Europa se previne para agressão militar russa sem garantia de defesa dos EUA
Os 37 voluntários suecos desceram a escada que levava ao bunker numa fila ordeira, com exceção de uma pessoa com mobilidade reduzida, transportada de maca. Os moradores da pequena cidade de Grums não participavam de uma versão de "Survivor", mas se alistaram porque acreditam viver numa nova realidade, não num reality show.
Assim, o grupo que representava diferentes segmentos da população, incluindo jovens, idosos e uma mulher com um bebê de dois meses fez o exercício em resposta à pergunta que, em vários países da Europa, era precedida pelo condicional "se" e agora começa com o temporal "quando".
O temor dos europeus aumentou exponencialmente com a escalada de ameaças, provocações ou incursões militares russas, à medida que sua "operação militar" na Ucrânia, iniciada sob a ilusão de prostrar facilmente um país soberano e durar apenas dias, foi se mostrando uma catástrofe econômica e militar que já matou meio milhão de soldados russos desde fevereiro de 2022.
Há poucos bordões mais desonestos no debate de política externa do que justificar a invasão da Ucrânia como resultado da expansão da Otan. Foi exatamente isso que fez a bancada do PT no Senado, logo no primeiro dia da guerra. Culpou o "imperialismo expansionista" da aliança militar do Atlântico Norte pela invasão de um país soberano que havia aberto mão voluntariamente de seu arsenal nuclear três décadas antes.
Será que o recém-reeleito senador Jaques Wagner, que guardava quase € 200 mil (R$ 1,1 milhão) em dinheiro vivo, "das diárias internacionais acumuladas", teve coragem de encarar um interlocutor do velho continente com este relativismo moral? Recentemente Suécia, Estônia, Lituânia e Letônia distribuíram aos seus 16 milhões de habitantes manuais de instruções para enfrentar uma eventual incursão terrestre da Rússia.
A campanha de intimidação é diária —entre setembro de 2025 e setembro de 2026, os caças da Otan foram acionados mais de 400 vezes para interceptar aviões ou drones russos. O cínico Vladimir Putin acusa a Ucrânia pelas violações territoriais com a expressão impassível do rosto esticado ao limite por cirurgias cosméticas.
No momento, seria difícil imaginar que as exaustas tropas russas seriam deslocadas da Ucrânia para uma nova aventura militar, provavelmente num dos países bálticos. Além disso, o foco desses países nos múltiplos cenários de uma guerra com a Rússia é tal que Moscou não conseguiria mobilizar tropas sem detecção.
Lá Fora
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
Como disse um analista militar à revista The Atlantic: "Se uma gaivota faz cocô no nosso porto, sabemos o que ela comeu no café da manhã, onde ela faz o ninho e sabemos quando ela foi à Rússia pela última vez."
E não é que a famigerada guerra híbrida do czar também inclui fezes humanas? Na Finlândia, com a mais longa fronteira de um país da Otan com a Rússia (1.340 km) cerca de 20 parlamentares tiveram suas residências invadidas sem que nenhum objeto de valor fosse roubado. Pelo menos um relatou ter encontrado excremento atrás do vaso sanitário. Até que teve sorte. Uma divisão do serviço secreto russo ficou notória pelos "cartões de visita em cocô", durante a década passada, depositados no tapete da sala de diplomatas.
Mas, para as democracias europeias, pior mesmo é farejar a esperada omissão da maior potência militar do planeta, uma entre dois membros da Otan do outro lado do Atlântico.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.