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Sunday, September 13, 2026

Leia a íntegra do depoimento de Daniel Vorcaro à PF em agosto

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Sergio Rodrigues Leonardo: Sérgio Rodrigues Leonardo, OAB de Minas Gerais, 85000

Albert Paulo: Doutor Daniel, OAB, por gentileza, nome e OAB?

Daniel Leon: Daniel Leon Bialski, OAB São Paulo, 125000.

Albert Paulo: Perfeito. Esse inquérito foi instaurado e tem trâmite. No gabinete do excelentíssimo ministro André Mendonça, o inquérito foi instaurado para apurar crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, e organização criminosa no contexto da Operação Compliance Zero. Essa enquete especificamente trata de condutas atribuídas a servidores do Banco Central do Brasil em conjunto com o senhor Daniel Bueno Vorcaro e outras pessoas ligadas ao Grupo Master. Essa audiência está sendo gravada por videoconferência. Eu falo a partir da Delegacia de Polícia Federal em Parnaíba. O senhor Daniel Vorcaro fala a partir do Complexo Prisional da Papuda em Brasília. Os advogados estão nos seus respectivos escritórios. Doutor, por gentileza, o senhor que está acompanhando presencialmente, nome e OAB, por favor.

Thiago Machado: Thiago Machado, OAB DEV 26973

Albert Paulo: Perfeito. Como eu disse, essa audiência está sendo gravada. Imediatamente após a gravação, o arquivo de vídeo será juntado ao inquérito. Caso, e é muito provável que isso aconteça, que essa audiência se estenda no tempo. Então, a cada 50 minutos, 1 hora, por uma questão de segurança, a gente faz a interrupção para gerar um novo link. O colega escrivão aqui já conhece o procedimento, então, aproximadamente a cada 50 minutos, nós vamos interromper para, logo em seguida, gerar um novo link e dar continuidade à audiência, quantas vezes isso for necessário. Eu vou pedir por uma dinâmica da audiência para que ela tenha mais fluidez, para que os senhores anotem todos os questionamentos que os senhores tiverem para a gente fazer isso na parte final da audiência. Dessa forma, a gente avança de uma forma mais rápida e todo o tempo que os senhores precisarem para fazer os questionamentos, os senhores terão. E essa é a dinâmica que a gente percebe que fica mais organizada e a audiência tem um fluxo mais regular, ok? O senhor providenciou pagamentos, ou transferências de valores, ou valores em espécie, ou móveis ou imóveis, ou vantagens econômicas de qualquer natureza, diretamente ou por meio de pessoas ligadas ao senhor, aos servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Sousa e Belém de Santana, de 2020 a 2025.

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Daniel Vorcaro: Bom dia, doutor Albert. Esse caso é um caso que eu gostaria de relatar com um pouco mais de profundidade, a pergunta era um pouco ampla, acho que é importante eu relatar como que foi, como eu conheci os dois personagens, como se deu relação para poder fazer essa resposta.

Albert Paulo: Perfeito, eu vou pedir para o senhor falar um pouquinho mais alto, porque o áudio está um pouco baixo, Mas tudo isso que o senhor está falando aí sobre o contexto em que o senhor os conheceu, tudo isso vai ser abordado no curso da audiência. Mas eu volto à pergunta inicial. O senhor já teve alguma relação financeira dessa natureza de transferência de vantagens econômicas para esses dois servidores?

Daniel Vorcaro: Diretamente não.

Albert Paulo: Diretamente não, mas por intermédio de alguém?

Daniel Vorcaro: Não, na verdade eu tenho conhecimento das operações que foram realizadas, é por isso que eu quero explicar com um pouquinho mais de profundidade, quanto o senhor quiser escutar.

Albert Paulo: Perfeito. Quem foi que o senhor conheceu primeiro desses dois servidores, o Belline Santana ou Paulo Sérgio Neves?

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Daniel Vorcaro: Paulo Sérgio.

Albert Paulo: O senhor conhece o Paulo Sérgio desde quando?

Daniel Vorcaro: Conheci, se eu não me engano, em 2017, quando eu estava fazendo o pleito de entrada para adquirir o banco máximo na época.

Albert Paulo: Certo, foi nesse período que o senhor o conheceu, em que circunstâncias?

Daniel Vorcaro: Eu conheci em reuniões formais do Banco Central. Ele, na época, já fazia parte da equipe de supervisão bancária. O Banco Máxima, na realidade, estava passando por um processo de reestruturação e precisava de novo sócio de capital. Eu me prontifiquei a fazer esse trabalho e passei a ter uma relação de diversas reuniões quase que diárias com diversos membros do Banco Central, como o Paulo Sérgio.

Albert Paulo: E, nessa época, ele já fazia esse trabalho de supervisão bancária, o Paulo Sérgio?

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Daniel Vorcaro: Nessa época, eu acredito, eu não me lembro qual era o cargo, mas ele já fazia parte, ele tinha um cargo elevado, não tinha muito contato, tinha pouco contato. Eu passei a ter contato posteriormente, depois, quando as questões do banco foram evoluindo.

Albert Paulo: Eu vou desligar o ar aqui pra ver se melhora o áudio dos senhores. Desde essa época que o senhor teve acesso aos autos, naturalmente, o senhor viu um fluxo de mensagens que a Polícia Federal extraiu do seu celular, com orientações, revisão de ofícios, enfim, uma série de mensagens, de interlocuções entre o senhor e o seu Paulo Sergio. Desde essa época, 2017, que ele faz esse trabalho para o senhor,

Sergio Rodrigues Leonardo: o Paulo

Daniel Vorcaro: Sérgio nunca fez trabalho para mim, nenhum membro do Banco Central. Na realidade, a interação ali com a supervisão, não somente com o Paulo Sérgio, mas com outros membros, ela é constante, acho que de todos os bancos, acho não, com certeza de todos os bancos, no caso do Banco Máxima, na época era mais intensa por questões da reestruturação. E após a época da pandemia, a tratativa via mensagens e por meios eletrônicos, passaram a ser mais cotidianas e mais naturais.

Albert Paulo: Certo. As mensagens que o senhor trocava nessa época são semelhantes a essas que estão documentadas, no sentido de o senhor pedir informações, pedir para revisar algum tipo de ofício, pedir, enfim, ele lhe passar alguma informação do que está pendente, era mais ou menos dessa mesma natureza?

Daniel Vorcaro: Não me recordo, mas acredito que não. Paulo, a relação vai evoluindo com o tempo, o banco foi evoluindo, as questões foram tomando outras dimensões. Na época inicial, eu apresentei apenas um projeto e um plano de negócios para reestruturar o banco, que eu passei a discutir isso com diversas áreas do Banco Central, inclusive a supervisão, então não tinha muito contato telefônico nem por WhatsApp, Depois que o banco foi aprovado e o projeto, o plano de negócio foi aprovado, na época da pandemia, começa-se sim a ter uma interação com as equipes do Banco Central e da Supervisão para poder dinamizar e poder evoluir com os pontos que a Supervisão apontava que precisavam ser modificados no banco.

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Albert Paulo: Certo. Então, nessa época, ele trabalhava na Supervisão do Banco Máximo, correto? Ele lhe auxiliou de alguma forma nos seus pedidos para assumir como controlador do banco, para depois se tornar o Banco Master?

Daniel Vorcaro: Não, não.

Albert Paulo: O senhor de alguma forma apresentou para ele alguma demanda para ele analisar ou para ele intermediar junto com alguém do Banco Central para facilitar ou, enfim, conseguir a sua aprovação como controlador do Banco Master?

Daniel Vorcaro: Não, na verdade, doutor Albert, o trabalho da supervisão, existe uma normativa do Banco Central em que a liquidação, que era o que estava previsto para acontecer com o Banco Máxima na época, e que infelizmente aconteceu com o Master recentemente, ela é a solução mais gravosa para o sistema e a menos recomendada. Então o trabalho da supervisão sempre é buscar alternativas que solucionem situações de diversas instituições, não somente no Banco Máxima, isso é um trabalho cotidiano que eu passei inclusive a entender que a supervisão faz e o Banco Central faz para poder atuar no mercado. Nesse caso, na época de entrada, que eu acredito que ainda o senhor esteja perguntando, o trabalho da supervisão era, inclusive, com os controladores antigos tentando achar uma solução, e a solução passou a ser a minha entrada. Então, quando eu entrei, o trabalho que provavelmente a gente vai discutir posteriormente, foi feito em 2024, em 2025, quando o Master estava passando a crise de liquidez, foi feito pelo Banco Central com os antigos controladores do Máximo, em que eles ajudaram a buscar novos entrantes, tentaram negociar com outros bancos para que pudesse absorver o Banco Máximo e, na época, eu apareci como uma solução. Então, quando eu estava entrando, a minha posição era completamente diferente dessa posição atual em que eu estava de saída, estava tentando vender. Então, na época, eu estava como postulante a entrada do banco e a resolver o problema que se encontrava naquela época.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor teve um ou dois pedidos como controlador do banco que foram negados, está correto isso?

Daniel Vorcaro: Não, na verdade teve um pedido que foi negado, que se estendeu por bastante tempo na época, e ele, por questões burocráticas na época, porque ele foi, como eu disse, se estendeu por um ano e meio, na época foi indicado que se iniciasse um processo novo, então encerrou-se aquele processo, e prontamente entrei dois dias depois com um processo novo para que fosse apreciado e foi apreciado pela mesma área que a área de organização financeira, que é o TEORF.

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Albert Paulo: Qual foi o primeiro motivo de reprovação?

Daniel Vorcaro: Eu não me recordo, Albert, mas se eu não me engano, o motivo prático na época foi mencionado que o processo estava muito tumultuado, porque ele vinha

Albert Paulo: E

Daniel Vorcaro: aí foi pedido para que fosse feito um processo mais simples, para que fosse demonstrado a origem de capital de uma maneira mais simples, e eu entrei com esse novo processo seguindo as diretrizes que foram passadas pela organização financeira à época.

Albert Paulo: Perfeito. Eu vou pedir para o professor se reportar a mim como delegado, tá certo? Houve algum questionamento dos ativos que o senhor apresentou no seu pedido de controlador do banco?

Daniel Vorcaro: Desculpe, pode repetir?

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Albert Paulo: Houve algum questionamento por parte do Banco Central a respeito da qualidade dos ativos que o senhor apresentou por ocasião do seu pedido de controlador do Banco Máxima?

Daniel Vorcaro: Não, na verdade, não é ofício do Banco Central avaliar os meus ativos. Quando você postula se tornar um controlador de banco, o Banco Central tem que olhar para analisar alguns itens, que é a origem dos recursos que são aportados e a capacidade econômica do controlador. Eu não vinha do sistema bancário, então obviamente eu vim do mercado empresarial e imobiliário, então quando o Banco Central foi fazer a análise, era uma análise muito extensa de bastante ativos que eu possuía e essa análise acabou sendo feita, sendo alongada ao longo desse tempo que eu mencionei e houveram diversas discussões para poder avaliar a capacidade econômica. Se o Banco Central acreditasse que eu não tinha capacidade econômica para entrar como controlador do Banco Máximo, eles negariam e aí eu continuaria o meu caminho ali pelo meio empresarial que eu atuava, mas como eu tinha no meu entendimento não somente capacidade para atender os pré-requisitos, com origem e lista de recursos para poder ingressar no banco, com um plano de negócio que era adequado, eu participei de diversas reuniões para poder explicar, para poder trazer luz e entendimento para as equipes que precisavam analisar, para que pudessem aceitar o meu pleito.

Albert Paulo: Eu falei sobre a qualidade dos ativos, o senhor falou sobre requisitos econômicos. Essa questão dos requisitos econômicos, isso está na fundamentação da primeira negativa?

Daniel Vorcaro: dos requisitos econômicos?

Albert Paulo: Sim, que o senhor citou aí.

Daniel Vorcaro: Na verdade, a primeira negativa, pelo que eu me recordo, faz bastante tempo, delegado, então eu não lembro no detalhe, mas algo que eu me recorde, os pontos alegados quando foi feita a primeira negativa é que eu precisava esclarecer melhor a minha capacidade econômica e os ativos que eu possuía.

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Albert Paulo: Perfeito. Nesse contexto da primeira negativa do Banco Central, o senhor chegou a questionar, a tirar alguma dúvida, algum esclarecimento com o Sr. Paulo Sérgio Neves?

Daniel Vorcaro: Não, naquela ocasião eu não tinha contato com ele para essa questão.

Thiago Machado: Certo.

Albert Paulo: Quando que o senhor conheceu o Sr. Belline Santana?

Daniel Vorcaro: Eu acredito que foi em seguida, na época da pandemia, depois que eu fui aprovado e a gente iniciou os trabalhos ali no Banco Master.

Albert Paulo:
O senhor conheceu o senhor Belline Santana em que contexto?

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Daniel Vorcaro: No contexto de também chefe de departamento ali da supervisão bancária do Banco Central.

Albert Paulo: Perfeito. Então, durante todo esse caminho de 2018, 2019 para cá, o senhor tem mantido esse contato com essas duas pessoas, sempre no ambiente institucional?

Daniel Vorcaro: Sim, assim como diversas outras pessoas do Banco Central que se fizeram necessário ter contato, de outros departamentos, como o DESIG, DEOF, como eu disse, a própria diretoria também, em alguns casos.

Albert Paulo: O senhor chegou a encontrar essas duas pessoas na sua residência?

Daniel Vorcaro: Depois, antes da pandemia, não. Quando houve a pandemia, que houve esse fechamento e dificuldade de interação e locomoção, a gente passou a falar mais pelos meios eletrônicos, como eu disse, e em algumas oportunidades, sim. Inclusive, a minha casa em Brasília funcionava também como escritório. Então, eu tive algumas reuniões, sim, que foram em casa. mas também reuniões institucionais.

Albert Paulo: Nessas reuniões foram onde? Foram na sua residência em Brasília, em São Paulo? Onde foi?

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Daniel Vorcaro:
Em ambas, se eu não me engano.

Albert Paulo: O senhor tratava de que pautas? Quem participava dessas reuniões? Somente o Sr. Bernardo Santana, somente o Sr. Paulo Sérgio, os dois ou mais alguém?

Daniel Vorcaro: Pautas relativas sempre ao Banco Master, aos pontos que a Supervisão estava apontando, que precisavam ser modificados e as questões que deveriam ser realizadas pelo banco ali para poder ser resolvida e entrar e resolver o problema que ele tinha de liquidez naquele momento.

Albert Paulo: Perfeito. Quem que participava dessas reuniões nas suas residências?

Daniel Vorcaro: Acredito que os dois.

Albert Paulo: Tinha mais alguém além deles dois?

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Daniel Vorcaro: Eu não me recordo, delegado. Acredito que não. Do Banco Central. do Banco Central, não me recordo. Pode ser que tenha tido alguma reunião com outro membro, mas eu não me recordo se aconteceu.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor se recorda quantas vezes o senhor os encontrou, por exemplo, na sua residência de Brasília?

Daniel Vorcaro: Não me recordo. Foram poucas vezes, mas não me recordo quantas.

Albert Paulo: Foi mais de uma vez?

Daniel Vorcaro: Em Brasília, especificamente, eu não sei. Pode ser que tenha sido apenas uma.

Albert Paulo: E em São Paulo?

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Daniel Vorcaro: Em São Paulo foi mais de uma. Poucas vezes mais de uma.

Albert Paulo: Perfeito. Por que as reuniões não aconteciam nos seus escritórios, na própria sede do Banco Marcha em São Paulo, por exemplo?

Daniel Vorcaro: Na verdade, como eu disse, depois da pandemia, antes da pandemia, as reuniões eram quase que exclusivamente na sede do Banco Central. E o Banco Central, com a pandemia, mudou bastante a política, ficou fechado. Inclusive, depois que acabou a pandemia, não voltaram ao trabalho presencial como acontecia antes. E na época da pandemia eu passei a despachar bastante, muitas reuniões com o escritório residencial. Então, não somente eles, eu recebi muitas pessoas do trabalho, diretores, eu recebia na minha residência, principalmente no momento que a gente estava em mudança de escritório, que aconteceu em 2024, a gente estava saindo de um prédio ali na Faria Lima, o prédio que o banco estava quando foi liquidado, Então, nesse momento, eu acabei ativando o escritório da minha residência, no qual eu fiz muitas reuniões, não somente com eles.

Albert Paulo: Perfeito. Essas reuniões eram abertas ou o senhor tinha algum receio, algum cuidado para mantê-las em sigilo?

Daniel Vorcaro: Não, na verdade, todo o trabalho que eu fiz no Banco Master, reuniões com o Banco Central, mas reuniões de negócio, porque é de alguns anos que eu, pessoalmente, o Banco, vinha sofrendo alguns ataques midiáticos e disposições, então uma preocupação sempre natural de sigilo para que não houvesse vazamento de questões sensíveis e questões importantes do Banco Mastra.

Albert Paulo: Perfeito. Consta no inquérito policial que no dia 20 de outubro de 2023, o senhor recebeu um anexo no WhatsApp do seu Paulo Sérgio, que é a publicação no Diário Oficial da União da designação dele como chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, DSUP. O senhor parabeniza. De alguma forma, o seu Paulo Sérgio assumindo essa função, isso convergia com seus interesses nas suas pautas do Banco Master dentro do Banco Central? Isso, de alguma forma, lhe ajudaria?

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Daniel Vorcaro: Não, de forma alguma, delegado. Na verdade, Paulo Sérgio, antes dessa data, ele havia sido diretor de supervisão do Banco Central e, quando ele larga a diretoria, começa a sair no mercado. Inclusive, outros banqueiros me disseram que ele estava de saída do Banco Central, que ele não iria continuar iria para o mercado, inclusive, alguns bancos, pelo que eu sei, inclusive fizeram até propostas para que ele pudesse atuar, e em alguma reunião esse assunto surgiu com certeza, que ele iria sair, e eu acho que foi um aviso que ele fez para mim e para outros, que ele continuaria na instituição.

Albert Paulo: Perfeito, eu vou compartilhar com o senhor na tela, Essa tela é um diálogo do senhor com a Lili Master, acredito que seja alguma funcionária do senhor, a respeito da chegada de Paulo Sérgio e Belline Santana, não sei qual o local. Pergunta para o senhor, esse diálogo aqui, o senhor está recebendo esses servidores na sua casa, no escritório, onde é?

Daniel Vorcaro: No escritório, galera.

Albert Paulo: O senhor pede para parar a obra e para tirar todo mundo. Existe alguma preocupação no sentido de manter o sigilo da entrada desses dois servidores no seu escritório?

Daniel Vorcaro: Delegado, essa conversa é uma conversa mais que normal. Eu estava vendo uma obra ao lado da minha sala com barulho intenso. O senhor pediu para tirar todo mundo que estava fazendo a obra para que eu pudesse conversar com as pessoas do Banco Central, com as pessoas relevantes para o Banco Mundial.

Albert Paulo: Perfeito. A primeira pergunta que eu fiz para o senhor foi sobre pagamento de valores ou vantagens econômicas de qualquer natureza para esses dois servidores. O senhor disse que falaria numa segunda oportunidade. Vamos tratar dessa pauta nesse momento. O senhor chegou a falar que pagou indiretamente. Indiretamente teve... Eu gostaria que o senhor explicasse primeiro com relação ao servidor Belline e Santana. Teve alguma transferência de valores ou de imóveis ou de vantagem de qualquer natureza pro seu Belline, diretamente ou indiretamente?

