Conheça Roberto Simonsen, fundador da Fiesp e ideólogo desenvolvimentista
A Roberto Simonsen é uma das ruas mais antigas de São Paulo. Certamente tropeiros trafegavam por ela no século 17. Fica bem no centro da cidade e tem várias construções históricas, como a Casa Número Um, o Solar da Marquesa de Santos e um prédio recém-descoberto projetado por Ramos de Azevedo. A via liga a igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo ao Pateo do Collegio.
Teve várias designações. Chamou-se rua de Santa Tereza, por causa do Recolhimento de Santa Tereza, um abrigo de moças que funcionou ali a partir de 1685. Depois recebeu o nome de rua do Carmo. Em 1948, com a morte do empresário, a Câmara Municipal decidiu homenageá-lo e transformá-la em Roberto Simonsen.
Mas, afinal, quem foi Roberto Simonsen? Economista, escritor e político, nascido em Santos em 1889, esteve entre os empresários mais poderosos e articulados do país no seu tempo. Desde jovem passou a se posicionar como liderança empresarial.
A base dos seus negócios privados estava na exportação de café e em projetos imobiliários na sua cidade natal. Também fundou a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Antes de ser Fiesp, a entidade surgiu como Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), criado em 1928. O presidente era o empresário Francesco Matarazzo e Simonsen, o vice. A Fiesp só foi criada como entidade sindical em 1931, presidida por Simonsen, e a Ciesp permaneceu existindo como associação civil.
Nos anos seguintes, entre inúmeras iniciativas, Simonsen fundaria o Idort (Instituto de Organização Racional do Trabalho) e participaria da criação da Fespsp (Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo).
Em 1933 houve no Brasil a Assembleia Nacional Constituinte, encarregada de redigir a nova Constituição, e Simonsen foi eleito deputado federal classista, um dos quatro paulistas escolhidos pelos sindicatos reconhecidos pelo governo. Foi eleito mais uma vez para a presidência da Fiesp em 1937.
No começo de sua existência, entre 1930 e 1940, a entidade dos empresários paulistas funcionou na rua 15 de Novembro, 244, na região central. Em seguida, a federação encontrou um novo endereço no Palácio Mauá, no Viaduto Dona Paulina, 80.
A sede atual, na avenida Paulista, 1.313, está ocupada pela Fiesp desde 1979. É um projeto do arquiteto Rino Levi que teve uma intervenção de Paulo Mendes da Rocha no térreo e no saguão de entrada.
Com o Estado Novo implantado e o fechamento das casas legislativas, Simonsen perdeu seu mandato de deputado. Em janeiro de 1938, foi reeleito novamente para a presidência da Fiesp, onde ficaria por vários anos. Nesse período avançou no projeto de criação do Sesi e do Senai.
Simonsen pertenceu à ABL (Academia Brasileira de Letras), eleito em 1945. Seu livro mais conhecido é "História Econômica do Brasil (1500-1820)", mas ele deixou dezenas de obras. Alguns o consideravam o maior economista do Brasil, o ideólogo do desenvolvimentismo.
Durante sua atuação na ABL, Simonsen estava imerso na polêmica com o economista Eugênio Gudin. Enquanto Simonsen defendia que o Estado tivesse um papel ativo no planejamento econômico, na proteção tarifária e no incentivo à industrialização, Gudin achava que o país deveria aproveitar suas vantagens competitivas naturais, como a agricultura e a exportação de commodities.
Depois do fim do Estado Novo, Simonsen filiou-se ao PSD (Partido Social Democrático) e integrou sua comissão executiva. Foi eleito senador por São Paulo, superando o pintor Cândido Portinari, candidato do PCB (Partido Comunista Brasileiro).
O empresário morreu de repente na ABL aos 59 anos. Tudo aconteceu enquanto ele fazia um discurso de saudação oficial ao primeiro-ministro da Bélgica, Paul van Zeeland, em visita ao Brasil.
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