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Tuesday, November 3, 2026

00h. Acampada de Lisboa aceita convite de Seguro

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Meia-noite em ponto. Jornal da Meia-Noite, com edição da Laura Figueiredo. E começamos, Laura, pelos protestos pela habitação. Em Lisboa, os manifestantes aprovaram aceitar o convite do Presidente da República para uma reunião.

A decisão foi tomada, como habitualmente, em assembleia popular no Rossio. De acordo com a organização do movimento, a Casa Civil do Presidente da República endereçou no domingo um convite ao movimento para uma reunião. Ora, a proposta foi hoje aprovada pela larga maioria dos manifestantes que participaram na assembleia popular no Rossio, na presença de um dispositivo policial, ainda assim menos visível do que em noites anteriores. Vamos em direto até lá, onde se reúnem a esta hora centenas de pessoas. Ela que está a repórter do Observador, David Biléu. David, boa noite. Foi já tomada alguma decisão quanto à montagem de tendas esta noite?

Na assembleia popular, aqui na Praça do Rossio, que durou cerca de duas horas e meia, não foi hoje votada nenhuma proposta para acampar e montar tendas no dia de hoje. Foi, no entanto, votada, sim, uma proposta para acampar amanhã, para montar tendas amanhã, proposta essa que foi aprovada pelos manifestantes que se encontram aqui na Praça do Rossio. Ora, neste momento, no entanto, vemos aqui três tendas que foram montadas espontaneamente por manifestantes. Uma dessas tendas é a tenda da manifestante Renata Câmara, que hoje o Tribunal Administrativo de Lisboa deu razão à ação judicial que tinha interposto. O tribunal considera que a Renata Câmara, a requerente, tem, portanto, o direito de permanecer e de montar a tenda depois da meia-noite e meia. Considera, portanto, que o decreto lei invocado pela PSP, do decreto lei 1974, não é constitucional. Essa foi a decisão, hoje, do Tribunal Administrativo de Lisboa, que vem reforçar também a posição do movimento Acampada Lisboa. Ora, esta assembleia popular não só votou esta proposta de acampar no dia de amanhã, mas, como bem disseste, Laura, votou também aceder a uma reunião com o presidente da República. O António José Seguro mostrou-se disponível para contactar os representantes da Acampada e a verdade é que aqui, na Praça do Rossio, essa proposta foi votada quase por unanimidade. Foi também votado, por quase unanimidade, um grupo de trabalho para preparar a estratégia para essa conversa com o presidente da República. Outra das propostas, que também foi votada aqui nesta longa assembleia popular, foi, na quinta-feira, mover esta assembleia para o Pátio das Quintinhas, na freguesia do Beato, para mostrar solidariedade com a situação de 30 famílias que se encontram ameaçadas de despejo num prazo de 10 dias. Ora bem, esta proposta foi aqui aprovada. Neste momento, os manifestantes encontram-se aqui à conversa, já mais dispersos, a assembleia popular já terminou. Também não se vê, de todo, um dispositivo policial reforçado, bem pelo contrário, inclusivamente, vimos aqui, ainda no início da noite, alguns agentes da PSP, não muitos, mas alguns com cravo ao ombro e no peito, que é, de facto, uma novidade nestas manifestações. E, portanto, Laura, creio que a intenção deste movimento é não acampar hoje, mas sim no dia de amanhã.

David Biléu, que está no Rossio, em Lisboa, a acompanhar estes protestos. Hoje não foi aprovado montar tendas, há, nesta altura, apenas três montadas espontaneamente.

Cenário contrário. No Porto, o Movimento pela Habitação decidiu, Laura, voltar a montar as tendas na noite de hoje.

Mas passadas mais de duas horas desde a tomada de decisão, ainda não havia qualquer tenda montada. Vamos em direto até a Praça Dom João I, ao encontro do repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia, perceber se este cenário já se alterou. Miguel, boa noite. A esta hora há já alguma tenda montada?

