Lula diz que Flávio não pode ir a debate sem quebrar sigilo
O atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse na noite desta terça-feira (20) que o senador e candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) não pode ir ao debate presidencial da TV Globo, na próxima sexta-feira (23), sem antes autorizar a liberação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares.
"E se ele [Flávio Bolsonaro] apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir no debate. Porque um presidente da República não pode debater com ladrão, esse é o dado concreto", disse o petista durante caminhada de Juazeiro (BA) a Petrolina (PE) com apoiadores.
Leia Mais
Lula autorizará Justiça a quebrar seu sigilo e de familiares, diz porta-voz Lula fala em quebra de sigilo; Flávio responde que petista não tem celular Lula fala em abrir sigilos; Flávio diz que não tem nada a esconder
Mais cedo, Lula apresentou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ao STF (Supremo Tribunal Federal) um documento que autoriza a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de familiares desde que o candidato do PL (Partido Liberal) faça o mesmo.
Como mostrou a CNN, o petista menciona no documento nomes como o da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e seu primogênito Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. O texto ainda pede a quebra de sigilos das empresas e contas registradas em nome dos dois candidatos à Presidência.
O pedido será relatado pelo ministro André Mendonça e a decisão cabe ao presidente do Supremo, Edson Fachin.
Antes do ato no Nordeste, Lula mencionou a entrega do documento aos tribunais e disse que Flávio "certamente não vai ter coragem de abrir o sigilo dele".
"Dei entrada na Suprema Corte, nas mãos do presidente [Edson] Fachin, nesse instante meus advogados estão com ele, a autorização para que haja a divulgação, abrir meu sigilo telefônico, bancário, desde que Flávio Bolsonaro abra o dele para a gente fazer apuração de quem é ladrão nesse país, quem roubou, quem é quem nesse pais, de mostrar a cara, de quem é ladrão e quem é honesto", afirmou à imprensa.
"Ele certamente não vai ter coragem de abrir o sigilo dele, nem a conta nem telefone, e nem de abrir como pessoa física ou pessoa jurídica, porque ele sabe que a vida dele é podre em se tratando de honestidade", acusou.
O "desafio" foi proposto por Lula durante o debate da TV Band, no último domingo (18).
"Eu tomei a atitude de desafiar ele a abrir o sigilo do telefone, o sigilo bancário, para saber quem é corrupto nesse país. Todo mundo acusa todo mundo e não apura nada. Então, vamos apurar. Eu me disponho e vou ficar fazendo o desafio para ele até o próximo debate, para que a gente faça a abertura do nosso sigilo bancário e telefônico, para se apurar quem é que faz corrupção nesse país, quem é que enriqueceu ilicitamente nesse país. Porque não é possível ficar nessa acusação barata de um com o outro", declarou ao final do encontro, que também foi promovido pelo jornal Estadão e pelas emissoras de rádio e televisão Cultura, Gazeta e Jovem Pan.
Flávio rebateu dizendo que achou a proposta "engraçada" porque, segundo ele, Lula "não tem celular".
"Eu fiquei feliz com o desempenho, pude falar de propostas e, finalmente, pude rebater várias mentiras aqui. Inclusive, uma foi engraçada: ele propõe a quebra de sigilo telefônico quando ele não tem celular. Minhas contas estão sempre abertas, tudo o que é meu está declarado à Receita", explicou.
De acordo com o petista, a medida serviria para que os eleitores avaliassem as acusações de corrupção feitas durante as campanhas. Na visão dele, seria uma forma de evitar que a população fosse enganada.
O debate da TV Globo é o último realizado entre os candidatos antes do segundo turno das eleições, no próximo domingo (25). O encontro, que vai acontecer nos estúdios da emissora no Rio de Janeiro, está previsto para começar às 21h20 do horário de Brasília.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.