Voto em mulher ajuda a eleger 65 homens para Câmara e assembleias

Em 2006, as mulheres representaram apenas 12% dos candidatos a deputado federal e conquistaram 9% das vagas —41 mulheres entre 472 homens.
As eleições seguintes, de 2010, foram as primeiras com a exigência de que 30% dos candidatos ao legislativo fossem mulheres. A cota já existia antes, mas não era cumprida, e foi reforçada em uma mini-reforma eleitoral ocorrida em 2009. Mesmo assim, em 2010, as mulheres foram 22% dos candidatos a deputado federal.
Foi apenas em 2014 que o mínimo de 30% passou a ser seguido. Então, começaram a surgir denúncias de candidatas fictícias, ou laranja, lançadas apenas para preencher a cota. Nas eleições municipais de 2016, cerca de 15 mil candidatas a vereadora não receberam nenhum voto, nem o delas próprias.
Em 2018, houve outra mudança importante: as mulheres passaram a ter direito a pelo menos 30% dos recursos públicos destinados às campanhas e 30% do tempo de propaganda eleitoral.
Mas a regra foi descumprida tanto nas eleições gerais daquele ano e como nas eleições municipais de 2020. Em abril de 2022, o Congresso anistiou os partidos de punições. Já nas eleições de outubro daquele ano, os dez maiores partidos voltaram a destinar menos recursos para as mulheres do que determinava a lei, segundo levantamento da Folha de S.Paulo.
Nas eleições de 2026, a dificuldade das mulheres em ampliar a participação na política apareceu na crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Em um vídeo divulgado em junho, Michelle relatou que, ao tentar participar das decisões do PL, ouviu de Flávio que seria melhor ficar de fora porque havia "acabado de chegar" e "não entendia nada de política".
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.