Uma única, verde, solitária tenda aqui na Praça Dom João I, Laura, foi montada há poucos instantes, várias horas depois dessa decisão que surgiu na assembleia popular, numa praça onde agora estão algumas pessoas a jogar futebol. Víamos também há pouco, ouvíamos, um carro a passar e a buzinar, os poucos manifestantes que aqui permanecem a receber essas buzinas com aplausos, a agradecer esse apoio. Essas buzinas têm sido constantes por parte de quem passa aqui de carro, nesta zona central da baixa do Porto, mas na praça, e apesar dessa decisão de montar tendas, neste momento, há só uma única tenda e não é a única que vemos aqui, vemos outras, mas por montar, estão aqui encostadas à parede, prontas a ser montadas, porque há, e ficou decidido também na assembleia, essa vontade de repetir o que aconteceu aqui ontem. Foram montadas cerca de 10 tendas que acabaram por ser retiradas pela PSP, mas só para lá das 4h da manhã. Hoje, havendo essa condicionante que já foi referida, essa decisão que surgiu do Tribunal Administrativo de Lisboa, que permite a Renata Câmara ter uma tenda montada no Rossio e os manifestantes esperam que, apesar dessa decisão não dizer respeito nem a outros manifestantes e tampouco aqui ao protesto no Porto, há essa expectativa de que possa ter algum impacto na decisão da polícia. E, curiosamente A reação que a polícia teve a esta decisão, nessa reação, numa conferência, a Polícia de Segurança Pública falou do acampamento aqui na Praça Dom João I e disse que ontem chegou a permitir um número simbólico e razoável de tendas, mas, na verdade, essas tendas não ficaram aqui a noite toda. Acabaram, como eu dizia, por ser retiradas perto das quatro da manhã pelos próprios manifestantes e já depois de um diálogo com a polícia. Polícia essa que também disse que na noite anterior, ou seja, isto na noite de sábado, antes da carga policial dessa madrugada, da madrugada de domingo, disse também que permitiu uma presença simbólica, novamente, e razoável de tendas, o que também não aconteceu e no diálogo que ouvimos nesses dias, não havia nenhuma indicação para essa permissão de montagem de tendas ou só de algumas tendas. A verdade é que as alternativas da polícia eram: ou deixavam as tendas e então a polícia acabaria por atuar, como aconteceu, ou então poderiam ficar na praça, mas sem tendas. Nunca chegou a estar em cima da mesa essa hipótese de manterem apenas algumas tendas. Mas vamos ver então, e face também a essa decisão do tribunal e à própria reação da polícia já hoje, se aqui o impacto poderá ser diferente na Praça Dom João I, onde só há uma tenda montada e neste momento também não há polícia. Teve até há pouco aqui um carro da Polícia de Segurança Pública, já não está aqui, a polícia não está presente. Vamos ver também que tipo de reação haverá para esta acampada aqui na Praça Dom João I.

Miguel Pinheiro Correia, em direto da Praça Dom João I, no Porto, onde há, nesta altura, uma tenda montada.

E Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, Laura, insiste que o tribunal só autorizou uma tenda e recorda o percurso partidário de Renata Câmara.

O Tribunal Administrativo de Lisboa autorizou a ativista Renata Câmara a acampar na Praça do Rossio para lá da meia-noite e meia. Ora, Hugo Soares alinha com Luís Neves e defende que o tribunal autorizou apenas um caso individual.

Eu creio que a decisão judicial, que deve ser respeitada com humildade democrática, mas, sobretudo, com humildade e espírito de respeito pelas decisões judiciais, é assim que deve ser num Estado de direito democrático. O que a decisão judicial diz? Diz que é permitida, numa resposta individual a uma requerente, eu vou repetir, na resposta individual a uma requerente, a montagem de uma tenda para uma manifestação.

Nesta entrevista à CNN, Hugo Soares recorda ainda o percurso de Renata Câmara.

Quem é Renata Câmara? Renata Câmara não é uma cidadã apartidária. Esta porta-voz daqueles cidadãos que meteu esta ação em tribunal para ela, está longe de ser uma cidadã apartidária. E os portugueses têm que saber. Esta senhora, uma cidadã livre, não é apartidária. A Renata Câmara é militante ou foi militante do movimento da Alternativa Socialista e agora é militante de um outro partido da esquerda radical.

O líder parlamentar do PSD saiu ainda em defesa de Luís Neves. Hugo Soares afirma que o ministro da Administração Interna é responsável pela reorganização do Aeroporto de Lisboa e também merecedor de crédito pelo combate aos incêndios.

E a reunião do Conselho de Estado terminou às oito da noite. Laura, o encontro foi convocado pelo Presidente da República para debater a coesão social e durou cinco horas.

Foi tempo necessário para ouvir os contributos dos 15 conselheiros que marcaram presença no Palácio de Belém. Apesar da longa reunião, o comunicado divulgado à imprensa no final do encontro não revelou grandes conclusões. Fica-se por uma mensagem lacônica sobre a importância da coesão social para a confiança dos portugueses nas instituições democráticas. Vasco Maldonado Correia.

Foram cinco horas de reunião, com a habitação em pano de fundo para o tema que levou António José Seguro a convocar o Conselho de Estado a coesão social. O comunicado divulgado à imprensa no final da reunião não revela praticamente nada sobre as conclusões do encontro. Nota apenas que os conselheiros de Estado foram ouvidos sobre os caminhos que consideram adequados para o reforço da coesão social, sendo que olham para essa questão como condição para a resposta aos desafios estruturais do país. Desafios tais como a desigualdade, a coesão territorial e também o acesso a bens essenciais, como a habitação, a educação e a saúde. Sem mais detalhes, o comunicado termina com a informação de que o Presidente da República valorizou os contributos apresentados pelos conselheiros, sublinhando que enriqueceram a reflexão sobre a matéria. E reafirma também que a coesão social tem importância acrescida para a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. Nesta reunião, estiveram presentes 15 dos 19 conselheiros. O encontro contou já com o contributo de duas caras novas: o presidente do Tribunal Constitucional, João Carlos Loureiro, e a Provedora de Justiça, Luísa Neto.

Vasco Maldonado Correia, que esteve no Palácio de Belém a acompanhar a reunião do Conselho de Estado, a segunda no mandato de António José Seguro como presidente da República.

