Vorcaro bancou o tarifaço contra o Brasil montado no Dark Horse?

A Procuradoria-Geral da República aponta que o ex-deputado, que está em autoexílio no Texas, orientava a gestão desses recursos. E a PF investiga se a grana foi usada para manter as atividades dele enquanto conspirava junto ao governo Donald Trump. Isso — segundo afirmou o próprio deputado na época — ajudou a estabelecer o primeiro tarifaço contra o Brasil no ano passado.
Em outras palavras: confirmado que a grana manteve Eduardo enquanto ele tentava barrar o julgamento e a condenação de Jair por tentativa de golpe, podem-se somar a coação no curso do processo e, por que não, a traição ao rol de investigações envolvendo Flávio por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. É um belo currículo para um pretendente à Presidência da República.
Sempre que é confrontado sobre o cascalho do Vorcaro, Flávio Bolsonaro diz que a produtora Go Up já fez uma perícia privada e que estava tudo ok. Mentira. Por exemplo, Artur Rodrigues e Amanda Rossi, no UOL, apontam hoje o contrário: a ação da PF identificou conflitos em relação ao volume de recursos que teria voltado do exterior para o Brasil para a execução do filme. Traduzindo: o boteco da esquina tem contas mais redondas e transparentes do que as de Dark Horse.
Natália Portinari, Cézar Feitoza, Artur Rodrigues e Fabio Serapião, também no UOL, revelam que o braço da produtora de Dark Horse nos EUA se recusou a entregar às autoridades brasileiras os documentos contábeis e bancários da empresa, mantendo sob sigilo informações relativas a 72% do custo da produção do filme. Basicamente, exige-se uma ordem de um juiz norte-americano. Para tanto, precisaríamos que o STF fizesse esse pedido. Mas Mendonça só tem olhos para Moraes.
Outra dúvida é se toda a informação coletada foi realmente divulgada por Mendonça ou se dados apurados em diligências da PF ainda em curso não vieram a público sob a justificativa de não atrapalhar as investigações. Isso sem contar dos dados do celular de Daniel Vorcaro, que foram apenas parcialmente revelados, prejudicando uns e beneficiando outros. Na atual conjuntura, em que dados de ministros do STF foram divulgados mesmo sem autorização para tanto, seria importante que toda a informação viesse a público.
O dano à Justiça e ao país provocado pela atual percepção de tentativa de interferência eleitoral por meio do vazamento seletivo de informações é pior do que qualquer prejuízo às investigações. A percepção, até aqui, é a de que o filme foi um grande aríete contra o próprio Brasil.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.