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Monday, October 19, 2026

Debate virou uma luta livre, e eleitorado entrou com a cara

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Josias de Souza

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Opinião

Flávio Bolsonaro (PL) aparece atrás de Lula (PT) durante o debate da Band
Flávio Bolsonaro (PL) aparece atrás de Lula (PT) durante o debate da Band Imagem: Eduardo Carmim - 18.out.26/Estadão Conteúdo

Esperava-se o pior. Mas o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro foi bem pior que o esperado. Os dois foram aos estúdios da Band com o espírito dos ringues. Transformaram o debate num tipo inusitado de luta livre — uma briga de pátio de colégio, na qual o eleitorado entrou com a cara.

Segundo o Datafolha, 93% dos eleitores dizem estar totalmente decididos. Restam 7% que não se declaram nessa condição. São cerca de 11 milhões de brasileiros. Quem assistiu ao debate com olhos de Tim Maia — "Me dê motivo..." — pode ter encontrado razões para votar nulo ou branco. Ou para se abster.

Flávio Bolsonaro encenou Pablo Marçal. Estava ensaiado para lacrar, não para debater ideias. Produziu recortes em série. E estragou os vídeos alheios. Fez caras e bocas atrás de Lula enquanto ele falava. Desviou das perguntas com provocações. O adversário caiu na cilada. Pior: desestabilizou-se no primeiro round.

Lula sentiu o golpe ao ser confrontado com os vínculos entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. Revidou esfregando Daniel Vorcaro na cara de Flávio. Mas só saiu das cordas quando o córner lhe soprou a ideia de desafiar o rival a abrir os sigilos bancário e telefônico, para "ver quem é ladrão".

Lula teve bons momentos. No melhor deles, enalteceu o SUS e recordou a briga de Bolsonaro com as vacinas durante a pandemia. Arrancou de Flávio um mea culpa cenográfico. Mas a virada dependia de um nocaute. E Flávio Bolsonaro saltitava no estúdio ao final do embate. Arrogância não dá voto. Mas também não tira.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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