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Daniel Vorcaro: Não, não teve. O que houve, eu gostaria de explicar o caso. Em algum momento, nessas conversas institucionais que a gente realizou, a gente iria marcar uma reunião, se não me engano, para a semana seguinte, e o Belino informou que ele não poderia participar, porque ele estaria fazendo um trabalho pelo Banco Central, que é um trabalho de alguma associação, que eu não me lembro o nome, que ele faz, que são pessoas negras em todo o mundo, que têm posição de relevância em bancos centrais e em instituições financeiras.

Albert Paulo: Isso foi quando, senhor Vorcaro?

Daniel Vorcaro: Acredito que foi em 2024, no início de 2024. Não me recordo. Me perdoe pela questão das datas.

Albert Paulo: Não tem condição de ser preciso nas datas, a gente compreende perfeitamente, é só para dar uma noção cronológica.

Daniel Vorcaro: Perdi um pouco a noção do tempo aqui, mas creio que foi final de 2023 e 2024, a gente teve essa reunião, foi uma reunião normal, institucional, e nesse momento ele comenta tinha esse trabalho, eu achei isso interessante, e aí ele comenta, a gente vai para um caminho, porque eu sempre tive muitas ações sociais que eu apoiei, principalmente de crianças e jovens. Eu tinha um instituto que se chamava Redut, que infelizmente acabou depois da minha prisão, eu fui membro da Brasil Foundation, que também atua com vários institutos de criança, eu tinha um projeto com a minha filha ainda menor de idade, fiz um projeto na África com crianças, então quando ele menciona sobre isso, a gente acaba caminhando a conversa para essa questão de ações sociais, ele menciona que tinha interesse de poder realizar projetos sociais ligados a esse tema que ele atuava, que era trazer jovens negros para a liderança em instituições financeiras, aquilo me chamou a atenção. Quando a gente termina a conversa, eu peço para o meu cunhado, que é o Fabiano Zetel, que na época estava me ajudando a montar uma estrutura consolidada desses projetos sociais que eu fazia, quando ele contrata o senhor Leonardo Palhares, que, inclusive, estava começando a atuar nessas outras instituições que a gente fazia obras sociais, e eu peço para eles procurarem o Belline para poder desenvolver com ele esse projeto. Então, por isso, quando o senhor pergunta, desculpe, quando o delegado pergunta se eu fiz transferência direta de vantagem econômica do Belline, não houve, a resposta é não, porque houve sim, o interesse em apoiar esse projeto, e que acabou sendo dado sequência, que acho que o delegado já conhece pelo desenrolar do enquete.

Albert Paulo: Perfeito. Como foi que foi dado sequência esse projeto?

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Daniel Vorcaro: Eu, assim como fazia em outros casos, eu passei para o Fabiano, que tinha interesse em desenvolver esse projeto, para ele tratar com o senhor Leonardo Palhares e desenvolver esse projeto. Procurar o Belino para poder fazer isso. e deu uma ordem de valores de investimento que a gente poderia fazer.

Albert Paulo: Então, a primeira informação, o primeiro conhecimento que o senhor tinha a respeito da participação do senhor Berinde Santana nesse tipo de ação e que lhe motivou a dar início a esse projeto, partiu de um diálogo seu com o próprio Berinde Santana?

Daniel Vorcaro: Correto.

Albert Paulo: Correto? O senhor passou essa demanda para desenvolver esse projeto a quem?

Daniel Vorcaro: Ao Fabiano.

Albert Paulo: Fabiano? O Fabiano, ele compartilhava com o senhor, ele dava feedback de como estava o andamento desse projeto, em que etapa estava, o que estava sendo feito?

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Daniel Vorcaro: Não, eu não soube de detalhes do projeto, não tenho informações. Eu tinha informações genéricas, até quando a gente fazia as listas ali de o que seria pago pela aquela estrutura empresarial. Então, sempre informações bem genéricas, se estava andando ou não o projeto.

Albert Paulo: Quem foi que definiu os valores que seriam pagos ao Sr. Berinde Santana?

Daniel Vorcaro: Na verdade, eu não defini valores que seriam pagos ao Sr. Berinde Santana. Eu defini um valor que seria destinado a esse projeto social, e é esse valor que eu passo ao Sr. Fabiano.

Albert Paulo: Certo. Foi o senhor que definiu esse valor que seria passado ao projeto social?

Daniel Vorcaro: Sim.

Albert Paulo:
Alguém mais foi pago nesse projeto social, além do Sr. Belline Santana?

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Daniel Vorcaro: Eu não tenho, eu não sei detalhes do projeto. assim como eu não sei de outros projetos. Exemplo, o projeto Relut, que eu ajudava, destinava um valor que, se não me engano, era de seis ou sete milhões anuais, e o gestor do projeto que definia qual era a destinação dos valores e como seriam distribuídos.

Albert Paulo: O senhor, depois que deu início, que encaminhou esse projeto para ser desenvolvido, para ser tocado pelo Fabiano Zetton, O senhor manteve contato, o senhor Belline Santana falava com o senhor sobre o projeto? O senhor como patrocinador?

Daniel Vorcaro: A gente falou uma vez só, porque eu falei que eu iria apresentar pessoas que poderiam desenvolver esse projeto com ele. Uma vez só que ele me responde e disse que iria, ou tinha se contactado, agora eu não me recordo, que tinha falado, depois nunca mais nós falamos sobre isso. Até pela liturgia ali do cargo, a gente não tinha tanta liberdade para tratar do assunto. Era um assunto que eu tive o interesse de desenvolver no plano social, obviamente era uma pessoa relevante ali do Banco Central, mas a gente não tratou mais sobre isso em nenhuma ocasião após esse início aí que foi feito.

Albert Paulo: Então ele tinha conhecimento de que o senhor era o patrocinador desse projeto?

Daniel Vorcaro: Acredito que não, delegado, porque quando ele mencionou, e aí eu tinha bastante cuidado com essas questões pra não tentar não misturar e não acontecer justamente o que tá acontecendo aqui agora, parecia que era uma coisa que não era, Então, eu falei que eu conhecia pessoas que tinham investimento em projetos sociais, que eu poderia falar para ver se elas interessavam.

Albert Paulo: Mas o senhor, quando tratava com ele, em que momento ele tratou com o senhor sobre os valores, sobre os termos do projeto, o que seria feito?

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Daniel Vorcaro: Zero.

Albert Paulo: Quanto fã que o senhor definiu para esse projeto, Sr. Vorcaro?

Daniel Vorcaro: Eu agora não me recordo de verdade, eu olhei pelos autos, eu não me lembro se eram 2 ou 4 bilhões, que era mais ou menos o que eu colocava em cada um dos projetos sociais. No Relute foi seis, no Brasil Foundation foi dessa, ao longo dos dois anos. Então, foi mais ou menos entre esses dois valores. Se eu não me engano, foi dois milhões, que depois se evoluísse e ia para quatro.

Albert Paulo: Perfeito. Só para ficar mais claro, o primeiro momento que o senhor tratou com ele sobre esse projeto foi quando? Em que ocasião, em que circunstância?

Daniel Vorcaro: Numa reunião, em institucional, em que foi mencionado o trabalho que ele fazia nesse segmento.

Albert Paulo: Perfeito. E aí, qual foi a iniciativa sua de conversar com ele, que o senhor falou?

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Daniel Vorcaro: A iniciativa... Não houve iniciativa minha de falar com ele. Eu falei que achava interessante e que poderia conhecer pessoas que conversam nesse tipo de projeto. Apenas isso.

Albert Paulo: Mas o senhor falou isso com ele?

Daniel Vorcaro: Sim.

Albert Paulo: de conhecer pessoas que poderiam investir no projeto?

Daniel Vorcaro: Em projetos sociais, que apoiavam projetos sociais similares.

Albert Paulo: No caso, a pessoa era o senhor mesmo que iria investir?

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Daniel Vorcaro: Na verdade, quando eu falo isso com ele, eu não sabia se eu iria colocar na plataforma minha, porque, como eu disse, eu participei de vários grupos de investimentos em projetos sociais. Eu me interessei pelo assunto, mas depois da conversa, eu iria pensar qual seria a melhor forma de investimento, se eu ia passar por um amigo, se eu tinha algum instituto, ou o próprio Brasil Foundation, que fazia já trabalhos, que eu já investia, poderia investir. Então, eu não tinha ainda o caminho ou a forma que eu poderia desenvolver aquele projeto.

Albert Paulo: Nesse momento, ele já ocupava função de diretor?

Daniel Vorcaro: O Sr. Bellini acho que nunca foi diretor.

Albert Paulo: Qual era a função que ele ocupava nesse momento?

Daniel Vorcaro: Acho que era chefe de juntos, se não me engano, é a nomenclatura lá.

Sergio Rodrigues Leonardo: Perfeito.

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Albert Paulo: Na última prestada aqui à Polícia Federal, o Sr. Palhares afirma que todos os termos de valores e dos contratos foram definidos com o Sr. Zetel e com Belline Santana. Qual foi a participação do Sr. Palhares nesse projeto?

Daniel Vorcaro: O Sr. Palhares é somente o executor dos projetos sociais e alguns outros projetos que ele estava sendo contratado para gerir. Ele não tinha nem autonomia, nem conhecimento para poder definir valores. Obviamente, chegou de cima para ele qual seria o valor que seria destinado a esse projeto.

Albert Paulo: E o que foi que o senhor demandou a ele sobre esse projeto?

Daniel Vorcaro: Na verdade, não demandei nada diretamente. Eu só pedi para avaliar, desenvolver e avaliar aquele projeto social. E eu pedi, na verdade, ao Fabiano, que depois tratou com ele.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor compartilhou com o senhor Belen de Santana um minuto de contrato, não foi isso? Um minuto do projeto, correto?

Daniel Vorcaro: Acredito que não. Eu não compartilhei não. Acredito que eu tenha recebido, porque eu não confeccionava minutos.

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Albert Paulo: O contrato do Sr. Vorcaro foi feito entre a Varájo Consultoria e o Sr. Belline Santana, o contrato desse projeto. Como o senhor falou, o dinheiro foi custeado pelo senhor. Por que razão que as suas empresas ou o senhor mesmo não figuram no contrato com o patrocinador?

Daniel Vorcaro: Primeiro, não foi custeado por mim, na verdade, depois, se o delegado quiser, a gente pode tratar sobre esse tema patrimonial. Tinha diversas estruturas, empresas que eu tinha sociedade ou parceria, esse grupo de empresas são empresas que eu tinha parceria com o meu cunhado e, na realidade, os valores E os detalhes do projeto eram definidos pela própria empresa. Eu só passei uma orientação macro do que deveria ser feito.

Albert Paulo: Qual foi a empresa que custeou, então, o projeto?

Daniel Vorcaro: Pelo que eu me recordo, acredito que tenha sido a empresa Super, que era do meu cunhado.

Albert Paulo: E por que a Super não aparece no contrato do projeto?

Daniel Vorcaro:
Acho que foi uma questão de organização patrimonial ali. Tinha um grupo de empresas, estavam sendo criadas organizações e eles estavam fazendo uma reorganização patrimonial.

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Albert Paulo: Existia alguma preocupação de a empresa Super, que é vinculada ao senhor e ao seu cunhado, constar no projeto e isso indicar algum conflito de interesse do senhor como banqueiro e o fiscal do banco do outro lado do projeto, que no caso é o senhor Belline Santana?

Daniel Vorcaro: A Super naquele momento não era vinculada a mim, inclusive as minhas respostas de ter participado são de extrema transparência para tentar contribuir com a investigação. Naquele momento a Super não era ligada a mim, num momento posterior, numa reestruturação com o meu cunhado que a gente veio fazer, estava em processo inclusive por conta da própria venda do Banco Master, eu estava adquirindo, via uma estrutura que a gente criou de holding. Então, ela passou a ser ligada diretamente e efetivamente a mim, posteriormente a essa data.

Albert Paulo: A partir de quando que a Super ficou vinculada ao seu?

Daniel Vorcaro: Eu não me recordo. Na verdade, eu, para ser sincero, hoje eu tenho bastante dificuldade em acessar documentos societários, eu não sei nem se efetivamente foi feita a transferência, porque no momento, em que o banco foi liquidado, eu estava num momento de reestruturação patrimonial, em que a holding do banco seria vendida a uma parte, que eram as instituições financeiras para investidores estrangeiros, e eu estava reestruturando e fazendo parceria para poder seguir meu caminho no meio empresarial, como eu fiz anteriormente. Então, eu iria investir ali com meu cunhado, iria participar junto com ele, e eu não tenho ciência se essas questões foram executadas.

Albert Paulo: Segundo o senhor Palhares, a super é uma... abre aspas, todos sabiam que era uma empresa cujos ativos pertenciam a ele, no caso o senhor, Daniel Vorcaro, sendo a Super uma estrutura de proteção patrimonial sua. Então, segundo o senhor Palhares, a Super sempre foi vinculada ao senhor como uma estrutura de proteção patrimonial sua. Está correta essa afirmação?

Daniel Vorcaro: Na verdade, ela não está 100% correta, delegado. Eu preciso, posteriormente, eu não sei se é nesse ato agora ou em outro, explicar à Polícia Federal como era a atuação do banco, que é a minha atuação. Com diversos empresários, eu fiz investimentos em que a gente fazia crédito, investimentos, e eu ficava com a opção de poder participar depois desses negócios, e isso era feito à luz do dia. Quando se fala de estrutura de proteção patrimonial, se for no sentido benéfico da palavra, a gente pode dizer que sim, se for no sentido maléfico, não, porque não era uma estrutura para esconder nada, era uma estrutura patrimonial, que era um modelo de negócio que a gente executava no banco, de ficar com a opção para poder entrar no momento de uma venda, por diversas razões que depois eu posso explicar no momento oportuno qual é o motivo que a gente fazia dessa maneira.

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Albert Paulo: De uma forma sintética, o senhor já integrou o quadro societário da Super?

Daniel Vorcaro: Não.

Albert Paulo: Nunca integrou?

Sergio Rodrigues Leonardo
Não.

Daniel Vorcaro: O senhor estava fazendo esse movimento no final, quando o banco foi liquidado, eu não sei se ele foi executado. Então, minha resposta é não, mas pode ser que tenha sido executado no final ali, quando foi liquidado o banco, porque a gente já tinha feito toda a estrutura para poder consolidar ela e puxar ela para a rua de patrimonial.

Albert Paulo: Perfeito. Com relação a Moriah Assets, qual a sua relação com ela, com essa empresa?

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Daniel Vorcaro: A Moriah não tem nenhuma relação formal e nem societária. Eram empresas que o meu cunhado estava desenvolvendo em paralelo aos negócios que a gente gostaria de fazer em conjunto. No novo plano meu pessoal pós-venda do banco, o meu interesse era investir nesses negócios, então eu tinha feito um crédito pra ele, se eu não me engano, pra ele poder adquirir empresas, mas eu não cheguei a ser sócio, a ter participação nessa empresa.

Albert Paulo: Eu vou apresentar pro senhor aqui alguns slides, vou compartilhar com o senhor, pra pedir pra o senhor... explicar todos os slides aqui, faço esse registro, foram extraídos a partir da informação de pessoa judiciária que instruiu o inquérito, e todas essas imagens que eu tô lhe apresentando aqui foram extraídas do seu aparelho celular que foi apreendido, com lá o pericial, tudo consta no inquérito, tá tudo documentado, tá toda preservada a cadeia de custódia. Então todas essas imagens que eu mostro pro senhor aqui tem origem no seu celular, ok? Bom, nesse diálogo aqui, o senhor tem um diálogo com o senhor Belline Santana, o senhor Belline Santana afirma para o senhor que recebeu o e-mail, recebeu o email, forte abraço, pede para confirmar que não recebeu o email, o senhor pede para confirmá-lo, me confirma o email, ele encaminha o seu email pessoal, que é o Gmail, e aí depois ele confirma o recebimento. Nesse contexto, nessa cronologia, entre essas mensagens que o senhor tem com o senhor Belline de Santana. O senhor troca mensagens com o Fabiano Zettel e o arquivo que o Fabiano Zettel encaminha para o senhor é o projeto Inserção Jovens. Então, eu pergunto qual a ingerência que o senhor tinha nesse projeto?

Daniel Vorcaro: Bom, esses diálogos reforçam os fatos que eu narrei ao delegado. Eu tinha tido essa conversa, pedi ao Fabiano, nada diferente do que eu relatei anteriormente.

Albert Paulo: Então isso só corrobora que o senhor Belline Santana tinha conhecimento de que o senhor era um dos uma das pessoas responsáveis por providenciar esse projeto, por colocar pra frente esse projeto de jovens, correto?

Daniel Vorcaro: De forma alguma. Na verdade, eu falei que eu tinha pessoas, eu não falei que seria eu, que teria alguma estrutura, que era meu cunhado. Eu acho que a comunicação ali foi mais porque eu comentei que eu conhecia pessoas que poderiam fazer investimento nesse projeto.

Albert Paulo: Mas nos diálogos, o senhor troca... o e-mail com o Belline Santana e ele fica ali reportando, inclusive, com o anexo do projeto. E a pergunta que eu faço é o seguinte, isso aqui demonstra que ele tinha conhecimento de que o senhor participou da articulação inicial do projeto.

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Daniel Vorcaro: Correto que eu indiquei sim, mas não troquei e-mail, né? Ele só mencionou, olha, vou seguir com o projeto lá, com o pessoal que foi indicado.

Albert Paulo: Perfeito. Na mensagem seguinte,

Daniel Leon: Só um minuto

Albert Paulo:
Nas mensagens seguintes, o Sr. Fabiano Zettel pergunta se tem que mandar os três documentos para ele. O Sr. Fabiano Zettel lhe faz essa pergunta. Faltou colocar a firma americana em sua resposta. Depois o Sr. Fabiano Zettel encaminha aqui o projeto de inserção aos jovens. Aí ele pergunta para o senhor se está bom e me fala como o Léo deve mandar o e-mail. Então, o Sr. Fabiano Zettel está perguntando para o senhor de que forma que o Leonardo Palhares tem que encaminhar o e-mail, né? Está ótimo, assina tudo, manda tudo no e-mail e faz o texto, prezado o Sr. Belline. Então, o senhor é quem redige a minuta de texto que vai ser encaminhada ao Belline Santana para apresentar a minuta e o projeto, o texto final do projeto de inserção de jovens. O senhor teve... Como é que o senhor explica esses diálogos diante do que o senhor está falando, que o senhor não participou da fase inicial do projeto?

Daniel Vorcaro: Não, não, delegado. Primeiro, eu não me recordo desses diálogos especificamente, mas vendo ali também corrobora o que eu falei, que o... O pontapé inicial eu pedi para ser dado, e após aquilo ali eu não acompanhei mais. Acho que o diálogo ali é totalmente natural perante a minha explicação. Eu tinha feito, eu tinha nutrido esse interesse pelo projeto, tinha pedido ao Fabiano para fazer, acompanhei aí nessa parte inicial, que foi só a execução no início do negócio, e depois eu acompanhei mais.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor acompanhou os pagamentos que eram feitos ao seu Berin Santana e ao seu Paulo Sérgio?

