Super El Niño pode causar 450 mil mortes até fevereiro, diz estudo

O pesquisador argumenta que a divulgação não poderia esperar a publicação acadêmica por causa da urgência. "As pessoas conseguiram prever quando haveria choques nas safras e dar aviso prévio disso. Este novo relatório está abrindo a porta para fazer isso para um resultado ainda mais importante, que é a morte. Teria sido irresponsável guardar isso", disse Greenstone ao The Guardian.
Risco imediato e alerta para o futuro
A equipe afirma que o El Niño funciona como um retrato do clima que a crise climática pode tornar comum em cerca de 20 anos. Para a pesquisadora Tamma Carleton, da Universidade da Califórnia em Berkeley, respostas emergenciais podem salvar vidas agora, mas não resolvem o problema de longo prazo.
Carleton defende que governos e serviços públicos se preparem para um cenário em que extremos de calor se tornem rotina. "Aumentar a resposta emergencial e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas neste ano. Mas, daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje virarem o novo normal, não queremos viver em um estado constante de emergência. Precisamos nos mobilizar agora para desenhar, implementar e avaliar as ferramentas que vão salvar vidas nos próximos anos", disse ao The Guardian.
Especialistas alertam que o fenômeno se desenrola sobre um planeta já mais quente por influência humana. "O evento [atual de El Niño] é uma enorme redistribuição de energia no sistema climático e é perigoso, porque está acontecendo em cima de um sistema climático muito mais quente, influenciado por humanos", afirmou a professora Friederike Otto, do Imperial College London, ao The Guardian.
Otto diz que isso aumenta a chance de ondas de calor sem precedentes e pressiona saúde, água e comida. "Então, em muitos lugares do mundo veremos extremos de calor nunca antes vividos, com todas as consequências para a saúde, a segurança alimentar e o estresse hídrico. O El Niño vai e volta, mas, enquanto continuarmos queimando combustíveis fósseis, ele ocorre sobre uma base cada vez mais quente, o que torna muito mais difícil para as comunidades lidar com as consequências", completou.
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