Ausência de Cristiano Ronaldo divide opiniões junto ao Estádio do Dragão
Antes da receção à Noruega, da quarta jornada do Grupo A4 da Liga das Nações de futebol, o nome de Ronaldo continuava presente nas conversas dos adeptos nas imediações do recinto, apesar de o avançado de 41 anos já não estar entre as opções.
João Ferreira, de 23 anos, chegou de Vila Nova de Gaia com uma camisola com o número sete e não escondia a desilusão. Comprou o bilhete há algumas semanas e ver Ronaldo era uma das principais razões para estar no Dragão.
“É triste, porque comprei o bilhete também para o ver. Sabemos que não vai jogar para sempre e cada oportunidade pode ser das últimas. Não sei exatamente o que aconteceu lá dentro, mas custa-me aceitar que uma história destas possa acabar assim”, disse à Lusa.
O jovem adepto considera que o selecionador Jorge Jesus poderia ter gerido de outra forma a situação, embora reconheça que “o treinador tem de escolher quem joga”.
Poucos metros adiante, Paulo e Carla Moreira, de 47 e 45 anos, respetivamente, tinham saído da Maia com opiniões diferentes sobre a polémica que marcou os últimos dias da seleção.
“Para mim, o treinador é que manda. O Cristiano já não consegue dar aquilo que dava há cinco ou 10 anos e é normal que, aos 41, não jogue sempre. Se o treinador entende que há outros em melhores condições, tem de decidir sem olhar ao nome”, defendeu Paulo.
Ao lado, Carla aceitava o princípio, mas não escondia maior simpatia pela posição do capitão português.
“Claro que nenhum jogador pode decidir quando joga, mas também estamos a falar do Cristiano Ronaldo. Deu imenso à seleção durante mais de 20 anos e acho que isso merece algum cuidado. Gostava que os dois conversassem e que isto não terminasse desta maneira”, afirmou.
A diferença de ideias entre o casal terminou com a certeza partilhada de que, dentro do estádio, ambos vão apoiar Portugal, independentemente de quem estiver em campo.
Já António Silva, de 66 anos, vindo de Gondomar, prefere separar o legado do avançado do episódio que levou à sua saída da concentração antes do triunfo na Dinamarca.
“Para mim, é o melhor jogador português de sempre e ninguém apaga aquilo que fez. Deu-nos alegrias que nunca vamos esquecer. Mas tudo tem o seu tempo”, começou por dizer.
Com várias décadas a acompanhar a seleção, António entende que Ronaldo terá de aceitar progressivamente um papel diferente.
“Um jogador, seja ele quem for, nunca se pode superiorizar aos interesses da equipa. Se o treinador acha que ele deve ficar no banco, tem de aceitar. O Cristiano já fez muito por Portugal, mas a seleção vai continuar depois dele, como continuou depois de Eusébio, de Figo e de tantos outros”, acrescentou.
Entre a admiração pelo capitão e a defesa da autoridade do selecionador, a opinião cruzava-se junto ao Dragão, mas convergia quando a conversa regressava ao jogo.
“Hoje quero que Portugal ganhe. O resto, Cristiano e Jorge Jesus que resolvam depois”, rematou António Silva, antes de entrar no estádio.
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