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Friday, November 6, 2026

Petróleo, juros, bolsas. As eleições nos EUA e o nosso bolso

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Paulo, em dia de eleições intercalares nos Estados Unidos, vamos ver nos próximos minutos como é que os resultados que dão a vitória ao Partido Democrata podem mexer com o nosso bolso.

Vamos ver, pode ter alguma influência, de facto. Antes de mais, só um breve enquadramento: os Estados Unidos são o quarto parceiro comercial de Portugal. É para lá que vão menos de 7% das exportações portuguesas, e os setores mais exportadores são têxtil e vestuário, bebidas, aqui inclui o vinho, produtos minerais não metálicos, madeira e cortiça, e borracha e plásticos. Portanto, estes setores podem ser diretamente afetados pela política tarifária dos Estados Unidos. Sabemos o que Trump tem feito nos últimos anos, impondo tarifas de uma forma muito errática, o que condiciona sempre esses setores. Mesmo que essas tarifas não avancem, há sempre um село branco em termos de negócio. Os democratas não apoiam esse tipo de política, portanto, pode haver aqui alguma estabilidade tarifária maior a partir de agora. Depois, indo para questões que mexem mais diretamente com o nosso bolso, temos à cabeça, obviamente, a questão dos combustíveis e energia. A geopolítica e, sobretudo, as intervenções no Oriente Médio condicionam altamente o preço do petróleo e a capacidade de refinação um pouco por todo lado, e isso tem feito aumentar os combustíveis. Aqui vamos ver até que ponto as câmaras de controle democrata condicionam a continuação, antes de mais, do conflito no Irão, que é, neste momento, o estreito de Ormuz, a circulação no estreito de Ormuz, que é o gargalo da garrafa na distribuição de petróleo. Depois, há aqui decisões da política norte-americana que têm a ver com orçamento. Se houver uma disputa orçamental que aumente a despesa, vamos ter uma Reserva Federal muito mais predestinada para aumentar as taxas de juro. O processo já começou, precisamente para combater a inflação, mas mais déficit faz mais dívida e tudo isso faz mais inflação e, portanto, a Reserva Federal tenderá a aumentar taxas de juro, o que levará também o BCN a não deixar fugir muito o juro norte-americano para não haver um desequilíbrio de juros das duas moedas e para que o euro não desvalorize em relação ao dólar. Isso é importante. Em termos ainda de política energética, entre a desregulamentação da extração de crude nos Estados Unidos e os incentivos à transição verde, nós temos agora um contexto político que é mais favorável para a transição verde. Isso, curiosamente, pode afetar a oferta de petróleo nos próprios Estados Unidos e a redução dessa oferta ser um contributo para poder inflacionar o preço do petróleo. Depois, tudo isto tem impacto na inflação, como nós sabemos. A inflação leva também à mexida nas taxas de juro, e isso impacta diretamente na prestação, por exemplo, da casa que vamos pagando. Sentimos isso também no último ano, sobretudo com o impacto da inflação decorrente do conflito do Irão e do impacto que tem nos combustíveis. Mas lá está, o déficit americano é também muito importante nestas contas por este impacto: déficit, inflação, inflação, juros mais elevados. Portanto, vamos ver como é que as coisas correm aí. Depois, olhando para aquilo que já são os investimentos e poupanças pessoais, vamos ver como é que reagem os mercados agora. Nós sabemos que os PPR, fundos de poupança, ETFs de portugueses também estão muito investidos, têm uma percentagem grande, muitas vezes investida em ações norte-americanas e nos mercados bolsistas norte-americanos. Portanto, até que ponto os mercados vão reagir positivamente a este novo contexto político norte-americano? Vamos ver também como é a política de utilização dos vetos de Donald Trump, até que ponto isso vai criar bloqueios ou não.

Exatamente, o impacto que vai ter.

Exatamente, nas várias políticas e a evolução dos mercados bolsistas norte-americanos aí pode mexer diretamente com estes produtos de poupança que estão investidos lá. Portanto, há aqui muitas peças a mudar. Vai haver agora, uma semana, certamente de alguma instabilidade para perceber como é que as peças todas vão assentar.

E tu cá estarás, Paulo, para nos ajudar a perceber nos próximos dias o impacto económico destes resultados que dão a vitória ao Partido Democrata norte-americano.

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