Aliados fazem ato pró-Lula no ABC, e Haddad diz que 'metade do caminho' para virar eleição já foi percorrido
Em mais um ato de aliados do presidente Lula (PT) nesta quarta-feira (14), o ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou que a campanha já percorreu mais da metade do caminho para virar a disputa pela Presidência contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Candidato derrotado na disputa pelo Governo de São Paulo no primeiro turno, Haddad também pediu que a militância concentre esforços em eleitores indecisos e nos que ainda não estão seguros sobre o voto.
O ato desta quarta ocorreu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, na região metropolitana de São Paulo —berço sindical e político do presidente.
Trata-se de mais um dos vários atos realizados pela esquerda em apoio a Lula após o resultado do primeiro turno com Flávio largando na frente do petista.
O ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho estava presente, assim como representantes dos movimentos sindicais e estudantil e de partidos políticos.
No dia anterior, uma manifestação no largo da Batata, em São Paulo, contou com a presença de Haddad e das candidatas derrotadas ao Senado pelo estado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
No domingo (11), apoiadores participaram de ato na avenida Paulista. Além da capital do estado, outras cidades do país também tiveram atos, manifestações, caminhadas, carreatas, bandeiraços e panfletagens em defesa da campanha do petista.
A tentativa é transformar a mobilização da militância em votos. Os discursos no palco desta quarta expuseram essa estratégia, com apelos ao trabalho de base para convencer eleitores e identificar aqueles que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Falas mencionaram o desânimo após o resultado e afirmaram que não se pode baixar a cabeça. Outra convocou os presentes a se levantar, cantar e demonstrar animação em apoio a Lula.
O próprio Haddad abordou o abatimento dos apoiadores. Disse que muitos ficaram tristes e tinham motivos para isso, mas procurou apresentar uma perspectiva mais otimista da disputa.
Segundo ele, os candidatos que ficaram fora do segundo turno somaram cerca de 8% dos votos, e a maioria dos principais tinha perfil de direita. O cenário teria alimentado esse receio de que o eleitorado migraria para Flávio e ampliaria a vantagem do senador sobre Lula.
"O que muita gente, muito analista percebeu? Se Lula está 2 [pontos] atrás no primeiro turno, para onde vão esses 8% dos votos? Podem ir pro Flávio", disse o ex-ministro. "Em vez de ser 2 pontos de diferença, pode chegar a 10 pontos."
"O que as pesquisas estão dizendo hoje? Isso não aconteceu. Isso não só não aconteceu, como da semana passada para cá a diferença, que não foi nem de 10, nem de 8, nem de 5, foi de 4, caiu para 2. São 21 dias entre o primeiro e o segundo turno. Nós em 10 já andamos bem mais do que a metade do caminho."
O ex-ministro também criticou o adversário do presidente e afirmou que a eleição não diz respeito apenas à trajetória de um candidato, mas ao futuro do país. "O que está em jogo aqui não é biografia de um homem, não. É biografia do país, do nosso país."
Haddad também criticou a posição de Flávio sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Segundo o ex-ministro, apesar de dizer que vai votar a favor da mudança, o senador é contrário à medida e poderia recuar caso fosse eleito. Haddad classificou a posição como "jogo de cena".
O ex-ministro assumiu a coordenação da campanha de Lula em São Paulo no segundo turno.
Como já mostrou a Folha, o estado é central para a disputa presidencial. Além de ser o maior colégio eleitoral do país, foi onde Lula reduziu, em 2022, a vantagem de Jair Bolsonaro (PL) em relação a 2018, quando o então candidato do PSL concorreu contra Haddad.
No primeiro turno destas eleições, Flávio obteve 51,93% dos votos no estado de São Paulo, ante 38,20% do petista.
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