Faxina do STF poder? acontecer ap?s elei??o para o Senado
Tomara que a eleição parlamentar de 2026 traga alguma emoção, ideia ou novidade. Isso porque a disputa presidencial é soporífera, desprovida de ideias e novidades. Novidade mesmo, só a nova composição do Senado e a forte possibilidade de se formar uma maioria de 54 votos capaz de tirar o cargo de um ministro do Supremo Tribunal.
Se depender do próprio tribunal, ele nunca fará isso.
Os candidatos ao impedimento são pelo menos dois: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A relação de Moraes com o senador Davi Alcolumbre pode livrá-lo da lâmina.
A tarefa dos doutores parece ser a de criar tantos obstáculos para uma faxina doméstica, de forma que o socorro venha do Senado.
Com a civilidade do Supremo em viés de baixa, tudo pode acontecer naquele pretório excelso. Uma troca de mensagens entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux mostra o clima:
Gilmar: "Isto revela qq (sic) coisa menos postura institucional. Espero que não (sic) se repita".
Fux: "Ninguém nesse mundo diz pra (sic) mim como agir",
Gilmar: "Fux, soh (sic) cuide de atuar como Presidente da turma".
Fux: "Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!".
Gilmar sabe, mas não custa repetir, Fux tem uma graduação superior à faixa preta de jiu-jitsu. Como o decano do Supremo é um mestre da retórica do atrevimento, convém cuidar-se.
Há alguns anos, Fux encestou um ladrão.
D. Pedro passou a faca
D. Pedro 2º tem fama de austero, criterioso e justo. Menos. Em 1863 ele aposentou compulsoriamente quatro juízes do Supremo Tribunal de Justiça. Seriam ministros prevaricadores ou teriam descontentado a Condessa de Barral, uma bonita baiana, culta e chique. Namorada do Imperador, sabia defender seus interesses.
Foram quatro ministros de uma só vez. A degola foi denunciada por inconstitucional e o presidente do tribunal renunciou ao cargo (mas manteve a cadeira).
D. Pedro sabia lidar com magistrados. Num despacho de 1862 com o presidente do conselho, registrou:
"Falamos também sobre as prevaricações de certos magistrados, e disse que era preciso não deixar impunes tais crimes, sendo seus perpetradores estigmatizados, ao menos, por um processo."
Como no filme
Daniel Vorcaro ocupa parte do seu tempo na Papudinha cuidando de um pequeno jardim e de uma horta.
Vorcaro teve seu momento de Dustin Hoffman. No filme Papillon, baseado na autobiografia de um arrombador de cofres francês (Steve McQueen no filme), mandado para uma prisão na Guiana, lá ele convive com o vigarista Louis Dega (Dustin Hoffman).
Enquanto Papillon só pensa em fugir, Dega torna-se um aplicado jardineiro.
Vaidade masculina
Com o Supremo Tribunal debaixo da lupa, caíram na frigideira os relógios de algumas das excelências. O decano Gilmar Mendes lembra os soldados russos, usa dois, um em cada pulso. O mais caro é o Patek Philippe de Alexandre de Moraes (R$ 720 mil) e o mais barato é o Patek de Edson Fachin (R$ 60 mil).
Todos feitos para quem anda em carro oficial, porém com modelitos desse valor, um pedestre não consegue andar por cem metros de calçada.
Misógino, o pretório excelso é uma vitrine da vaidade masculina. Em tese, os ministros vestem togas negras, sóbrias e despojadas.
Na prática, os doutores redesenharam as togas e enfiaram ridículas ombreiras que os fazem parecer com Darth Vader, além disso, quase todos usam togas acetinadas, que lhes dão um brilho quase carnavalesco.
Quando um curioso perguntou à ministra Cármen Lúcia se a sua toga era acetinada, ela mineiramente respondeu:
- Você está me estranhando?
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