As notícias das 00h
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É meia-noite. As notícias com Miguel Pina Andrade.
Muito boa noite, está com a Rádio Observador. Começamos esta edição com os protestos no Porto. Cerca de uma centena de pessoas continua na Praça Dom João I, com a garantia que vão pernoitar na praça. Sem mais demoras, rumamos ao encontro do repórter da Rádio Observador, Miguel Pinheiro Correia, que se junta a este jornal em direto a partir da Praça Dom João I. Miguel, os manifestantes decidiram pernoitar com tendas, mas não há sinal da polícia.
Não há qualquer sinal da polícia, Miguel, não há carros, não há sequer agentes, nem da PSP, nem da Polícia Municipal, num cenário que contrasta, naturalmente, com aquele que vimos ontem. Talvez não por esta hora, em que estavam alguns carros, mas ainda não estavam tantos como estiveram depois, na madrugada adentro, as dezenas de carrinhas. Para já, não há polícias a vigiar aqui a praça, onde cerca de 100 pessoas vão convivendo, andando de skate e estão também montadas cerca de 10 tendas e ainda a cantina popular, que tem estado a servir refeições ao longo dos últimos dias. Há essa promessa de dormirem aqui na praça. Vamos perceber, entretanto, também, se acontecerá esse diálogo com a polícia. Isto se, entretanto, a polícia chegar à praça, porque, como dizia, não há sinal de polícia na praça, mas há sinal, sim, de críticas à polícia na praça. E comigo eu tenho o Valter Ramos, que está aqui com uma bandeleta a dizer "infiltrado", tem também uma camisola com críticas à polícia. De onde é que surgem essas críticas?
As críticas surgem por eles não cumprirem sequer a lei. Existe a obrigatoriedade de estar identificados e não estão. Ontem apareceram os capacetes, alguns deles traziam número, mas as golas estavam levantadas para os tapar. Portanto, existem mecanismos para, junto do IGAI, fazer denúncias, mas é impossível identificá-los e é uma vergonha o que se passa em Portugal. É uma maneira de criticar um bado a atuação das forças policiais.
E Valter dizia há pouco que vive no Porto, mas trabalha durante toda a semana fora do Porto. Ainda assim, nos fins de semanas que tem estado aqui, vem sempre à praça. Por que sente necessidade de haver essa mobilização?
Porque é uma consequência para todos. O Porto está completamente vendido. Eu, na minha rua, tenho três prédios novos alugados só a turismo. Há semanas em que falo francês, há semanas em que tenho que falar inglês, porque é demasiado. Estão mais três a ser construídos e nenhum deles é pra habitação familiar, é tudo pra turismo. Eu tenho uma filha com 29 anos, não consegue comprar uma casa recebendo €890.
E terá impacto esta mobilização contínua, quase todos os dias?
Com o tempo, sim. A gente devagarinho vai lá. Eles estão mortos que a gente faça porcaria e que sejamos mais proativos do que aquilo que eles esperavam. Por isso é que ontem vieram aqueles senhores vergonhosos, não tem outro nome, a polícia é vergonhosa neste momento em Portugal, fazer os atos que fizeram, teve que puxar da pistola, porque já se viu as imagens em todo lado, e é um ato vergonhoso tentar incentivar à violência, quando, na realidade, aquilo que se vê aqui na praça é a maior paz e a maior calma.
Obrigado, Valter. Aqui, como eu dizia, o único vestígio de PSP, entenda-se através desse protesto na camisola, com essa crítica aos agentes que atuam e que atuaram aqui ontem, sem essa identificação de nome ou número, como também foi visível. De resto, na praça, cada vez menos gente, perto de 100 pessoas, algumas tendas montadas, mas, lá está, sem sinal de agentes da PSP ou da Polícia Municipal.
A reportagem em direto do jornalista da Rádio Observador, Miguel Pinheiro Correia. O movimento A Campada diz que sabe que a PSP não vai intervir na próxima madrugada. Na assembleia popular deste domingo, os manifestantes decidiram pernoitar e montar tendas na praça. Decidiram também recusar o convite do presidente da Câmara do Porto para uma reunião nos Passos do Conselho. Este domingo, a autarquia tinha comunicado a disponibilidade de Pedro Duarte discutir a compatibilização do direito à manifestação com a disponibilidade dos espaços urbanos e também a possibilidade da existência de acampamentos ocasionais. Ora, em assembleia popular, o convite foi rejeitado. Na sequência dos protestos pela habitação e também das cargas policiais desta madrugada, o presidente da República falou com os autarcas de Lisboa e do Porto, mas também com os representantes das acampadas, um contacto promovido pela Casa Civil da Presidência, que contactou os porta-vozes dos manifestantes de ambas as cidades com este objetivo de promover um encontro. Disso mesmo deu conta um dos porta-vozes da acampada do Porto, Henrique Blanc, à Agência Lusa.
Hoje, às 19h30 da tarde, entraram em contacto comigo, através da Casa Civil, a Presidência da República, a pessoa responsável, informou-me que o presidente da República estava disposto a reunir conosco para discutir as propostas que nós temos e também estes últimos acontecimentos relacionados com a acampada. Está claro que foi uma proposta recebida de muito bom agrado da nossa parte, mas que ainda irá ser discutida por nós todos, de forma democrática, como tem sido tudo até este momento.
