças constam dos programas de governo que os dois registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas também envolvem posições defendidas publicamente pelos candidatos e bandeiras associadas às suas trajetórias políticas.
Um ponto central de divergência trata do destino dos bolsonaristas condenados por atentar contra a democracia após a eleição de 2022.
Enquanto Flávio promete conceder anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula defende manter a punição dos responsáveis.
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Outra diferença diz respeito ao funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio propõe a instituição de mandatos para ministros, restrições a decisões monocráticas (individuais) e novas regras para indicação de integrantes da Corte.
Também defende o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, ainda que essa seja uma prerrogativa do Senado.
Já o programa de Lula não prevê alterações institucionais no STF. Em entrevistas recentes, porém, o presidente também disse ser favorável à criação de mandatos com prazo determinado para os ministros da Corte e disse que Moraes "deve explicações para o povo brasileiro".
Relator de vários processos que levaram à condenação de bolsonaristas nos últimos anos, Moraes foi envolvido no escândalo do Banco Master após a revelação de que o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, mantinha um contrato de R$ 131 milhões com a instituição bancária. Ele nega ilegalidades.
O tema ganhou peso adicional na disputa, porque o próximo presidente poderá indicar ao menos três ministros do STF.

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Para Francisco Teixeira, professor de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), muitos eleitores de Lula e Flávio se movem menos pelos programas dos candidatos do que pela simpatia que nutrem por um ou pelo outro.
No caso de Flávio, diz que muitos o veem como "um substituto de Jair Bolsonaro" e optam por ele na expectativa de que conceda um indulto ao pai e aos demais condenados por golpe de Estado.
Quanto aos planos de governo de cada um, Teixeira diz que "a proposição de Lula é uma guerra de trincheira: ficar onde está" e impedir que o avanço conservador no Congresso mine programas sociais petistas.
Já o de Flávio, segundo o professor, tem como eixo propostas semelhantes às reformas econômicas aprovadas pelo presidente Javier Milei na Argentina, com o objetivo de diminuir os gastos do governo.
Para Sérgio Praça, cientista político da Fundação Getulio Vargas (FGV), Flávio tem menos conexões com militares e "com alas mais radicais do bolsonarismo" que seu pai, o que pode fazer com que seu governo seja mais moderado que o de Jair.
Praça afirma, no entanto, que isso dependerá do grau de participação que os irmãos dele terão na administração — especialmente o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que hoje mora nos EUA e faz parte da "ala mais radical" do bolsonarismo, segundo Praça.
Eduardo tem sido cotado como ministro das Relações Exteriores caso o irmão vença a eleição.
Para Praça, as principais diferenças entre os projetos de Lula e Flávio são nos campos econômico e de segurança.

Economia
A economia é um dos pontos de maior contraste entre as duas candidaturas. A diferença central está na visão sobre o papel do Estado.
Enquanto Lula defende uma atuação mais ativa do governo para estimular o crescimento e reduzir desigualdades, Flávio aposta que o desenvolvimento econômico deve ser impulsionado pela iniciativa privada.
O programa de Lula diz ter como objetivo "sustentar taxas robustas de crescimento, ampliar os investimentos, elevar a produtividade" e fortalecer a política industrial, além de defender maior progressividade tributária, com ricos pagando proporcionalmente mais impostos do que pobres.
Para equilibrar as contas públicas, Lula propõe manter o "novo arcabouço fiscal", conjunto de regras que limita o crescimento dos gastos do governo.
Já Flávio aposta na redução do tamanho do Estado, no corte de gastos do governo e na diminuição da carga tributária. O programa promete um "grande tesouraço", com redução de ministérios e uma revisão da reforma tributária aprovada em 2023.
O documento também defende privatizações e novas regras fiscais voltadas à "estabilização e à redução da dívida pública".
Segurança pública
Também há diferenças importantes nas propostas dos candidatos para a segurança pública, com Lula defendendo o combate financeiro ao crime organizado, e Flávio apostando no endurecimento penal.
O programa de Lula diz que "o crime organizado deve ser enfrentado com firmeza, nos marcos da Constituição e do Estado Democrático de Direito", e defende a ampliação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que coordena os órgãos de segurança pública dos governos federal, estaduais e municipais.
Também prega a asfixia financeira das facções, mais investimentos em inteligência, o fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal no combate ao crime organizado, e a ampliação do controle de armas e munições.
Flávio, por sua vez, propõe o endurecimento penal e a classificação de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como "organizações narcoterroristas" - medida semelhante à adotada nos últimos meses pelos EUA e por vários países latino-americanos hoje governados pela direita.
Outras medidas defendidas pelo senador são a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, a criação de cinco novos presídios de segurança máxima inspirados no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), de El Salvador, e a implantação de um sistema nacional de reconhecimento facial com mais de 1 milhão de novas câmeras.

