Debate virou uma luta livre, e eleitorado entrou com a cara

Só para assinantes
Assine UOLOpinião

Esperava-se o pior. Mas o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro foi bem pior que o esperado. Os dois foram aos estúdios da Band com o espírito dos ringues. Transformaram o debate num tipo inusitado de luta livre — uma briga de pátio de colégio, na qual o eleitorado entrou com a cara.
Segundo o Datafolha, 93% dos eleitores dizem estar totalmente decididos. Restam 7% que não se declaram nessa condição. São cerca de 11 milhões de brasileiros. Quem assistiu ao debate com olhos de Tim Maia — "Me dê motivo..." — pode ter encontrado razões para votar nulo ou branco. Ou para se abster.
Flávio Bolsonaro encenou Pablo Marçal. Estava ensaiado para lacrar, não para debater ideias. Produziu recortes em série. E estragou os vídeos alheios. Fez caras e bocas atrás de Lula enquanto ele falava. Desviou das perguntas com provocações. O adversário caiu na cilada. Pior: desestabilizou-se no primeiro round.
Lula sentiu o golpe ao ser confrontado com os vínculos entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. Revidou esfregando Daniel Vorcaro na cara de Flávio. Mas só saiu das cordas quando o córner lhe soprou a ideia de desafiar o rival a abrir os sigilos bancário e telefônico, para "ver quem é ladrão".
Lula teve bons momentos. No melhor deles, enalteceu o SUS e recordou a briga de Bolsonaro com as vacinas durante a pandemia. Arrancou de Flávio um mea culpa cenográfico. Mas a virada dependia de um nocaute. E Flávio Bolsonaro saltitava no estúdio ao final do embate. Arrogância não dá voto. Mas também não tira.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.
