Pelos vistos, na Saúde o PS é igualzinho ao PCP e ao BE

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Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. O teu bom é José Luís Carneiro.
É José Luís Carneiro. Este ano, o líder do PS decidiu acabar com a telenovela do Orçamento do Estado antes mesmo de ela ter começado. Ainda nem sequer temos duas gêmeas em guerra, a boa e a má, e aquilo tudo, e já acabou a telenovela. Vá lá, José Luís Carneiro tinha feito quatro exigências ao governo, que na verdade não eram exigências nenhumas. Ele queria garantir a proteção das pensões, o financiamento dos investimentos que ficaram para trás por causa de atrasos no PRR, queria a recuperação dos municípios afetados pela tempestade Cristina e queria um compromisso do PSD de que respeita os chamados limites materiais da Constituição no processo de revisão. Ora, se era para isto, o PS também podia ter exigido ao PSD o reconhecimento formal, em notário, de que o sol queima e de que o mar é azul, que seria a mesma coisa. E depois de Luís Montenegro ter dito que sim, sim, senhor, claro, o sol queima e o mar é azul, José Luís Carneiro anunciou, mesmo sem ver o orçamento, que o PS o vai viabilizar com uma abstenção. Assim não há dramas. Eu acho que foi possivelmente a medida mais inteligente do José Luís Carneiro desde que é líder do PS.
Sim, há aqui um caminho para uma normalização orçamental que é bem-vindo, não é?
Eu poupo. Eu, para mim, se me pouparem os dramas anuais, eu agradeço.
Sem dúvida. Para isso já bastam outras coisas que se estão a passar.
Paulo, sim, a vida já é tão difícil.
É isso. Não vamos falar disso.
Miguel, o teu mau andou a fazer de conta.
Sim, o ministro do Ambiente. Há umas semanas, o presidente da Câmara de Lisboa criticou publicamente o Volta, culpando o sistema de reciclagem de garrafas de plástico pela sujidade nas ruas e pela criação do drama social de termos pessoas a revirar o lixo, e a ministra Maria da Graça Carvalho fez de conta que não era nada com ela. Estava tudo bem. Depois, os autarcas da Área Metropolitana de Lisboa afirmaram numa declaração conjunta que o Volta não está a funcionar e a ministra do Ambiente fez de conta que não era nada com ela também, estava descolocada. E os dias foram passando e ontem, finalmente, Maria da Graça Carvalho deixou de fazer de conta que não era nada com ela. A ministra escreveu uma carta à entidade gestora do sistema Volta a exigir que apresentem um plano a curto, médio e longo prazo para resolver o problema em articulação com os autarcas. E então, segundo a nova Maria da Graça Carvalho, temos já a antiga e agora é a nova, diz-nos que o sucesso do Volta mede-se também pela sua compatibilidade com a limpeza do espaço público. Ora, que maravilha, muito obrigado. E estando agora a resolver aquilo que é mais difícil, basta ao governo tratar do mais fácil. Agora, depois de resolver isto, o governo só precisa de acabar com a pobreza que o Volta destapou. Tenho a certeza de que tendo percebido o país onde vive, o governo irá agora apresentar medidas a curto, médio e longo prazo para tratar disto.
E vamos acabar por ter o Volta como a grande reforma estrutural de que o país precisava e não sabia.
Não é, Paulo? Estas coisas às vezes vêm de onde menos se espera. É verdade.
Então e quem é o teu vilão, Miguel?
O vilão é o PS. Ontem os socialistas de Sintra denunciaram de forma indignada uma moção que foi apresentada na Assembleia Municipal pelo PSD, pelo Chega, pela IL e pelo PAN. Uma moção que defende o regresso do Hospital Amadora-Sintra a um regime de PPP, juntamente com o novo Hospital de Sintra. E até agora, eu, inocente, achava que as PPP na saúde, que tiveram resultados incrivelmente bons, tinham acabado por pressão do PCP e do Bloco durante a geringonça. Achava eu, mas pelos vistos, não. Pelos vistos, os socialistas são mesmo absolutamente contra as PPP. O PS de Sintra, aliás, não diz menos do que isto, eu vou citá-los: "É o culminar de uma estratégia intencional de degradação do SNS promovida pela governação nacional da AD, desenhada especificamente para justificar o negócio da privatização da saúde." Portanto, o governo esteve a degradar intencionalmente o SNS para agora aparecer uma moção sub-reptícia na Assembleia Municipal de Sintra a pedir o regresso das PPP ao Amadora-Sintra. Mais, diz o PS que se trata de um insulto à população. E há mais ainda: "Isto, meus amigos, é o embrião de uma coligação PSD-Chega e revela a submissão do PSD face ao populismo. E o facto de as PPP na saúde terem surgido antes do Chega não demove o PS desta luta contra o fascismo." Mas de qualquer forma, nós ficamos esclarecidos. Na saúde, não há diferenças entre o PS, o PCP e o Bloco. São iguaizinhos. Pusemo-lo aí para já.
Pelo menos uma boa parte do PS, pelo que se está a ver aqui.
Sim, claro. Paulo, eu admito que o José Luís Carneiro venha agora desautorizar o PS de Sintra. É possível. Claro, com certeza. Vamos esperar. Espero que isso aconteça.
Paulo, o Miguel não está com aquela voz do monstro do "Stranger Things".
Está. Parece que está dentro de uma máquina de volta. Caiu dentro de uma máquina de volta.
Paulo, sabes o que é? Fui tentar pôr lá umas garrafas e fui sugar.
Foste sugar.
Foste longe demais com o braço.
Pois, ainda tenho aqui o código de barras no bracelete.
Mas exige que por ti a máquina tem que dar mais de 10 cêntimos, Miguel.
Paulo.
Não te fiques só por 10 cêntimos.
Eu também me indignei com o resultado desta moção.
Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira: José Luís Carneiro. O mau: é a ministra do Ambiente. E o vilão: é o PS. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro. Nas manhãs 360 e sempre em podcast.
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