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Outra área de forte contraste envolve a relação entre entre governo e Congresso.
O programa de Lula critica a expansão das emendas parlamentares e afirma que elas alteraram as relações entre os Poderes ao transferir parcela crescente do controle do Orçamento ao Congresso. O petista defende rever esse modelo e fortalecer mecanismos de planejamento governamental e participação social na definição dos gastos públicos.
Já Flávio não propõe mudanças relevantes no poder orçamentário do Congresso e defende, ao contrário, reforçar o papel do Legislativo diante do que considera uma excessiva interferência do STF.
Educação
Na educação, os dois programas valorizam o ensino técnico e o uso de tecnologia, mas divergem sobre prioridades pedagógicas.
Lula concentra suas propostas na expansão da educação pública. O programa prevê ampliação de creches, educação integral, fortalecimento do programa Pé-de-Meia (que prevê pagamentos a alunos que permaneçam no Ensino Médio), a universalização da conectividade escolar e expansão dos Institutos Federais.
Também promete um novo ciclo de expansão da rede federal de ensino superior e afirma que "o fomento à expansão da educação em tempo integral terá absoluta prioridade".
Já Flávio defende a alfabetização pelo "método fônico", escolas cívico-militares, gestão escolar baseada em resultados e uma educação "livre de doutrinação político-partidária".
O texto também prevê vouchers educacionais quando não houver vagas na rede pública e inclusão de conteúdos ligados à economia digital e inteligência artificial.
Saúde
Na saúde, as propostas apresentam mais pontos em comum, embora Flávio defenda um papel maior para o setor privado e maior integração com o setor público em comparação com Lula.
O programa do petista defende a criação de um prontuário único para os pacientes, o avanço da telemedicina e o uso de inteligência artificial na gestão do SUS. Afirma ainda que "o compromisso com o fortalecimento do SUS [Sistema Único de Saúde] público e universal é inalienável" e propõe expandir o Mais Médicos, a atenção básica e a produção nacional de medicamentos e vacinas.
Flávio aposta em digitalização, telemedicina, inteligência artificial e em um "prontuário eletrônico único", integrando as redes pública e privada. Também propõe ampliar exames preventivos e contratar serviços privados ociosos para reduzir filas.
Trabalho e renda
Nesse campo, também há divergências importantes entre os dois, com Lula defendendo uma ampliação de direitos trabalhistas, e Flávio, uma flexibilização das regras do setor.
Lula propõe a continuidade da valorização real do salário mínimo, o combate à chamada pejotização (contratação de funcionários como Pessoa Jurídica), a regulamentação do trabalho por apps e o fortalecimento da negociação coletiva.
Também defende "o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução salarial".
Flávio defende reduzir o custo da contratação formal e ampliar a flexibilidade trabalhista. Ele propõe "reduzir gradualmente o custo do trabalho, sem retirar direitos", criar contratos especiais para jovens em busca do primeiro emprego e para desempregados acima de 50 anos e reforçar a prevalência do "negociado sobre o legislado".
Sobre a proposta do fim da escala 6x1, Flávio diz preferir que trabalhador e empregador negociem a jornada, com pagamento correspondente às horas trabalhadas.
Política externa
Lula tem usado o discurso de defesa da soberania para criticar o que considera tentativas de ingerência externa dos EUA nos assuntos brasileiros. Seu programa propõe aprofundar o Mercosul, fortalecer o Brics (grupo que reúne economias emergentes como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e atuar pela reforma das instituições internacionais.
Flávio promete uma diplomacia guiada pelo "profissionalismo e pragmatismo" e defende a retomada da adesão à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, grupo que reúne principalmente países de alta renda), maior abertura comercial e aproximação com parceiros tradicionais do Ocidente.
Seu programa de governo critica o que considera um "alinhamento ideológico" do atual governo e afirma que pretende reconstruir relações com países como EUA, Argentina e Israel.

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Meio ambiente
No meio ambiente, Lula propõe zerar, até 2030, o chamado "desmatamento líquido", que corresponde à diferença entre a área desmatada e a área reflorestada. O programa do petista cita o enfrentamento da mudança climática como uma prioridade e prevê destinar terras públicas para unidades de conservação e territórios indígenas e quilombolas, além de defender o combate ao garimpo ilegal.
Flávio, por sua vez, estabelece como meta "zerar o desmatamento ilegal até 2029". Outras propostas do candidato, porém, apontam em outro sentido. Em discursos recentes, ele defendeu mudar as regras ambientais para facilitar a exploração de recursos naturais e a realização de grandes obras. Em agosto, Flávio publicou um vídeo defendendo "acabar com essas amarras ambientais".
Em seu programa, ele não cita a mudança climática nem o aquecimento global, e diz que não demarcará terras indígenas.
Semelhanças
Apesar das várias divergências entre os candidatos, há algumas semelhanças entre suas propostas.
Ambos também dizem que estimularão a bioeconomia (produção de riquezas preservando recursos naturais) e políticas para remunerar quem conserva o ambiente.
Na agenda digital e de tecnologia, os dois programas tratam a inteligência artificial como uma oportunidade para o desenvolvimento do país, defendendo a construção de data centers (centros de armazenamento de dados) e o uso da Inteligência Artificial para melhorar os serviços públicos.
Na agricultura, ambos defendem ampliar o seguro rural, a produção nacional de fertilizantes e os sistemas de irrigação.
Na energia, propõem expandir os biocombustíveis e identificam oportunidades econômicas associadas à transição energética (substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis, como eólica e solar).
Os dois programas também preveem ampliar a malha ferroviária e avançar na universalização do saneamento básico.
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