Jato que derrubou avião da Gol em 2006 continua voando por empresa mexicana
No último domingo (27), um jato Embraer Legacy 600, da companhia aérea mexicana FlyMex, partiu do aeroporto de Sacramento (EUA) para um voo de duas horas até Hermosillo, no México, segundo a plataforma de monitoramento FlightRadar24.
Foi mais uma operação rotineira do jatinho, que decolou ao menos cinco vezes na semana passada entre aeroportos mexicanos e americanos.
O avião é o mesmo que em 29 de setembro de 2006 se chocou no ar com um Boeing 737 da Gol. O acidente ocorrido há 20 anos matou 154 pessoas que estavam no jato comercial. Foi a segunda maior tragédia da aviação brasileira.
O Legacy ficou sem parte da ponta da asa e sofreu outros danos, mas permaneceu controlável e pousou na base aérea do Cachimbo, no sul do Pará. Os dois pilotos foram condenados, mas não cumpriram pena e moram nos Estados Unidos. Havia mais cinco pessoas na aeronave.
O Boeing da Gol perdeu cerca de um terço da asa esquerda, ficou incontrolável e acabou se desintegrando durante a queda em uma área de mata fechada.
De matrícula americana na época, o Legacy voava de São José dos Campos (SP) para Fort Lauderdale (EUA). O choque, a cerca de 37 mil pés de altitude, ocorreu na região da Serra do Cachimbo, no norte de Mato Grosso.
Como mostrou a Folha, depois do acidente, o jato foi vendido para uma empresa especializada em compra e revenda de aeronaves. Ele ficou apreendido na base aérea no Pará até novembro de 2010, quando acabou levado para os EUA, onde foi reformado.
Desde então, teve quatro matrículas até o prefixo atual, XA-FLY.
O jatinho voou para o Brasil ao menos uma vez após sua liberação. Em abril de 2014 passou por Recife e Florianópolis.
Questionada sobre o avião, a FlyMex afirmou que não divulga informações operacionais, comerciais, históricas, de rotas, de utilização ou relacionadas à frota de qualquer aeronave sob sua gestão ou operação por motivo de confidencialidade e segurança.
O avião era novo quando se envolveu no acidente com o Boeing da Gol. Tinha menos de 5 horas de voo em testes de aceitação da fábrica da Embraer em São José dos Campos para a entrega.
A apuração conduzida pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da FAB (Força Aérea Brasileira), concluiu que a colisão ocorreu por erros de controladores aéreos e dos pilotos do jatinho.
Os pilotos, os americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, foram condenados em 2011 pelo acidente a três anos e um mês de prisão. O governo americano determinou que eles não erraram, apenas os controladores. Assim, ninguém sofreu punições oficialmente.
Os dois continuaram suas carreiras nos Estados Unidos.
Em seu perfil na rede social LinkedIn, Paladino se identifica como piloto da American Airlines. Procurada por email da sua assessoria de comunicação nos EUA para confirmar se ele continua nos quadros da empresa, a companhia aérea não respondeu até a publicação deste texto.
A reportagem também mandou uma mensagem via redes sociais para questionar como ele via o acidente 20 anos depois, mas ele não respondeu.
Joseph Lepore está com certificações válidas de piloto nos Estados Unidos. A reportagem não conseguiu contato com o piloto.
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