ESPN DeportesLeón venció al Atlético de San Luis con doblete de CambindoESPN⭐ Taylor Swift, Tom Cruise share suite at ArrowheadCNN TürkFatih'te daha önce kurşunlanan iş yerinin fotoğraflarını çeken şüpheli tutuklandıPunchRansom economy: How kidnappers turn northern families’ pain into profitוואלהגבר כבן 70 נפצע קשה באשקלוןInquirerLOOK: DILG releases new mugshots of RomualdezUOLParte do Vale do Silício vê interesse comercial por trás de discurso de segurança e desaceleração da IAالشرقالمحكمة العليا ترفض خطة ترمب للحد من التصويت بالبريد في انتخابات التجديد النصفيNew Straits TimesCar crashes into elephant on Jalan Jerangau-Jabor, 3 people injuredThe Hollywood Reporter‘The Pitt’ Showrunner R. Scott Gemmill Delivers Rallying Cry for “What’s Real” After Emmy WinDaily MailEmmy Awards 2026 best dressed! Zendaya, Selena Gomez and Mariska Hargitay lead red carpet glamour at TV's biggest nightThe GuardianEmmy awards 2026 live: The Pitt wins best drama as Widow’s Bay cleans up comedy categories
The Daily Newsstand · Free, Always
Tuesday, September 15, 2026

Antissemitismo cresce no Brasil e ganha códigos nas redes sociais, aponta levantamento

Translate

A maior parte das denúncias de antissemitismo registradas no Brasil em 2025 ocorreu na internet, segundo levantamento da Confederação Israelita do Brasil (Conib). Nesse ambiente, segundo especialistas ouvidos pela Folha, o discurso de ódio pode aparecer de forma menos explícita, em memes, imagens e expressões codificadas, o que dificulta seu reconhecimento até pela Justiça.

A entidade registrou 989 ocorrências no ano passado, ante 397 em 2022 —um salto de 149%. O pico foi registrado em 2024, um ano após o ataque do Hamas a Israel e o início da guerra em Gaza, com 1.788 casos registrados. Para a Conib, o recuo não representa alívio, mas uma estabilização do antissemitismo em patamar elevado.

De acordo com o relatório mais recente, cerca de 80% dos casos ocorreram em plataformas digitais. O monitoramento da Conib também identificou 115.970 menções classificadas como antissemitas, com alcance potencial estimado em 66 milhões de pessoas.

É nesse cenário que a Conib lançou o projeto "Decodificando o Antissemitismo", que inclui um atlas ilustrado sobre símbolos de ódio. A plataforma reúne mais de 2.000 imagens, além de podcasts e videoaulas. A proposta é mostrar como estereótipos construídos historicamente reaparecem em formatos contemporâneos.

Para a antropóloga Anelise Fróes, uma das autoras do Atlas, a dificuldade está justamente em reconhecer o preconceito quando ele deixa de ter uma aparência imediatamente identificável. Uma piada ou um meme podem carregar referências antissemitas imperceptíveis para quem desconhece a história desses estereótipos.

O Atlas aproxima imagens antigas de representações contemporâneas para evidenciar essa continuidade.

A internet amplia esse repertório antigo ao combiná-lo a linguagens próprias das redes. O antissemitismo reaparece em montagens, referências irônicas ou expressões cujo significado depende do contexto —os chamados dog whistles (apitos de cachorro).

A advogada Lilia Frankenthal, autora do recém-lançado "O Antissionismo Impossível" (Uiclap) e presidente da Fundação Aviva18, atua em processos judiciais e denúncias criminais sobre o tema. Para ela, parte do obstáculo está no desconhecimento de juízes, promotores e delegados sobre referências históricas e linguagens veladas de discriminação.

"O preconceito hoje não vem necessariamente com suástica, bandeira nazista ou gritaria nas ruas. É um antissemitismo velado, um racismo que não foi ensinado na faculdade de direito", pontua Frankenthal.

Ela relata situações em que magistrados tiveram dificuldade para compreender por que determinada publicação constituía antissemitismo. O desafio cresce quando a mensagem não contém insultos explícitos, mas recorre a códigos.

Frankenthal cita o caso de uma imagem em que uma figura pública judia aparecia ao lado de indígenas acompanhada, na legenda, pelo emoji de uma caixa de suco. Isoladamente, a composição parecia sem nexo. No entanto, tratava-se de um trocadilho em inglês ("juice", suco, cuja pronúncia se assemelha a "jews", judeus) usado em fóruns radicais como insulto.

"O contexto define tudo. Uma caixinha de suco isolada não é preconceito, mas usada contra uma pessoa pública judaica torna-se uma ofensa direcionada. Sem essa leitura contextual, o crime fica impune", diz a advogada.

É essa distinção, segundo Frankenthal, que precisa ser feita por investigadores, promotores e juízes. Para tentar reduzir esse déficit, a advogada dá aulas em delegacias de polícia e distribuirá seu livro a membros do Judiciário em todo o país.

Lá Fora

Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo

Fróes também chama atenção para a cobrança para que judeus se posicionem publicamente sobre as ações do governo de Israel —mesmo aqueles que nunca estiveram no país . "É uma cobrança que pode até fazer sentido para pessoas que estão em Israel, mas, na diáspora, isso não só perde força como não tem sentido", afirma.

Ela relaciona essa cobrança à manifestação antissemita da "dupla lealdade", também abordado no Atlas. A ideia, segundo Fróes, é a de que judeus seriam mais leais a Israel do que ao país onde vivem.

Frankenthal reassalta que "ninguém exige de um descendente de russos nascido no Brasil que se posicione sobre a guerra na Ucrânia". Para a advogada, essa exigência diferenciada revela um antissemitismo por trás da cobrança.

View the original on UOL

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.