Medo maior a Bolsonaro foi o que decidiu eleição, diz estudioso do lulismo

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No sábado passado, quando as pesquisas de véspera da eleição apontavam uma vantagem a Flávio Bolsonaro contra o presidente Lula, o cientista político Adriano Oliveira fez um alerta em suas redes sociais: o favoritismo do candidato do PL era real, mas a votação poderia ter surpresas por conta de um sentimento que aparecia nas entrelinhas dos levantamentos: o medo.
Flávio provoca mais medo. Aí pode estar uma surpresa eleitoral: um movimento de última hora, no próprio dia da votação, que favoreça Lula e produza uma virada por pequena margem.
Adriano Oliveira em postagem no sábado (24)
Adriano é professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e pesquisador do fenômeno conhecido como lulismo, que tem sua expressão forte no Nordeste. "É uma expressão fortíssima, e todas as minhas pesquisas qualitativas trazem que isso existe até hoje", diz.
"Lula tem como identidade, construída desde o primeiro mandato, de ser um presidente que olhou, cuidou e trouxe desenvolvimento para a região", completa.
Para ele, não foi especificamente a força do lulismo que impulsionou o presidente para vencer sua quarta eleição, mas uma sensação de que um represente do bolsonarismo seria pior. "Eles mostraram que preferem seguir com Lula, pois entenderam que Flávio era uma mudança insegura. Esse foi o principal recado da eleição", avalia.

Cenário previsto
A escolha baseada no medo já era um fator que o pesquisador alertava antes mesmo do início da campanha eleitoral. A escolha do eleitor seria independentemente da avaliação da gestão.
Ele explica que esse tipo de sentimento não consegue ser totalmente capturado nas pesquisas de intenção de voto. "Por isso essas pesquisas de votos válidos precisam ser lidas acompanhadas das pesquisas qualitativas", diz.
Nesse cenário, Adriano conta que, quando fez a previsão no sábado à noite, de que haveria —mesmo que remota— uma chance de virada, deixou claro que ela não seria impulsionada pela força do lulismo ou pelos votos no Nordeste, mas sim por uma possível menor rejeição ao seu nome.
Para Adriano, isso explica o porquê de a votação ter Lula subido basicamente em todos os estados. "O bolsonarismo não conseguiu passar por um processo de revitalização", afirma.
"O recado que fica para a direita é que, para ter chance contra o lulismo em 2030, precisa se afastar do bolsonarismo; ou o bolsonarismo precisa se renovar, ou seja, não provocar tanto medo. Essa é a minha principal conclusão dessa eleição", finaliza.
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