Lula vai ao quarto mandato com desafio de retomar credibilidade fiscal após elevar gastos na campanha
Desde 2024, o Brasil adota meta de inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. De lá para cá, contudo, o índice nunca convergiu para o centro do alvo, alcançando 4,6% nos 12 meses até setembro. As expectativas de mercado seguem acima do objetivo inclusive para horizontes tão distantes como 2029.
Apesar da desancoragem, a atividade econômica passou a mostrar sinais de desaceleração após anos impulsionada por estímulos à demanda, levando o BC a iniciar em março um ciclo gradual de afrouxamento monetário. Desde então, a Selic já caiu 1,25 ponto percentual, para 13,75%.
Antes mesmo do resultado do segundo turno, economistas consultados pelo BC projetavam mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, com os juros paulatinamente caindo à frente, mas permanecendo em dois dígitos pelos próximos três anos.
Na prática, o cenário indica que o Brasil continuará operando com uma das taxas de juros reais mais altas do mundo, reforçando a avaliação de que uma queda mais significativa dependerá da adoção pelo governo de uma política fiscal menos expansionista.
Em seu plano de governo, Lula afirmou de forma genérica que vai criar condições para uma redução sustentada dos juros, com um controle de despesas que não prejudique políticas sociais, retomada do crescimento econômico, promoção de justiça tributária e combate a privilégios. Resta saber como o plano será operacionalizado.
“Sem uma mudança mais clara na direção da política econômica, voltada para uma consolidação fiscal crível, acreditamos que as expectativas de inflação provavelmente continuarão sob pressão de alta", disse a head de pesquisa para América Latina do JP Morgan, Cassiana Fernandez.
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