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Daniel Vorcaro: Na verdade, o pagamento, se eu acompanhar o Paulo Sérgio, não. Não teve pagamento sem o Paulo Sérgio. O pagamento é um projeto social que... E aí, é importante ressaltar, os meus diálogos com o meu cunhado, além de serem profissionais, eles têm um cunho privado e pessoal. Então, muitas vezes, a gente nominava questões para poder facilitar, ou seja, Belim era o projeto social vinculado a Belim. E eu acompanhava todos os pagamentos, não somente esse. Acho que está claro nas mensagens todas que eu tenho com o meu cunhado. Naquele momento específico, antes até não, mas naquele momento eu passei a acompanhar, naquela época do ano, eu passei a acompanhar mais de perto todos os pagamentos que eram executados, incluindo esse que era feito nessa estrutura.

Albert Paulo: Perfeito. Vamos para uma próxima mensagem. Na verdade, é um trecho do contrato assinado por Leonardo Palhares foi o anexo que o Sr. Fabiano Zettel encaminhou para o senhor, uma parte do projeto Inserção Jovens, que já está no diálogo sobre o qual a gente tratou agora, e a mensagem seguinte, é uma mensagem entre o senhor, é um diálogo entre o senhor e o Sr. Belline Santana, em que o senhor fala que Belline Santana confirma o recebimento do e-mail, E encaminho para o senhor que respondi o e-mail dando o meu diálogo, porém, como estou fora do Brasil, não consigo mandar assinado, mas já poderia ser assinado, considerado como tal. O senhor responde ótimo, depois o senhor diz que o Henrique de Santana afirma que mandou os documentos assinados. Isso na sua avaliação está convergindo com o que o senhor afirmou aí, correto?

Daniel Vorcaro: Totalmente.

Albert Paulo: Perfeito. Depois dessa fase inicial do projeto, o senhor chegou a acompanhar a execução do projeto?

Daniel Vorcaro: Nada. Na verdade, pelo que me recordo, em alguma oportunidade ou outra, eu perguntei como estava o desenvolvimento, e alguém pode ter me dado o retorno, mas eu estava num momento com muitas atribuições e muitos projetos em andamento, então eu não tinha tempo, infelizmente, para me ater a detalhes desse projeto social e de outros também que eu estava apoiando.

Albert Paulo: Aí o senhor falou que perguntava para quem.

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Daniel Vorcaro: Eu cheguei a perguntar para o Fabiano e, em alguma vez, se não me engano, eu perguntei diretamente ao Leonardo. Nem me recordava, eu vi isso dentro dos autos, essa mensagem ali, que eu posso ter perguntado aí diretamente por algum motivo que eu não me recordo por quê.

Albert Paulo: Na mensagem seguinte... Na mensagem seguinte, o Sr. Fabiano Zé encaminha para o senhor uma imagem do e-mail, que foi encaminhado do Sr. Bellini Santana para o Sr. Leonardo Palhares e o Sr. faz uma afirmação que circo e o Sr. Fabiano Zettel sorri da afirmação. O Sr. faz a afirmação que circo logo depois do contrato já encaminhado pelo Bellini Santana. O que é que significa? Qual a explicação para o Sr. para essa mensagem aqui? Circo significa que o projeto de fato nunca existiu?

Daniel Vorcaro: De forma alguma, delegado. Na verdade, eu não me recordo especificamente dessa mensagem, mas com certeza tinha outro contexto nas mensagens anteriores ou posteriores. Eu e meu cunhado, a gente tem uma relação muito próxima, praticamente de irmãos. Então, a gente tinha uma intimidade para poder tratar das coisas. Com certeza, eu não chamaria de circo um projeto social. Então, eu não me recordo qual foi o contexto de estar falando isso. A gente tinha bastante brincadeira, como se tem, com pessoas que você tem muita intimidade. Nesse contexto, eu não me recordo qual era a razão da brincadeira.

Albert Paulo: Perfeito. Eu vou fazer mais uma imagem aqui. Aqui nós estamos em outubro de 2023. O senhor Fabiano Zettel se reporta ao senhor de que tem que pagar a primeira parcela do Belline. O senhor afirma que perguntar se o Léo Palhares pode pagar para o senhor reembolsá-lo. E o senhor faz a observação de que não pode usar mais a Super para qualquer pagamento. Pega outra empresa sem você. O próprio Fabiano Zettel disse que vai fazer um e me avisa quando for pela outra que outra. Enfim, o seu Fabiano Zettel diz que pergunta para o senhor se não pode comunicar com ele. Qual é essa preocupação? de os pagamentos não poderem ser venturados, nem o senhor, nem o sr. Fabiano Zettel

Daniel Vorcaro: Na verdade, nesse momento, foi uma mudança que a gente, pelo que eu me recordo, foi uma mudança que a gente estava fazendo na Super, que inclusive estava entrando investidor de um fundo, que era parceiro nosso, E a minha preocupação era por questões particulares ali que do Fabiano não estar mais ligado, direcionado à Super. Não foi somente esse pagamento do Belline, tiveram outros também. Naquele momento, e eu não me lembro a razão específica, essa estrutura de empresa que a gente tinha criado estava migrando para um novo tipo de estrutura para poder fazer pagamento. E o Fabiano estava saindo, se não me engano, da empresa da Super.

Albert Paulo: Essa preocupação tinha alguma relação com o fato de o Belline ser auditor do Banco Central?

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Daniel Vorcaro
47:29
Na realidade, delegado, sendo bem sincero, pelo fato dele ser do Banco Central, eu, de certo, tinha um cuidado maior para que as coisas, para que os fatos não transparecessem que era alguma coisa diferente do que era na realidade. Então, obviamente, existia essa preocupação. Mas, como eu disse, e aí eu posso falar depois quando o senhor quiser, o delegado quiser que eu relate um pouco mais de detalhes. Esse fato do investimento, do projeto social, dessas conversas, nada tem a ver ou nunca se confundiram com qualquer relação fática ou contextual do Banco Master e de Supervisão, isso eu tinha um cuidado muito grande para não misturar, por diversos momentos eu obviamente tinha preocupação de zelar por isso.

Albert Paulo: Eu vou apresentar para o senhor mais um diálogo. Nesse diálogo, mais uma vez, o senhor questiona se os pagamentos estão saindo do banco. O senhor Zettel disse que é do banco para a Super e depois eu pago. E o senhor fala que mesmo que indiretamente não pode. E se irrita, inclusive, com o fato de ter sido feito dessa forma. Me fala o caminho, então, pergunta do Sr. Zettel, empresa do Leo, etc. E seguem outras mensagens nesse sentido. O senhor falou que, quando for possível, o senhor vai falar em detalhes. A oportunidade que o senhor tem para falar em detalhes é agora, fique à vontade.

Daniel Vorcaro: Em detalhes sobre a relação, sobre a escala?

Albert Paulo: Sobre a relação com a Super, com o Banco e esses pagamentos que foram feitos para o projeto do Belém de Santana.

Daniel Vorcaro: Bom, na realidade, essa última mensagem aí, eu sempre tive um cuidado, desde que o banco passou a sofrer uma perseguição concorrencial de outros bancos e midiáticas, e desde que passaram a ingressar no banco outros sócios, eu sempre tive a preocupação de colocar de uma maneira separada as minhas questões pessoais, e até mesmo para não haver exposição de investimentos pessoais, de coisas pessoais minhas, ou de estruturas que eram ligadas a mim. Então essa preocupação daquela mensagem com o Fabiano era uma preocupação não somente com o caso do Belline, específico, mas com vários outros, eu não gostaria de comunicar e nem de ter exposição de questões particulares minhas dentro do banco, uma vez que eu era presidente e controlador, e houveram casos que ocorreram isso, exemplo, utilização de cartão de crédito meu em determinado local por questões internas que não venham ao caso aqui. Então, eu tinha essa preocupação, delegado, de fazer uma diferenciação em coisas que não eram relativas ao banco ou que não eram inerentes ao banco. Eu queria deixar separado. Ao final, por exemplo, eu utilizava, inclusive, cartão de outros bancos, o que não é nem... Não seria natural, num momento normal, de ser feito, uma vez que eu tinha toda a estrutura dentro do próprio banco. Mas eu fazia isso por uma questão de dizer... disposição pessoal e não especificamente sobre esse caso do Bellini. E o que eu gostaria de reiterar, delegado, sobre esse caso é que o Bellini, e aí depois eu posso falar especificamente do Paulo Sérgio, eu nunca, em qualquer momento, pedi qualquer benefício para o senhor Bellini. Eu nunca recebi do senhor Bellini nenhum benefício, ao contrário, o Banco Central por conta de todas as perseguições que eu espero um dia ter a oportunidade de relatar ao senhor e à Polícia Federal o que aconteceu efetivamente e aqui eu não tô me vitimizando, na verdade eu tenho interesse em expor esse caso, tenho interesse em falar, eu até agradeço ao delegado de estar me escutando porque tem nove meses que eu tô tentando falar e estou tentando falar, colaborar com a algumas investigações e não tem conseguido. Então, eu agradeço e aprecio, inclusive, um dos últimos inquéritos que foram abertos, o delegado já me escutar, eu acho que vai facilitar e, no mínimo, os senhores todos podem ter um outro lado da história. No caso do Belim, especificamente, eu nunca tive nenhum nenhum benefício, nem dele, nem de Paulo VI, nem de ninguém do Banco Central, haja vista a situação hoje do Banco Liquidado. Na realidade, eu fiz um trabalho muito grande de reestruturação do Banco desde lá de trás, do Banco Máxima, que requereu bastante contato com o Banco Central, que requere bastante esforço da minha parte para poder resolver as questões que eram necessárias dentro da normativa do Banco Central. Esse contato era natural, ele é natural do Banco Central com outros bancos, a diferença no meu caso é que ele era mais intenso que eu decidi fazer pessoalmente, dado a relevância dos momentos que o banco passou e dados os ataques que a gente estava sofrendo. Na minha opinião, delegado Bellini, e eu não tenho motivo nenhum para dizer isso aqui, eu estou passando, o delegado sabe, eu tenho não sei quantos enquetes, tenho muitos enquetes para poder tratar, Esse é o que é específico dessa questão do Banco Central, tem outros temas, inclusive de maior relevância, acho, de interesse da polícia, não tenho motivo nenhum de falar isso, mas o senhor Bellini, tanto o Bellini quanto o Paulo, são profissionais exemplares ali do Banco Central e a conduta deles, obviamente, em qualquer relação profissional, ao longo do tempo você vai tendo um pouco mais de intimidade nas tratativas, mas ela nunca foi uma tratativa que pudesse ser feito algum tipo de favorecimento para o banco. Ao contrário, eu sofri bastante nesses últimos anos com todas as demandas que me foram impostas, com todas as mudanças de regras que o Banco Central acabou realizando, por pressão de concorrentes dos grandes bancos, e eu precisei me esforçar muito e de ter muita interação com eles para poder conseguir superar isso. Obviamente, delegado, eu... Quando nas conversas ali com o Bellini e quando surgiu o interesse desse projeto social, obviamente era uma pessoa relevante, era uma pessoa ali que eu estava em contato diário, uma pessoa relevante do Banco Central. Eu não vou me aliviar de não dizer isso, mas não houve favorecimento, não houve ilícito na relação com ele. Tanto é que eu estou com o banco liquidado, tanto é que foi feito à luz do dia toda a tratativa. Se fosse para fazer algo que era ilícito, algo de corrupção, para corromper, não estaria tratando em mensagens abertamente, trocando documento, fazendo coisas formais. Então, ele foi feito de modo transparente, justamente porque não era algo que tinha interesse ou viesse de poder gerar algum benefício para o banco, porque, obviamente, aí é fato, o banco acabou não recebendo nenhum benefício, nem mesmo eu.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor acompanhava esses pagamentos que eram feitos ao projeto?

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Daniel Vorcaro: de maneira macro junto com os demais. Acho que fica claro ali nas mensagens, meu telefone eu acabava pelo próprio WhatsApp fazendo a gestão ali, eu tinha as trocas de mensagens ali, diversos pagamentos, entre eles o projeto social.

Albert Paulo: Perfeito. Nesse diálogo aqui, na verdade são trechos de diálogos, em que o Sr. Zétero lhe reporta, enfim, demandas, pagamentos, etc, do seu grupo econômico, dentre os quais pagamentos destinados ao Belim de Santana. Está dentro desse contexto que o senhor está falando, não é isso? Sim.

Daniel Vorcaro: Correto.

Albert Paulo: Ok. Perfeito. No diálogo seguinte, o senhor perguntando à Cláudia por onde estavam sendo feitos os pagamentos a Belline Santana, e ela respondeu que pagava a Leonardo Palhares, que por sua vez repassava a Bellini, pela Super. E aí o senhor pergunta se ele tá doido. Essa é a expressão que o senhor usa. Qual é a gravidade disso, seu Vorcaro? Por que o senhor não queria, de nenhuma forma, vincular esses pagamentos ao senhor, nem às empresas super, nem ao banco? Qual era a preocupação sua?

Daniel Vorcaro: Acho que tá dentro do contexto da mudança estrutural que a gente tava fazendo ali na super, naquela ocasião. E obviamente, delegado, eu tinha um zelo de fazer, uma vez que eu sabia a posição dele, eu tinha um zelo de fazer as coisas corretamente. Aliás, desde o início, quando eu tive o primeiro contato, Eu até desconheço um pouco da normativa, infelizmente, eu tenho que ser sincero para poder reconhecer isso, eu desconhecia da normativa sobre essa questão de atuação de funcionários públicos ou propriamente funcionários do Banco Central, foi o motivo pelo qual inclusive eu indaguei na época o Bellini se ele poderia participar de projetos sociais e ele disse que iria consultar e fazer tudo formalmente pela Corregedoria quando ele fosse fazer. na minha visão, sempre foi feito algo transparente. O próprio Banco Central tinha dado ok para ele desenvolver o projeto lá. Em nenhum momento eu cogitei ou pensei nesse processo em ser algo que fosse algo que não fosse feito à luz do dia. E eu não gostaria que um projeto à parte, que eu não me beneficiei, ou seja, eu não usei isso para nenhum outro fim, pudesse gerar alguma interpretação diferente, que infelizmente é o que está acontecendo agora, por força dos outros problemas que acabaram eclodindo com o BAM.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor consultou o senhor Belline se ele podia participar do projeto? Quando? Naquele primeiro contato?

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Daniel Vorcaro: Só naquele primeiro contato, porque ele disse que estava desenvolvendo o projeto, ou naquela ocasião, inclusive, eu não lembro, acredito que sim, talvez ele fosse sair também com o Paulo Sérgio para o mercado, a minha dúvida era se, como funcionário, ele poderia fazer projetos sociais E ele disse que os funcionários podem, desde que passe pelo comitê de ética ou corregedoria, eu não me lembro qual que era o trâmite.

Albert Paulo: Perfeito. Qual é a função da senhora Ana Cláudia? Na sua estrutura de pagamentos?

Daniel Vorcaro: A Ana Cláudia é uma executora da empresa Delegado, que inclusive, neste caso específico, está sendo injustiçada porque ela não tem... é uma pessoa operacional, de apenas executar. Ela não tem a menor ideia nem quem seja Belini, nem qual que é o projeto social de uma pessoa de execução das questões financeiras daquela estrutura empresarial.

Albert Paulo: Ela já teve algum contato com o Sr. Belline Santana? Ou com o Sr. Paulo Sérgio?

Daniel Vorcaro: Acredito que não. Aliás, tenho certeza que não.

Thiago Machado: Ok.

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Albert Paulo: O próximo diálogo que nós vamos compartilhar segue na mesma linha. Basicamente são listas de pagamentos do Sr. Belinde Santana com valores elevados que o Sr. Fabiano Zettel compartilhou com o senhor, o senhor afirma que todos os pagamentos do Sr Belinde Santana são para o projeto, pelo menos nos diálogos de WhatsApp, nas planilhas apresentadas pelo Fabiano Zettel para o senhor, o que consta Belline, não consta o nome do projeto, consta Belline.

Daniel Vorcaro: Como eu disse... Sim, fique à vontade. A comunicação com o meu cunhado, ela tinha o caráter profissional, mas ela tinha o teor privativo de uma comunicação que existe confidências e existe uma informalidade. Então, não somente no caso do Bellini, tem outros ali, que, exemplo, St. John é o nome de uma pessoa, ali é o projeto de uma empresa que ele nominava de maneira mais simplória, pra ficar mais fácil de entender, daquela maneira pra eu entender de maneira mais fácil. Ou seja, se ele colocasse o nome completo do projeto, muitas vezes eu poderia me esquecer do que que era. Então, aquilo ali era pra facilitar a compreensão. Não somente isso.

Albert Paulo: Perfeito. Nesse diálogo que eu tô compartilhando com o senhor agora, o senhor Fabiano Zettel disse que o Belline tá cobrando. O senhor Belline já lhe cobrou para o senhor diretamente algum pagamento pendente?

Daniel Vorcaro: Nenhuma vez nós comunicamos sobre esse projeto após isso. E, obviamente, quando ele falava isso, e aí tem aquele zelo por saber quem era a pessoa, eu acompanhava esse tema porque me sentia, de certa maneira, responsável por ter indicado ou por estar próximo à questão do patrocínio do projeto. Eu não queria que, de um lado, eu não queria nenhum benefício com aquele projeto, mas também eu não queria que tivesse um desgaste relacional por conta de uma coisa que não tinha relação com a questão do banco. Essa é a verdade.

Albert Paulo: Perfeito. Ainda nessa linha de perguntas, num diálogo aqui do dia de julho de 2025, o senhor segue o mesmo contexto, o senhor Fabiano Zettel está ali reportando sobre pagamentos efetuados à Berlline, na continuidade daquele diálogo, e o Fabiano lhe explica como que está sendo, o senhor pergunta, É uma pergunta sua, que você está saindo do banco. É muito semelhante ao diálogo anterior. E o Sr. Fabiano Zettel faz um detalhamento de qual é o circuito que o dinheiro está seguindo. Dá super para o Léo e o Léo tem contrato com ele. Isso segue na linha do que o senhor definiu para o Sr. Leonardo e o Sr. Zettel?

Daniel Vorcaro: Sim, segue ali, delegado. Infelizmente, no contexto que eu estava inserido ali, eu tinha muitos projetos, muitas estruturas, e o banco me demandava bastante. Infelizmente, essa estrutura que era com o meu cunhado, que é uma estrutura um pouco mais informal e de confiança, acabava que eu não tinha tempo para poder ter reuniões mais específicas, para saber como era a estrutura de pagamento. Então, muitas vezes, por WhatsApp, eu perguntava para ter ideia de como eles estavam fazendo, como estava sendo a execução da empresa. E ali só reforça o meu ponto. Você pegar aquela planilha, tem diversos nomes de pessoas que, na verdade, são projetos, não são pessoas, e os nomes eram colocados para facilitar a compreensão quando ele me passava o que estava acontecendo.

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Albert Paulo: O contrato que foi feito com o Belline Santana para tratar da questão do projeto Inserção Jovens consta a empresa Varajo. O fato de não constar nem o seu nome, nem nenhuma dessas empresas de onde saíram os valores, como por exemplo a Super, O senhor Palhares consultou o senhor se deveria colocar o nome das suas empresas e o seu nome no contrato? Ele chegou ali e consultou sobre isso?

