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Saturday, September 12, 2026

Stray kids faz show mais contido no dia de k-pop no Rock in Rio, marcado por aglomerações

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O Stray Kids fez, até agora, o show mais cheio do palco principal do Rock in Rio deste ano. O grupo de k-pop, um dos maiores do gênero, encerrou o primeiro dia dedicado ao pop da Coreia do Sul no festival brasileiro. "Eu não consigo ver o fundo, de tanta gente", resumiu o líder Bang Chan, num momento.

Eles replicaram a mesma demanda de abril do ano passado, quando atraíram 160 mil pessoas em três shows nos estádios do Morumbis, em São Paulo, e Engenhão, no Rio de Janeiro. As entradas desta sexta (11), no entanto, não esgotaram.

Desta vez, a boyband fez um show mais contido, adaptado a um festival. Deixaram a coreografia sincronizada de lado em muitas das músicas para se aproximar do público, caminhando pelo palco estendido enquanto cantavam e acenavam para fãs. Mais caótica, a apresentação solo de 2025 juntou 30 músicas em 3h, incluiu um carro e um boneco inflável enorme no palco, além de pirotecnias diversas.

Para a apresentação de cerca de 1h30, montaram um setlist com os sucessos da carreira de oito anos. Entre eles, "S-Class", "Maniac", "Thunderous", "Chk Chk Boom", "Lalala" e "God's Menu".

Horas antes de subir ao palco, o headliner provocou engarrafamentos, alertas de aglomeração e gente passando mal devido ao calor. Tamanha euforia não foi vista nos outros dias do Rock in Rio, que termina no domingo (13).

Como era esperado, o dia do pop sul-coreano atraiu um público sobretudo jovem, que incluía famílias com crianças e adolescentes, muitos deles indo a um festival pela primeira vez.

Vários fãs madrugaram sob chuva forte antes dos portões abrirem e montaram acampamento em frente ao palco principal. Quem chegou mais tarde estendeu cangas no chão e ficou por lá mesmo, o que dificultou a circulação entre os palcos Mundo e Sunset.

Uma hora antes da performance do Stray Kids, espectadores discutiam entre si: muitos queriam chegar mais perto do palco e esbarravam ou caíam em quem estava sentado.

Um aperto só, que deixou o ambiente mais quente. Vários fãs passaram mal e retrocederam, e os que estavam mais próximos ao palco foram retiradas da pista por bombeiros. Durante o show, Bang Chan pediu para os fãs terem cuidado e disse que o mais importante era manter a segurança. Ao menos a chuva forte da manhã deu uma trégua.

Os ânimos melhoraram assim que a apresentação começou. Uma banda ao vivo, raridade nos shows de k-pop, puxou o coro com o nome do grupo, enquanto o telão exibia Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N. entrando pela lateral da pista, para a loucura dos Stays, como são chamados seus fãs.

A boyband abriu com "Topline", que traz batidas fortes de hip-hop. Com microfone na mão e sem dançar, chegaram fazendo pose, usando óculos escuros. O líder Bang Chan exibiu o tanquinho.

O estilo musical característico do grupo, marcado por batidas fortes de hip-hop e pitadas de rock, deu o tom da performance. O público reagiu gritando, cantando e dançando a coreografia do começo ao fim.

Num dos pontos altos, os cantores apresentaram elementos tradicionais da cultura natal. Quando voltaram ao palco num momento para "Divine", vestiam figurinos que remetiam ao hanbok, vestimenta tradicional coreana, enquanto dançarinos usavam o gat, chapéu tradicional como o visto nos Saja Boys de "Guerreiras do K-pop". Minutos depois, atravessaram uma cortina estampada com o "irworobongdo", ilustração tradicional que ficava localizada logo atrás do trono de reis.

Fizeram a felicidade da plateia ao cantar um trecho de "Ai Se Eu Te Pego", de Michel Teló, repetindo o cover do ano passado. Apesar de serem oito, o líder Bang Chan foi quem conduziu a maior parte das conversas com a plateia

O show entrou num clima de balada, com batidas fortes de eletrônica, em faixas como "Do It" e "Ceremony", acompanhadas de fogos e fumaça lançadas do palco. O playback, ferramenta comum nessa indústria, foi usado aqui em alguns trechos. Próximo ao final, a apresentação perdeu um pouco o ritmo, com um bis prolongado, várias despedidas dos integrantes, canções mais calmas e algumas repetidas. Cantaram duas vezes "Chk Chk Boom" e "This & That", a canção mais recente, lançada no mês passado.

Uma grande novidade nesta edição do festival é uma estrutura de 2.400 m² de painéis de LED de alta definição que formam um único telão enorme no Palco Mundo. Isso ajudou a acompanhar detalhes da apresentação mesmo de longe. A tecnologia, no entanto, não é nova nos shows de k-pop --já usada pelo Stray Kids na turnê passada. Por isso, os artistas desse gênero foram os que melhor aproveitaram o recurso, deixado de lado por parte dos escalados nos dias anteriores.

Antes do headliner, os Stays tiveram de ver a apresentação do DJ Alok, que ficou solto no lineup temático do palco Mundo. Quem não está acostumado a festivais passou por outro teste de paciência: nesse intervalo, o show de Jamiroquai, no palco Sunset, foi exibido no telão do Mundo. Impacientes e sem nunca ter ouvido falar do britânico, reclamavam e pediam para que saísse logo.

Além deles, a cantora Hwasa mostrou seu estilo ousado e atraiu uma multidão que acompanhou animada, às 19h. Mais cedo, às 16h40, o Nexz, septeto ainda pouco conhecido e gerido pela mesma gravadora do Stray Kids, apresentou um k-pop correto, mas repetitivo.

A estreia do gênero levou clima diferente ao Rock in Rio, algo muito característico do k-pop. Fãs capricharam nos looks, cheios de saias plissadas, camisas personalizadas com o nome do integrante favorito, botas plataformas, cabelos coloridos e maquiagens com brilhos.

Os Stays passeavam com photocards pendurados em bolsas e calças. O cartãozinho colecionável, que traz a foto de um integrante, são a cara do pop da Coreia do Sul. Os leques, já onipresentes em festivais, dividiram as mãos com versões redondas, estampados com o rosto dos cantores.

Durante os shows, balançavam os lighsticks, bastões de luz que alinham cores e batidas diferentes de acordo com as músicas. Cada grupo tem o seu, e o do Stray Kids representa uma bússola com uma estrela. Horas antes da apresentação, fãs correram para uma loja temporária montada perto do Parque Olímpico com produtos oficiais para garantir um, vendido por R$ 599.

Resta saber se o Rock in Rio repetirá a investida coreana, que comprovou ter demanda. O festival segue até domingo (13).

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