E no desporto, Laura, o Benfica venceu o Alverca por uma bola a zero no Estádio da Luz, no jogo que encerrou a décima jornada da Primeira Liga.

Os encarnados continuam, ainda assim, a cinco pontos de distância do líder Futebol Clube do Porto. No Estádio da Luz, em Lisboa, Pávlovidés garantiu o triunfo do Benfica com uma grande penalidade aos 51 minutos, e que lhe permitiu consolidar a liderança da lista de melhores marcadores da prova com 10 golos, mais dois do que Luís Soares. No final da partida, o treinador Marco Silva admitiu que foi o jogo em que fez mexidas mais tarde na equipa.

Nem sempre tem que se fazer as alterações todas. É óbvio que a alteração ao intervalo era necessária. Nós estávamos olhando um pouco de uma forma geral para o jogo. Uma vitória muito importante para nós, mais três pontos, uma vitória justa também, mas muito difícil. Em termos de exibição, não foi a exibição que nós normalmente temos e gostamos, da forma como gostamos de o fazer, mas faz parte. E hoje não foi uma noite desinspirada da nossa parte. Em muitos momentos, muito coração e pouco equilíbrio para tomarmos as decisões mais acertadas que o jogo pedia.

Marco Silva, treinador do Benfica, no final do jogo frente ao Alverca. O Benfica segue assim na segunda posição com 25 pontos, a cinco do líder Futebol Clube do Porto, enquanto o Alverca, que somou a segunda derrota consecutiva, é décimo classificado com 11 pontos.

E esta terça-feira regressa à Liga dos Campeões. Laura, o Sporting defronta os ucranianos do Shakhtar Donetsk.

É o primeiro jogo dos Leões na era pós-Rui Borges e até chegar o próximo treinador, Paulo Fonseca, é Tiago Fernandes quem assumiu o cargo interinamente. Em Londres, cidade que vai receber este Sporting x Shakhtar Donetsk, Tiago Fernandes garante que apesar da mudança no comando técnico, os jogadores estão prontos e recetivos às instruções para o jogo.

Estamos preparados para fazer um bom jogo. Senti muita confiança no grupo e os jogadores estão muito recetivos à informação para o jogo, por isso tenho bastante confiança que vamos fazer um bom jogo e anular a equipe do Shakhtar.

Relativamente ao papel de treinador interino que agora desempenha no clube, Tiago Fernandes puxa a fita atrás oito anos para relembrar o jogo frente ao Arsenal, no qual desempenhou o mesmo papel.

Como da última vez, o Sporting precisou do meu contributo para, de forma interina, assumir a equipa do Sporting. A direção falou comigo e foi a preparação para um jogo, como aconteceu no passado, da melhor forma possível, tentando sempre falar com os jogadores de forma direta, sincera e aberta, para nós todos termos a noção e a responsabilidade de que amanhã temos que fazer um bom jogo. Eu estou aqui para servir o Sporting, estou muito feliz na equipe B, estamos a fazer um excelente trabalho e a minha ambição é claramente estar no Sporting, que é o meu clube, e retribuir ao clube tudo aquilo que ele apostou em mim.

Declarações do treinador interino dos Leões, Tiago Fernandes, na conferência de imprensa de antevisão ao jogo Shakhtar Donetsk x Sporting, que joga-se em Londres, no Stamford Bridge, estádio dos ingleses do Chelsea, emprestado aos ucranianos do Shakhtar.

O apito inicial marcado para as 17h45. O jogo vai contar, claro está, com relato em direto e análise aqui na Rádio Observador. Para já, 14 minutos para a meia-noite. Tempo ainda para atualizar outras notícias que estão a marcar esta segunda-feira, já início terça-feira.

O encontro trilateral entre a Ucrânia, Rússia e os Estados Unidos está marcado para 10 e 11 de novembro. O anúncio foi feito pelo enviado especial de Donald Trump. Steve Witkoff avança ainda que o encontro vai acontecer em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Além disso, os negociadores norte-americanos vão encontrar-se com representantes europeus esta semana em Bruxelas para debater as garantias de segurança da Ucrânia, a arquitetura de segurança da Europa pós-guerra e também oportunidades econômicas para apoiar a reconstrução da Ucrânia. Nos Estados Unidos, a pouco menos de 48 horas das urnas fecharem na Califórnia, o Supremo Tribunal colocou um ponto final na luta do governo federal norte-americano para bloquear a contagem de 20 mil votos por correspondência para as eleições intercalares no estado mais populoso dos Estados Unidos. Depois de um juiz federal ter rejeitado o pedido na passada quarta-feira, a administração Trump recorreu esta segunda-feira da decisão para o Supremo Tribunal, que em poucas horas confirmou a decisão da instância mais baixa. Na base do pedido, está o argumento de que as pessoas que enviaram esses 20 mil boletins podem não ser cidadãos norte-americanos, não tendo, portanto, o direito a votar.

Fica por aqui a edição da meia-noite com a Laura Figueiredo, a quem desejo um bom descanso e que está de regresso esta terça-feira a partir das 21h. Um abraço, Laura. Um bom descanso.

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