Daniel Vorcaro: Não. Primeiro, todos os demais projetos eu também executava via esse tipo de estrutura, delegado. Como o banco tinha um nível de exposição muito grande, então se o delegado olhar depois o meu contexto, de estrutura patrimonial, meu nome aparecia tão somente nas questões do banco. Em todas as empresas, eu não era diretor, em demais empresas eu não era diretor, nem sócio direto, e sempre foram criadas estruturas dentro daquele contexto que eu falei inicialmente com o delegado, ou seja, meu foco era o banco e qualquer coisa particular, eu gostaria que não tivesse uma exposição ou uma intercomunicação com o banco. Esse caso ali, essa mensagem do Fabiano, reforça essa tese. No caso do Fabiano, por ser meu cunhado, a determinação ou o entendimento acaba sendo um pouco mais coloquial ali pelo nosso relacionamento.

Albert Paulo: Perfeito. Então, o senhor Palhares não lhe consultou sobre colocar ou não colocar suas empresas no contrato?

Daniel Vorcaro: Eu não me recordo se ele me consultou diretamente, porque ele estava iniciando esse tipo de trabalho, mas se ele tivesse me consultado, a minha resposta seria que, obviamente, não deveria ser minhas empresas seguindo a linha de tudo que eu fazia.

Sergio Rodrigues Leonardo: Ok.

Albert Paulo: Então nós vamos dar continuidade. Vamos falar especificamente agora sobre o senhor Paulo Sérgio Neves.

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Daniel Vorcaro: Ok.

Albert Paulo: O que é objeto do contrato, do inquérito aqui que diz respeito às vantagens econômicas do senhor Paulo Sérgio Neves? São dois contratos que foram celebrados supostamente para a compra e venda de dois imóveis, um sítio e uma casa. O senhor teve conhecimento desses contratos, desses negócios?

Daniel Vorcaro: Sim. E aí, delegado, gostaria de, logo de início, só fazer uma... E, de novo, agradecendo a oportunidade e o interesse que o delegado de poder escutar. Acredito que pela rapidez que o delegado tem desenvolvido esse caso e a rapidez com que solicitou o Itiba comigo. Acredito que o delegado tem interesse em conhecer a verdade e a verdade, ela... ela muitas vezes não diz respeito ao fato em si. Então preciso fazer uma breve informação aqui pessoal para que fique claro depois as minhas respostas. O meu modelo, o meu jeito de fazer negócio é um jeito talvez não convencional. Eu sempre investi em vários negócios diferentes e sempre me aproximei de diversas pessoas e analisei negócios de diversos setores. Então... Esse caso específico do Paulo Sérgio foi num contexto ainda, se não me engano, foi em 2019, o senhor Isaac Cid me procura, ele trabalhava pra minha época, ele era advogado, me procura e me menciona que o senhor Paulo Sérgio, do qual ele era amigo, tinha um empreendimento, tinha um terreno que ele estava pretendendo vender. Eu analiso diversos tipos de negócio, e aí, de novo, voltando ao meu perfil, onde é, existe algum negócio de pessoas que eu acredito que sejam relevantes, pessoas que eu tenho interesse de alguma maneira em me aproximar, eu acabo analisando. Essa é a verdade desse caso. Então, ele me apresentou com esse projeto, o Isaac Sisson, imobiliário na época, não tinha qualquer relação com o Sr. Paulo Sérgio, Na época, quando eu olhei, não era um perfil de negócio que eu gostaria de investir, mas era um perfil de negócio que o meu cunhado, na época, não estava ainda tão ligado aos negócios comigo. Ele trabalhou por muitos anos na empresa MRV, que era uma empresa mineira de desenvolvimento imobiliário e de imóveis. Então, quando eu vi o que era o projeto, eu vi que era um perfil parecido com os negócios que ele atuava. Naquele momento, eu pedi ao Fabiano para poder analisar, fazer um estudo de viabilidade, e caso fosse um negócio adequado e bom, que ele fizesse aquele investimento. Naquele momento, ele entrou em contato, se eu não me engano, com o Paulo Sérgio, não me recordo exatamente como se deu essa relação ali, mas ele entrou em contato e a partir daí desenvolveu esse negócio, fez viabilidade, visitou e fez toda a interação com o Paulo Sérgio. Então, sim, eu tive conhecimento inicial, mas não participei de nenhuma conversa ou nenhum detalhamento sobre esse negócio posterior.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor Paulo Sérgio, no depoimento que ele prestou na sindicância do Banco Central, afirma que o senhor fez contato com ele para perguntar sobre o imóvel, as características do imóvel, qual era o plano de negócio para o imóvel. Como foi esse contato que o senhor fez?

Daniel Vorcaro: Eu não me recordo de verdade, tem muitos anos. Quando o Isaac me passou, para entender o que era, acredito que eu tenha procurado, mas logo em seguida eu vi que não era algo de um tamanho que eu poderia dar atenção. Era um investimento no interior, se não me engano de Minas, era um investimento que eu não conseguiria dar atenção. Foi aí que eu peço para o meu cunhado avaliar em seguida.

Albert Paulo: Certo. O negócio foi feito pelo seu cunhado numa parceria com o senhor, ou o senhor passou o negócio 100% por seu cunhado?

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Daniel Vorcaro: Eu passei por meu cunhado na época, mas obviamente eu acompanhei com ele depois, em linhas gerais, se ele tinha executado, o que tinha acontecido.

Albert Paulo: O senhor investiu nesse negócio?

Daniel Vorcaro: Diretamente não.

Albert Paulo: Indiretamente o senhor investiu?

Daniel Vorcaro: Não, e aí volta aquela fala da minha fala anterior. Eu não era sócio das empresas com meu cunhada, e em determinado momento a gente foi ligando os negócios. sem qual momento agora específico que a gente fez negócio em que eu emprestei dinheiro para ele, que passei a provavelmente ter a opção de participar dos negócios, assim como fazia com outros empresários. Mas o meu cunhado tem uma carreira e um desenvolvimento de negócios anterior a essa Banco Master que nada tem a ver comigo. Ele era um homem de sucesso, ele era um advogado relevante ali da MRV, tinha investimento em mineração e outras empresas. Então o meu cunhado já era um empresário e tinha investimentos próprios que não tinham ligação comigo. Em algum momento a gente foi se estreitando com essa questão do Banco Master, ele também se mudou para São Paulo, passou a ficar mais tempo ali, ele passou a me ajudar mais e a gente foi se juntando cada vez mais e fazendo mais negócio em conjunto. Eu não me lembro as datas específicas porque não foi uma data única, ela foi acontecendo naturalmente ao longo do tempo.

Albert Paulo: O senhor chegou a participar da elaboração dos contratos, de termos de pagamento, esse tipo de coisa?

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Daniel Vorcaro: Não, não. Que eu me recorde, não.

Albert Paulo: Se ele estiver me questionando... Qual a relação que o senhor tem com a empresa Pipe Participações?

Daniel Vorcaro:
Nenhuma. Não sei, não sabia nem da existência, até ler os documentos ali.

Albert Paulo:
Essa empresa é do seu cunhado?

Daniel Vorcaro: Pelo que eu vi nas documentações, acredito que sim, mas não tenho mais informações do que isso, do que existem nos autos aí que eu li.

Albert Paulo: Eu vou compartilhar com o senhor uma mensagem.

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Daniel Vorcaro: Tem algum momento lá atrás que fazem isso aí, fazem sete anos. Pode ter me mencionado, eu também não estou me recordando do nome especificamente.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor Fabiano Zeto manda para o senhor um contrato, revisão final, e aí o senhor Fabiano Zettel pede para o senhor mandar o contrato para ele para fecharmos a redação. O senhor encaminhou esse arquivo para o senhor Paulo Sérgio?

Daniel Vorcaro: Acredito que não, delegado. Acredito que não, não me recordo, porque depois dessa conversa inicial, eu não me lembro de ter tratado especificamente sobre esse negócio.

Albert Paulo: Pelo que se pode inferir aqui do diálogo, quem manteve a interlocução com o Sr. Paulo Sérgio, pelo menos até o fechamento do contrato, foi o senhor. Tanto que o Sr. Fabiano Zettel pede para o senhor encaminhar para o Paulo Sérgio a minuto do contrato. O senhor chegou a tratar com o Paulo Sérgio sobre esse contrato?

Daniel Vorcaro: De verdade, eu não me recordo de ter tratado sobre isso. Não me recordo, porque quem visitou, quem fez plano de negócio sobre isso, tudo foi o meu cunhado, eu não tive participação direta disso na época. Na verdade, eu não sei nem como é o empreendimento. Eu só lembro dele ter falado que era algo que tinha viabilidade e que ele iria realizar. Eu posso ter feito essa ponte inicial ali, eu nem me lembrava disso. Posso ter feito uma ponte inicial entre os dois. mas nada mais do que isso, depois disso a gente não tratou mais especificamente sobre o negócio, que eu me recorde.

Albert Paulo: As empresas do seu Fabiano Zettel tinham um contrato com suas empresas, recebiam dinheiro das suas empresas?

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Daniel Vorcaro: Como eu disse, delegado, a nossa relação foi evoluindo ao longo do tempo, então eu não sei precisamente o momento que eu comecei a investir com ele, fazer negócios com ele, e isso foi evoluindo, no momento, se eu não me engano, 2022, 2023, e depois a gente passa a desfazer alguns negócios, que é naquele momento que eu peço para parar de fazer pela Super, e aí ele começa a desenvolver a Moriah, ele já não presta mais serviço lá para o banco, então ele não foi uma relação, começou na data tal e encerrou na data tal, ela foi crescendo e eu não tenho precisão de quando que iniciou cada um dos nossos temas.

Albert Paulo: No contrato constam o nome do Sr. Paulo Sérgio Neves e também o nome do irmão dele, Luiz Roberto Neves Souza. O Sr. Paulo Sérgio chegou a falar, a fazer referência ao irmão dele constar no contrato, enfim, de serem proprietários dos dois imóveis que estavam sendo vendidos. O Sr. chegou a falar com o Sr. Paulo Sérgio sobre isso?

Daniel Vorcaro: Que eu me recorte, não. Eu não me lembrava.

Albert Paulo: Consta também no contrato a Sra. Lavínia Vieira Costa Monteiro, esposa de Paulo Sérgio Neves. Esses detalhes, o senhor chegou a falar com o Paulo Sérgio?

Daniel Vorcaro: Não, na verdade, eu nem cheguei a conhecer a senhora Lavigne, nem o irmão dele, então não tinha muita informação sobre isso.

Albert Paulo: Perfeito. Consta na investigação uma mensagem em que o senhor fala com o senhor Paulo Sérgio a respeito de uma viagem que ele fez à Disney. Acho que o senhor deve se recordar disso.

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Daniel Vorcaro: Sim.

Albert Paulo: Recentemente foi ouvido nesse inquérito o senhor Léo Serrano e o senhor Léo Serrano confirmou que prestou um serviço de concierge ao senhor Paulo Sérgio Neves e que esse serviço foi pago pelo senhor. O senhor confirma isso?

Daniel Vorcaro: Na realidade, delegado, é importante mencionar como que eu, era a minha postura e isso inclusive não somente nesse caso específico, acho que vai ter outros inquéritos que eu vou poder revelar isso. Eu fui construindo ao longo desses anos uma estrutura institucional de marketing dentro do banco e uma estrutura própria minha, que eu tinha concierge, pessoas que trabalhavam para mim. Essa questão da Adiz é uma questão que é muito importante para mim, porque é um dos locais que eu tinha uma estrutura em que eu mandei dezenas de pessoas, eu tinha uma estrutura para furar filas, para poder ter uma experiência um pouco melhor nos parques lá da Disney. Isso já existia, como eu ia várias vezes, foi um dos meus primeiros empregos, foi de ser guia turístico, quando eu tinha 15 anos de idade, então eu acabei desenvolvendo Só um minuto, eu vou

Albert Paulo: pedir pra gente interromper pra fazer aquela primeira interrupção que nós chegamos já no limite do tempo. O senhor vai continuar exatamente nesse ponto, ok?

Daniel Vorcaro:
Eu posso ir no banheiro um segundo?

Albert Paulo: Fique à vontade. Doutor, eu vou pedir pro senhor chamar a pessoa que tá responsável aí, que aí ele vai acionar o novo link, ok? Isso.

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Daniel Vorcaro:
Enquanto ele aciona o vídeo eu vou no banheiro.

Sergio Rodrigues Leonardo: Doutor Albert, o senhor vai enviar novo link pra gente por meio também?

Albert Paulo: Também, pra todo mundo.

Albert Paulo: Audiência do Sr. Daniel Bueno Vorcaro, inquérito 2026-0053-200, segunda parte, às 11h55 do dia 28 de outubro de 2026. Seu Valcaro, antes da primeira interrupção, o senhor falava sobre a sua rede de marketing com serviços de concierge. Eu havia perguntado sobre se o senhor prestou esse serviço ao seu Paulo Sérgio Neves, numa viagem aos Estados Unidos. Fique à vontade para continuar.

Daniel Vorcaro: Ok. Então, como... Eu penso que está bem indo.

Albert Paulo:
Estou ouvindo, sim.

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Daniel Vorcaro: Então, como eu estava mencionando, eu tinha uma estrutura institucional de marketing, E entre esses serviços, eu tinha concierges nos Estados Unidos, especificamente na Disney, para essa questão de apoio local, assim como eu tinha na Europa. Isso oferecia para dezenas de pessoas, que era uma coisa que estava dentro já de um custo e de uma estrutura que a gente arcava anualmente. Eu até vi o depoimento que o delegado mencionou ali do senhor Leonardo Junquete, e efetivamente existia um pagamento que era feito para esse tipo de serviço, mas era um pagamento que a gente fazia e que eu enviava a diversas pessoas. Em uma determinada reunião, o Sr. Paulo Sérgio menciona que ele já iria fazer, já tinha programado uma viagem com a sua família para a Disney, e aí eu disse, olha, eu tenho um serviço lá de consciência que é interessante para eu pedir para te procurar. Então, obviamente, ali foi um agrado dentro de uma estrutura que eu já possuía ali para dezenas de pessoas.

Albert Paulo: Ele ressarciu? Ele pagou para o serviço ou não?

Daniel Vorcaro: Eu não me recordo, delegado, acredito que não, porque ofereci como um agrado, até porque não era um valor específico, se eu não me engano, para utilização. Era um serviço que eu tinha que oferecer para muitas pessoas mesmo, amigos, amigos de amigos. Eu oferecia isso porque era uma coisa interessante, inclusive com a família e com os filhos, de se poder fazer.

Albert Paulo: Qual é o valor? O Sr. João Kéti citou um valor, mas eu pergunto para o senhor, qual é o valor que se paga para o serviço, para a quantidade de pessoas e para o serviço exatamente que foi prestado para o Sr. Paulo Sérgio?

Daniel Vorcaro: Então, delegado, eu tinha uma estrutura de marketing, no último ano, por exemplo, eu tinha gastado quase 500 milhões de marketing ao todo, incluindo banco e fora do banco. Então, eram valores muito altos, dada a relevância que o banco foi tomando. Então, especificamente nesse caso, eu nem sei o valor, não tinha como mencionar, até porque era um valor, por mais que sejam valores elevados, quando saem para o mercado em geral, dentro do contexto do Banco Master, era um valor irrisório e irrelevante. Na verdade, ele foi um agrado dentro de uma viagem que ele já iria fazer.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor ofereceu algum serviço de concierge ao seu Belline Santana em viagem à Europa?

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Daniel Vorcaro: No mesmo contexto, ele mencionou que estava fazendo uma viagem com a esposa, se não me engano, ou com a família, não me lembro. E eu também tenho um concierge lá que sempre me atende, atende pessoas, amigos que vão para lá. Como eu disse, era uma estrutura que eu já possuía e que não seria nada adicional e nada demais para me oferecer. Eu ofereci, mas eu acredito que ele nem utilizou, porque eu pedi para procurá-lo e ele, não sei por qual motivo, acabou não utilizando.

Albert Paulo: No caso do Sr. Paulo Sérgio, o concierge foi utilizado, correto?

Daniel Vorcaro: Acredito que sim. Acredito que sim. Como eu disse, por mais relevante individualmente que seja essa questão, dentro do meu contexto, de todas as iniciativas institucionais de marketing, não era relevante. Então, não acompanhei no detalhe. Acredito que tenha usado. Eu vi inclusive pelos autos.

Albert Paulo: Ok. Eu vou abrir para o senhor agora uma série de mensagens dentro desse contexto das assessorias e das orientações que o Sr. Paulo Sérgio Sobeli de Santana prestou ao senhor durante esse período, tá certo? Como são muitos slides, talvez eu fique algum tempo sem aparecer a minha imagem, eu vou passando os slides e vou lhe fazendo algumas perguntas. Nesse primeiro slide aqui, o senhor fala sobre o Fundo Garantidor de Crédito, enfim, qual o contexto desse diálogo aqui? Nós estamos aqui em outubro de 2023. Operação Crédito Mais, o que é que o senhor estava... O que o senhor demandou para o Sr. Paulo Sérgio que ele está lhe respondendo com aspectos técnicos e orientações?

Daniel Vorcaro: Na verdade, pelo que eu me recordo, isso aí não era um pedido meu. Como eu disse, era natural dentro do Banco Central que houvesse uma ponte de interação entre as instituições financeiras até para encontrar soluções menos gravosas. Nesse caso, se eu não me engano, era alguma empresa financeira que estava com algum tipo e que estavam sendo vendidas e que o Paulo Sérgio, assim como fez com outras instituições, estava passando informações para ver se não tinha interesse ali, se não havia sinergia para que pudesse ser absorvido. Pelo que eu me lembro, é isso.

Albert Paulo: Quais foram as pautas mais importantes para o senhor, para o senhor Paulo Sérgio e para o senhor Bellini nessa reta aí de 2024 a 2025? O senhor tentava com eles, de alguma forma, evitar ou postergar a liquidação do banco?

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Daniel Vorcaro: Com certeza, esse era o meu principal objetivo, não somente com eles, como com todo o Banco Central, em todas as iniciativas, em todas as conversas com demais membros do Banco Central. Na verdade, não postergar a liquidação. Eu acabei fazendo uma inferência em cima da sua pergunta, mas, na realidade, ali não existia um motivo inicial que pudesse ensejar a liquidação do banco. Na verdade, existiu uma série de mudanças de normas do Banco Central, que o Banco Central sabia que ia afetar a operação do Banco Master, sabia que ia criar um problema para bancos do porte onde tinha o plano de negócio que o Banco Master tinha. Então, a todo momento, eu tentava, perante todo o Banco Central, construir caminhos que evitassem que a situação se deteriorasse.

Albert Paulo: O senhor entende que a atuação deles, as orientações que eles lhe deram nesses diálogos, de alguma forma lhe ajudou nesse sentido?

Daniel Vorcaro: De forma alguma. Acho que a atuação deles ali é uma atuação institucional, que eles fazem, como eu disse, com várias outras instituições, dentro de uma normativa do Banco Central, de encontrar a solução de menor custo. Dentro de uma normativa do Banco Central e dentro de um zelo, inclusive, profissional deles, de tentar encontrar uma solução que se adequasse ao mercado e não criasse um prejuízo no mercado.

