Pedro Alliana assume a presidência do Paraguai após impeachment e prisão de Santiago Peña
O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a presidência do Paraguai nesta sexta-feira, 6, após o impeachment e a prisão de Santiago Peña em meio a crise do Ueno Bank.
Em seu primeiro pronunciamento no cargo, após receber a faixa e o bastão presidenciais, Alliana prometeu ressarcir integralmente os clientes prejudicados pela crise bancária que levou à queda de seu antecessor.
"Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil em consequência do colapso financeiro serão integralmente indenizados. Não vamos deixá-los sozinhos", disse.
Peña foi afastado por 44 votos favoráveis e uma ausência, em uma votação realizada três dias depois da intervenção no banco Ueno, uma das maiores instituições do país, com o qual o então presidente mantinha vínculos. A medida deixou cerca de três milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.
Prisão de Santiago Peña
O ex-presidente do Paraguai foi preso em sua casa, em Assunção, na noite desta sexta-feira, por ordem do Ministério Público. A detenção acontece no mesmo dia em que o Senado aprovou seu impeachment, motivado pela crise financeira do Ueno Bank. Penã deverá permanecer em prisão domiciliar e à disposição da Justiça, segundo informações do jornal paraguaio ABC Color.
A investigação envolve suspeitas de lesão de confiança e outros possíveis crimes relacionados à crise do banco. A ordem de prisão foi assinada por quatro integrantes da equipe responsável e encaminhada à Comandância da Polícia Nacional.
Senado aprova impeachment de Santiago Peña
Mais cedo, impeachment de Peña foi aprovada pelo Senado por unanimidade. Além de afastar o agora ex-presidente, os senadores decidiram encaminhar o processo à Procuradoria-Geral para a abertura de investigações criminais.
O ex-presidente não compareceu ao julgamento e foi representado pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda. Antes da votação, os senadores rejeitaram um pedido da defesa para ampliar em 72 horas o prazo de votação. Os advogados argumentaram que o julgamento seria nulo porque Peña já havia apresentado sua renúncia ao cargo.
Renúncia não impediu impeachment
Na quinta-feira, 5, Peña anunciou sua renúncia à Presidência em um vídeo publicado enquanto a Câmara dos Deputados analisava a acusação contra ele. Mesmo com o anúncio, os 78 deputados presentes aprovaram a abertura do processo por unanimidade, segundo a EFE.
Em seguida, deputados e senadores se reuniram em sessão conjunta para deliberar sobre a renúncia. A votação, porém, não foi concluída. Parlamentares governistas do Partido Colorado deixaram o plenário, e a sessão terminou sem quórum, de acordo com a Bloomberg Línea.
Entenda a crise do Ueno Bank
A crise que levou à queda de Peña começou em 2 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai (BCP) abriu um processo de resolução do Ueno Bank. A autoridade monetária identificou que o índice de solvência da instituição estava abaixo de 50% do mínimo exigido.
Mais de 3 milhões de contas foram congeladas, segundo o ABC Color. O banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, o equivalente a aproximadamente R$ 4,6 bilhões, de acordo com a Reuters.
A atuação do governo na instituição foi o centro das acusações apresentadas pelos deputados que conduziram o processo de impeachment. As denúncias foram organizadas em cinco eixos:
- Conflito de interesses: Peña era acionista da Ueno Holding e nomeou Carlos Carvallo, ex-presidente da Ueno Financiera, para comandar o Banco Central do Paraguai.
- Fundos de aposentadoria: cerca de US$ 344 milhões do Instituto de Previsão Social (IPS), aproximadamente R$ 1,9 bilhão, teriam sido direcionados ao banco.
- Empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador: as operações somavam 743,8 bilhões de guaranis, cerca de R$ 637 milhões. O valor correspondia a 30% do patrimônio do banco, acima do limite legal de 20%.
- Enriquecimento: a acusação aponta a concessão de empréstimos ao próprio Peña, incluindo um financiamento para a compra de uma casa em San Bernardino.
- Abalo da confiança no sistema financeiro: os deputados também atribuíram ao governo responsabilidade pelos efeitos da crise sobre a credibilidade do setor bancário.
A apuração sobre o escândalo financeiro alcançou outros integrantes da instituição. O Ministério Público acusou 27 pessoas ligadas ao Ueno Bank e a empresas relacionadas. Também pediu a prisão preventiva de Miguel Vázquez, primeiro vice-presidente do banco.
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