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Sunday, October 18, 2026

Japão lança missão inédita para trazer amostras de lua de Marte

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Japão lança missão inédita para trazer amostras de lua de Marte - Sonda MMX vai coletar material de Fobos para investigar a origem das luas marcianas e avaliar seu potencial para futuras missões tripuladas ao planeta vermelho.O Japão se prepara para lançar uma espaçonave na primeira missão destinada a trazer amostras de Fobos, uma das duas pequenas luas de Marte, conhecida por seu formato irregular, frequentemente comparado ao de uma batata.

A sonda não tripulada Martian Moons eXploration (MMX), desenvolvida em colaboração com agências espaciais dos Estados Unidos e da Europa, além de universidades e empresas de tecnologia, poderá abrir caminho para futuras missões humanas ao planeta vermelho.

O novo foguete japonês H3, que transportará a MMX, tem lançamento previsto para esta terça-feira (20/10) a partir do Centro Espacial de Tanegashima, segundo a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa).

A sonda deverá chegar a Marte cerca de um ano depois. Em seguida, orbitará Fobos por até três anos antes de pousar para coletar pelo menos dez gramas de material da superfície.

"As amostras de Fobos serão, sem dúvida, as primeiras do mundo. Isso significa que será a primeira viagem de ida e volta ao sistema marciano", afirmou Yasuhiro Kawakatsu, gerente do projeto MMX.

Os cientistas esperam que a missão, com duração prevista de cinco anos, forneça pistas sobre como Fobos e sua "irmã" menor, Deimos, se formaram e possa até ajudar a esclarecer as origens da vida no Sistema Solar.

Possível base para missão tripulada

As amostras de Fobos poderão fornecer dados valiosos para que cientistas avaliem a possibilidade de utilizar uma lua marciana como base para futuras missões tripuladas a Marte, afirmou Kawakatsu.

"Apesar de sua potencial importância, as luas de Marte nunca foram totalmente investigadas", disse o cientista. "Elas são consideradas as montanhas mais importantes do Sistema Solar que ainda não foram exploradas."

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Desde a década de 1960, dezenas de missões foram enviadas a Marte, mas suas luas continuam envoltas em mistério. Os nomes Fobos e Deimos derivam da mitologia grega e representam o medo e o terror, filhos de Ares, o deus da guerra, cujo equivalente romano é Marte.

Diversas tentativas russas de pousar em Fobos, incluindo uma em 2011, fracassaram.

Uma das principais questões é como essas luas se formaram e do que são feitas. Alguns cientistas acreditam que os dois corpos irregulares e repletos de crateras sejam remanescentes de detritos produzidos após a colisão de um grande objeto celeste com Marte. Outros defendem que elas sejam asteroides capturados pela gravidade do planeta.

Representantes da Jaxa acreditam que as amostras de Fobos poderão fornecer respostas definitivas.

"Podemos chegar a uma conclusão, quase com certeza, analisando amostras do solo de Fobos", afirmou Kiyoshi Kuramoto, pesquisador principal da missão MMX.

Os cientistas optaram por coletar amostras de Fobos principalmente porque a lua está mais próxima de Marte do que Deimos e, portanto, pode conter mais informações sobre o planeta. Segundo a Jaxa, cerca de 0,1% do material recolhido em Fobos deve ter origem marciana.

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Com entre 20 e 30 quilômetros de diâmetro, Fobos orbita Marte a aproximadamente 6 mil quilômetros de distância e completa três voltas ao redor do planeta por dia.

As amostras também poderão ajudar a esclarecer a origem de Deimos, já que as duas luas provavelmente compartilham uma origem semelhante. A missão inclui ainda um sobrevoo de Deimos para a realização de observações científicas.

MMX passará três anos estudando Fobos

A viagem até o planeta vermelho será longa. Embora Marte possa estar a cerca de 55 milhões de quilômetros da Terra em seu ponto mais próximo, a trajetória da missão terá entre 500 milhões e 600 milhões de quilômetros, segundo Kawakatsu.

Após o lançamento pelo foguete H3, a espaçonave deverá chegar à órbita de Marte por volta de agosto de 2027. Em seguida, passará três anos nas proximidades de Fobos coletando dados e amostras, antes de iniciar o retorno à Terra em 2031.

A MMX é composta por três módulos, dedicados à propulsão, exploração e retorno, e pesa cerca de cinco toneladas. Apenas o módulo de retorno voltará à Terra com as amostras armazenadas em uma cápsula.

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A espaçonave levará 13 instrumentos científicos, incluindo um rover desenvolvido conjuntamente por França e Alemanha, um dispositivo da Nasa para coleta de amostras, um detector de raios gama e um equipamento da Agência Espacial Europeia para comunicações no espaço profundo. Um monitor japonês de radiação também coletará dados que poderão contribuir para futuras missões tripuladas a Marte.

Coleta de amostras

O rover franco-alemão Idefix, batizado em referência ao cão de Obelix nos quadrinhos de Asterix, será o primeiro a pousar em Fobos. Durante uma missão prevista para durar cerca de 100 dias, por volta de 2029, ele explorará a superfície da lua e ajudará a identificar os melhores locais para a coleta de amostras.

Após o pouso da MMX, os cientistas da Jaxa pretendem recolher pelo menos dez gramas de solo em duas tentativas de amostragem, utilizando tecnologias dos Estados Unidos e do Japão.

O equipamento da Nasa usa gás pressurizado para levantar poeira da superfície e armazená-la em um recipiente. Já o método japonês consiste na extração de amostras de aproximadamente dois centímetros de profundidade.

Na primeira tentativa, a MMX coletará material tanto da superfície quanto do subsolo utilizando ambos os sistemas. Na segunda, fará uma nova coleta subterrânea.

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Segundo os cientistas, obter amostras de diferentes locais aumenta as chances de encontrar possíveis vestígios de antiga vida microbiana marciana.

As amostras serão armazenadas em uma cápsula com proteção térmica, projetada para resistir à reentrada na atmosfera terrestre. A expectativa é que ela pouse na Austrália antes de seguir para o Japão.

O país já trouxe à Terra amostras de asteroides nas missões Hayabusa, em 2010, e Hayabusa2, em 2020.

Gravidade reduzida é desafio

A gravidade extremamente baixa de Fobos representa um dos maiores desafios da missão.

A espaçonave precisará selecionar um local relativamente plano para o pouso com base nos dados topográficos fornecidos pelo rover Idefix. A coleta das amostras deverá ser realizada em um curto intervalo de tempo para reduzir os riscos da operação.

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md (AP, AFP)

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