Votar duas vezes no mesmo candidato para senador anula um dos votos; entenda
Embora o eleitor que for às urnas neste domingo (4) precise votar para o Senado duas vezes, não poderá escolher o mesmo senador mais de uma vez —se digitar o número do mesmo candidato na urna novamente, o segundo voto será anulado.
Algumas das dúvidas mais comuns dos brasileiros na reta final da campanha, além da decisão do candidato para os cargos legislativos (pesquisas mostram que muitos eleitores ainda estão indecisos), tratam do funcionamento prático da votação na urna eletrônica.
Uma pesquisa da Quaest divulgada na última terça-feira (29) pela TV Globo e pelo jornal O Globo mostrou que 45% dos eleitores diziam não saber ou erravam a informação sobre a quantidade de senadores em que precisam votar neste ano.
São dois. De acordo com a Constituição, o Senado não pode ser completamente renovado em uma única eleição, o que significa que, a cada quatro anos, o país vota para preencher ou dois terços da Casa —como vai acontecer em 2026— ou somente um terço.
Assim, o eleitor precisa chegar ao local de votação neste domingo com dois números, representando dois candidatos que disputarão as duas vagas a que cada estado tem direito. Vencem os dois mais votados, sem sistema de segundo turno e sem hierarquia entre primeiro e segundo colocado, que exercerão o mandato por oito anos, podendo se reeleger.
Hoje, o senador mais longevo da República é Renan Calheiros (MDB-AL), que tem quatro mandatos, tendo sido eleito continuamente desde 1994. Se for eleito novamente, será a primeira pessoa a conquistar cinco mandatos na história da Nova República —o ex-presidente José Sarney, no Senado de 1971 a 1985 e depois de 1991 até 2015, também possui cinco, mas dois deles foram obtidos durante a ditadura militar.
As razões para o mandato mais longo dos senadores e para a necessidade de votos distintos a cada ano são históricas. No século 19, muitos dos países que desenharam suas Constituições pela primeira vez copiaram o modelo dos Estados Unidos de um Legislativo bicameral.
Lá, como aqui, a Casa baixa representa cada estado de acordo com a população. Isso significa que São Paulo possui uma bancada com 70 deputados federais, enquanto o Distrito Federal e outros contam com apenas 8, o número mínimo de cadeiras por estado.
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Para evitar que unidades da federação mais populosas dominem a política, o Senado representa os estados de maneira igual: cada um possui três vagas.
Além disso, por influência da Revolução Francesa, a Casa alta possui um desenho institucional projetado para protegê-la de mudanças políticas súbitas, impedindo que um grupo político consiga tomá-la por completo de uma só vez e tornando mais difícil seu acesso por candidatos mais radicais —isto é, sem apoio considerável de boa parte de seu estado.
Por isso os mandatos são de oito anos, com pelo menos um terço da casa permanecendo o mesmo a cada eleição.
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