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Monday, October 19, 2026

Homem detido por panelaço em Maceió questiona PM: 'Por que só o porteiro?'

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A conduta dos policiais que o prenderem será alvo de apuração da Corregedoria-Geral da PM (Polícia Militar), da Promotoria de Controle Externo da Polícia e do MPE (Ministério Público Eleitoral). A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também acompanha.

O que ocorreu

Porteiro Edmilson dos Santos, 51, em ato pró-Lula em Maceió
Porteiro Edmilson dos Santos, 51, em ato pró-Lula em Maceió Imagem: Reprodução/Instagram

À coluna, o porteiro conta que um dos moradores desceu com uma bandeira de Lula para a área livre do prédio, em frente à guarita onde Edmilson trabalha. "Ele veio e subiu no jardim do prédio, e eu fui ao salão de festas, onde guardamos as panelas para o café, peguei uma e fui bater junto. Nos apartamentos, os moradores também estavam batendo panelas."

O protesto com as panelas seguia pacífico —e também ecoava em vários prédios da região nobre da capital—, até que um morador do prédio vizinho passou de carro com a esposa e a filha, baixou os vidros e começou a reclamar do ato.

"Ele fez um gesto obsceno para o morador que estava no jardim. Não contente, ele parou o carro e desceu e pediu para o menino descer para brigar, e eu respondi: 'Felipe, não vai não, deixa ele. Deixa para lá'."

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Segundo o porteiro, o morador informou ao bolsonarista que não iria descer porque não queria brigar. "Mas ele ficou insistindo, insistindo, insistindo... Mas o panelaço continuou."

Nesse tempo, o morador chamou a polícia e alegou que o panelaço, antes das 22h, estaria incomodando a filha. "Quando a polícia chegou, eu estava batendo a panela e continuei. Aí o policial disse: 'Desce aqui'. Eu falei para ele: 'Pode falar daí que eu lhe respondo'."

Após ele se negar a descer, o porteiro conta que um dos policiais o questionou por quê? "Eu disse: 'Porque eu estou aqui dentro do meu prédio trabalhando. E estou batendo panela como todo mundo. Falei normal, sem alteração".

Foi nesse momento que a polícia teria decidido entrar no prédio, e o morador que estava junto a ele batendo panela ordenou que abrisse o portão para entrada dos militares quando ele descesse até a área da portaria.

"Quando eu abri o portão, um policial foi logo dizendo assim: 'Você vai ser preso', e eu disse: 'eu vou ser preso por quê? Eu estou dentro do meu trabalho'. Aí o policial entrou no meu recinto já perguntou: "Zero Um, eu posso algemar?"

PM cerca portaria em prédio onde porteiro foi detido após panelaço em Maceió
PM cerca portaria em prédio onde porteiro foi detido após panelaço em Maceió Imagem: Reprodução
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A versão da ideia de algemar o porteiro foi confirmada pelo morador Felipe, que filmou boa parte da ação dos policiais no prédio. "Só não colocaram algemas porque a gente questionou a necessidade", diz.

O porteiro diz que, assim que foi citada a algema, questionou: "O que foi que eu fiz para o senhor chegar aqui no meu trabalho e me algemar? O senhor está achando que aqui tem algum bandido? Não tem bandido não, senhor. Aqui tem trabalhador igual a você."

Edmilson trabalha há 25 anos como porteiro no prédio e diz que não será penalizado por conta do episódio. "Todos me apoiaram, inclusive aqueles que votam em Bolsonaro. Sigo no emprego", diz.

Panela na mão de policial militar na Central de Flagrante de Maceió
Panela na mão de policial militar na Central de Flagrante de Maceió Imagem: Arquivo pessoal

Após o episódio, ele faz uma reflexão. "Eles deveriam ter tentado conversar, perguntando meu nome e pedido para parar um pouquinho [o panelaço], dizer que o pessoal está incomodado. Eu tinha parado sem problema, mas eles não quiseram conversar. A vontade deles era de ter alguma pessoa presa", diz.

O porteiro conta que, após ser liberado na Central de Flagrantes, escondeu a história para não assustar a esposa e o filho. "Eu saí para trabalhar, imagina chegar uma notícia dizendo que fui preso?"

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A esposa só soube do caso na manhã do sábado quando viu a foto do marido no Instagram. "Ela me ligou preocupada, perguntando o que tinha acontecido. Eu disse que, quando chegasse em casa, conversava. Quando expliquei tudo direitinho, eles ficaram mais tranquilos."

Neste domingo, ele participou do ato pró-Lula na orla de Maceió e teve direito a fala no carro de som, onde foi ovacionado.

Em nota, a SSP relatou que a Corregedoria da PM vai apurar a atuação dos militares no caso.

Segundo o relato inicial da ocorrência, "a situação envolvia uma reclamação de barulho que estaria prejudicando o descanso de uma criança recém-nascida."

Na nota, segundo o relato feito pelos policiais, os militares "teriam tentado sensibilizar o porteiro do estabelecimento sobre a situação, momento em que, conforme o registro policial, teria ocorrido um desacato à equipe."

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Atuações

O caso do porteiro rapidamente repercutiu, e entidades e órgãos de controle se posicionaram.

O MPE (Ministério Público Eleitoral) informou que abriu procedimento administrativo para "apurar preliminarmente as circunstâncias da prisão de um participante de manifestação".

A promotora Karla Padilha, responsável pela área de controle externo da polícia, informou que o MP-AL (Ministério Público de Alagoas) vai apurar o caso.

"Serão adotadas providências junto à Corregedoria da PM para que se possa aferir o que de fato aconteceu. A Central de Flagrantes também será acionada para saber quem deu essa orientação, que tipo de crime ou contravenção consta no registro da PM e a partir daí serão adotadas eventuais medidas."

A OAB/AL também se manifestou sobre a prisão. Informou ter adotado medidas e afirmou que a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos "acompanhará o caso e permanecerá vigilante para que os fatos sejam esclarecidos e as providências cabíveis sejam adotadas."

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A Comissão já oficiou a Delegacia Geral da Polícia Civil de Alagoas e a Promotoria de Justiça responsável pelo controle externo da atividade policial do Ministério Público de Alagoas (MPAL), solicitando a imediata apuração dos fatos, com especial atenção à legalidade da abordagem e da condução do trabalhador, bem como à conduta dos policiais militares envolvidos. A OAB/AL reafirma que a atuação dos agentes de segurança pública deve observar rigorosamente a legalidade, a proporcionalidade e o respeito aos direitos e garantias fundamentais, assegurando tratamento isonômico a todos os cidadãos, independentemente de suas convicções políticas.
OAB

Reportagem

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