Albert Paulo: Bom, eu vou compartilhar alguns diálogos com o senhor, são diálogos que constam na informação e que vão se repetir nesse sentido de orientações e consultas, mas que é relevante a gente questionar alguns pontos aqui em cada um deles. Nesse caso aqui, tem uma série de orientações por parte do seu Paulo Sérgio, antecipando que vai ter uma reunião com o presidente, falando sobre a questão da cobertura do FGC. Enfim, qual foi a sua pauta com o pessoal do Banco Central, com o Paulo Sérgio e com o Belline Santana a respeito do FGC? O senhor estava tentando alguma linha de crédito para aumentar a liquidez do banco? O que o senhor tratava sobre o FGC com os dois servidores?

Daniel Vorcaro: Na verdade, não somente com eles, mas com demais membros do Banco Central, e isso que eu vou mencionar, delegado, ele é amplamente conhecido dentro do Banco Central e acho que alguns membros vão reconhecer e com o tempo a verdade vai aparecer. O que aconteceu ao longo do tempo é que houve uma pressão mercadológica gigantesca dos grandes bancos contra o Banco Master. Esses bancos são bancos que possuem a preponderância no FGC. O FGC, que era o modelo de FGC, acho que o delegado deve conhecer, existe no mundo inteiro de um fundo garantidor, esse fundo garantidor serve para propiciar concorrência, ou seja, para que não haja cartel ou oligopólios bancários, como existe no Brasil, E o papel do FGC é propiciar a bancos menores, médios e pequenos, a chance de conseguir ir ao mercado e conseguir receber investimento de investidores diversos e poder seguir seu plano de negócio. Então, ao longo do tempo, só contextualizando a sua pergunta, ao longo do tempo do Banco Master, desde 2021, 2022 e 2023, começou a existir essa pressão, as regras passavam a ser mudadas ao longo do tempo criou-se uma multa, depois criou-se uma nova multa, depois restringiu a utilização do FGC, e isso tudo foi criando um ambiente de pressão de liquidez no Banco Master. Essa história ainda vou contar com um pouco mais de detalhes, mas fazendo essa contextualização e indo para as mensagens, ali naquele contexto, o Banco Master estava em processo de fusão ali, um processo com o BRB, que já também é amplamente conhecido, Naquele momento o banco sofreu um ataque midiático maciço e um ataque concorrencial em que se fecharam os canais de distribuição por completo do banco, ou seja, criou-se um cenário que o Banco Central chama de condição adversa, que isso é uma predisposição que está na normativa do Banco Central, inclusive do próprio FGC, que são cenários que são atípicos de ataques à instituição financeira. Isso tinha sido verificado naquele momento quando a gente anuncia o negócio com o BRB, como fechou todos os canais de distribuição do banco, dentro do regulamento do FGC, existe uma prerrogativa, assim como dentro da fiscalização, de que se deve buscar sempre uma solução de menor custo, ou seja, é dever do FGC num cenário desse, de condição diversa, prestar, aliás, o FGC para o qual o Banco Master contribuiu ao longo dos anos, o FGC, e acho que essa percepção para a população e para todos que estão envolvidos nesse caso é que precisa mudar. O FGC não é um órgão público, ele não é dinheiro público, ele é dinheiro dos bancos que pagam e contribuem mensalmente todos os que utilizam de acordo com a sua utilização e proporcional à sua utilização, é um dinheiro reserva e de seguro dos bancos para situações exatamente como aquela que o Banco Massa estava vivendo. Então, naquele momento, naquela situação diversa, existiu esse dispositivo de situação diversa que fazia com que o FGC precisasse colocar uma linha para que se superasse esse momento. E isso sempre é feito em conjunto com o Banco Central. Então, naquele momento, aquela mensagem estava sendo feita exclusivamente desse tema.

Albert Paulo: Ok. Seguindo as mensagens. São diversas discussões aqui sobre o FGC, S1, acho que essa tela aqui eu já mostrei. Na parte específica aqui o senhor fala sobre o crédito sexta, Vojta, no período dessa mensagem aqui, o Vojta fazia parte do Grupo Master?

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Daniel Vorcaro: Qual data é isso?

Albert Paulo: Nós estamos em dezembro de 2023.

Daniel Vorcaro:
Acredito que sim. Acredito que estava em processo de... Acho que eu tinha recém-adquirido e aí eu estava em processo de reestruturação.

Albert Paulo: São mensagens que, pelo menos para quem não participa do ambiente bancário, parecem muito mais de um gerente, um CEO do banco do que propriamente de um fiscal. Esse tipo de mensagem é normal no ambiente bancário, Sr. Vorcaro?

Daniel Vorcaro: Delegado, eu entendo bem a dúvida, eu acho que ela é extremamente pertinente e é muito importante a gente esclarecer isso, porque a fiscalização do Banco Central, por normativa, a postura é diferente de um auditor. Ele não é um auditor que está vendo ali se eu fiz certo ou não. A fiscalização do Banco Central, ela tem que, por normativa, e isso ela faz com vários bancos, criar soluções e evitar que se encontre uma solução mais gravosa. Então, essas mensagens, elas são naturais, não só comigo, como elas acontecem com outros bancos. O Banco Central, ele atua com outros bancos, eu já vi isso acontecer no próprio Voiter, por exemplo, no próprio Máxima, quando eu entrei. No Máxima quando eu entrei, o Banco Central estava próximo ali do banco para para achar uma solução que naquela época, por exemplo, não fui eu. O Voiter, por exemplo, o Banco Central estava próximo do controlador da direção e tratando, ajudando ele a traçar estratégias para que pudesse se achar a solução, que no caso, o Banco Máster foi adquirido. Então, as mensagens, elas são naturais dentro do... Eu sei que quem está de fora, às vezes, pode ter a impressão que isso não ocorre, mas é algo natural, e o Banco Central atua com diligência sobre isso. Inclusive, a área técnica do Banco Central, E é muito importante dizer isso, eu me deparei com diversas pessoas, é uma área técnica reconhecida mundialmente, e justamente pela postura pró-ativa de poder achar seu mercado.

Albert Paulo: Perfeito. Nós tivemos um pequeno ruído aí na internet, mas eu acho que foi suficiente para compreender o que o senhor estava falando, não prejudicou o conteúdo. Tá certo? Seguem as mensagens, então eu tenho uma série de mensagens. Eu vou compartilhar para o senhor aqui um fluxograma que o senhor encaminhou para o Paulo Sérgio Neves de Souza. São três fluxogramas. Isso daqui o senhor compartilhou com ele para ele avaliar e fazer algum ajuste. Com que propósito que o senhor compartilhou isso aqui e em que consiste esse fluxograma?

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Daniel Vorcaro: Na realidade, eu sempre tive o cuidado de tratar com o Banco Central todo o movimento antes de ser feito, para que evitasse depois eu sofrer alguma sanção ou algum puxão de orelha, falando de modo coloquial, de alguma reestruturação que havia sido feita. Então, todos os negócios que foram feitos pelo Banco Master ao longo do tempo foram compartilhados antes com o Banco Central. Isso é uma prática que acho que todo banco faz, mas eu fazia de maneira mais ostensiva e mais detalhada, porque como eu estava sob escrutínio, sob ataque, então eu sempre gostei de passar, isso era uma iniciativa minha, de passar para entender se era um caminho que o Banco Central acreditava que fosse pertinente. Inclusive foi feito isso com o próprio negócio com o BRB.

Albert Paulo: Perfeito, ok. Nós vamos seguir aqui nos diálogos. Nessa próxima tela, o senhor trata com o senhor Paulo Sérgio Neves sobre o interesse de negociar o Let's Bank. O senhor Paulo Sérgio chegou a intermediar compra e venda, negociação de instituições financeiras com o senhor, chegou a fazer esse papel de fazer contato do senhor com outras pessoas que tivessem interesse, seja de comprar, seja de vender instituições financeiras, além do Let's Bank?

Daniel Vorcaro: Sim, na verdade, isso, como eu disse, é natural. Nesse caso específico, foi o Nubank, naquela ocasião, que precisava de uma instituição financeira, de um banco, porque ele era uma fintech, e mudou-se a regulação também, que foi uma outra mudança também que foi feita nesses últimos anos para despreviligiar a concorrência bancária, que foi a mudança estrutural que aconteceu em que várias dessas fintechs tiveram que se tornar bancos, e o Nubank precisava de uma licença bancária, e existia essa licença bancária que a gente provavelmente iria vender, que era do Let's Bank, então o próprio Banco Central, eu não sei se foi diretamente pelo Paulo Sérgio na época, em conversas para solucionar o problema do Nubank, não era nem o do Banco Master, acabou indicando essa situação, e depois essa conversa segue no ritmo natural desse tema.

Albert Paulo: Perfeito. Em algumas oportunidades, Sr. Vorcaro, o senhor encaminha para o Sr. Paulo Sérgio minutas de ofícios para revisão e chama a atenção que alguns dos ofícios que o senhor encaminha minuta tem como destinatário o próprio Belline Santana e Paulo Sérgio Neves. Esse é um exemplo, nós estamos aqui em novembro de 2024, o senhor encaminha para ele um anexo que é uma minuta de um ofício ao Banco Central direcionado justamente a Belline Santana e Paulo Sérgio, e para ele fazer uma revisão. E ele faz a revisão e diz que está ótimo. Isso era frequente, era comum na sua relação com os dois? Travou aqui o áudio. Eu vou pedir para o colega gerar um novo link. para a gente reiniciar... Para travar o

Sergio Rodrigues Leonardo: de uma imagem, né?

Albert Paulo: Nós vamos interromper, nesse momento, para o colega gerar um novo link, para ver se a gente, dessa forma, corrige o problema de... Vamos tentar, pode responder.

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Daniel Vorcaro: Tá bom. Então, como eu disse, é extremamente natural, ocorreu isso, assim como eu fazia com outros departamentos do Banco Central. Então, por exemplo, quando eu ia fazer um aumento de capital, eu ia fazer alguma coisa relativa à organização financeira, eu chamava o departamento, que tinha pessoas, assim como ali na fiscalização, com as quais eu me relacionava, também por WhatsApp, também dessa mesma forma, e eu mandava antes as minutas que a gente iria mandar para ver se havia algum ponto que o Banco Central entendia que não fosse pertinente, para evitar com que esse processo entrasse na burocracia e depois fosse retornado, e assim perdendo tempo de todos. Então, isso é uma prática mais do que normal, e não foi somente com o Berlim, isso é fácil de ser comprovado, eu fiz isso com todas as áreas do Banco Central, de um modo ativo e zeloso para que eu fizesse as coisas da melhor maneira possível.

Sergio Rodrigues Leonardo: Perfeito.

Albert Paulo: Temos um print aqui em que o senhor fala dessa vez com o senhor Belen Santana, estamos aqui em novembro de 2024, sobre a CVM. Qual foi o tema que o senhor tratou sobre o Belen Santana a respeito da CVM, em novembro de 2024?

Daniel Vorcaro:
Isso também, delegado, é algo comum, como o banco era regulado pelo Banco Central. e não era regulado pela CVM, porque o banco não tinha capital aberto, a CVM, só que o banco possuía posições em empresas de capital aberto, em fundos de investimentos que são regulados pela CVM, então existia sempre essa interação da CVM com o Banco Central para compartilhamento de informações. Então, parte dessas ativas que eram era saber também o Banco Central, ter conhecimento das demandas que estavam sendo tratadas com a CVN. Apesar do banco, como eu disse, não ser regulado, o Banco Central sempre teve e quis ter conhecimento amplo e holístico de tudo o que estava acontecendo. Então eu sempre informava e também pegava informações sobre esse tema dentro de uma tratativa oral. Solucionou o problema?

Albert Paulo: Está um pouco melhor, mas nós vamos reinicializar. Eu vou fazer o seguinte, eu vou pedir para... Eu vou encerrar essa parte da audiência e vou pedir para o doutor, por gentileza, se o senhor puder chamar aí o... o servidor aí da unidade prisional, que eu vou pedir pra ele reinicializar o computador e a gente vai gerar um link pra uma terceira parte depois de rodar o computador de novo, que eu acho que pode ser que melhore, ok? Se o senhor puder chamar o servidor aí, eu já dou essa orientação pra ele.

Daniel Vorcaro: Só pra saber, tá acontecendo só no meu áudio aqui, só comigo?

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Albert Paulo: É só no seu, é só no seu.

Thiago Machado: O colega já foi chamar lá.

Albert Paulo: Ok, obrigado. Eu vou encerrar essa... Essa terceira parte vai interromper a gravação, vou manter o áudio aberto e o vídeo somente para dar essa orientação para o servidor. Inquérito número 2026-0053-200, oitiva do Sr. Daniel Bueno Vorcaro, terceira parte, registrando que a segunda parte teve que ser encerrada antes do momento em razão de problemas no fluxo de dados da internet da unidade prisional. Sr. Vorcaro, nós falávamos sobre todas as mensagens de orientações e consultorias que tanto o Soberano de Santana como o Sr. Paulo Sérgio prestavam ao senhor nesse período, o senhor corrobora aqui isso no ambiente de normalidade, correto?

Daniel Vorcaro: Sim, delegado. É importante, inclusive, frisar... Aí eu vou

Albert Paulo: pedir pro senhor falar um pouquinho mais perto do... Isso.

Daniel Vorcaro: Melhorou?

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Albert Paulo: Melhorou.

Daniel Vorcaro: Sim, é natural e normal, inclusive, com outras instituições, como eu disse, e isso tem uma razão. Existe essa normativa no Banco Central, por quê? As instituições financeiras são o motor da economia e elas são feitas baseadas em confiança, em uma série de quesitos, e as instituições financeiras interligam todo o mercado. Então, é importante frisar isso, por que o Banco Central atua de modo proativo para evitar que uma instituição vá para liquidação? que é diferente de uma empresa normal. Quando uma instituição financeira vai para uma liquidação, se afeta diversas empresas, outras instituições financeiras, ou seja, há um efeito nocivo muito grande no mercado, mesmo quando é uma instituição financeira pequena. Então, essa atuação do Banco Central existe com instituições de todos os tamanhos, justamente para preservação do mercado como um todo.

Albert Paulo: Nessa interlocução que o senhor tinha com o Sr. Belline e com o Sr. Paulo Sérgio, como técnicos experientes do Banco Central. Eles chegaram a compartilhar com o senhor qual a opinião deles, técnico, no sentido de qual seria a solução mais adequada para o Banco Master, falando aqui no início de 2025, se eles tinham a opinião de que o mais adequado era antecipar uma liquidação ou era tentar uma solução de mercado, por exemplo, com o BRB. Qual era a opinião deles a respeito disso, falando como técnicos?

Daniel Vorcaro: Sim, é verdade, isso era natural essa discussão, e como eu disse, a opção de liquidação é a última, ela é quando não há mais solução. Enquanto há alguma solução, sempre se busca alguma solução viável. E naquele momento ali, no início de 25, era extremamente viável a fusão entre o Banco Master e o BRB, e isso é provado não somente por falas dele, o Banco Central fez laudos disso e fez notas técnicas e detalhamento sobre isso, explicando os motivos que aquela interação seria benéfica para o mercado, que a análise do Banco Central nunca é individual, é solucionar o problema individual de uma instituição, mas criar algo que seja benéfico para o mercado, e existia sim essa situação no caso da fusão do BRB com o Master.

Albert Paulo: O que o Sr. Paulo Sérgio, buscou essa solução BRB, Banco Master, até o final, ou ele já tinha uma ideia de que o ideal seria ter sido liquidar o Banco Master antes? O que é que ele compartilharam com o senhor sobre o entendimento dele da situação?

Daniel Vorcaro: Delegado, eu não sei qual era o pensamento dele, eu sei qual era a postura do Banco Central como um todo, não somente do Paulo Sérgio, como do diretor Ailton, como do próprio presidente Galípolo, a todo momento era uma postura de concordância e incentivo à conclusão da fusão. E depois que a gente faz o pedido e o pleito ali, todas as reuniões que a gente participou sempre eram no sentido de organizar, de solucionar alguns pontos do pleito para que pudesse ser aprovado. Até o final, a gente acreditava que seria aprovado.

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Albert Paulo: Em que momento o senhor percebeu que a liquidação do Banco Master passou a ser o caminho mais provável?

Daniel Vorcaro: Eu percebi quando eu estava atrás das grades no dia 17 de novembro de 2025, porque naquele dia de manhã eu anunciei ao Banco Central a venda do banco a investidores, pouco mais de Quase dois meses antes havia sido feita a negativa da fusão com o BRB. Quando acontece essa negativa, eu busco outras soluções, eu viajo ali por diversas vezes, por três ou quatro vezes para os Emirados Árabes em busca de investidores para conseguir uma outra solução que fosse privada, que não fosse o BRB, que não gerasse toda a tensão midiática que gerou o tema BRB. e eu consigo essa solução, eu apresento um plano para o Banco Central antes, quando existe alguma situação, como aconteceu com o Banco Masters, uma situação diversa, existe também uma normativa e um protocolo no Banco Central. Você faz um plano e você tem 180 dias para regularizar. Logo quando é negado o termo do BRB e dado a situação diversa que toda aquela situação tinha sido imposta ao banco, eu faço esse plano, protocolo, plano, assim como manda a norma, colocando dentro do prazo de 180 dias o que iria acontecer, isso é normal, isso está dentro da normativa, e em menos de dois meses eu consigo essa solução, que era uma solução que ensejaria um investimento maciço no mercado brasileiro, eu estava vendendo em três blocos a instituição e eu tratei isso, nesses um mês e meio de maneira muito sigilosa, muito sigilosa. Dado que todo o negócio com o BRB, no meu entendimento, a negativa e o próprio problema que foi gerado foi em função do ataque midiático, então tratei de maneira sigilosa. E naquele dia, no dia 17 de novembro, eu aviso pela manhã o Banco Central que eu arrumei uma solução, que eu já estava protocolando o primeiro contrato, que eu viajaria à noite para que no dia seguinte, nos próximos dois dias, eu apresentasse os outros dois contratos com a solução completa de venda do Banco Master, e aí, surpreendentemente, naquele dia, e hoje, mais ainda, delegado, por isso eu digo que eu tenho passado por um terror, eu tenho passado por algo desumano, mas eu tenho ainda a esperança e a confiança que a verdade um dia vai aparecer. Houveram erros no desenrolar do tema do Banco Master? Houveram. Houveram diversos erros, inclusive eu estava disposto a abrir de maneira ampla eles dentro de um processo de colaboração que eu pretendia fazer e que acabou não sendo aceito. pela Casa da Polícia Federal. Mas essa questão específica do Banco BRB, essa questão específica da liquidação, ela precisa ser esclarecida, a verdade vai aparecer. Então, nesse dia que o delegado perguntou, eu faço esse aviso, eu arrumo a solução e, surpreendentemente, agora, lendo os autos, fica mais claro para mim o que aconteceu. Depois da minha reunião, acontece uma reunião ali no Banco Central, em que aí sim é determinada a liquidação. um processo que tinha sido aberto há muito tempo atrás, ou seja, nem havia sido mexido recentemente no processo administrativo, e hoje tudo é eletrônico, é fácil de rastrear, aquele processo acaba tendo um desfecho rápido e inusitado ali naquela tarde, em conjunto com a decretação da minha prisão ali. E ali naquele momento que eu descobri, no momento que fui preso, que a minha solução não seria nem apreciada e que o banco seria liquidado.

