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Tuesday, November 3, 2026

Soldado japonês passou 30 anos escondido na selva esperando a 2ª Guerra Mundial acabar — e quando saiu de lá, ele decidiu morar no Brasil

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Imagine passar 30 anos escondido na selva, sobrevivendo com o que está disponível na natureza e acreditando que o seu país ainda está em guerra. Foi o que aconteceu com o soldado imperial japonês Hiroo Onoda, que não soube do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ele só aceitaria deixar a floresta se recebesse ordem de seu superior - que precisou ser localizado em 1974 e ir até o combatente para que acreditasse que o conflito havia terminado.

Então com 22 anos, o tenente Onoda foi enviado em dezembro de 1944 à pequena ilha de Lubang, nas Filipinas, para o que seriam os momentos finais da Segunda Guerra Mundial. As ordens que recebeu foram: dificultar ao máximo o avanço das tropas americanas, realizar atos de sabotagem e nunca se render e nem tirar a própria vida.

Fake news?

Em agosto de 1945, a Segunda Guerra chegou ao fim, com a rendição oficial do Japão após os bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki. Isolado na selva ao lado de outros três companheiros de farda, Onoda ignorou os panfletos lançados por aviões sobre a ilha, com fotos de familiares e mensagens de apelo, acreditando que aquilo seria uma operação de desinformação do inimigo.

Na tentativa de avisar os soldados remanescentes de que o conflito havia acabado, exércitos e governos apelaram nos anos seguintes até para cartas de parentes e  gravações de áudio transmitidas por alto-falantes nas florestas de Lubang. Mas Onoda acreditava de verdade que o Japão jamais se renderia e que as mensagens eram armadilhas para fazê-los sair do esconderijo.

Ele viu seus companheiros de floresta partirem - um deles se rendeu em 1950 e os outros dois foram mortos em confrontos com a polícia local nas décadas seguintes - e ficou completamente só.

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Sobrevivência

Durante quase 30 anos, o tenente aplicou o treinamento de inteligência e guerrilha que havia recebido, sobrevivendo alimentando-se de cocos, bananas, carne de gado roubada de fazendeiros locais e arroz.

Acreditando que ainda estava em combate, Onoda mantinha seu uniforme militar cuidadosamente conservado e limpo, além da espada katana e o fuzil de serviço perfeitamente lubrificado e funcionando.

A vida só mudou em 1974. Em fevereiro daquele ano, o jovem explorador japonês Norio Suzuki (1949-1986) decidiu viajar pelo mundo em busca de três coisas: "o Tenente Onoda, um panda e o Abominável Homem das Neves". Um dos objetivos ele realizou.

Mas o soldado não acreditou que a Segunda Guerra havia chegado ao fim há décadas e manteve-se irredutível: só entregaria as armas se recebesse uma ordem direta de seu superior hierárquico. Para resolver o impasse, o governo japonês precisou localizar o Major Yoshimi Taniguchi, que àquela altura já havia deixado a vida militar e trabalhava em uma livraria, e leva-lo até as Filipinas.

Taniguchi vestiu seu antigo uniforme e, em 9 de março de 1974, leu oficialmente a ordem de cessar-fogo e desmobilização para Onoda, que tinha então 52 anos. Ele prestou continência, bateu os calcanhares e entregou sua espada, encerrando oficialmente a guerra para si.

Volta ao mundo real e mudança para o Brasil

Ao retornar ao Japão, Onoda foi recebido como um herói nacional por sua bravura e lealdade inabaláveis. O país que encontrou, no entanto, estava bem diferente do qual saiu em 1944: moderno, industrializado e ocidentalizado.

Desconfortável com a atenção da mídia e com as mudanças culturais, o ex-soldado decidiu se mudar para o Brasil em 1975. Ele passou a viver em Terenos (MS), tornou-se pecuarista e dedicou-se à criação de gado por mais de uma década.

Onoda chegou a ser homenageado pela Força Aérea Brasileira e títulos de cidadão honorário. Ele morreu em Tóquio, em janeiro de 2014, aos 91 anos. Sua história virou tema do filme "Onoda: 10 mil Noites na Selva", em 2021, e de livros como "Sem rendição", autobiografia escrita no Brasil pelo sobrinho, Eduardo Onoda.

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