Um dos porta-vozes do Movimento A Campada do Porto, Henrique Blanc, em declarações da Agência Lusa. Também a Secretária de Estado da Habitação disse estar disponível para se reunir com as organizações das acampadas. Do Porto seguimos para Lisboa. A capital voltou a sair à rua este domingo para protestar contra a repressão policial e a noite ficou marcada por alguns momentos de tensão. Isto depois do rebentamento de vários petardos no Rossio, o que motivou mesmo uma perseguição do presumível responsável para dentro do McDonald's da praça. Neste momento, a zona da entrada já se encontra praticamente vazia. A polícia está no local ainda a tentar apurar aquilo que aconteceu. Esta noite de domingo o ambiente também já tinha aquecido, isto depois da polícia ter multado condutores que estavam a buzinar em solidariedade com a manifestação, gesto que motivou vários protestos por parte dos manifestantes na praça, que neste momento já se encontra com apenas algumas dezenas de pessoas que ao longo da noite foram abandonando a Praça do Rossio. Seguimos nesta edição da meia-noite com as reações às cargas da polícia desta madrugada. André Ventura considera que este tipo de situações só acontece porque o primeiro-ministro está ausente. O líder do Chega defende que as manifestações não deviam ser uma questão de ordem pública. André Ventura aponta, por isso, a Luís Montenegro, mas também a Luís Neves, o ministro da Administração Interna, e lamenta, o presidente do Chega, que sejam os polícias a sofrer com a insatisfação que se gerou devido ao aumento do custo de vida.
Mas podemos dizer que são os polícias os responsáveis por esta insatisfação? Como podemos colocar isto como um problema de ordem pública ou de caráter da polícia? Este não é um problema de caráter da polícia. No máximo, este é um problema do caráter do governo e dos vários governos que se sucederam. Esta não devia ser uma questão de ordem pública. Só nasceu uma questão de ordem pública porque o primeiro-ministro desapareceu de cena durante vários dias ou semanas.
André Ventura em conferência de imprensa este domingo na sede nacional do partido em Lisboa. O líder do Chega anunciou ainda que vai apresentar um pacote de emergência para a habitação. Diz que não é uma lei de bases da habitação e do arrendamento, mas sim medidas imediatas para facilitar a vida dos portugueses. Ainda nas reações à carga policial desta madrugada, o Livre pede a demissão do ministro da Administração Interna e diz que vai acompanhar o pedido de debate de urgência do PCP. O Partido Comunista pediu uma conferência de líderes para agendar um debate de urgência sobre a atuação policial com a porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, diz que o partido vai acompanhar esta proposta. Diz que é importante que o poder legislativo debata sobre este tema.
Todos os momentos em que seja possível o Parlamento discutir esta situação inadmissível que está a acontecer, o Parlamento deve fazer. Portanto, sim, claro que acompanharemos este debate que o PCP pede, mas também nos parece que, primeiro, neste momento, o Ministério da Administração Interna não tem condições absolutamente nenhumas para continuar. E o Livre normalmente não pede demissões, mas neste caso, parece-nos claro que o Ministério da Administração Interna não tem condições para continuar, mas é preciso fazer mais do que isso. E por isso é que vamos apresentar uma exposição ao Comissário dos Direitos Humanos do Conselho Europeu.
Com a porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, em declarações à Rádio Observador, na manifestação este domingo na Praça do Rossio, o Livre anunciou este domingo que vai expor o caso das cargas policiais a organizações internacionais. O partido argumenta graves violações de direitos protegidos pela Convenção Europeia de Direitos Humanos e também pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. A marcar a atualidade desportiva, Rui Borges vai deixar o cargo de treinador do Sporting Clube de Portugal. A imprensa desportiva aponta Paulo Fonseca como sucessor do técnico português. O atual treinador do Lyon deve ser apresentado esta semana. Isto depois de uma série de exibições mais pobres, o lugar de Rui Borges ficou em risco. Na tarde deste domingo, em comunicado, o Sporting anunciou que reuniu com o treinador português e que foram iniciadas conversações para terminar o contrato de Rui Borges. O treinador da equipa B, Tiago Fernandes, assume o cargo de treinador interino do Sporting. É ele que se vai sentar no banco no próximo jogo da Liga dos Campeões, é frente ao Shakhtar Donetsk, em Londres. Rui Borges abandona assim o Sporting. Depois de dois anos ao serviço dos Leões, deixa no museu uma Liga Portuguesa e uma Taça de Portugal. Ainda no desporto e a toda a velocidade, Kimi Antonelli sagrou-se campeão do mundo de Fórmula 1, sagrou-se assim o campeão do mundo mais novo de sempre. Aos 20 anos e 68 dias, o piloto da Mercedes garantiu neste domingo o título de pilotos na Cidade do México. Tornou-se, por isso, o mais jovem campeão da história da modalidade, mais de três anos mais novo do que Sebastian Vettel, que era o detentor desta proeza. É também o primeiro italiano, Kimi Antonelli, a conquistar o campeonato do mundo desde Alberto Ascari em 1953, pôs fim a uma espera de 73 anos. Kimi Antonelli, piloto da Mercedes, sagrou-se campeão do mundo de Fórmula 1. É assim que fechamos esta edição da meia-noite com a Fórmula 1 e desporto na Rádio Observador. As notícias estão de regresso à meia-noite e meia, já com a edição do jornalista Hugo Fortunato de Oliveira. É com ele que vai estar a cargo a madrugada informativa. Da minha parte é tudo. Desejo-lhe uma boa semana. Boa noite.
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