Albert Paulo: Perfeito. Em algum momento houve uma mudança de orientações ou de coordenação do Belline Santana e do Paulo Sérgio, no sentido de que não seria mais viável a solução com o BRB, ou eles trabalharam com o senhor na hipótese dessa solução com o BRB até o último momento?

Daniel Vorcaro: O delegado não me recorda especificamente do posicionamento individual deles. Eu me recordo porque, naquele momento, a tratativa ali do tema BRB, ela saiu da esfera Belin e Paulo. Então, no tema BRB, ele passou a ser tratado diretamente com a diretoria, com a Hilton, com o Galípolo, com o presidente, com o diretor ali que era o Renato Gomes, que foi uma peça fundamental e chave nesse processo do BRB. Então, eu não tinha uma tratativa direta sobre isso. Eles faziam análises, então, ocasionalmente a gente conversava e eu também reportava a eles, porque era importante a fiscalização estar bem alinhada e sabendo o que estava acontecendo. Mas as tratativas, elas não se davam só com a ideia de em qual momento eles achavam que um deles, ou se algum deles, achou que não seria viável. Mas, inicial garanto, quase eu entendia que era uma promoção para o Wacom Master, quando a gente fez o Play.

Albert Paulo: Perfeito. Se tiver alguma interferência aqui, já retomo o depoimento, Sr. Vorcaro.

Daniel Vorcaro: Ok.

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Albert Paulo: O senhor está ouvindo esse barulho ou é só aqui?

Daniel Vorcaro: Eu não tô ouvindo não, tá perfeito o seu áudio.

Sergio Rodrigues Leonardo: Eu também não tô ouvindo nenhum barulho, o áudio tá perfeito.

Albert Paulo: Ok, então vamos continuar.

Daniel Leon:
Aqui também.

Albert Paulo: Perfeito, então vamos continuar... O senhor falava que esse problema escalou para um nível acima no Banco Central, então eu vou refazer a pergunta. As pessoas com quem o senhor tratou, a partir desse momento, no escalão superior, a hipótese da solução envolvendo o BRB foi tratada como viável até o último momento?

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Daniel Vorcaro: O último momento, inclusive a negativa, foi uma grande surpresa para mim, delegado, porque ao longo de... seis meses, e é importante citar isso de novo, como eu disse no início. Instituições financeiras são muito sensíveis a questões midiáticas, são muito sensíveis à problemas externos, por isso existe legislação específica sobre isso. Inclusive existe uma legislação criminal para quem atacar publicamente uma instituição financeira, porque um simples ataque midiático pode eclodir numa crise, pode eclodir num problema irreversível. Então, quando duas instituições financeiras fazem uma transação, e isso não é só no Brasil, é no mundo inteiro, geralmente a decisão é muito rápida, para que se evite um tempo de desgaste imediático e de sangramento, vamos dizer assim, ao longo do processo. Então, se você pegar grandes bancos que fizeram fusões no mundo inteiro, geralmente é da sexta-feira para segunda-feira. É um processo rápido. Por quê? Porque ambas as instituições já são conhecidas pela pela autarquia, pelo regulador, que já tem amplo conhecimento, então a junção tende a ser mais fácil a análise do que a entrada de um participante. Ali são duas situações que já são conhecidas, então a expectativa nossa no início era que isso acontecesse com rapidez, mas ao longo do tempo, e eu acredito também muito em função de pressões midiáticas, o negócio passou a ser modificado, ou seja, houveram diversas requisições do Banco Central para que fosse modificado o modelo original que foi apresentado e todas as mudanças que foram pedidas, elas foram sendo implementadas ao longo do tempo. E aí eu posso dar diversos exemplos e isso está tudo documentado. Por exemplo, inicialmente eu participaria do Conselho das duas instituições. O Banco Central solicitou que isso fosse modificado, então a gente mudou o pleito e eu saí do Conselho. Existia um rol de ativos que o Banco Central entendia que não seria benéfico para a instituição do BRB. A gente modificou isso, então a gente foi modificando tudo que foi pedido ao longo do tempo, ou seja, não existia em nenhum momento, não existiu no meu entendimento e da nossa parte, a visão de que o negócio não seria aprovado. Inclusive, o próprio negócio que está em outro inquérito, que é a questão das carteiras que foram vendidas ao BRB, era um dos itens também que precisavam ser solucionados, que foi solucionado ao longo do processo. Então não existiu, até o dia da reprovação, que foi dia 3 de setembro, nenhum indício, apesar de diversas, quando eu digo isso, nenhum indício real, porque existia notícias, muitas vezes falas, fofocas, mas na prática, como a gente estava executando tudo que o Banco Central estava solicitando, a gente acreditava que seria aprovado.

Albert Paulo: O senhor falou sobre a questão das carteiras de crédito. O senhor falou que a reprovação da questão das carteiras de crédito foi quando, em setembro?

Daniel Vorcaro: Não, a reprovação da fusão.

Albert Paulo: Da fusão, tá.

Daniel Vorcaro: Da fusão incertiga, você tem.

Albert Paulo: Perfeito. Sobre o Ministério Público, recebeu do Banco Central duas comunicações de crime, basicamente. Talvez haja outras, mas as duas principais que instruem esses inquéritos da Compliance Zero são referentes às carteiras de crédito, principalmente da TIRRENO e CARTOS. E a outra comunicação é sobre o caso dos fundos REAG, do BESC e do Fundo Bravo. O senhor conhece, imagino que o senhor conheça essas duas situações. Nos dois casos, nas duas fiscalizações, nas duas auditorias, trabalharam o senhor Paulo Sérgio Neves e o senhor Galindo Santana. Em algum momento, eles falaram para o senhor, demandaram documentos do senhor para fazer a instrução desse trabalho de apuração?

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Daniel Vorcaro: Sim, na verdade, como eu disse, era um trabalho natural do Banco Central, O Banco Central tinha uma atuação quase que diária no Banco Master e, ao final, isso se intensificou. Então, eles atuaram bem como outros servidores também atuaram diretamente quando havia alguma dúvida ou quando havia algum ponto que precisava ser modificado ou qualquer questão precisasse ser solucionada. Parte do roteiro da fiscalização, como eu disse, como acontecia com o Master e outros bancos, existia essa interação e existiu sobre esses dois temas.

Albert Paulo: Perfeito. Na primeira audiência que o senhor prestou ainda no Supremo Tribunal Federal com a doutora Janaína, o senhor chegou a falar que... Me corrija se não estiver correto. O senhor chegou a falar que não havia falsidade nas carteiras de crédito que foram apresentadas, principalmente pelo máximo, pela Cartos e pela Tirreno. O senhor hoje, conhecendo toda a documentação, o senhor compreende e tem conhecimento de que essas carteiras foram fraudadas, a da Cartos e da Tirreno?

Daniel Vorcaro: Então, delegado, esse tema, ele é um tema complexo, que eu acho que a gente precisa, depois, eu não sei se o delegado quer que seja feito nesse fórum, porque eu tenho muito a contribuir e a falar sobre esse tema. E o que eu falei ali naquela ocasião, daquela oitiva ali, com a delegada Janaína, eu não modifico em nada a minha fala, porque eu relatei os fatos de como aconteceram. Como eu disse há pouco tempo atrás, ao longo do desenvolvimento do negócio do Banco Máster, com diversos negócios que a gente fazia, houveram erros ativos que a gente acabou encontrando que haviam problemas. Isso foi algo que aconteceu e eu estou disposto, inclusive, a relatar mais detalhadamente sobre esse caso. Mas o que eu volto a dizer e reiterar é que, independente de como tenha acontecido no início, foi uma situação que foi 100% solucionada ao longo do processo de fusão entre o Máster e o BRB. não só essa como outras, quando demandadas.

Albert Paulo: Quando o Sr. Paulo Sérgio falou sobre essa auditoria das carteiras da Cartos e da Tijena, ele falou que precisou de uma amostra dessas carteiras para fazer auditoria e demandou isso para o Sr. Augusto Lima. Nesse momento, o Sr. Augusto Lima ainda fazia parte da estrutura do Banco

Daniel Vorcaro: Na verdade, eu não sei, agora quando o delegado menciona isso, eu não sei qual a data específica, mas o Augusto Lima era sócio do banco, responsável por essa questão das carteiras de consignado, e num determinado momento ele saiu para fazer o banco pleno. Então, anteriormente a isso, ele cuidava dessa área e de toda a equipe. Então, eu não sei em qual momento foi esse.

Albert Paulo: Isso foi em meados de 2025. Foi aproximadamente em abril, maio de 2025. Seu Augusto Lima ainda estava na estrutura do Banco Basta?

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Daniel Vorcaro: Então, delegado, nesse momento, era um momento que a gente estava em transição. Quando o Banco, a gente apresentou o processo de escolha do PRB, a gente apresentou um processo de reorganização societária completa, que incluía a saída do Augusto Lima e a ida dele para o Banco Pleno. Então, nesse momento, estava em um momento de transição, que acho que, se eu não me engano, a aprovação do Banco Pleno foi em julho desse ano, esse mesmo ano de 2025, ou junho. Mas ele já estava já, porque não é algo que acontece do dia para a noite, então a gente já estava no processo de transição e de saída dele já há mais tempo.

Albert Paulo: O que se questiona é por que o Paulo Sérgio, quando precisou dessas carteiras da Cartos e da Tijena para fazer as editorias, não demandou essas carteiras ao senhor, ao invés de demandar ao Augusto Lima, já que ele já estava saindo do Banco Master. Na verdade, ele já tinha saído do

Daniel Vorcaro: Banco Master, Porque, sendo muito sincero, delegado, até esse tema da TIRRENO e até ter o problema efetivo que eu precisei adentrar, eu nunca tinha sequer visto algum documento de crédito consignado. Não era algo que eu tenha expertise ou experiência e que tenha atuado. E mesmo dentro do Banco Master, quando o Banco Master executava esse projeto, Quem tocava era o Augusto Lima, que tinha uma equipe que se importava diretamente a ele. Eu era e sou leigo nesse tema e passei a conhecer mais quando me demandaram e quando houve o problema que eu precisei adentrar um pouco e resolver. Então era legal que fosse direcionado ao Augusto Lima, porque, como eu disse, a saída dele não foi de uma hora para outra. O que a gente foi fazendo, obviamente, demorou a fusão do Banco BRB, então ficou um interregno ali de... de atuação até que se... no caso do Banco do Rio.

Albert Paulo: Perfeito. A internet deu uma piorada, mas nós vamos tentar continuar. Todas essas mensagens que eu vou passar para o senhor aqui são nesse mesmo contexto de orientações e de assessorias, enfim, que o... que o Sr. Paulo Sérgio, o Sr. Berenice Santana davam para o senhor no curso desse ano de 2024. Aqui nós já estamos em outubro de 2025. O senhor teve conhecimento, o senhor participou, enfim, teve conhecimento de um processo de due diligence que o Banco BTG fez no Banco Master em 2024?

Daniel Vorcaro:
Sim.

Albert Paulo: Segundo consta nos depoimentos, o BTG teria encontrado no Banco Master indícios de fraudes, isso nas palavras que foram citadas no depoimento, que inicialmente estimava R$ 132 bilhões, depois chegou a ser um valor entre R$ 8 bilhões e R$ 11 bilhões. O senhor teve conhecimento dessa conclusão do BTG depois desse processo de due diligence?

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Daniel Vorcaro: Eu fiquei surpreso e tive conhecimento pelos autos, delegado, porque Na época o BTG procurou o Banco Master para fazer parcerias, adquirir negócios inicialmente, então inicialmente havia o interesse de fazer a aquisição do projeto do crédito sexta e de outros artigos que o Banco Master tinha. Na verdade já tinha uma parceria de mais tempo, mas naquele momento ela se intensificou na intenção deles, até chegar numa intenção real de aquisição por completo do Banco Master. Foi quando me solicitaram fazer a auditoria, naquele momento a gente precisava, a gente já estava buscando uma solução de mercado, e eu de modo transparente, assim como compartilhava, e a gente compartilhava quase que diariamente com o Banco Central sobre todos os ativos do banco, a gente compartilhou com esse com esse concorrente, vamos dizer assim, todas as informações do banco que tinha pretensão de poder fazer aquisição do banco, que ia ajudar a solucionar o caso. E surpreendentemente, fiquei sabendo pelos autos, que sem me relatar, porque eles não me relataram isso, ao contrário, Eles chegaram a fazer propostas que tem bastante complexidade. Como eu disse, delegado, existe uma questão concorrencial inerente a esse caso, que ela precisa um dia ser entendida e revelada. Eu não acho que seja a hora e nem o fome, mas eu gostaria muito de ainda colocar isso, porque isso faz parte de tudo o que aconteceu. Isso é o cerne e o início de tudo o que aconteceu. Mas me surpreendeu bastante saber que o BTG, um concorrente, faz a diligência e vai ao Banco Central, posteriormente, dizer que havia fraude no banco. Isso aí foi uma atitude muito desleal, uma atitude que não é comum e não pode ser considerada normal, porque era um concorrente. O Banco Central é o auditor, é o fiscalizador. Então fiquei surpreso e fiquei sabendo pelos autos.

Albert Paulo: Segundo o senhor Paulo Sérgio, e também o Sr. Ailton e também o Sr Belen de Santana reportaram, ao final dessa reunião, a conclusão final é de que eles tinham alcançado um determinado valor de fraude e isso já convergia com auditorias que estavam sendo feitas com o Banco Central. O senhor tinha um contato frequente e habitual com Belen de Santana e com Paulo Sérgio. O que é que eles falavam sobre essas auditorias? Eles falaram alguma coisa, anteciparam alguma coisa para o senhor?

Daniel Vorcaro: Me surpreendi bastante, mas até entendo que pode que pode ser fruto de todo esse problema que todos estejam vivendo, mas também me surpreendi quando eu li nos depoimentos em que ambos ou um deles relata que tinham sido identificados fraudes. Quando nunca foi identificado fraude, havia sido identificado problemas de operações que foram solucionados ao longo do tempo, foram identificados, foram informados pelo Banco Central, muitas vezes até informalmente, porque quando se torna mais sério ou se tornava mais sério, comunicava por escrito, fazia uma notificação, que poderia inclusive culminar em medidas mais drásticas. Essas comunicações foram feitas, esses ativos foram corrigidos, ou pontos que deveriam ser explicados foram explicados. Isso, delegado, era fruto, e talvez essa fala de fraude era fruto de palavras de concorrentes, como essa que aconteceu no caso do BTG, que falavam para o delegado ter ideia. O Banco Central chegou a visitar clientes do Banco Master para poder identificar sobre operações coisas que nem é comum, mas instado e impulsionado por concorrentes que não foi só o BTG que iam até o banco para poder denegrir operações, denegrir os ativos do banco. O Banco Central fez uma atuação mais próximo para entender os ativos. Como eu disse, o Banco Master era perfeito? Não. Dizem que eu tenho um problema? Sim. Só que todas as comunicações que o Banco Central fez a respeito disso, todas foram solucionadas. E até o dia da liquidação, que era o mais surpreendente, não havia um processo administrativo falando de qualquer fraude sobre qualquer coisa. E isso é a coisa mais relevante desse caso. Porque o Banco Central normal, quando identifica algum problema, ele manda solucionar, ele tenta entender, como aconteceu nesses outros casos ali, e quando ele identifica que o problema não foi solucionado, ou existe algum indício de fraude, ele instala um processo administrativo. Isso não foi feito em nenhum desses dois casos. E a comunicação do Ministério Público da questão do BRB, ela é feita no âmbito da negativa da fusão do BRB, e depois eu quero muito ter a oportunidade de falar sobre os motivos e como isso foi feito, E a questão da régua foi feita por prisão, porque aí eu já era um cachorro morto. Aí era fácil falar que tinha fraude feito diversas vezes, não só na central. Só me lembrar que essas operações, que eu vou ter o prazer de explicar uma por uma, elas tinham auditoria da KPMG, eu tinha nota de grau de investimento da FIT, então não é possível que a realidade e os fatos sejam... conforme está sendo exposto pela mídia. Não existiam fraudes, existiam problemas que foram solucionados.

Albert Paulo: Só fazendo uma observação ao que o senhor falou, havia a comunicação do Banco Central ao Ministério Público sobre o caso das carteiras da Carta Cidade de Renda com indicativos de fraude, o que consta na representação, detalhe indicativos de fraude, e isso de julho de 2025. O senhor teve acesso aos documentos?

Daniel Vorcaro: Eu tive acesso posteriormente. Quando o banco foi liquidado, eu fui preso. Por isso eu digo que depois eu quero ter a oportunidade de explicar o detalhe disso, porque também surpreendentemente a fraude foi indicada sem processo. Eu não pude responder e demonstrar formalmente, porque eu pude informalmente demonstrar ao Banco Central que havia sido resolvido o problema, mas eu não pude formalmente porque não tinha um processo de contestação daquela situação. E o meu ponto, delegado, não é de não explicar, não é que não houve problema. Eu não estou aqui dizendo e colocando que não houve problema, problema algum. Existiu problema, mas era um problema das carteiras, por exemplo, em novembro, quando houve a decretação da prisão, era um problema passado que, caso o Estado a posicionar formalmente, poderia ter respondido, poderia ter sido dado a chance de ter sido ao outro lado para que se pudesse tomar uma conclusão efetiva e equilibrada se valia a pena fazer uma operação, se valia a pena liquidar uma expulsão por uma questão passada que já havia sido resolvida.

Albert Paulo: Sobre essa situação ainda da Cartes e da Tirreno, tem um ponto específico no primeiro documento que o senhor prestou, que o BRB fez o pagamento pelas carteiras e esse dinheiro ficou numa conta do Banco Master, para que depois fosse repassado para os gestores da Cartos e da Tirreno. Ouvindo os auditores, tanto o Ailton, como não me recordo quem foi o outro, mas o Ailton com certeza, ele falou que essa conta, isso foi um dos objetos da auditoria, a conta que recebeu o dinheiro do BRD era uma conta que em nenhum momento esteve disponível aos gestores da Cartes e da Tirreno e que Isso, de certa forma, corroborava as hipóteses de que, na verdade, esse dinheiro não tinha como destino a Cartos e a Tirreno e que aquelas negociações eram fraudulentas. Em que momento esse dinheiro ia ser disponibilizado para os donos do dinheiro, segundo o senhor afirma, que são os gestores da Cartos e da Tirreno?

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Daniel Vorcaro: Bom, delegado, esse ponto é interessante. justamente o fato de não ter sido disponibilizado a carta sotirreno, justamente esse fato corrobora e determina que não houve fraude, porque não houve prejuízo a qualquer pessoa. A fraude do Master, em alguns anos a gente vai poder ver a realidade, mas é o primeiro caso que se menciona que houve uma fraude que até agora não houve uma vítima. O Banco BRB, existe uma interação ali que a gente vai discutir no fórum específico, sobre as relações comerciais que foram feitas entre um e outro, mas o negócio BRB das carteiras, ele foi, e aí é fácil demonstrar isso, no momento oportuno eu irei fazer, ele foi identificado e mostrado ao Banco Central antes de ser realizado, o BRB fez todas as análises antes, então o fato de não ter sido transferido o dinheiro para Carlos, como eu expliquei à época, era parte da natureza dessa transação que foi informada a todos, que era o quê? fazer uma venda das carteiras, manter o recurso nessa conta dentro do Banco Master, e só seria liberado para cartões e para terceiros quando fosse concluída a transação por completo, com análise completa do documento que seria feito em 180 dias, conforme os contratos.

Albert Paulo: Perfeito. O senhor falou que todo esse processo foi acompanhado e antecipado pelo Banco Central, correto? Esse processo das carteiras, das cartas e da TIRIM.

Daniel Leon: Sim.

Albert Paulo: O Sr. Paulo Sérgio e o Sr. Belinda Santana participaram desse acompanhamento?

Daniel Vorcaro: Sim, dentro da equipe de análise, sim.

Albert Paulo: Perfeito. Eu vou compartilhar com o senhor aqui um diálogo. É um diálogo que o senhor tem com o Sr. Paulo Sérgio. Nesse diálogo, o senhor pede para puxar o BRB para São Paulo. O BRB fica, acho que não houve mudança, está subordinado à supervisão de qual unidade do Banco Central atualmente? O BRB? Isso.

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Daniel Vorcaro:
Eu acho que era Belo Horizonte, se não me engano, anteriormente.

Albert Paulo: Belo Horizonte. Por que razão que o senhor queria trazer isso para São Paulo? A fiscalização de Belo Horizonte estava causando algum problema para o senhor?

Daniel Vorcaro: Não, na realidade, isso foi dentro do contexto do outro negócio, que era a fusão. O que aconteceu naquele momento? Análise que deveria ser rápida e, como eu disse inicialmente, pelo Departamento de Organização Financeira, acabou se alongando muito e eles acabaram começando a demandar às equipes de supervisão. E o que estava acontecendo? Demandas diferentes de áreas diferentes, porque o Banco Central é descentralizado, essa área de fiscalização. de valorização onde demandava coisas totalmente diferentes para o BRB sobre o Master. A área de São Paulo, que já conhecia o Master e já sabia desses temas, demandava outras coisas, então o pedido ali era para unificar as informações, não era para ver outra coisa que não seja isso, era para poder ter uma centralização e unificação dos pedidos do Banco Central.

Albert Paulo: Nesse próximo diálogo, o senhor trata com o senhor Paulo Sérgio sobre uma reunião com o Fundo Garantidor de Crédito. Nós estamos aqui, voltando aqui, nós estamos em agosto de 2024. O senhor Paulo Sérgio lhe dava as orientações do que seria tratado nas reuniões e como o senhor deveria se posicionar? Isso fazia parte das consultas que ele prestava ao senhor?

Daniel Vorcaro: Na verdade, esse tema do FGC foi um tema bastante tenso ali dentro do próprio Banco Central, delegado. Inclusive existem hoje alguns projetos de lei que o próprio Banco Central encaminhou, já, ou tem encaminhado. Eu não tenho hoje notícias atuais de como tratar isso, mas hoje a relação entre Banco Central e FGC é uma relação que não é natural, ou seja, o FGC não está debaixo da tela do Banco Central, como acontece em outros países. Ou seja, muitas vezes o Banco Central tem interesse em achar uma solução menos custosa, menos gravosa para o sistema, em fazer uma determinada operação para que se salve uma instituição ou para que se crie algo de bom no mercado, e depende muitas vezes do FGC, que é liderado por instituições privadas. Então, o contexto daquela discussão era a reunião que a gente estava tratando sobre questões do Banco Master com o FGC, e que precisava da interação do Banco Central dentro desse ambiente que eu mencionei.

Albert Paulo:
Perfeito. Nesse diálogo aqui, que é de fevereiro de 2025, o Sr. Paulo Sérgio, espontaneamente, proativamente, ele lhe adverte de uma movimentação de recursos de um fundo da REAG, com entrada, enfim, movimentação de R$ 488 milhões e outros. Enfim, ele lhe faz um alerta de uma movimentação financeira que caiu no filtro da área de monitoramento. Palavra do Sr. Paulo Sérgio. Inclusive da data da movimentação. Qual o contexto disso aqui? Isso aqui... Explique qual é o contexto dessa mensagem aqui.

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Daniel Vorcaro: Veja isso aí. Corrobora o que eu mencionei, de que o banco estava em escrutínio máximo. Que é o quê? Um escrutínio quase que diário das transações do banco. Ou seja, se havia uma transação sequer que fugia do escopo ou que alguém não entendia, ela era rapidamente comunicada para que eu pudesse me explicar, mandar a documentação, e se houvesse algum erro, eu corrigi. E aí, por isso, quando eu digo que eu fiquei surpreso, quando de repente, sem nenhum processo, sendo que o Banco Central estava diariamente no banco, dentro do banco, fazendo auditoria, o banco foi liquidado. Então, essa conversa é mais do que natural, delegado. Ela é uma conversa de um supervisor que fala, olha, tem algum... uma transação aqui que surgiu uma dúvida e algum problema. O que é? E aí, prontamente, eu devo ter mandado a documentação ou explicado ou corrigido, se fosse alguma coisa que merecesse correção.

Albert Paulo:
Em um determinado diálogo aqui, o senhor fala que recomenda aqui ao seu Zé que tenha... Que trate bem o seu... ao seu Paulo Sérgio, porque ele está sendo um anjo na vida. Dentro desse contexto todo que a gente está falando aqui, ele lhe ajudou efetivamente nos seus preços de evitar a liquidação, obviamente, que teve, mas de tentar, enfim, dar andamento ao projeto do BRB. Qual foi a sua avaliação a respeito da participação do seu Paulo Sérgio e do seu Belline, no sentido de avançar os seus interesses naquele momento do ano 2025?

Daniel Vorcaro: Vamos lá, delegado. Acho que é importante eu frisar isso de novo, assim como eu fiz no caso do Sr. Abeli. Eu não tenho motivo nenhum e qualquer para proteger ou, falar assim, qualquer tipo de proteção ao Sr. Paulo Sérgio. Não sou mais... Não estou mais no mercado financeiro, estou preso, cheio de problemas, de diversos inquéritos. Então, o meu compromisso aqui é com a verdade. O Sr. Paulo Sérgio é um servidor um dos que mais conhecem bancos dentro do Banco Central, extremamente técnico, extremamente conhecedor, participou de vários casos, inclusive relevantes no Brasil, que movimentaram o mercado financeiro com diversos bancos. E naquele momento dessa mensagem, é importante colocar esse contexto, porque muitas vezes palavras privadas, individuais, fora de contexto ou colocadas em contextos diferentes, elas mudam o significado. Naquele contexto, eu estava...

Albert Paulo: É pra isso que o senhor está sendo ouvido. Sim, sim.

Daniel Vorcaro: E é por isso, por isso, por isso, novamente eu reitero o meu agradecimento de poder ser ouvido. Nesse momento ali no Banco Central, eu percebi diversas atuações que eram, que passavam a ser contrárias ao banco, de uma maneira não leal. E a prova disso é uma delas está aí nos autos, um concorrente fazendo reuniões para falar que existiam fraudes no processo de aquisição que ele estava fazendo. Então, o meu posicionamento sempre ali dentro do Banco Central e, aliás, em outros órgãos também, é aquelas pessoas que não estavam sob influência de concorrentes, aquelas pessoas que tinham interesse de fazer um trabalho técnico, aquelas pessoas que não tinham interesse de fazer algo que fosse fora de contexto para prejudicar o Banco Master, eram pessoas que eu julgava como pessoas boas, importantes e, como eu disse, anjos, porque são pessoas que não estão sob influência do cartel bancário que queria que o Banco Master fosse liquidado.

Albert Paulo: Perfeito. Eu vou passar para um próximo ponto. uma anotação que foi extraída do seu celular, que cita esses servidores, o Paulo Sérgio e o Belline Santana. Eu queria que o senhor interpretasse, me desse qual for o contexto dessa anotação. Ela é de julho de 2022, algo chamado de Amsterdam Group. Essa é a anotação, eu queria que o senhor me dissesse o que significa isso, com essas referências ao Paulo Sérgio, ao Belline, pergunto para o senhor se esse Márcio é o Márcio Contador, quem são essas pessoas que estão aqui em destaque? Em qual contexto essa anotação?

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Daniel Vorcaro: Eu não reconheço isso, delegado. Nunca vi esse grupo, Amsterdã Group. Essas outras pessoas são pessoas que eu conheço, provavelmente pessoas que estavam na minha lista de contatos. Aliás, isso aqui parece ser o nome da lista de contatos que eu me referia. Paulo Sérgio Bassen, Márcio Bassen, Belin de Bassen, e os demais a maneira como eu escrevia nos meus contatos, nada mais do que isso.

Albert Paulo: Perfeito. Na audiência da Polícia Federal, em um determinado momento, o Sr. Ailton Jaquino foi questionado sobre vazamentos, e ele falou, expressão dele, que no Banco Central, nessa reta final de 2005, 2025, tudo vazava. Isso foi a expressão que ele utilizou. E não se sabia de onde vazava, e uma observação que ele fez, inclusive, foi um questionamento seu, que qualquer negociação que o senhor estava em curso vazava e que, como o senhor falou, as instituições financeiras são muito sensíveis a esse tipo de vazamento porque tem uma questão reputacional envolvida. Houve reuniões a partir de outubro de 2025, participaram dessas reuniões delegados de Polícia Federal e agentes da Polícia Federal e membros do Ministério E nessas reuniões eram tratadas investigações criminais que já estavam em curso. Não estou falando de processos administrativos do Banco Central. Estou falando de investigações criminais, de inquéritos policiais que estavam em curso. E parte desses inquéritos tinha relação com os dois documentos que foram ditos aqui, as comunicações feitas ao Ministério Público pelo Banco Central do caso Cartos Tirreno e do caso Bravo-Reag. Esses dois documentos ensejaram e deram início a investigações e inquéritos policiais, e houve reuniões no Banco Central, isso é natural no ambiente de investigação, o investigador se aproxima dos técnicos para ter o conhecimento técnico. Houve a participação de Belen de Santana e de Paulo Sérgio nessas reuniões e as informações dessas reuniões vazaram. Então eu estou apresentando para o senhor esse contexto para lhe mostrar uma nota que foi extraída do seu celular. Essa é a nota. Nessa nota, citam-se os nomes de delegados da Polícia Federal, estão aí escritos, estão em destaque, membros do Ministério Público. Essa nota é de outubro de 2025. Eu quero que o senhor explique essa nota.

Daniel Vorcaro: Na realidade, delegado, o que acontece? Naquele momento, quando em 3 de setembro o Banco Central nega a fusão do Banco BRB, o meu entendimento era claro que é negativo, ocorreu por pressão concorrencial e pressão midiática. E ficou mais claro ainda que eu estava sofrendo uma perseguição real no intuito de proceder na liquidação do banco. Ou seja, após o dia 3 de negativo, eu estava atento e durante todo esse processo do BRP cada vez mais eu estava atento para saber qual tipo de retaliação e qual tipo de ação poderia ser feita por essa perseguição concorrencial. Então, eu e o meu perfil, delegados, sempre foi meu perfil, quando existe um problema, sempre foi ir atrás do problema para resolvê-lo. Então, eu sabia que aquela questão do BRB, e sendo bem transparente e franco aqui com isso, eu sabia que a questão do BRB por ser banco público, e toda a exposição midiática que aconteceu, eu sabia que ia ensejar pessoas quererem questionar, instituições, Ministério Público. E o meu posicionamento sempre foi ir até essas instituições para poder explicar, para poder informar e para poder, inclusive, corrigir, caso fosse possível. Isso aconteceu com o próprio Ministério Públicos, no começo da fusão com o Banco BRB, houveram, de maneira propositiva, reuniões para entender, já que o Ministério Público estava investigando ou tratando sobre esse caso para se tratar do Banco Público, e essa mensagem é dentro desse contexto. Querendo entender quem estava à frente de investigações que eram naturais, dentro desse caso do BRB, toda a mídia e dado ser um banco público, a minha postura sempre era de ser propositivo para que eu pudesse explicar antes que essas investigações avançassem sem o outro lado.

Albert Paulo: Perfeito, eu entendi. A pergunta que eu fiz para o senhor é quem foi que lhe passou a informação desses nomes?

Daniel Vorcaro: Ah, eu não me recordo, delegado, de verdade. Na verdade, eu tinha pessoas que me informavam que isso faz parte de todo o meu interesse de colaborar com as investigações, porque essa questão de vazamentos e até de levantamento de informações acabou sendo um pouco desvirtuada. Eu tinha realmente pessoas que levantavam informações para mim, que eu pedia informações, eu chegava por diversos tipos e eu acabava anotando. Então, nesse caso específico, eu não me recordo quem me passou que eram as pessoas que estavam à frente dessa investigação.

Albert Paulo: Perfeito, porque os números que o senhor citou aqui são exatamente os números que participaram de reuniões dos quais participaram também Berinde Santana e Paulo Sérgio. Então vou fazer a pergunta mais objetiva. Paulo Sérgio e Berinde Santana, lhe passaram informações sobre essas reuniões em que trataram de investigações criminais envolvendo o Banco Mártir?

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Daniel Vorcaro:
Eu não me recordo se foi eles que passaram. Não me recordo. Eu lembro que essa informação, isso eu posso dizer, eu não anotei ela de uma vez só. Eu lembro que eu fiquei sabendo que tinha a mesma investigação que eu já tinha falado lá no Ministério Público, então eu já tinha anotado sobre o Ministério Público, aí depois alguém me falou como era, quem eram os delegados, eu fui anotando e fui construindo ali qual era a informação para eu poder ir atrás e tentar solucionar.

Albert Paulo: Perfeito.

Daniel Vorcaro: Inclusive, delegado, eu queria só fazer o registro, e aí não é com nenhum outro objetivo do que fazer o registro dentro desse espírito que eu estou de querer falar, é a participação do agente Wilker Goulart, que há seis anos antes tinha feito uma investigação sobre o banco Máxima ainda na época. As investigações foram trancadas, porque não tinha qualquer objeto relacionado. Então, isso aí foi... Eu nem sabia que era ele, mas depois foi uma surpresa quando eu acabei sendo preso por ele, inclusive, no dia. Perfeito.

Albert Paulo: Eu vou passar para a próxima nota, também outra nota. Essa nota era do dia 30 de outubro, Essa nota, o texto dela está aqui escrito, em destaque, de pessoas de dentro do bacém que são meus amigos e ficaram preocupados. Eles participaram das reuniões, por isso informação 100%. Eu só não posso queimá-los porque tinham poucas pessoas e saberão o que eles me falaram. Se isso chegar no G, então temos só que ter cuidado como conduzir o G depois. Me explique essa nota, eu quero saber quem é o G. E quem são esses amigos que o senhor está querendo preservar aqui, conforme a nota que o senhor fez?

Daniel Vorcaro: O G provavelmente é o Galípolo, o presidente.

Albert Paulo: Certo. E quem são os amigos que o senhor quer preservar?

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Daniel Vorcaro: O senhor pode voltar novamente?

Albert Paulo:
Pois não. São meus amigos e ficaram preocupados...

Daniel Vorcaro
02:26:06
Eu não me lembro para quem é essa nota, provavelmente essa nota... Eu não me lembro, de verdade, não me lembro para que contexto foi isso. Estou falando dos ativos, queimá-los as pessoas, os ativos.

Daniel Leon Bialski: Dr. Albert, só uma questão que a gente conversou com o Daniel, alguns fatos relacionados a algumas pessoas, ele efetivamente pode falar, desde que seja no ambiente futuro

Daniel Vorcaro: de uma nova possibilidade de colaboração.

Albert Paulo: Desde o início da audiência, doutor, ele foi advertido de que ele tem o direito de ficar em silêncio, se ele não quiser responder.

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Daniel Leon Bialski: Não é questão de silêncio, porque ele está falando e respondendo algumas coisas, mas de outras pessoas, como, por exemplo, essas que o senhor não sabe, eu queria deixar aqui...

Albert Paulo: Isso está dentro de um... Doutor, eu estou fazendo a pergunta com todo o respeito. Eu estou fazendo a pergunta dentro de um contexto... Você disse, doutor, mas eu só queria... Eu só queria deixar claro porque... E aí, obviamente, que nesse contexto aparecem outros nomes, como apareceram no curso de todos esses outros questionamentos que eu fiz, Ele responde se quiser, se não quiser, não responde.

Daniel Vorcaro: Não, delegado, meu interesse é responder tudo o que eu souber. Nesse caso, efetivamente, eu não me recordo e posso depois fazer um exercício para me recordar, não me recordo qual o contexto foi. Eu não me recordo nem para quem foi e nem qual o contexto foi esse.

Albert Paulo: Está respondido. Eu vou seguir para a próxima questão. Delegado... Pois não?

Thiago Machado: O senhor pode voltar, aquela primeira imagem só para eu poder,
tomar nota da data dela aqui, aquela anterior?

Albert Paulo: Pronto, eu vou colocar aqui na tela, mas a data dela é do dia 30 de outubro de 2025.

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Daniel Vorcaro: Ótimo, ok, perfeito, muito obrigado.

Albert Paulo: 30 de outubro de 2025, ok? Eu vou avançar aqui para a próxima questão.

Daniel Vorcaro: E, de novo, delegado, só para aproveitar esse tempo, o meu posicionamento é de colaboração integral com esses temas. Inclusive, esse tema, se depois eu conseguir identificar, não tem problema. O meu posicionamento é que houve tanto terror e desinformação nesse caso do banco que, para mim, só eu revelando a verdade por completo é que esse caso vai ser efetivamente solucionado.

Albert Paulo: Perfeito. Nesse mesmo... Nesse mesmo... No conjunto de notas que já está juntado à enquete policial, existe essa nota, o senhor fala sobre a viagem a Abu Dhabi, fala sobre o Fundo Garantidor de Crédito, continua citando o G e faz referência a outras pessoas, Andrei, Paulo, enfim, eu quero que o senhor explique o que é essa nota aqui também. Fique à vontade para ler.

Daniel Vorcaro: De novo, notas assim, eu não me lembro quando não fala quem é a pessoa, tinha muita interação, eu não me lembro qual o contexto, eu estava conversando com muitas pessoas sobre essa transação do banco, pessoas próximas a mim. Então, isso aí, sem dúvida nenhuma, é referente à transação que estava para ser feita do banco com aquelas empresas que eu mencionei, aquelas empresas de investimento.

Albert Paulo: Perfeito. E as pessoas que estão citadas nessa nota, quem são as pessoas? Você se recorda?

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Daniel Vorcaro: Eu teria que me recordar para quem foram as mensagens. Essa mensagem, para eu saber se é quem...

Albert Paulo: Não

Daniel Vorcaro: quero fazer inferência aqui sem ter certeza. Eu posso depois responder oportunamente, quando eu tiver certeza, para não cometer um erro.

Albert Paulo: Perfeito. Todas essas notas, as mais recentes, têm um formato claro de uma mensagem, ou mensagem enviada, ou mensagem compartilhada. O senhor se recorda para onde foram essas mensagens? Qual foi o destino delas?

Daniel Vorcaro: Não.

Albert Paulo:
Não. Perfeito. Ok. Vamos seguir aqui.

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Daniel Vorcaro: Inclusive, se eu me recordar, eu vou entender o contexto e qual era o conteúdo de maneira mais efetiva.

Albert Paulo: Excelente.

Daniel Vorcaro:
Aliás, como o doutor disse, esse é o contexto, a verdade, esse era o meu interesse quando me propus também é fazer um processo colaborativo, era não somente trazer informações, mas me dedicar a unir pontos de questões que muitas vezes não são identificadas na investigação.

Albert Paulo: São mensagens muito objetivas, muito específicas, num contexto que, enfim, dificilmente a pessoa se esquece, mas eu imagino que o senhor tinha muita coisa ao mesmo tempo. Enquanto o inquérito estiver aberto, o senhor está à disposição para juntar as explicações para esses questionamentos que não foram feitos, tá certo? que eu vou fazer agora mais uma, vou compartilhar com o senhor aqui mais uma mensagem. Essa mensagem aqui é do senhor Leonardo Palhares. Ele fala que esteve com um amigo que contratei, está sob controle. Essa mensagem aqui, o terceiro ponto dessa mensagem, o senhor fala de cá, que vai reunir comigo amanhã para falar sobre o plano dele. E o seu Palhares afirma que o senhor queria rodar para ele uma investigação boa contra ele. Quem é esse caco e o que isso aqui significa?

Daniel Vorcaro: Bom, isso aí é um outro, são projetos diferentes, nada tem a ver com Belline e Neybal. Esse caco é de um negócio de mídia, se eu não me engano. E esse contexto aí, delegado, como eu disse, eu não me lembro especificamente sobre isso, acho que por toda a exposição que eu tive, por todo esse viés negativo, quando se fala de investigação, é levantar informações. Nada fora do contexto ilícito de hoje, quando você vai fazer uma parceria, de levantar informações e ter dados sobre com quem você está fazendo.

Albert Paulo: Perfeito. Senhores, tem alguma anotação para fazer, algum questionamento?

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Sergio Rodrigues Leonardo:
Sim, doutor Albert.

Albert Paulo:
Eu vou pedir para o questionamento ser feito para mim e eu repasso para o Sr. Vorcaro.

Sergio Rodrigues Leonardo: Perfeito. O Daniel já esclareceu ao longo de todo o depoimento, diante de diversas indagações, mas eu creio que era importante fazer uma pergunta objetiva e direta. Se ele ofereceu, prometeu ou entregou alguma vantagem devida aos dois servidores do Banco Central ou a qualquer outro servidor do Banco Central, para que praticasse, deixasse de praticar, omitir ou retardar algum ato de ofício.

Albert Paulo: Perfeito. Sr. Vorcaro, vamos fazer aquela interrupção que nós já estamos aqui passando de uma hora, tá certo? Vamos para mais um link, doutor. Na retomada, o Sr. Vorcaro já fica aí com a resposta, tá certo?

Albert Paulo: Ok. Oitinho do senhor Daniel Bueno Vorcaro, inquérito 2026-0053-200, quarta parte, às 13h32 do dia 28 de agosto de 2026. Senhor Vorcaro, o doutor Sérgio fez uma pergunta para o senhor, o senhor fica à vontade para responder, se o senhor quiser que o doutor Sérgio repita a pergunta também fica à vontade.

Daniel Vorcaro: Não, eu me recordo…

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Albert Paulo:
O senhor pode se aproximar um pouquinho mais, estava bom na etapa anterior, estava muito bom o áudio.

Daniel Vorcaro: Melhorou?

Albert Paulo: Perfeito.

Daniel Vorcaro: Bom, não, eu me lembro da pergunta e a resposta é não. Não fiz nenhum pagamento de vantagem devido nem para o Belline nem para o Sr. Paulo.

Sergio Rodrigues Leonardo: Eu gostaria também que ele pudesse responder de forma cabal e assertiva, já tendo feito algumas vezes ao longo da oitiva, se o Bellini e o Paulo Sérgio prestaram a ele alguma consultoria ou assessoria em caráter particular e tiveram alguma tratativa nesse sentido, para além das tratativas institucionais que ele já relatou.

Albert Paulo: Pode responder, senhor.

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Daniel Vorcaro: Não. Toda a relação ali se deu em um ambiente institucional, natural e normal, dentro de uma supervisão mais intensa e mais ostensiva, em razão do momento que o banco estava vivendo.

Albert Paulo: Doutor, mais alguma pergunta?

Sergio Rodrigues Leonardo: Sim, gostaria que fosse indagado a ele. Ele já disse que era muito normal no mercado bancário esse tipo de interação entre os representantes dos bancos e os servidores do Banco Central, da área de fiscalização e de diversas outras áreas daquele órgão. Mas eu queria que ele esclarecesse por que no Banco Master era ele próprio que tinha essa interlocução. Se isso acontece também nos outros bancos ou se isso tem a ver com o perfil dele de trabalho e de controle das atividades.

Albert Paulo: Fica à vontade, seu Vorcaro

Daniel Vorcaro: Na realidade, em outros bancos, em bancos grandes, doutor, isso ocorre com equipes dedicadas exclusivamente a transativos com o Banco Central. Mas, de certo, ocasionalmente, sempre, os controladores e o presidente de banco participam de reuniões, como nos próprios relatos aconteceu no caso do Banco BTG, o próprio presidente do conselho participando de reuniões ali no Banco Central. Então, isso é normal. No meu caso, uma vez que em 2018, 2019 e 2020, eu estava fazendo a reestruturação do banco, máxima na época. Depois, na época da pandemia, houve uma sensibilidade muito grande em todas as instituições financeiras, um receio de algum problema que fosse de modo mais amplo no mercado financeiro. E depois, na reestruturação do Master, posteriormente, sempre foram momentos de muita sensibilidade e eu, pela relevância que era o relacionamento com o Banco Central e pela minha maneira de atuar nos negócios, eu decidi atuar diretamente para ter o controle, para poder participar mais efetivamente disso.

Sergio Rodrigues Leonardo: Pode seguir, doutor Albert?

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Albert Paulo: Pode seguir.

Sergio Rodrigues Leonardo: Queria que ele esclarecesse se além desses contatos por WhatsApp, se ele participou de diversas reuniões presenciais e por videoconferência junto a servidores do Banco Central, se elas eram registradas, se eram públicas e se esses registros eram transparentes.

Daniel Vorcaro: E aqui eu estou fazendo, eu não tenho certeza, mas existe uma normativa no Banco Central que a agenda é pública tão somente quando é com diretores, e quem faz essa comunicação são os próprios diretores. Tirando isso, a relação com as outras áreas do Banco Central, ela acontece no ambiente natural, como eu disse, de todas as instituições. Então, tive centenas de reuniões com membros do Banco Central que não eram Bellini e Paulo Cerf, Tive diversas reuniões de vídeo e tive, inclusive, Dr. Sérgio, comunicações também por WhatsApp com pessoas de outros departamentos. Não se restringia a eles. Esse modo de comunicação, como eu disse, após a pandemia, se tornou natural.

Sergio Rodrigues Leonardo: Inclusive, a reunião do dia 17 de novembro é uma dessas reuniões que está registrada nos sistemas do Banco Central?

Daniel Vorcaro: Posso responder?

Albert Paulo: Pode responder, senhor.

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Daniel Vorcaro: Eu não sei informar, Sérgio. Não sei informar, doutor Sérgio, porque essa comunicação quem deve fazer é o Banco Central. Não tem conhecimento de como eles fazem esse roteiro. Eu sempre solicitava, geralmente, quando era uma reunião com o diretor, eu solicitava o chefe de gabinete para que pudesse marcar essa reunião. Por exemplo, quando era no DEOF, eu pedia para o chefe de gabinete, que seria o par ali do Berlline, para que se marcasse com o diretor da área, que na época era o Renato Gomes. Então, isso era a maneira que a gente acabou desenvolvendo e que eu fazia. Obviamente, existiam outras maneiras. Algumas vezes eu posso ter pedido para a secretária fazer um agendamento formal, mas esse tipo de marcativa e tratativa se tornou natural, como eu disse, desde a pandemia.

Albert Paulo: Pode seguir a gente.

Sergio Rodrigues Leonardo: Eu queria também que ele pudesse esclarecer, ele chegou a mencionar, en passant, sobre o acompanhamento do Banco Central, inclusive em relação ao negócio, a possível fusão com o BRB. e disse, en passant, que o próprio presidente do Banco Central também tratou disso, o Galípolo. Eu queria que ele pudesse esclarecer para a gente se realmente o Banco Central, a sua cúpula, o próprio presidente, acompanhou esse negócio, atuou inicialmente em concordância que esse negócio fosse feito e se ele foi surpreendido posteriormente com a decisão de negativa do negócio.

Albert Paulo: Pode responder, seu Vorcaro.

Daniel Vorcaro: Doutor Sérgio, esse é um tema bem amplo, específico do tema BRB, que eu quero ter a oportunidade depois de relatar no detalhe quando for tratar do tema BRB. Mas a resposta é sim, que todo o Banco Central participou desse, como era um movimento muito sensível para o mercado, muito sensível para as instituições, então houveram tratativas em todas as áreas do Banco Central, incluindo com a diretoria, incluindo com o presidente, sim.

Sergio Rodrigues Leonardo: Ruralmente, uma última questão. Queria apenas que ele esclarecesse se, antes do dia 17 de novembro, ele respondia a algum processo administrativo sancionador no âmbito do Banco Central pela gestão do Banco Master.

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Daniel Vorcaro: Não, doutor Sérgio, de novo. Esse tema eu tratei de maneira en passant aqui. Eu gostaria de depois, em outra oportunidade, ter tempo. Não é o fórum aqui, mas existiram ao longo do tempo do Banco Massa diversos comunicados, diversas situações que a gente precisou resolver, mas como eu disse anteriormente em uma pergunta do delegado, no momento da liquidação não haverá nenhum processo funcionando sobre qualquer fraude estará instaurado contra mim.

Sergio Rodrigues Leonardo: Oralmente, da minha parte, eu estou satisfeito, doutor Bialski, doutor Thiago.

Albert Paulo: Senhores, fiquem à vontade.

Daniel Vorcaro: Tá sem som.

Daniel Leon: Eu só tenho uma, doutor Albert. Daniel, você já reportou que esses funcionários que foram mencionados, tanto Belline como Paulo Sérgio, nunca te privilegiaram em nada e nunca te deram nenhum tipo de benefício. Mas a minha pergunta vai além, se eventualmente, numa possibilidade de se reabrir a questão da tua colaboração, se existem outros fatos relacionados a outros funcionários do Banco Central, que você pode trazer elementos para dizer eventuais irregularidades ou até atos indevidos que foram praticados por essas outras pessoas que não esses dois.

Daniel Vorcaro: Não, especificamente, não somente do Banco Central, doutor Daniel, como eu já venho dizendo e disse lá atrás, e disse quando o doutor entrou no caso, eu acredito que eu tenho muito a colaborar, eu acredito, delegado, que esses temas que foram questionados aqui, eles são obviamente relevantes, passíveis de ser entendidos, obviamente uma relação com funcionários públicos, dentro de uma situação que acabou se tornando um grande estresse. Então, são pertinentes as perguntas e as indagações, mas, na minha humilde opinião, esse caso tem temas muito mais relevantes que podem ser tratados, revelados. É por isso que desde o começo eu estava numa postura de contribuição e contributivo para poder tratar e revelar, inclusive, temas que não estão como pauta hoje de investigação.

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Albert Paulo: sobre temas desse inquérito específico, doutor. O senhor tem alguma questão?

Daniel Leon Bialski: Não, doutor, é porque diz respeito à questão do Banco Central. Só uma última questão, Daniel. Você falou que estava disposto, mas você ainda está disposto a colaborar? Vixe, travou?

Albert Paulo: Travou não. Sr. Vorcaro, o senhor ouviu a pergunta?

Daniel Vorcaro: Colaborar com as investigações, sim, como estou fazendo agora e como eu estive e fiz proposituras de colaboração, o delegado deve ter ciência. A minha postura, ela é de querer falar, de querer contribuir com as investigações desde o princípio e se mantém.

Daniel Leon: Eu estou satisfeito, doutor Albert, obrigado.

Albert Paulo: Ok. Senhores, doutor Albert, pois não? Opa, desculpe, doutor. Fique à vontade. Fiquei por último aqui.

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Thiago Machado: Se o senhor me ouve bem, estou um pouco mais distante, mas as coisas são muito simples. É claro, e aí eu preciso contextualizar, é claro que nesse momento, doutor Albert, com toda a exposição, o vazamento de informações que aconteceram, a figura do Daniel passou a ser mais conhecida e também a figura do Fabiano. A minha pergunta específica é, se existia já antes desses vazamentos, antes dessas informações, se ele era vinculado à pessoa do Fabiano, comumente, socialmente, pelas pessoas? E, já adiantando também o outro questionamento que pretendo fazer, para que ele possa esclarecer se o Fabiano foi identificado lá atrás, daquela tratativa relacionada ao sítio, se o Paulo identificou o Fabiano como sendo pessoa próxima do Daniel.

Albert Paulo: Fique à vontade, Daniel.

Daniel Vorcaro: Bom, vamos lá. Tem quase mais perguntas dos advogados que a do delegado, mas a resposta é que, como eu disse, o Fabiano não era ligado comercialmente a mim lá atrás. Houve essa ligação do casamento dele com a minha irmã, então a gente passou a ter uma relação, e a relação comercial foi se desenvolvendo, se ampliando ao longo do tempo. Então, inicialmente, nessa época, inclusive, do SIT, não havia relação quase que nenhuma, ninguém sabia. Então, quando eu vi que o Sr. Paulo mencionou que não sabia que o Fabiano era meu cunhado à época, realmente é verdade. Ele não sabia, como muitas pessoas não sabiam, até porque ele é meu cunhado, sendo casado com a minha irmã, não tenho o mesmo sobrenome, e socialmente, ou até em termos de mídia ou exposição midiática, havia esse vínculo à época.

Thiago Machado: O senhor, então, sabe confirmar, dizer se aquela informação que o Paulo traz, que só soube da sua vinculação familiar com o Fabiano só se deu depois que a aquisição já estava feita, quando a escrituração do imóvel. Ele faz uma referência disso. Você sabe dizer se isso procede?

Daniel Vorcaro: Creio que sim.

Albert Paulo: Vou pedir para o professor sempre responder virado para cá, porque inclusive foi pela questão do áudio mesmo.

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Daniel Vorcaro: Tá bom, desculpe. Eu creio que sim, que ele deve ter ficado sabendo à época. Eu tinha, como eu mencionei lá atrás, delegado, eu tinha bastante cuidado nessa relação para que não parecesse algo que não era, ou seja, Isso que a gente está tendo que explicar aqui atrás. Então, eu tinha cuidado, acho que eu tive cuidado na época até de nem querer mencionar que o Fabiano era meu cunhado para que o próprio Paulo Sérgio, à época, entendesse que era uma coisa vinculada, pudesse ter alguma razão não republicana daquele contato com toda aquela transação.

Albert Paulo: Perfeito.

Thiago Machado: Doutor Albert, não tenho mais questionamentos. Agradeço a atenção do senhor e, mais uma vez, agradeço também a gentileza de ter aguardado alguns minutos até que esse advogado conseguisse chegar a essa audiência, em razão do trânsito que hoje tivemos aqui. Muito obrigado.

Albert Paulo: Perfeito. Só para esclarecer um ponto que o doutor trouxe agora no último questionamento, o senhor Fabiano, segundo os depoimentos, teve conhecimento de que o senhor tinha, desculpe, o senhor Paulo Sérgio, teve conhecimento de que o senhor tinha um vínculo familiar indireto com o Fabiano Zetter, segundo os depoimentos, somente por ocasião da lavratura da escritura de compra e venda. Mas eu lhe pergunto, isso foi um vínculo familiar, mas ele já tinha tido conhecimento de que tinha algum tipo de contato com o Fabiano Zetter? Eu digo isso em razão do início do contato para ter conhecimento sobre o imóvel.

Daniel Vorcaro: Isso sim, isso sim.

Albert Paulo: Ele sabia que o senhor tinha algum tipo de contato com o seu Zettel? mas, segundo o senhor está falando, não sabia do grau de parentesco.

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Thiago Machado: É isso?

Daniel Vorcaro: Exatamente. Na verdade, quando eu indago, no primeiro momento, como era aquele projeto e eu vejo que eu não teria condições de desenvolver aquele projeto diretamente, eu menciono que teria pessoas que eu conheço que poderiam investir e acontece isso com o Fabiano quando procura ele. Então, ele sabia que eu conhecia, mas não sabia o grau de relação ou

Albert Paulo: de parentesco, Trazendo um último questionamento aqui, Sr. Vorcaro, ainda sobre a questão do projeto do Berlline Santana, que a gente tratou no início dessa audiência. O senhor teve conhecimento do que foi o produto do projeto, o resultado final do projeto?

Daniel Vorcaro: Não, infelizmente não. Eu estava num momento, depois que eu passei de ficar muito absorvido com questão de fusão, etc., eu não dei sequência e não acompanhei no detalhe o que ocorreu.

Albert Paulo: Ok, perfeito. Senhores, nós vamos aqui para o momento de encerramento da audiência. Os senhores observaram que houve alguns momentos em que a gente teve problema de sinal de internet. Vai ser gerado o vídeo dessas audiências. Eu vou ver como ficou a qualidade do vídeo. Então, não descarto a hipótese de eu ter que ir à Brasília para retomar, ainda que alguns trechos do depoimento com o senhor, das declarações com o senhor presencialmente. Eu vou analisar isso de acordo com com a qualidade que eu obtiver do vídeo, não sei como ficou a qualidade ainda. Então essa hipótese, ela existe. Caso isso seja necessário, eu vou agendar com os advogados preliminarmente pra gente não ter perigo de remarcação, porque seria uma viagem minha pra Brasília, então teria que ser com os horários muito bem ajustados. Nós temos aí uma série de advogados que eu acompanho, certamente só teria defesa aí em Brasília e a gente faria também com a vídeo a partir do presídio, mas com a minha presença. Mas isso está dependendo da análise que eu vou fazer do vídeo. Todas as perguntas aqui, como eu coloquei no início da audiência, foram feitas com base em documentos que já instruem o inquérito policial. Todas as imagens, toda a conclusão, tudo já consta no inquérito policial. Então, tudo que foi questionado aqui já era de prévio conhecimento e de prévio acesso aos senhores, de forma que eu entendo que foi bastante esclarecido, bastante produtiva audiência, se houver alguma necessidade de repetir algum trecho, isso será feito. Eu agradeço a presença dos senhores.

Daniel Leon Bialski: Doutor Albert, só uma coisa.

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Albert Paulo: Pois não?

Daniel Leon Bialski: Desculpa interromper. Se eventualmente o senhor for de fato até Brasília, como tem aquele outro inquérito, talvez seja o caso de Vossa Excelência...

Albert Paulo: Fazendo dois juntos.

Daniel Leon: Isso aí, aí faz os dois juntos até pra... é, acho que otimizar o trabalho. Eu acho que o vídeo aqui travou várias vezes, ontem não teve sinal, vossa excelência ficou sabendo, domingo eu fiz um vídeo com o Daniel atendendo ele, caiu três vezes e depois não veio mais, realmente é muito ruim o sinal de internet lá, por isso que talvez seja mais conveniente, mas a gente fica à disposição, agradeço aí o tratamento que vossa excelência tem dado aos advogados.

Albert Paulo:
Eu agradeço aos senhores e tenham uma boa tarde.

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